Boas vindas

VIVER AO CONTRÁRIO...

Na minha próxima vida, quero viver de trás para a frente.
Começar morto, para despachar logo o assunto.
Depois acordar num Lar de Idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa.
Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia.
Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo.
E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bebe inocente até nascer.
Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilá!" - desapareço num orgasmo.

Woody Allen

CONGRESSO “IDADES COM HISTÓRIA” - PORTO

A Associação Amigos da Grande Idade tem já uma grande história, ainda que uma pequena vida. Nasceu para refletir sobre os lares de idosos e rapidamente alargou a reflexão ao envelhecimento. Sem reservas e sem perceber nada do que se fazia, do que se tinha feito e do que se pensava em fazer. Longe das grandes corporações misericordiosas e caritativas começou a pensar no envelhecimento real e das suas principais necessidades.

Durante os últimos anos a Associação foi a todas: desde os lares legais aos ilegais, desde as ofertas mais humildes às residências assistidas e ao envolvimento dos grandes grupos económicos, desde o envelhecimento normal ao envelhecimento patológico.

Mas recorrendo ao professor Manuel Sérgio que diz que independentemente de se ter licenciado aos 50 anos e doutorado aos 70, de ter criado uma nova teoria mundial, da motricidade humana, de ter sido deputado num partido político de reformados que criou, de ter escrito, falado, dado aulas em Universidades de vários países em várias partes do mundo, só é conhecido por ter sido professor do José Mourinho e por lhe ter transmitido um ensinamento de que ele fala habitualmente: antes de seres treinador de futebol tens que conhecer o homem porque não existem jogadores de futebol, existem homens.

A Associação aprendeu isso: antes de refletirmos sobre envelhecimento temos que perceber o homem. Não o homem velho, nem o homem novo, nem o adolescente nem o homem africano, o homem muçulmano, o homem europeu. Simplesmente o Homem. O Homo sapiens.

Perceber o homem e o seu desenvolvimento é perceber o envelhecimento. Perceber o homem e a sociedade que cria é perceber as respostas que são dadas ao envelhecimento.

O envelhecimento começa quando nascemos, logo nesse dia, nessa hora. Passado pouco tempo já estamos mais velhos. Serão os fatores que nos envolvem que irão determinar como vamos envelhecer. Envelhecemos como vivemos e como nos educaram a viver.

Assim a principal influencia para o envelhecimento é a Educação, a formação. Melhores Pessoas fazem melhores sociedades e melhores sociedades fazem com que vivamos melhor.

A Educação determina a forma como tratamos de pessoas, a forma como construímos as casas e as cidades, a forma como intervimos nas necessidades das pessoas, a forma como fazemos legislação. E determina o futuro.

Por isso temos que influenciar a educação e refletir se estaremos a educar bem as nossas pessoas mais novas, se estamos a criar e a construir pessoas preocupadas, solidárias.

Temos absoluta necessidade de mudar paradigmas: conseguir competir com solidariedade, produzir com felicidade, relacionar a tecnologia com os recursos humanos e com o afeto, procurar um modelo social assente na investigação, na evidência e nas pessoas, alterarmos a intervenção curativa pela intervenção preventiva.

Pessoas educadas no sentido positivo do seu ciclo de vida serão pessoas capazes de alterar a sociedade. Farão melhores jardins, melhores e mais adequadas casas, melhores operações médicas preocupando-se com a vida até aos 100 anos, melhor atitude social ensinando a pescar em vez de darmos canas de pesca. Poupar em tecnologia e investir em recursos humanos com afeto.

Pode dizer-se que isto é tido teórico e tudo impossível de atingir no atual quadro das sociedades modernas e competitivas capitalistas.

Mas sonhar com o impossível foi o que desenvolveu a sociedade até aos dias de hoje e que melhorou as nossas vidas. Os cristãos foram atirados aos leões e resistiram. Os judeus foram dizimados em camaras de gás e resistiram. Os democratas foram torturados e perseguidos e resistiram. Todos resistiram porque tinham convicção e acima de tudo essa convicção estava certa. Não podemos ter medo de sonhar e defender o que hoje nos parece impossível de ser realizado porque isso impede-nos de raciocinar mais corretamente e refletir mais profundamente.

O possível é o futuro do impossível.

Aceitemos que o nosso trabalho no envelhecimento tem estado desajustado e tem sido desadequado e não tem respondido às verdadeiras necessidades.

Demos mais anos á vida mas hoje a pessoa idosa tem menos expectativa que tinha há anos atrás, ou pelo menos terá as mesmas. Degradámos a família e estamos a degradar a solidariedade. Vivemos mais mas pouco saudáveis e às vezes em sofrimento.

Evidentemente que teremos que resolver problemas estruturais graves: o modelo caritativo assente na legislação conservadora e estigmatizante, o modelo de financiamento a beneficiar a disfuncionalidade e a autonomia, a inexistência de planeamento para anos futuros e o vazio de liderança que permite poderes variados corporativos e indesejáveis.

Muito disto ou praticamente tudo, decorre de políticas sociais de costas voltadas para a investigação, o conhecimento e a evidência científica.

Criam-se redes de cuidados continuados para “trabalharem” em cima de redes de lares, duplicam-se respostas, esbanja-se dinheiro, constroem-se feudos sem avaliação de quaisquer resultados. Investem-se em zonas que estão a ficar desertas e procuram-se respostas antes de existirem necessidades.

É preciso pois alterarmos muita coisa. Criarmos novos modelos de lares, reduzir os cuidados continuados a duas tipologias: pequena e média duração, convalescença e recuperação global, integrando as outras numa resposta global que também tenha os lares de idosos atuais carregados de pessoas a necessitarem de cuidados de longa duração. Deixar de inventar necessidades para justificar contratação de técnicos nos cuidados paliativos.

Mudar o financiamento beneficiando aqueles que mantem maior funcionalidade, que fazem prevenção e que conseguem que se viva com mais saude os últimos anos de vida. Não devemos atrasar o envelhecimento mas apenas torna-lo menos doente.

Não olhar exclusivamente para os velhos doentes e incapazes quando chegam aos lares ou aos hospitais. Olhar para as pessoas muito antes dessas situações e oferecer-lhes serviços e cuidados em ofertas devidamente legisladas.

Contribuir com apoios para a manutenção de pessoas no domicílio mas sem criar novas profissões e inventar cuidadores informais que quando deixarem de ser necessários tentarão encontrar e manter mais pessoas doentes e necessitadas para justificarem o seu trabalho.

Apoiar a família, as universidades seniores, as associações coletivas das pequenas aldeias e vilas, o turismo sénior modesto e barato, generalizar os apoios a entidades quaisquer que elas sejam e não façam depender esses apoios de terem estatutos de misericórdias, mutualidades, IPSS’s e amigos dos amigos dos amigos.

Mas comecemos a mudar já, por nós. Criarmos novas respostas e novas ofertas com a nossa criatividade e empreendedorismos mas acima de tudo sem estigmatizar, sem preconceito, sem considerar a pessoa idosa como um velho diferente das outras pessoas.

Precisamos de mudar procedimentos, comportamentos e atitudes nos lares de idosos e nos estabelecimentos onde, alguns, trabalhamos.

E, meus caros e minhas caras, investir, investir muito e sempre na formação, no conhecimento, na partilha da investigação e da evidência que vamos criando. Par além de intervirmos como cidadãos e cidadãs na defesa dos mais elementares direitos das pessoas que é envelhecer com dignidade.

Nunca ficarmos resignados com o que temos. Sejamos, cristãos, judeus ou democratas, sejamos alguma coisa que nos faça sair do marasmo e combater a situação atual.

Na evocação de S. Mateus diz-se: “Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se. O seguiu”.

 

VALE A PENA SER VELHO!...

Reabriram hoje os trabalhos da Assembleia da Republica, iniciando-se a XIII legislatura. Muitos dos Portugueses, provavelmente a grande maioria, não dá qualquer valor a este ato/cerimónia, tanto é o desfasamento atual da actividade politica que gere o País e que determina as nossas vidas e os cidadãos portugueses que continuam na velha e fascista atitude “Eles são todos iguais, cambada de malandros”.

Não é assim e “Eles” são as pessoas em que alguns do nós confiámos o nosso futuro imediato, que tem uma parte significativa da nossa vida e da nossa felicidade nas mãos, que na generalidade são homens e mulheres que decidiram dedicar-se à causa publica, alguns com nítido prejuízo em relação a outros cargos mais rentáveis que poderiam ocupar e que, na maioria dos casos, para além de fazerem aquilo que todos fazemos, tem uma preocupação em contribuírem para a construção de um país melhor, mais justo e mais desenvolvido.

Mas a causa deste texto é simplesmente para registar que, nesta primeira sessão, competia ao líder parlamentar do maior grupo parlamentar, propor um nome para a condução dos trabalhos da primeira sessão, na medida em que não está ainda eleito o novo presidente da Assembleia da Republica.

O que quero destacar é que o critério foi exclusivamente propor o deputado mais velho para ocupar esse lugar. O mais velho em idade!

Este acontecimento não vale nada mas, para mim, e perdoem-me a persistência, tem o valor simbólico de fazer valer a idade como critério distintivo num conjunto de personalidades de grande valia intelectual e de grande relevância social. O deputado em causa tem 70 anos e isso não impede que seja aceite por unanimidade na Assembleia que representa o povo português a sua liderança e a sua capacidade de coordenação. É uma elevada distinção intelectual e social em que a idade, ao contrário de servir para estigmatizar, serve par enviar a mensagem de que representa conhecimento, respeito e, acima de tudo, utilidade.

Alberto Martins do alto dos seus 70 anos é um homem de grandes funções no Estado, no seu partido e na sociedade. Se vivesse num lar de idosos não seria, com certeza, tratado da forma como se tratam habitualmente as pessoas de 70 anos que estão num lar. Ou será, que mesmo assim, seria?

Mais interessante do que isso é que muitos vão dizer: está maluco! Estas pessoas não estão em lares. É verdade. Mas não estão estas mas estão outras que durante a sua vida para outras pessoas, outros grupos de cidadãos, outros exercícios profissionais, outros envolvimentos, tiveram tanta importância na sua dimensão como Alberto Martins tem na dele neste contexto em que está integrado. O importante é perceber que a idade não é uma marca negativa mas poderá ser e deve ser uma distinção positiva. Mesmo quando se trata de Mário Soares que se dissesse aquilo que as vezes diz, num Lar de Idosos, estava carregado de medicação para a loucura, a agitação, o alzheimer e, especialmente a energia de contrariar a resignação e a inutilidade.

Já por uma vez tinha abordado a questão das pessoas importantes não envelhecerem ou não estarem em Lares. Esta minha preocupação prende-se com o facto de insistirmos em não só descriminarmos pela idade como descriminarmos duplamente juntando a idade á relevância social e à importância financeira e intelectual.

Eu nem sei se existem pessoas destas dimensões em lares de idosos mas se existissem podem crer que não se distinguem para a maior parte dos técnicos e das instituições dos outros idosos que continuam sem direitos, sem liberdades, sem respeito, sem nada que não seja a medicação às refeições, a mudança de fralda porque não se levam à casa de banho, as refeições variadas durante o dia e umas poucas vezes um “bom dia” quando se cruzam com elas.

Não pretendo, nem nunca pretenderei fazer a apologia de que as pessoas devem ter como primeira opção a ida para um Lar quando completam algumas idades generosas. Não. Para o Lar devem ir as pessoas que o desejam. As pessoas que, percebendo que nada fazem em casa, que já não tem a companhia dos filhos, nem dos netos, que já lhes custa passar dias inteiros sem falar, que estão fechadas em habitações com imensas escadas e que mesmo que tenham elevador não é interessante utilizar porque se tem medo, pessoas que passam dias, semanas, meses, sem saírem à rua e que a única ligação com o mundo real é apenas o telefonema do fim de tarde por parte do filho que assim desculpa todas as incapacidades de passar um bocado de tempo na presença do pai, pessoas que caem em casas e ficam caídas até que alguém ouça o grito ou a visita sem querer e depare com a situação. São essas pessoas que podem facilmente optar por um lar.

A questão principal é que afinal não o podem fazer e não o podem fazer por nossa culpa. Porque os lares metem medo, são aflitivos, cheiram mal, escondem segredos com o rabo de fora onde se percebem maus tratos, são lugares de empregos sem formação profissional e sem qualquer avaliação de desempenho. São asilos.

E a situação tende a piorar porque começam a avaliar a qualidade dos lares pela sua qualidade de serviço de saúde com respostas para doentes. Confundem isto tudo mas confundem essencialmente as pessoas. Porque não está certo que se o Alberto Martins quiser ir para um lar seja obrigatório ocupar um quarto frio, destituído do conforto e da desarrumação afetiva habitual das nossas habitações e com sorte, obrigado a dormir numa cama articulada e a ter uma pessoa a entrar no quarto sem bater à porta para lhe dar comprimidos ou perguntar se ele está bem e a cumprir regras infames que levam aos portões fechados, à chamada segurançazinha dos velhinhos, às refeições brutalmente definidas a horas rigorosas em função das necessidades dos trabalhadores e outras violências do género.

Quando é que acabamos com isto? Quando é que começamos a distinguir o papel das instituições sociais em relação às pessoas com necessidades de cuidados de saúde e fortemente consumidoras desses cuidados, da possibilidade de vivermos num espaço coletivo cujo objetivo será essencialmente manter a nossa utilidade e funcionalidade e especialmente responder às nossas situações críticas próprias da nossa idade? Porque continuam a não permitir o desenvolvimento de modelos diferentes das vontades da segurançazinha social muito amiguinha dos desgraçadinhos? Que poderes, que autoridades, que interesses dominam este País onde as opções para envelhecer não evoluem desde a primeira lei de lares de idosos que foi promulgada no dia em que Salazar caiu da cadeira?

Esta conversa toda afinal é para quê?

Para continuar a defender uma mudança de paradigma na área do envelhecimento em Portugal. Primeiro para dizer que a idade avançada ou mais avançada, ao contrário do que estamos habituados a assistir, não é um estigma negativo mas pode bem ser uma distinção positiva. E não é preciso andarmos com os exemplos das tribos africanas em que o mais velho é o líder da comunidade. Não é preciso exemplos tribais nem de comunidades não desenvolvidas e sem semelhanças com a nossa. O exemplo é percebermos que quem manda nisto tudo são pessoas idosas que, infelizmente esquecem-se de como são tratados os seus semelhantes da mesma idade só pela facto de terem essa semelhança. A idade. Ninguém quer que os velhos envelheçam todos no Palácio de Belém. Só se pretende que os velhos sejam tratados como quem vive, com a mesma idade, no Palácio de Belém e que quando mandam atoardas não sejam logo condenados a um alzheimer que serve para os inutilizar através de medicação e outros procedimentos. Portanto que os velhos importantes se preocupem definitivamente com os outros velhos.

Em segundo porque não nos dão o direito de oferecermos ofertas de serviço e de prestação de cuidados inovadoras, flexíveis que não sejam estigmatizadas pela legislação que a única coisa que se preocupa é combater a descriminação dando nomes pomposos aos lares. Primeiro passaram de asilo a Lar de idosos e agora a “Estruturas residenciais para pessoas idosas”. Ridículo! Quando se sabe que o nome não tem importância nenhuma e o que importa é a interpretação dos engenheiritos e técnicozitos superiores da segurança social sobre a lei, combatendo todos os modelos que se possam aproximar do conforto desorganizado e pouco legal das nossas habitações. Não se pretende também a selvajaria. Pretende-se exigir estruturas em que pessoas idosas sem qualquer doença vivam em espaços confortáveis sem mistura com unidades pretensiosamente hospitalares e que se acabe com o modelo tudo ao monte em fé em Deus. Se uma pessoa tem alzheimer deve ser cuidada numa unidade de Alzheimer. Se uma pessoa tem demência deve ser tratada numa unidade de demência, se uma pessoa está incapaz funcionalmente deve haver a preocupação de quem cuida, saber que essas limitações requerem atitudes, comportamentos e conhecimentos que não são os mesmos para quem não tem qualquer limitação. Que nos deixem construir modelos diferentes, fiscalizados mas que respondam às necessidades reais de cada situação e não obriguem à confusão e indignidade atual.

Em terceiro que seja definitivamente exigida a formação necessária para se trabalhar nesta área. Formação que permita e obrigue as pessoas a entenderem que idosos num lar de idosos, com 70 anos, são iguais ao Alberto Martins que preside hoje a Assembleia da Republica. Que as pessoas idosas não são anormais e que o facto de se estar num lar não lhes retira qualquer direito. Formação base mínima que não seja só a tragédia da exigências de um nono ano ou 6ª classe que já se fez há trinta anos e que não permite que hoje se saiba escrever ou ler, quanto mais entender. Fiscalização forte sobre esta área é obrigatória. Não se pode continuar a ter nas mãos de pessoas que nunca fizeram qualquer formação específica ou mesmo geral, outras pessoas que dependem delas em muitas situações. Não é justo nem para as pessoas idosas nem para as pessoas que dizem cuidar e acompanhar esses idosos. Porque os trabalhadores desta área também não tem grandes culpas: ganham pessimamente mas acima de tudo são tratados com pouco respeito pelos licenciados que, se formos a ver não frequentam uma ação de formação há muitos anos e escondem-se atrás de uma licenciatura numa área qualquer que os pode ter preparado para tudo menos para liderar equipas que trabalham em serviços e cuidados dirigidos a pessoas idosas.

Resolver os problemas da educação e definição de políticas públicas para o envelhecimento, a legislação desadequada e ultrapassada e a formação para o exercício profissional na área do envelhecimento são as 3 questões fundamentais para um envelhecimento mais feliz, mais digno e mais seguro no nosso País.

Se for necessário combater grandes poderes, grandes interesses e grandes lideranças impostas no terreno que desejam manter a situação dos pais de desgraçadinhos que temos, então que seja aprofundado esse combate.

Um combate de vida ou de morte porque todos nós vamos desejar profundas alterações quando tivermos 70 anos e não nos chamarmos Alberto Martins ou Mátrio Soares ou Cavaco Silva. E morreremos infelizes, tristes e mal tratados.






VIVA O PAPA… E A FAMILIA

O Papa Francisco, como parece gostar de ser tratado, surpreendeu mais uma vez na intervenção de despedida da visita aos Estados Unidos da América com algumas declarações engraçadas a propósito da família. Encantou os presentes e o mundo referindo-se a Jesus que nunca foi casado, às sogras e aos problemas domésticos próprios das famílias.

Tudo isto para reforçar a importância da família na sociedade e no mundo.

Nunca falei com o Papa Francisco, nem nenhum elemento que conheça da Associação Amigos da Grande Idade, mas há dois anos defendemos, como hoje, que um dos principais fatores para o desenvolvimento social assenta na reconstrução da família tradicional, voltando a aprofundar as suas mais profundas solidariedades e os seus mais valiosos valores. Ficámos até surpreendidos numa declaração do mesmo Papa Francisco que pouco cautelosamente referiu que era no seio da família que existiam mais maus tratos e mais problemas com as pessoas idosas e as crianças. Declaração pouco cautelosa porque serve os interesses daqueles que dizendo que defendem a família vivem à custa da sua desintegração e da sua incapacidade de responder às necessidades de pessoas mais vulneráveis.

Na verdade tarda em que no nosso país se entenda que é direito fundamental das famílias poderem receber as comparticipações sociais do Estado e estas deixarem de depender da institucionalização em entidades que continuam a não ser avaliadas e cujos indicadores de desempenham deixam muito a desejar.

Se pensarmos na necessidade de valorizar, manter e aprofundar a família e as suas tradicionais relações, logo chegamos à conclusão que o modelo de comparticipação da segurança social é contra os direitos fundamentais e contra esse princípio da família. A comparticipação para uma pessoa idosa continua a ser dada exclusivamente à instituição social onde a pessoa é institucionalizada, continuando a perguntar qual a razão que existe para não a atribuir à pessoa diretamente ou perante a incapacidade da mesma ao seu representante legalmente constituído?

Acompanhemos o Papa Francisco nesta reflexão que coloca a família no topo da pirâmide do desenvolvimento social. Mas sejamos coerentes e dessa forma iniciemos uma defesa global da família que implica uma alteração substancial do modelo de financiamento social que temos.

Que todos entendam que o caminho correto é o apoio á família e não o apoio às instituições sociais.

TEMPO DE ESPERA

Estamos em período de espera.

Temos um  governo em final de mandato e todos os serviços públicos, todas as pessoas começam já a preparar-se para nova legislatura. É um período curioso mas ao mesmo tempo inútil. Ninguem nega nada mas também ninguém decide nada.

Entretanto surgem novidades, por acaso não muito interessantes.

Parece que os Presidentes de algumas entidades publicas, incluindo a segurança social, até agora nomeados por confiança politica, como na minha opinião faz sentido, conseguiram garantir o cargo mesmo que o partido que os nomeou perca as eleições. Tratou-se de inventar um concurso para esses cargos, onde se exigia a experiência no cargo. É extraordinário!

Obviamente que se o Partido que os nomeou perder não há problemas para o que ganhar: extingue-se o cargo.

Na área da segurança social, que diz muito respeito à actividade que desenvolvo, tanto profissional como de cidadania e que tem o "pelouro" das pessoas idosas , esta situação é brutal. 

Não existe em Portugal um técnico social que trabalhe em equipamentos e serviços destinados a pessoas idosas que consiga apontar uma qualidade ao trabalho da segurança social, na medida em que esta entidade se continua a posicionar como uma força policial e fiscalizadora.

Neste tempo de espera surgiu outra novidade: a transferência de competências para as autarquias. 

Há anos que defendo esta descentralização, passando a área social do país a depender das decisões locais dos lideres que convivem e sentem as suas populações.

Talvez assim os dinheiros públicos sejam mais bem aplicados.

OSCARES DE WOLLYWOOD

Os tempos estão diferentes.

Ontem a academia dos óscares premiou os melhores do cinema do ano. Interessante verificar que dois dos filmes premiados tem a ver com novos problemas que, há poucos anos, diziam respeito a pequenas minorias de cidadãos que faziam das tripas coração para viverem esses problemas com uma egoísta indiferença de toda uma sociedade a caminho do bem-estar económico e social.

A Esclerose lateral amiotrófica e o Alzheimer tiveram a atenção de milhões de pessoas em todo o Mundo. Finalmente que por uns momentos todos se lembraram de duas situações graves e cujas respostas a sociedade negligencia.

Mas atenção que Hollywood lembrou que existem. Que milhares de pessoas sofrem destas doenças e que precisam de respostas. Respostas cujos filmes, ontem premiados, tem dificuldade em apresentar, descrevendo a incapacidade das famílias, das entidades, dos medicamentos, da tecnologia para fazer face a estes dramas.

Seria bom que tudo não ficasse pelas emoções e que todos procurássemos partilhar o sofrimento de alguns com doenças revoltantes que não matam mas que fazem com que a vida seja muito parecida com essa morte seja ela o que for, que não será com certeza, coisa boa.

O Alzheimer é cada vez mais comum: não escolhe classe social, estatuto económico, sexo, cor, outras opções. Ataca indiferentemente.

Em Portugal concretamente a situação é dramática: não existem respostas institucionais capazes, o diagnóstico é discutível e muitas vezes incorreto, a medicação toma o poder, disfuncionalizando e atirando para quartos escuros, camas e cadeiras com lençóis à volta do corpo para impedir movimentos indesejáveis. Os técnicos e as instituições cada vez tem mais dificuldade em conviver com esta patologia não só por falta de formação e de soluções adequadas como também pelo desequilíbrio que a doença provoca em grupos de outras pessoas que vivem nos mesmos espaços.

E mais uma vez ao refletir sobre esta patologia, retorno a um documento da Associação a que presido que se intitula as cinco medidas para um envelhecimento digno e feliz que foi publicado há quase dez anos mas que, infelizmente se mantem atual referindo que duas das principais razões para não envelhecermos bem e sujeitar-nos a modelos ultrapassados de respostas sociais e de saude, são a inexistência de tipologias especificas para determinadas patologias e o modelo de financiamento que continua a ter o citério de apoias pessoas pelo numero de anos que tem e pela incapacidade que se avalia.

Onde estão os doentes de Alzheimer no nosso País?

Estão escondidos em casa pela vergonha de não conseguirem viver numa sociedade que ignora os mais fracos e necessitados ou em Instituições que foram criadas para tudo menos para esses doentes e as suas especiais características.

Tarda em chegar a resposta a situações especiais que afetam toda a sociedade, perdendo-se dinheiro em investimentos desajustados das realidade e financiando-se instituições e entidades em detrimento das pessoas e das suas reais necessidades.

O Alzheimer como outras doenças mais especificas tem que ter respostas adequadas e não pode ser confundido com demência, com incapacidade funcional por outras doenças, colocando as pessoas com Alzheimer em locais que mais beneficiam o seu desenvolvimento do que a sua atenuação.

É evidente que não existem milagres. Mas também é evidente que não temos o direito de atirar para buracos escuros as pessoas que sofrem de determinadas patologias, chatas como tudo, trabalhosas e nada mediáticas porque o sucesso é muito, mesmo muito reduzido.

Mas pode haver algum pequenino sucesso. Se trabalharmos bem podemos viver com pessoas com Alzheimer ao nosso lado não as tornando invisíveis ou transparentes e olhando para elas com outros olhos, criando redes de solidariedade e condições para que essas pessoas vivam a sua vida, no seu mundo e com as suas aparentes dificuldades. Dificuldades que são mais nossas do que delas próprias.

Eu cá, como sou provocador, vivo num Lar onde, com uma média de 87 anos no grupo de quase 100 residentes, nenhuma situação de Alzheimer se desenvolveu em 10 anos. Dizem que é por causa da música, das televisões sempre ligadas, do sol e do barulho. Cá para mim é também pelas pessoas que diariamente aumentam o seu conhecimento sobre o envelhecimento e atuam em função desse conhecimento.

A Alice não teve tanta sorte…

APRESENTAÇÃO

NÃO PODEMOS DEIXAR DE ESGRAVATAR. ÀS VEZES É NO MEIO DOS EXCREMENTOS QUE SE ENCONTRA A MELHOR MINHOCA.
 
 
 
 

                                                                                                            

        
 
 
 
 
 
 
 

rmsfontes@sapo.pt

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Curso Gestão Organizacional Lares e Casas de Repouso





 



É A REFLECTIR QUE A GENTE SE ENTENDE...


"Partindo Jesus dali, viu sentado um homem chamado Mateus, e disse-lhe: Segue-me. E ele, levantando-se, o seguiu."
 
 
 
 
 
 

 
 
Rui Manuel dos Santos Fontes
Enfermeiro
Director Técnico Lar de Idosos
Presidente da Associação Amigos da Grande Idade
Curso Liderança para a Mudança OE/ICN
Curso Gestão em Saúde Universidade Católica
Curso Formador IEFP
Docente convidado pelo ISLA (Instituto Superior de Línguas e Administração)
 



CONGRESSO NACIONAL DA GRANDE IDADE

O Congresso nacional da Grande Idade foi uma das maiores iniciativas realizadas até hoje em Portugal que debateu a problemática do envelhecimento.
Durante cinco dias, ininterruptamente, foram realizados debates, conferencias e comunicações livres que representaram o conjunto de maior opinião publica e institucional que alguma vez existiu em Portugal.
Centenas de personalidades, de convidados e participantes tiveram a oportunidade de questionar porque continuamos a envelhecer mal no nosso país mas também foi possível assistir a muitas recomendações, propostas e soluções para graves problemas.
Consulte www.associacaoamigosdagrandeidade.com

CAMPEÕES

Há pessoas, a grande maioria, que julgam que ser campeão é o destino. Há outras que julgam que ser campeão é sorte. Há ainda quem julgue que ser campeão é consequência de comportamentos pouco legais e transparentes. Todas estas pessoas são pouco felizes porque raramente são campeões. Representam infelizmente 60% ou mais da população de um País com as características do nosso.

Mas há quem tenha a certeza que ser campeão é, de facto, sorte, mas que a sorte dá imenso trabalho. E trabalham para isso, preparam-se, fazem exercícios de modéstia e humildade, reconhecem o valor dos outros e não escondem as incapacidades em justificações rebuscadas e sempre, sempre patéticas.

O Futebol Clube do Porto está à beira de ser campeão mas não comemora nem se comporta como se já o fosse.

O Benfica há várias semanas que já era campeão e até já ia conseguir a “tripleta” (Campeonato nacional de futebol, liga europeia e taça de Portugal). Fez mal. Criou pressão intensa nos seus atletas e treinadores, desrespeitou os adversários e assumiu a sua já histórica, mas quase diluída, arrogância, tantas e tantas vezes tem perdido.

Esta história do Futebol altera o comportamento das pessoas de forma completamente absurda. Perde-se o controle e mesmo a seriedade e credibilidade. Faz com que governantes tomem partido de forma a colocar em causa a sua isenção a que são obrigados para representarem todas as pessoas e não uma parte delas. É certo que movimenta milhões de euros, mas nem tudo justifica que administradores de grandes empresas nacionais façam declarações incendiárias ao ponto de dizer que se um clube for campeão até pode aumentar o PIB nacional. Patético!

Quando uma das nossas maiores empresas é gerida por uma pessoa destas, mal vai o país na recuperação económica que tem que fazer. Costumo a dizer muitas vezes que para analisarmos a nossa capacidade de competir nos mercados, agora na moda, devíamos pensar menos na incapacidade dos trabalhadores e mais na incompetência dos gestores. Na verdade o nosso tecido empresarial é, do ponto de vista intelectual, de chorar a rir. Habitualmente incultos, sem formação académica e científica acreditada em nenhuma entidade internacional, sem qualquer característica relevante que os diferencie a não ser ocuparem os lugares por mero, aqui sim, destino ou apoiados por qualquer força invisível, sem mérito.

São empresários destes que lideram as nossas empresas. Empresários que põem em causa o dinheiro de accionistas pelas suas preferências clubísticas. Mas isto representa também o valor que este empresário dá às suas funções. O homem não tem consciência da sua importância. No fundo é ingénuo e a ingenuidade neste caso é sinónimo de pouca inteligência.

António Mexia é o nome. EDP é a empresa.

Estamos pois hoje, tristes. O PIB Português não vai aumentar e mais dificuldades teremos em sair da crise porque nas palavras de António Mexia isso aconteceria se o Benfica ganhasse. E o Benfica perdeu.

Esta minha opinião não tem a ver com o Benfica nem com o Porto directamente. Tem a ver com a tristeza de viver num País no qual indivíduos destes confundem o futebol com a vida e dão esta importância ao fenómeno. Já sabemos pois qual a justificação para a EDP ter menos lucro e ter que despedir mais trabalhadores ou não lhes melhorar as condições de trabalho.

O Homem é burro, muito burro.

Será que foi por causa do Benfica ter perdido que o primeiro-ministro convocou de urgência um conselho de ministros para esta tarde? Sabe-se lá…

 

http://www.rtp.pt/noticias/index.php?article=650655&tm=3&layout=123&visual=61




MATERNIDADE ALFREDO DA COSTA

Uma notícia hoje despertou-me a atenção: voltou o assunto do fecho da maternidade Alfredo da Costa. Isto porque terá sido apresentada uma providência cautelar sobre esta decisão do governo.

O que justifica a providência cautelar?

“No texto da providência cautelar, citado pela agência Lusa, diz que esta maternidade tem prestado serviços de elevada qualidade á população”.

Também se refere: “Esta providência cautelar destaca ainda a excepcional qualidade da maternidade, o que é conseguido graças á competência técnica e dedicação dos profissionais de saúde, a experiencia acumulada e a logística bem dirigida e organizada”.

Admira-me a assinatura de algumas pessoas mas destaco o ex-ministro Correia de Campos! Retirando qualquer argumento politico e qualquer especulação não seria bom que definitivamente se dissesse, em Portugal, nestas questões, o que são “serviços de elevada qualidade”? Ou que se explicasse o que é “excepcional qualidade da maternidade”?

Gostaria só de questionar: quais são os indicadores? Que medidas é que utilizam para referirem estes adjectivos? Será que continuaremos indefinidamente a tomar decisões por percepção, mesmo não tendo a competência do professor que tem uma série no AXN? Não chega de atirarem areia para os olhos das pessoas?

Serei o primeiro a penalizar-me sobre este texto se justificarem esta posição do não encerramento com indicadores válidos quantitativos: grau de satisfação dos utentes ou clientes ou o que queiram chamar; indicadores comparados com as maternidades europeias (se existirem como unidades especificas e isoladas), que tenham a ver com o número de partos, o sucesso, os incidentes críticos, o número de recursos humanos, a sustentabilidade financeira, etc.

Mantemos pois a avaliação a olhómetro! Viva Portugal.

QUEM MANDA?

Procurar soluções para as Pessoas Idosas Institucionalizadas começa a ser preocupação de grande parte dos técnicos que exercem funções nas Instituições e Entidades.

Percebe-se uma mudança de paradigma na oferta de cuidados e serviços a pessoas idosas no sentido de procurarmos um envelhecimento mais feliz e mais realizado.

Os Presidentes, Provedores, gerentes e Demais Donos das entidades e Instituições começam também a perceber que não é pelo facto de terem essa qualidade, legitimada pela eleição ou pela capacidade financeira de investimento próprio, que tem qualquer qualidade técnica para gerirem cuidados e serviços. Começam a perceber que o seu papel é de representação institucional, de liderança e de influencia no exercício das suas funções. Que o seu principal papel é assegurar condições favoráveis para os técnicos desenvolverem os eu trabalho com qualidade no cumprimento de objectivos que devem ser definidos por essa hierarquia.

Mas os técnicos também estão a mudar e a começar a compreender que não basta acabarem a suas licenciaturas para dirigirem, para coordenarem, para liderarem e orientarem pessoas. Precisam de aprofundar conhecimentos específicos na área da gestão, de recursos humanos, de organização do trabalho, da negociação e aquisição de bens e serviços e na sustentabilidade financeira.

Distinguir o papel das direcções técnicas dos lares e de outros serviços destinados a pessoas idosas é uma reeducação pela qual todos teremos de passar. 

Quem quer ser director técnico, estuda.

Quem quer ser dirigente, provedor, presidente ou gerente, candidata-se ou investe.

São dois papeis distintos e essenciais e deles depende a forma como vamos envelhecer no futuro no interior de instituições ou entidades.

Felizmente que os políticos tem mais que fazer, porque se também quisessem mandar no interior dos lares estávamos um bocado pior. 

É pois fundamental que quem mande no interior do lar de idosos seja quem tem capacidade para isso e não quem permite que eles existam. 

Para isto é preciso melhores directores técnicos já que os que permitem que os lares existam fizeram há muito o seu papel com grande qualidade.

RELATÓRIO DO FMI

No relatório conhecido recentemente “PORTUGAL - RETHINKING THE STATE, SELECTED EXPENDITURE REFORM OPTIONS” da autoria de Gerd Schwartz, Paulo Lopes, Carlos Mulas Granados, Emily Sinnott, Mauricio Soto, and Platon Tinios e editado pelo Fundo Monetário Internacional, vem chamar à atenção para o número elevado em Portugal, de pessoas idosas internadas em camas hospitalares, com alta hospitalar sem resolução da situação. Aponta uma preocupação clara que tem a ver com os custos elevados desta solução e das implicações nas comorbilidades associadas a este procedimento e perda de recursos públicos por inabilidade do sistema de cuidados de longa duração e incongruências observadas. Consideramos este um problema claro de Dignidade Humano ao nível do Envelhecimento

Desde há mais de 3 anos que a Direcção da Associação Amigos da Grande Idade – Inovação e Desenvolvimento, vem publicando um conjunto de documento oficiais onde espelhamos esta problemática, da destruturação do sistema de cuidados de Longa Duração a pessoas idosas em Portugal.

O problema é sério, é grave e deve levar por parte de todos uma reflexão profunda e o delineamento de uma estratégia de longo prazo, sem flutuações partidárias ou estados de alma, que obviamente nos conduziram a esta uma situação limite em Portugal, que não nós dignifica como Povo Lusitano empreendedor e de elevado valor ao nível Mundial.


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