VIRGINIA TORRES SCHALL DE MATOS PINTO

 (1954-2015)

Virgínia Schall 

nome literário de

Virgínia Torres Schall de Matos Pinto

 

Cadeira 25

Patrona Agenita Souza Ameno

 

Mineira de Montes Claros, morou por 20 anos no Rio de Janeiro e está radicada há 12 anos em Belo Horizonte. É psicóloga, doutora em Educação pela PUC Rio e mestre em neurofisiologia pela UFMG. É pesquisadora titular da Fundação   Oswaldo    Cruz, onde ingressou   em     1981,    no Rio.

Lá criou o Laboratório de Educação em Ambiente e Saúde, concebeu o projeto do Museu da Vida, e criou o Ciência em Cena, teatro que integra arte e ciência. Na Fiocruz Minas (Centro de Pesquisas René Rachou), criou o Laboratório de Educação em Saúde e Ambiente e coordenou a implantação do Programa de Pós-Graduação em Ciências da Saúde (Mestrado e Doutorado), onde atua como orientadora e professora, tendo orientado dezenas de estudantes. Como cientista tem mais de uma centena de artigos completos publicados em periódicos nacionais e internacionais e anais de congressos.
 
Publicou 11 livros infanto-juvenis, alguns dos quais compõem as coleções: Ciranda da Saúde (Antares, RJ, 1986), Ciranda do Meio Ambiente (Memórias Futuras, 1989) e Ciranda da Vida (Memórias Futuras, 1990).
 

Como poeta, recebeu vários prêmios, e tem dois livros de poesias publicados, um para crianças (Cedo ou Tarde, 2007, Franco Editora, Juiz de Fora) e outro para adultos (In Minas Memoria, 2009, Editora O Lutador, Belo Horizonte).

Dentre os prêmios recebidos, estão: em 1994, Concurso de Poesias Vinicius de Moraes, da Prefeitura do Rio de Janeiro; Concurso Poesia na Vale da CVRD; em 1995, Prêmio Raul de Leoni, de poesia, da União Brasileira de Escritores (RJ); em 1998 e 2000, prêmios de Poesia da Academia Feminina Mineira de Letras e Medalha de Prata no Concurso de Poesias “Brasil – 500 Anos” (Juiz de Fora, MG).
 
Publicou em 2001, o livro, “Contos de Fatos”, que recebeu o Prêmio Alejandro José Cabassa da União Brasileira de Escritores do Rio de Janeiro em 2002.
 
Recebeu prêmios pela atividade de divulgação científica, um nacional, em 1990, Prêmio José Reis de Divulgação Científica do CNPq, e um estadual, em 2002, o Prêmio Francisco de Assis Magalhães Gomes, da Secretaria de Ciência e Tecnologia do Estado de Minas Gerais. Como pesquisadora tem sido consultora convidada pelo Ministério da Saúde, Ministério da Educação, CAPES, CNPq, FAPEMIG, e tem proferido palestras em numerosos congressos nacionais e internacionais. De 1997 a 2006 escreveu para o Canal Futura de Televisão (Programa Viva Legal) e colaborou em outros programas da emissora.
 

 

Poema de Virgínia Schall do livro: In Minas Memória
 

IN MIN(AS) MEMÓRIA©

 

 

Olho

Vejo o quadro

E abro memórias

De Min(as)

No retrato antigo

Ouro Preto vivo

 

Vejo a moldura

Madeira lavrada

A mãos operárias

Feridas

Espoliadas

 

Vejo a moldura

Limite que estreita

As estradas possíveis

Esquadro

Que enquadra

E define

A existência finita

 

Vejo a moldura

Árvore morta

Veios à mostra

Registro de folhas

Verde escrita

No tempo perdida

 

Olho

Vejo o vidro

Espelho de Min(as)

Remexendo lembranças

De sonhos ausentes

Sombras da infância

Na face

Disfarçada

 

 

Vejo no vidro

O brilho da luz

Luar de neon

No quarto fechado

Flor de cachoeiras

Submersas

Transformadas em frutos

Eletrizados

 

Vejo no vidro

A imagem da porta

Trancada

Às minhas costas

A noite nua

Face oculta

Dos mistérios

Do universo às escuras

 

Olho

Vejo as pedras

Emergindo

Dos traços e tintas

E perscruto suas arestas

Sob meus pés saudosos

dos caminhos passados

Uma onda de amor

Recobre minhas pálpebras

E meu corpo sozinho

Em arrepio

 

Vejo as pedras

Penetro seus sulcos

E encontro a promessa

De sementes sufocadas

À espera do tempo

De ontem, de sempre

Relva agreste

Agredida

Aguardando a vida

 

Vejo as pedras e assisto

À cerimônia do arbítrio

No rastro de correntes

As marcas negras

De pés escravos

Nos passos presos

De corpos mártires

Andarilhos

No encalço

Da liberdade

 

Olho

Vejo as torres

De igrejas

Pontiagudas

E escuto sinfonias

Que atravessam estrelas

Envolvendo galáxias

Caixas de música

Aprisionada

Comungando esperanças

De eternidade

 

Vejo as torres

Cumes citadinos

Anunciando segredos

Que os sinos denunciam

E desesperam

Em hora de adeus

 

Vejo as torres

E suspeito as tramas

De uma história

Erigida por palavras

E intenções

Que escondem essências

Renegadas

De desejos profanos

Sob vestes sagradas

 

Olho

Vejo o casario

Estruturado, barroco

Desafiando os anos

Enclausurando corpos

E destinos

Em rostos perplexos

Fotografias reveladas

Pelas janelas

Paisagem sedutora

De um jogo binário

Entre o de dentro

E o de fora

 

Olho

Aqui me encontro

De frente, “nu” quadro

Ser e imagem

Estou lá, estou aqui?

Min(as) em mim

Espelho, miragem?

 

 

 

Poema premiado com o 2o. lugar no concurso de poesias da Cia. Vale do Rio Doce, Rio de  Janeiro(1994)

 

 

 

 
 
 

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