Maria Inês de Moraes Marreco

 

 
 
cadeira: 16

 


 
Nasceu em Vitória/ES, filha de Anízio Pedro de Moraes e Otília Touriño de Moraes. Professora, contista, cronista e ensaísta. Fez o Curso de Formação de Professores no Colégio Nossa Senhora Auxiliadora, (Colégio do Carmo), em Vitória, (1961). Graduou-se em Letras na Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais – PUC Minas, em 2001.

Possui Especialização em Inglês, Programa de pós-graduação Lato Sensu – PREPES, (2002), Mestrado em Letras, Literaturas de Língua Portuguesa (2005), como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico. Atualmente é doutoranda em Letras, Literaturas de Língua Portuguesa – Literatura Comparada, (com fim previsto para dezembro de 2010), na mesma entidade. Doutoranda na Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG, em Letras – Literatura Brasileira, (início em 2010).

Atua nas áreas de Literatura Brasileira e Literatura Comparada. Foi professora em cursos primário, secundário e graduação. Trabalhou na Cia. Vale do Rio Doce de 1964 a 1971. É pesquisadora na UFMG, pertencendo ao Grupo de Pesquisa Letras de Minas e ao grupo de pesquisa em Literatura Clássica na PUC-MG.

Recebeu prêmios e medalhas como: Medalha de Ouro da Turma do Curso de Letras, PUC Minas, Menção Honrosa no Concurso CICLO MACHADIANO, (2008) e 1º prêmio Concurso Euclides da Cunha, (2009), pela Academia Carioca de Letras, destaque no Concurso Internacional de Cronicontos, realizado pelo jornal Mulheres Emergentes, entre outros.

Sócia do Idea Espaço Cultural: http://www.ideacultura.com.br/

 

Publicações:

o   A errância infatigável da palavra, 2007;

o   Nas paixões de Bach e Monginho: sentidos que se entrelaçam, 2009;

o   escreveu sobre: Helena Morley, Maria Eugênia Celso, Henriqueta Lisboa, Maria Helena Cardoso, Maura Lopes Cançado e Adélia Prado, In: Mulheres em Letras: antologia de escritoras mineiras, (2008);

o   sobre: Vera Brant, Lacyr Schettino, Lêda Martins e Elisabeth Rennó, In: Escritoras mineiras: poesia, ficção, memória, Velhice feliz: irônica visão da escrita feminina, In: Línguas & Letras, 2008;

o   Diálogos entre Literatura e outras artes, (2008);

o   Escritores Mineiros e Contemplações de Minas, (2007)

o   textos publicados em anais de congressos.

 

Participou de Seminários, Colóquios, Congressos nacionais e internacionais, mini-cursos e outros eventos ligados à literatura, organizando, apresentando trabalhos, coordenando mesas e proferindo palestras.

 

Entidades culturais:

o   Academia Feminina Mineira de Letras – AFEMIL, 
  1ª bibliotecária  (biênio 2010/2011).

o   Arcádia de Minas Gerais - cadeira nº23.

o   Membro do Conselho Editorial do Jornal Mulheres em Letras.

Presidente Emérita da Academia Feminina Mineira de Letras que presidiu no Biênio 2014/2015  

 
 

Nunca mais

Maria Inês de Moraes Marreco

 

Depois da brutalidade do inesperado, do atordoamento causado pela trágica notícia da morte, quando cheguei em casa foi que me dei conta do horror destas palavras: NUNCA MAIS.

Antes, no espaço em que morávamos, embora já muito grande só para nós dois, eu sabia sempre onde encontrá-lo. Agora você está presente em todos os lugares, e o pior, não está em lugar algum: NUNCA MAIS.

Seu lado vazio na nossa cama, seus travesseiros sempre desamarrotados, seus objetos de uso pessoal no banheiro, seus armários ainda com seu perfume, seu escritório na mais perfeita ordem, tudo completamente sem vida: NUNCA MAIS.

Nestes momentos tenho inveja de quem é mais espiritualizado e me pergunto constantemente: será mesmo que existe vida após a morte? Às vezes sinto que tenho certa propensão para acreditar que sim. Mas como? Se até agora não tive resposta alguma. Confesso, o vazio que sinto me faz crer que o que nos espera nesta vida seja mesmo um fim inevitável: NUNCA MAIS.

Outras horas, não sei se por ingenuidade, fé ou necessidade, prefiro acreditar que a vida não termina com a morte. Para dizer a verdade, depois que você se foi, não consigo acreditar em nada. Para mim, você está do outro lado da vida, vivendo outra realidade. E embora eu não tenha a menor idéia de como seja este lugar, fico pensando: será que aí, onde você vive hoje está melhor? Será que suas preocupações com o futuro de nossas filhas e netas não existe mais? Será que você tem a noção da falta que está me fazendo? Será que você encontrou respostas para suas buscas sobre os mistérios do cosmos?

O que sei é que, quando a morte chega sem aviso, as respostas para todas estas perguntas passam a nos intrigar ainda mais: quem somos, de onde viemos e para onde vamos?

Lembro-me de tantas coisas que você fazia ou dizia que me pareciam tão corriqueiras e que hoje têm tanta importância para mim.

Hoje devo lhe dizer que, para os que o amam você estará sempre vivo e será carinhosamente lembrado como o marido ideal, companheiro de todas as horas, o pai maravilhoso, presente e amoroso e o avô adorado, idolatrado pelas netas.

Confesso também que gostaria de lhe dizer coisas que nunca lhe disse antes e acho que este é o momento certo. Aquilo que sinto, mesmo que você não possa me ouvir mais: acima de tudo, sou profundamente grata pela riqueza e alegria de ter sido sua mulher. De certa forma, você me preparou para enfrentar o que estou enfrentando agora; você me dizia que eu era forte e tinha vocação para ser feliz. E agora, me vejo lutando, reagindo contra a solidão, contra o medo de ter depressão, só para fazer juz às suas palavras. Você me ensinou a escolher o caminho do amor e da coragem. E a lembrança de quando dizia que tinha a certeza que eu daria conta de continuar cuidando das nossas filhas e netas mesmo sem você, me torna mais forte para não decepcioná-lo

Portanto, se houver vida após a morte, espero poder encontrá-lo para matar a saudade, lhe dar um beijo e um abraço apertado, sentar-me ao seu lado e, de mãos dadas, contar tudo que aconteceu aqui depois da sua partida: do progresso das nossas netas, do sucesso das nossas filhas e das mães maravilhosas que elas se tornaram, para encher o seu coração de orgulho. E, é claro, continuarmos nossa trajetória juntos e felizes como sempre fomos aqui.

Por enquanto: NUNCA MAIS. 

 

  

 

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