ARTES MARCIAIS JAPONESAS

                    KARATE 

 

         

 

 

O Karate foi originado na Índia ou na China, há aproximadamente doze séculos. A medida em que a arte foi sendo desenvolvida, estudada, cultivada e transmitida através das gerações, mudanças e contribuições foram somadas para a formação de diversos estilos de karate em evidência atualmente.

Há milênios já existiam formas de lutas sem armas, e na época dos samurais no Japão, não existia o conceito de esporte. os guerreiros praticavam artes marciais também como forma de exercícios físicos, através dos quais educavam a disciplina, a moral, o civismo e impunham a paz e a moral à sua Nação.

O grande responsável pelo desenvolvimento do karate, foi o mestre Gichin Funakoshi, que introduziu o karate como esporte no Japão e foi convidado pelo ministério da educação japonês, para dar aulas de karate nas escolas e universidades do país. O mestre Funakoshi pretendeu com seu método que visava a educação física como forma de defesa pessoal, aliada à filosofia dos samurais, mas com base científica, ajudar os estudantes em sua formação como homens e cidadãos úteis a sociedade, tudo isso, sem perder o verdadeiro espírito marcial da luta.

O karate foi considerado "arte divina" pela sua grande eficiência no combate real. Um dos fatos mais importantes para o desenvolvimento do karate, foi o surgimento do "karate-competição" como esporte. Nos anos 30 e 40, o karate começou a se espalhar pelo mundo.

Aqueles poucos indivíduos, que realmente alcançaram uma alta condição na arte do karate, exibem capacidades que parecem estar próximas dos limites do potencial humano. O praticante de karate, uma pessoa altamente treinada nos aspectos físico-mentais, quando se confronta com o atacante, apresenta um comportamento diferenciado e da provas de sentimentos completamente incomuns a alguém tão ameaçado. Existe um ruptura de pensamento intelectual e de emoções como raiva, medo e orgulho. Em lugar disso, ele não se sente como indivíduo separado das coisas que o cercam, como um indivíduo em seu ambiente. Até mesmo seu oponente é olhado como uma extensão de si próprio. É natural que tais sentimentos subjetivos estejam abertos ao estudo científico.

INTRODUÇÃO FILOSÓFICA AO KARATE-DO

Estes são os lemas do lutador de karate:

I- Esforçar-se para formação do caráter (Disciplina);
II- Criar o intuito de esforço (Determinação);
III- Respeitar acima de tudo (Respeito);
IV- Conter o espírito de agressão (Desapego);
V- Fidelidade para com o verdadeiro caminho da razão (Honra).

A palavra "karate" é derivada de uma expressão usada na filosofia zen, que pode ser considerada como parte integrante da filosofia oriental. A palavra "sora" que se pronuncia também como "kara" ou "kuu", representa o universo. No pensamento zen, a palavra contém o ato ou processo de libertação da pessoa ou seu ego, conseguindo um estado de mente que não é afetado por nada, isto é, estado de inexistência. Este "estado", significa o esforço para livrar a pessoa de qualquer tipo de desejo e desenvolver um caráter respeitável. Portanto o verdadeiro propósito do karate é treinar de tal forma que o praticante possa viver de maneira agradável, saudável, honrado e digno, sem criar problemas, sem temer ao forte ou poderoso, sem se humilhar ante o homem influente, e sem se tornar cego pelas riquezas da terra (desapego). Esse equilíbrio existe através do In e You, que em conjunto, formam o universo, numa combinação do positivo e negativo. O significado atual do karate, se deve ao mestre Gichin Funakoshi, que mudando o sentido original do nome, introduziu a palavra KARA com significado de vazio, Céu, Universo. TEsignifica mão e DO caminho. Literalmente karate significa o caminho das mãos vazias (Por isso se diz que o lutador de karate usa o próprio corpo como armas para lutar) ou num sentido mais filosófico, caminho que contém o universo.

No karate existe uma famosa expressão do mestre Funakoshi: "Karate Ni Sente Nashi", que significa que primeiro a defesa é importante, depois o ataque, sem perder o espírito ofensivo, esse provérbio explica claramente o objetivo do karate que é conter o espírito de agressão. Dessa forma, nota-se a atitude de respeito na prática do "Kata" (Luta imaginária), as quais sempre se iniciam com técnicas de defesa.
 
 


Funakoshi com 20 ensinamentos:

01- O karate inicia-se e termina com saudações. 

02- No karate não existem golpes de agressão.
03- O karate apóia o caminho da razão.
04- Conheça-se a si próprio antes de julgar os outros.
05- A principio lapidar o espírito, depois a técnica.
06- Evitar o descontrole do equilíbrio mental.
07- A falha surge com a acomodação mental e física.
08- O karate não se limita apenas ao Dojo.
09- A essência do karate se descobre no decorrer da vida.
10- Dará frutos quando associado a vida cotidiana.
11- O karate é igual água quente: se não recebe calor constantemente ela esfria.
12- Não pense em vencer, mas não pense em derrota.
13- Mude sua posição conforme o tipo de adversário.
14- A luta depende do bom motivo da teoria In e You.
15- Imagina que seus membros são espadas
16- Para o homem que sai do seu portão, existe milhões de adversários.
17- No princípio, seus movimentos são artificiais, mas com a evolução tornam-se naturais.
18- A prática de fundamentos deve ser correta. Enquanto em uso torna-se diferente.
19- Domínio do seu corpo na coordenação, na força, na velocidade e elasticidade.
20- Estudar, criar e aperfeiçoar-se constantemente.

É comum que o principiante praticante de karate, notando seu rápido desenvolvimento, seja tomado por uma onda de impetuosidade, sentindo a necessidade de por em prática seus conhecimentos adquiridos. Esta idéia deve ser detestada e sanada, para que não venha a afasta-lo do real objetivo do karate, que é o de nobreza de espírito, domínio da agressividade, modéstia e perseverança; "possuir suavidade no seu exterior tendo quando necessário, coragem de enfrentar milhões de adversários, vibrar no seu interior". Esse é o verdadeiro espírito do karate.

 

A HISTÓRIA DO KARATE

O Karate teve como berço à ilha de Okinawa, no arquipélago de Riu-Kyu, ao sul do Japão. No final da dinastia Ming, Okinawa passou a ser dominada pelo Japão que, para evitar a reação do povo nativo proibiu o uso de armas. Sob pressão militar, a população buscou, nos utensílios de uso cotidiano e no próprio corpo, meios de defesa (Nakayama, 1987). Surgiram então os primeiros indícios da arte marcial no início chamada de “tode”. Devido à sua localização geográfica, Okinawa recebia comerciantes e visitantes de várias partes do continente. Nessa época, o “tode” (karatê primitivo) era influenciado pelas artes de luta praticadas principalmente na China. O alvorecer do século XX trouxe consigo o deslocamento do enfoque de luta de sobrevivência para educação física com fundamentação espiritual. O karate deixou de ser ensinado apenas de modo secreto e, em 1916, mestre Funakoshi fez a primeira demonstração pública fora de Okinawa. Mestre Funakoshi é considerado o pai do Karate moderno, por tê-lo aperfeiçoado técnica, literal e filosoficamente (Nakayama, 1987). Ele viajou por todo o Japão e foi convidado a lecionar em Universidades, onde o Karate passou a ser submetido à pesquisa científica, aprimorando técnicas e criando métodos de treinamentos sistemáticos (Silvares, 1987). Após o sucesso de Funakoshi, outros mestres de Okinawa foram ao Japão divulgar os seus estilos de Karate. Segundo Okinawa (1985), a fusão do karate com a concepção japonesa de Arte Marcial deu origem a quatro estilos principais conhecidos hoje: Shotokan (Funakoshi), Shito-riu (Mabuni), Goju-riu (Miyagi) e Wado-riu (Otsuka). Após a segunda guerra mundial, a emigração dos japoneses e o grande interesse das tropas de ocupação em aprenderem a lutar, difundiram o karate pelos continentes. Hoje o Karatê, segundo a WKF, é a Arte Marcial mais praticada no mundo.


A ORIGEM DAS ARTES MARCIAIS


Os primeiros indícios de Artes Marciais surgiram no Oriente, muito antes da invenção da escrita. Acredita-se que as técnicas de defesa e ataque tiveram origem na observação dos animais na natureza, partindo da necessidade de sobrevivência e obtenção de alimentos. Nos antigos templos, os monges desenvolveram técnicas de luta sem armas, objetivando saúde e autodefesa, onde, “através de exercícios penosos pretendiam o fortalecimento do corpo para dar morada à paz de espírito e à verdade religiosa” (Sasaki, 1989). As artes marciais foram ensinadas em segredo de mestre para discípulo por séculos, por isso há grande falta de literatura apropriada que descrevam com exatidão a sua história.


A CONTRIBUIÇÃO DA ÍNDIA

Na antiga Índia, há mais de 5000 anos a.C. surgiu uma luta marcial cujo nome em Sânscrito era "Vajramushti", a tradução literal significa "punho real", ou "aquele cujo punho cerrado é inflexível". Era uma arte guerreira, desenvolvida pela casta marcial da Índia chamada Dshastra. Uma Arte Marcial que se desenvolveu simultaneamente com práticas de meditação e estudos dos antigos clássicos da Índia, como os Veda, Gita e os Purana. Tinha por objetivo o desenvolvimento espiritual, físico e de defesa pessoal. Nas origens do Budismo era ensinada junto com as técnicas de meditação Sakiamun. O Buda era um príncipe e como tal pertencia à classe guerreira dos Dshastras, assim aprendeu o Vajramushti como parte de sua educação militar. Mais tarde, também como guerreiro, ensinava o Vajramushti, visando a unificação da mente com o corpo. Embora Buda o ensinasse como uma prática ascética, que visava a vivência dos preceitos budistas, os monges que se tornaram seus discípulos o apreciavam também como um recurso para a defesa pessoal para enfrentar os perigos daqueles tempos em suas peregrinações. Quase mil anos depois da morte de Buda, Bodhidharma, que era filho do Rei Sughanda e, portanto, príncipe, aprendeu o Vajramushti de um velho mestre chamado Prajnatara. Tendo se tornado o 28º patriarca do Budismo, viajou à China a convite do Imperador, Lin Wu Ti, que era um admirador do Budismo. Porém, Wu Ti era seguidor de uma linha nova no Budismo, com características ritualísticas e salvacionistas, contrárias às de Bodhidharma, que pregava a meditação e a busca interior. Por esta razão ele viajou ao vizinho reinado de Wei e hospedou-se no Templo Shaolin. Valorizando o Vajramushti como auxiliar do homem em sua pesquisa interior, os monges budistas se desenvolveram enormemente nesta Arte Marcial e o Templo Shaolin ficou mais famoso como centro de Artes Marciais do que de budismo, efetivamente. O Vajramushti era, no Templo Shaolin, ensinado em segredo, devido ao seu poder como Arte Marcial, e as técnicas somente eram ensinadas às pessoas que entendessem o conhecimento de seu verdadeiro significado. Com o tempo ocorreu uma cisão nos propósitos do Templo. Conhecimentos de Vajramushti adicionados ao Kung-Fu antigo, originado dos tempos de Huang-Ti, eram ensinados ao povo com nome de Kung Fu Shaolin, com o objetivo de se defenderem do domínio dos oficiais corruptos do governo Manchu. Mas entre os monges Shaolin mantinha-se preservado o verdadeiro Vajramushti, que como recurso à meditação e ao desenvolvimento do espírito passou a ser chamado em chinês "Ch'an Tao Chuan", ou “A arte dos punhos no caminho da meditação”.


A CONTRIBUIÇÃO DA CHINA

Aproximadamente no ano 2600 a.C. surgia uma forma de combate individual chamado de Go Ti, que teria sido criado por um "Senhor da Guerra" chamado Chi-Yu. Durante os turbulentos séculos VII e VIII a.C. foi escrito no livro "I Ching" que: "Sem as técnicas de luta, um homem é relegado ao posto mais baixo do exército". Enquanto isso, uma outra forma de evolução acontecia. Monges eruditos descreviam uma série de antigas ginásticas medicinais. Estes exercícios combinavam movimentos e posturas físicas com a respiração para purificar o corpo e o espírito. O primeiro acontecimento de realce, no começo do século VI, foi o pronunciamento de Confúcio sobre a necessidade de se cultivar as Artes Marciais. A seguinte grande influência na arte aconteceu em torno do ano de 520 d.C., com a chegada do monge budista Bodhidharma, que viera da Índia. Sua chegada trouxe mudanças significativas, influenciando os hábitos não só dos monges como de toda a comunidade. O conceito de "mente vazia" e outras formas de estilo Zen eram rapidamente incorporadas à arte. Após a morte de Bodhidharma, por volta do ano de 557 d.C., a Arte de Shaolin começou a tomar forma de luta, sendo mais tarde denominado "Shaolin su Chuan-Fa". Apesar de existirem na China inúmeros estilos de Kung-Fu, a linha de Bodhidharma foi a mais significativa para a evolução do ser humano, influenciando até hoje inúmeros atletas e Artistas Marciais. "Lutar e vencer todas as batalhas não é a glória suprema. A glória suprema consiste em quebrar a resistência do inimigo sem lutar”. Zun Tzu


O JAPÃO E AS ARTES MARCIAIS

As Artes Marciais Japonesas podem se dividir em três períodos: O período do Bujitsu, o do Bugei e o do Budô. No tempo do Bujitsu, existiam as técnicas primitivas de luta que eram usadas nas constantes guerras. Durante o século VII o Japão começou a assimilar a Cultura chinesa, utilizando a sua escrita e seu sistema hierarquizado, surgindo as classes militares. O príncipe Imperial Shotoki Taichu (595 - 621) favoreceu a expansão do Budismo e encorajou a penetração da cultura chinesa no país. Esta política possibilitou uma verdadeira reforma na administração e nas instituições. O período termina no final do século VIII com o florescimento da civilização de Nara, a primeira capital do Império Japonês. O período Bugei surgiu em conseqüência da necessidade de defesa militar. As práticas Marciais foram mais desenvolvidas, surgindo várias escolas (ryu) e os primeiros mestres conhecidos. Com o estabelecimento do Xogunato, de 794 a 1615, iniciou-se a transferência da capital para Quioto. É nesta época do século IX e início do século X que enfraquece a autoridade Imperial e, em 1185, a família Minamoto toma o poder. Verdadeiras dinastias de Xoguns tomaram nas mãos o destino do país. Período este que se estendeu até a dominação dos Tokugawa em 1603. Na era Iedo de 1615 a 1868, com os Tokugawa, transferiu-se a capital para Edo, a atual Tókio. No período do Budô, o Shogun, Ieyasu Tokugawa, estabeleceu o seu governo em Edo. Com poder imenso, instituiu-se no governo passando-o para seus descendentes e trazendo um longo período de paz e tranqüilidade, graças à obediência que exigia dos chefes. Com o domínio Tokugawa, o Bugei passou a ser usado mais como um princípio de educação e ética para se atingir um elevado estado de espírito. A partir daí, a maior razão das Artes Marciais Japonesas passou a ser o aperfeiçoamento dos próprios praticantes. Surge então o Budô (O Caminho do Guerreiro). Os mestres japoneses, temendo talvez o contato com o Ocidente e o choque do mundo moderno, quiseram colocar como importância essencial o Caminho (Dô), trocando os antigos nomes dos bujitsu, tais como ju-jitsu, aiki-jitsu, etc, para judô, aikidô, etc. Desta maneira esperavam que o grande público não confundisse as artes marciais com os esportes de combate e que o sentido do “Caminho” não se perdesse nos meandros da história. O Budô é a continuação do Bujitsu em dois sentidos: para alcançá-lo e para que ele nos alcance. A busca técnica efetuada desde tempos remotos, pelos Mestres japoneses, se baseou sempre nos princípios de relações complementares que regem o universo. O jogo de forças ativas (yang) e passivas (yin) é posto em prática com uma precisão extraordinária nos movimentos de ataque e de defesa, de maneira que se possa neutralizar o adversário com um mínimo de esforço e um máximo de eficácia.


A INTRODUÇÃO DO KARATE NO JAPÃO

O Karate foi introduzido no Japão na década de 1920. Nessa época, o Karate não tinha, até então, um método de ensino formal e padrão, sendo ensinado por cada mestre segundo o seu gosto particular. Mas para que essa arte vinda da ilha de Okinawa pudesse ser aceita pela sociedade e a cultura japonesa, algumas coisas precisaram ser modificadas. O significado do ideograma (símbolo da escrita japonesa) “Kara”, significava “Chinesa”. O karate então se traduzia por “mãos chinesas”. Mas ao longo da história, Japão e China haviam entrado em guerra muitas vezes, por isso o povo japonês não aceitaria algo que pudesse lembrar a China. Então mestre Funakoshi trocou o significado da palavra “kara”, já que os ideogramas japoneses podem ser lidos de duas maneiras (“kun” e “un”) segundo o seu significado ou segundo a sua pronúncia. O ideograma com a mesma pronuncia “Kara”, com novo significado que não “chinesa” tem origem no termo Sunya ou Sunyata do sânscrito que significa “zero”, “vazio”, e é muito usado na tradição Zen-Budista. Vários dos mestres que queriam introduzir o Karate-Jutsu no Japão decidiram adotar este outro símbolo e também trocaram a expressão “jutsu” (técnica ou arte) por “Do” que deriva da palavra chinesa “tao” (via, caminho). Este nome pareceu, então, apropriado já que descreve uma arte de luta sem armas e também duas características importantes do Zen-Budismo: a “mente vazia” (sem preocupações, ódio, inveja ou desejo) e o “caminho”, a “via” que devemos transitar para chegar a esse estado de iluminação. Por influência de Jigoro Kano (criador do Judô), que era seu amigo, mestre Funakoshi também adotou o karate-gui, o uniforme branco, e o sistema de faixas e graduações de Kyus (faixas coloridas, da branca até a marrom) e Dans (do 1º ao 10º grau para os faixas pretas) similar ao que era usado no Judô. Também foram adotados novos métodos de treinamento, os katas foram revisados e muitos deixaram de ser praticados, o karatê passou por uma reavaliação, deixando em segundo plano a sua origem guerreira para se tornar um esporte onde pessoas de todas as idades e classes sociais pudessem praticá-lo sem correr riscos à sua integridade física. No ano de 1933, o Dai Nippon Butokukai, órgão japonês encarregado das artes marciais, reconheceu oficialmente o Karate-Do como Arte Marcial.

 
AIKIDO
 
 
 
Aikido é uma arte marcial originária do Japão, criada pelo mestre Morihei Ueshiba, O-sensei (1883 - 1969), que buscou coordenar à perfeição as atividades conjuntas do corpo e da mente com as leis naturais, isso porque os movimentos do Aikido, sem exceção, seguem as leis da natureza. São cheios de vigor e energia, mas aplicado sempre ao princípio de não-resistência e da abstenção de força bruta.
 
 
 

HISTÓRIA

Morihei Ueshiba nasceu em 14 dezembro de 1883 na cidade de Tanabe no Japão. Ueshiba que antes se chamava Moritaka, desde pequeno se interessava religião e foi encorajado por seus pais a praticar Sumo, natação e mais tarde o Daito Ryu AikiJiujitsu, a arte mãe do Aikido.

Ueshiba via o Daito Ryu AikiJiujitsu (Antes, no Japão, o Jiu-jitsu era a luta mais praticada e dos muitos estilos, o Daito Ryu AikiJiujitsu, desenvolvido por Minamoto Yoshimitsu, foi o que deu origem ao Aikido), como uma simples forma de combate, percebeu que essas técnicas marciais que praticava e ensinava, poderiam ser usadas para se realizar a "purificação" do homem e assim se harmonizar com o universo. 

Como Morihei Ueshiba era uma pessoa muito religiosa e impregnou no Aikido, o Xintoísmo, principal religião do Japão, que tem como princípio que o homem tem natureza divina, mas em razão de suas ações, fica "sujo", e é necessário uma purificação, que consta de um treinamento austero. Segundo o Xintoísmo, o  homem deve se integrar com a natureza e com o Universo para poder recuperar sua pureza e conseqüentemente sua divindade.

O ponto culminante que deu forma e inspiração para Ueshiba fundar o Aikido, aconteceu quando um espadachim atacou com um Bokken a O-sensei, nome como é chamado Ueshiba pelos Aikido-kas, que significa Grande Mestre. Por mais que o espadachim atacasse e se esforçasse, não conseguia atingir ao Ueshiba que se esquivava, e esse processo se repetiu por algum tempo até que o samurai se cansou e foi embora sem atingir sequer um golpe em O-sensei. Repentinamente sentiu uma sensação estranha, como se raios dourados luminosos saíssem da terra e envolviam seu corpo, ele podia entender tudo a sua volta, a natureza se revelava para Ueshiba de forma nunca antes experimentada. O-sensei percebeu que seus movimentos marciais serviam para leva-lo aquele sentimento de iluminação espiritual.

Morihei Ueshiba passou a partir de então, a modificar os katas do AikiJiujitsu de forma a transforma-los em técnicas mais suaves que poderiam ser praticadas por qualquer pessoa, para que servissem como um exercício físico, espiritual e não apenas como uma arte de guerra para eliminar o inimigo, surgia então o Aikido. Juntamente com seu filho, Morihei Ueshiba passou a difundir sua arte marcial e fundou o Aikido no mundo.

 
 

Historia do Jiu-Jitsu

Existe muita controvérsia a respeito das origens e história das artes marciais. Há também registros, como a Epopéia de Gilgamesh, de métodos de lutas similares ao Jiu-jitsu, como Luta livre ou Luta Greco-romana, praticado em diversos países pelo menos desde 2000 a.C.

Técnicas específicas de luta, chegaram à China através da Índia, berço das artes marciais. Da China, o conhecimento de técnicas e combates sem armas, estendeu-se entre outras regiões asiáticas. No Japão, predominam as formas de lutas mais populares do mundo.

As diversas formas de luta que desenvolveram-se no Japão, na antiguidade, eram conhecidas em geral, como Ju-jitsu ou Jiu-jitsu. O samurai do antigo Japão feudal, ao travar um combate corpo-a-corpo sem armas, estavam pondo em pratica o Jiu-jitsu.

Em relação a caligrafia, optamos por usar a palavra "Jiu-jitsu" ao invés de "Ju-Jitsu" pelo fato de a primeira ser mais usada no Brasil. O significado das duas palavras é o mesmo, bem como o ideograma usado em japonês para escrevê-las (Ju significa suave e Jitsu, arte ou técnica). De fato, a arte tradicional japonesa é conhecida por Ju-jitsu, mas foi adaptada no Brasil, provavelmente para diferenciar o estilo brasileiro desenvolvido pela família Gracie, conhecido como Brazilian Jiu-Jitsu.

HISTÓRIA

Apesar de se tornar mais popular no Japão, a história do Jiu-jitsu começou na Índia (por isso a cognominação "o berço das artes marciais"), ha mais de dois mil anos atrás.

Os monges monastérios indianos eram proibidos, pela religião, de se defender com armas. Mas em suas longas caminhadas, eram atacados por bandidos das tribos mongóis do norte da Ásia, nascendo então a necessidade de defesa corpo-a-corpo. Conhecedores de pontos vitais do corpo, desenvolveram um tipo de defesa especial para o tipo físico do seu povo, baixinho e franzino. Essa espécie de embrião do Jiu-jitsu acabou atravessando as fronteiras da china e indo para o arquipélago japonês, lá cultivado, conhecido apenas por nobres e samurai, o Jiu-jitsu, que significa literalmente, "Arte suave".

Antigamente havia vários estilos de Jiu-jitsu e cada lutador tinha seu estilo próprio. Por isso o Jiu-jitsu era conhecido por vários nomes, tais como Kumiuchi, Aiki-ju-jitsu, Koppo, Tai-Jutsu, Gusoku, Koshi-no-mawari, Yawara, Hade, Jutai-Jutsu, Shubaku etc. No fim da era Tokugawa, existiam cerca de 700 estilos de Jiu-jitsu. Cada estilo tinha características próprias. Alguns davam mais ênfase às projeções ao solo, torções, estrangulamentos e outros enfatizavam ainda, golpes traumáticos como socos e chutes. A partir de então, cada estilo deu origem ao desenvolvimento de artes marciais conhecidas atualmente de acordo com suas características de luta, entre elas o Judo, Karate e Aikido por exemplo.

Por muito tempo, o Jiu-jitsu foi a luta mais praticada no Japão, até o surgimento do Judo como esporte em 1882. O Jiu-jitsu chegou a ser proibido no Japão durante um certo período como crime de lesa pátria. Com a introdução da cultura ocidental no Japão promovida pelo imperador Mutsu Hito (1867 - 1912), as artes marciais ficaram esquecidas. Elas só foram valorizadas mais tarde, quando o ocidente também já apreciava esse tipo de luta.

JIU-JITSU NO BRASIL

 

 

 



O mestre japonês, Mitsuo Maeda conhecido como Conde Koma, veio ao Brasil em missão diplomática, quando em Belém, Pará, conheceu Gastão Gracie, iniciando-se uma grande amizade.

Conde Koma na realidade, era sensei da escola Kodokan de Judo no Japão e em razão de afinidade e favores prestados por Gastão, começou a transmitir seus conhecimentos à seu filho, Carlos Gracie, que após aprender a arte ensinou a seus irmãos, em especial a Hélio Gracie, eles aprimoraram as técnicas aprendidas tornando-as mais eficiente e acessíveis ao tipo físico de qualquer pessoa. Foi aí que nasceu o chamado Brazilian Jiu-jitsu, uma das melhores e mais eficientes forma de auto-defesa do mundo, já provadas, pelos resultados das constantes competições chamadas mixed martial arts, existente no mundo.

O Jiu-Jitsu hoje, por sua necessidade em difundir-se como esporte, tem regras e conseqüentes limitações, mas continua sendo a arte marcial mais completa. O lutador de Jiu-Jitsu, apesar de não ter o conhecimento de projeções que um lutador de Judo tem, e não ser especializado em chutes e socos como o lutador de Karate, tem conhecimentos dos fundamentos dessas técnicas e treinamento único de combate no solo, que faz do Jiu-Jitsu uma luta que se equivale muito a um combate real.

Homens, mulheres, meninos e meninas de todos os continentes praticam o Jiu-Jitsu. Além do aprendizado da defesa pessoal, esta luta traz benefícios para o seu corpo aumentando o seu tônico muscular, e sua capacidade cardiovascular, além disso você também será mais saudável mentalmente, pois quem pratica esta arte ganha mais autoconfiança, fica mais bem disposto, faz amizades, e por fim elimina todo o seu stress no tatame.

 

"O Jiu-jitsu começou muitos anos atrás, na India, épcoca de Buda. Os monges budistas viajavam muito e eram saqueados. Para evitar isto, eles inventaram uma forma de defesa dai nasceu o jiu-jitsu. Jiu-jitsu ao pé da letra significa arte suave e tem três princípios básicos: a técnica, a alavanca e a base. Depois da India foi para a China e posteriormente para o Japão. No Japão, deu um grande salto, tornou-se conhecido como é hoje em dia, e se inventou o kimono. Do Japão veio para o Brasil em 1914 através do lutador Mitsuyo Maeda. Os Gracies aprenderam Jiu-Jitsu com Maeda e vieram para o Rio de Janeiro montando a primeira academia brasileira de jiu-jitsu cujo endereço era na Rua Marques de Abrantes no Flamengo em 1925, e de lá para cá o jiu-jitsu foi muito aperfeiçoado pela familia gracie. Os gracies eram, Carlos, Gastão, Helio, e outros, sempre fazendo um marketing muito agressivo desafiando todos para mostrar eficiência da arte do Jiu-jitsu. Helio Gracie, aperfeiçoou o jiu-jitsu de tal forma que deu condições para que uma pessoa magra pudesse lutar contra uma pessoa grande e forte, tornando-se o pai do jiu-jitsu brasileiro, e de lá para cá, o "gracie jiu-jitsu" só tem vitórias." _ Rolker Gracie

 
 

INTRODUÇÃO



Shorinji Kempo, é o nome dado no Japão à técnica Shaolin Chinesa (Shaolin é igual a Shorin-ji em japonês) e significa literalmente, o caminho das mãos vazias do templo shaolin. Suas origens datam mais de quatro mil anos atrás a Índia. Da Índia, o budismo se espalhou por muitos países, incluindo a China. Foi introduzido no lendário Templo Shaolin, situado na província de Honan, por Bodhidharma, um monge indiano do sexto século, que viajou para a China com a finalidade de difundir o Budismo. No Templo Shaolin, o Kempo passou a fazer parte do treinamento espiritual para os monges budistas e o monastério ficou famoso por suas artes de luta. Sendo um regime marcial profundamente meditativo, o Kempo, durante muitos anos foi vedado aos leigos, sendo ensinado apenas à aqueles que ingressavam na carreira de monge.

O Shorinji Kempo foi desenvolvido e mais tarde introduzido no Japão, por  Doshin So (1911-1988), um japonês que, durante aproximadamente duas décadas, viveu na China e lá praticou com grandes mestres as artes marciais chinesas.



HISTÓRIA

Nakano Michiomi (mais tarde ficou conhecido como Doshin So) nasceu na província de Okayama, no Japão. A partir dos 18 anos de idade, viajou à China, lá ele viveu cerca de 17 anos, e teve a oportunidade de estudar diferentes estilos de lutas chinesas. Doshin estudou com o mestre Wen LaoShi em Beijing, 20º Grão Mestre do templo Shaolin da Norte, mais tarde, Doshin So sucedeu o mestre se tornando o 21º Mestre da linha.

No dia 8 de Agosto 1945, a Rússia declarou guerra ao Japão e na semana seguinte, o exército russo invadiu e conquistou com uma vitória avassaladora a Manchúria. Doshin So se encontrava na Manchúria oriental quando o exército russo cruzou a fronteira e ocupou aquele território. Em conseqüência, a 14 de agosto de 1945 o Japão se rendeu incondicionalmente, neste período, após a Segunda Guerra Mundial, Doshin So vivenciou o sofrimento de viver em uma terra estrangeira sob a ocupação do exército inimigo, sofrendo com a fome e a miséria.

 


Com a experiência desta realidade amarga, Doshin aprendeu importantes lições que serviram para desenvolver os princípios e os ideais do Shorinji Kempo.

Após a derrota do Japão na guerra, Doshin retornou ao Japão, e encontrou um país tumultuado e desestruturado em função da guerra e o povo destroçado pela guerra e quase sem auto estima.  Perante isto, decide procurar uma maneira de contribuir com a reconstrução da sociedade, Doshin achava que a filosofia budista poderia ajudar as pessoas a se reestruturarem, mas duvidava que alguém fosse dar ouvidos a discursos e lições teóricas no meio daquele povo conturbado pela guerra. Doshin So teve a  idéia de educar o espírito das pessoas, principalmente dos jovens, que viriam a formar novas gerações com o espírito renovado e sadio, através da disciplina marcial, tal como faziam os monges do Templo Shaolin.

Doshin assim que se estabeleceu em seu país natal, pode ensinar os estilos e técnicas de luta que aprendera na China, desenvolvendo um estilo próprio, que engloba sua rica experiência da guerra, e decide chamá-lo de Shorinji Kempo.

Doshin So, fundou o Shorinji Kempo no Japão em 1948, e recebeu o título de "Kaiso", que pode ser traduzido como "fundador".

Em 1951, o Kongo Zen, uma filosofia de vida que propõe uma ajuda mutua entre as pessoas, para que estas encontrem toda felicidade e alegria tanto para si próprias como para todos os seres humanos, foi estabelecido. O Kongo Zen é a filosofia, e o Shorinji Kempo, é o meio pelo qual se deve entender seus princípios.

Em 1953 criou a federação do Japão de Shorinji Kempo e em 1974 o Shorinji Kempo já havia se espalhado pelo mundo e hoje em dia é praticado em cerca de 30 países.

Shorinji Kempo é uma arte que engloba não só o estilo do "Kempo chinês", mas sim uma combinação de todas as artes marciais estudadas por Doshin So, adicionada à uma filosofia religiosa.

 

JUDO 
 
homem começou a praticar lutas individuais há vários séculos. Por volta 720, já havia algumas lutas primitivas, sem armas e sem fins esportivos. Brigava-se apenas pela sobrevivência. Entre as principais formas de ataque e defesa, o Jiu-jitsu era a luta mais praticada, no Japão. Por volta de 1600, existiam várias academias no Japão, especializadas nas técnicas dessa luta. 

Os samurais (guerreiros japoneses) eram considerados excelentes lutadores. No final do século XIX, O Jiu-jitsu começou a perder popularidade por causa de seus golpes violentos.

Um japonês chamado Jigoro Kano, praticante de Jiu-jitsu, resolveu criar um novo esporte que não fosse violento e ainda pudesse ser eficaz na formação do indivíduo. A nova luta além de ser útil para a defesa pessoal, poderia ser importante também para superar as limitações do ser humano. 

Kano selecionou as melhores técnicas de Jiu-jitsu, os golpes mais eficazes e os mais racionais. O Jiu-jitsu era urna prática guerreira baseada na leveza do corpo e do espírito no entanto tinha diversas técnicas perigosas que foram eliminadas, aperfeiçoou a maneira de cair, criou uma vestimenta especial de treino (o Judo-gi), pois não havia um traje específico para a pratica do Jiu-jitsu, e dedicou-se particularmente aos métodos de projeção ao solo, aperfeiçoando vários golpes de sua autoria.

Kano pensou que a sua nova arte deveria ter outro nome, pois a sua prática era diferente do Jiu-jitsu. Tendo em conta a sua essência, a não resistência e o aproveitamento da força do oponente chamou a esta nova arte de Judo e criou regras para um confronto esportivo baseado no espírito do ippon-shobu(luta pelo ponto completo). O Judo (caminho suave, em japonês) é uma luta de defesa que utiliza a força do corpo do adversário na execução dos golpes.

No começo, Kano deu o nome de Judo Kodokan à nova luta, pois os adeptos do esporte aprendiam as técnicas na famosa escola Kodokan, antes chamada de Eisho. Naquele tempo, eles enfrentavam os lutadores de Jiu-jitsu e quase sempre saiam vitoriosos.

No final do séc. 1886, o Judo foi oficialmente aceito pelo governo japonês. Para difundir o esporte, Kano iniciou em 1889 uma série de apresentações e palestras nos EUA e na Europa. Na década de 30 o Judo já era conhecido em quase todas as nações do mundo.

 
 
JIGORO KANO

Jigoro Kano nasceu em 28 de outubro de 1860 em Mikage, no distrito de Hyogo. Começou a praticar Jiu-jitsu aos 18 anos de idade, em razão de sua fraqueza física. Ele aprendeu técnicas de vários estilos de Jiu-jitsu e as aperfeiçoou. Em 1882, idealizou o Judo, mesmo ano em que fundou o instituto Kodokan. Por mais de meio século Kano divulgou o Judo por todo mundo. Mas morreu em 1938, sem ver seu esporte ser reconhecido como modalidade olímpica, o que aconteceu somente em 1964.

Jigoro kano criou novas técnicas para o treinamento de esportes competitivos, que consideravam também a formação do caráter. Ele via o Judo como um treinamento para a vida e não como um esporte isolado

 
 
 
 
 
 
 
 
KENDO
 
 
 
 

                                                                                                                   

Kendo significa literalmente, o caminho da espada. Tradicional arte militar japonesa, originalmente praticado pelos samurais ou bushi, o Kendo se originou através de combates travados com espadas à centenas de anos no Japão, e com o tempo, foi se estudando essas técnicas de luta com espada até que por volta dos séculos 7 ou 8 surgiu o Kendo como arte marcial. Trata das habilidades físicas e mentais necessárias para a luta da espada.

O objetivo do Kendo é desenvolver não só a potencialidade física para a luta, mas também os aspectos morais e espirituais que podem ser aplicados no cotidiano do praticante. No Japão, é uma das artes marciais mais populares e está se espalhando continuamente em todos as partes do mundo assim como sua popularidade. 

HISTÓRIA DO KENDO 

É difícil dizer precisamente quando e como o Kendo originou. Kendo não foi criado nem foi desenvolvido por uma única pessoa ou mesmo por um grupo de povos. Foi desenvolvido sobre um longo período de tempo, das situações reais de luta, do combate corpo-a-corpo, e do estudo de técnicas com a espada. 

No início, ainda nos séculos 7 e 8, a espada era forjada nos afazeres domésticos. Nesse tempo, a catapulta e a curva foram usadas para a caça ou para guerras tribais. Entretanto, a espada foi sendo gradualmente, usada por combatentes que lutavam em conflitos em grande escala e guerras, durante o período da unificação nacional. Após o 9º século, com a introdução da classe dos bushi, o protótipo da espada japonesa para batalha foi iniciado. A partir daí, as várias técnicas da luta com a espada foram desenvolvidas. Entretanto, no campo de batalha, as espadas que eram mais longas e lanças eram as armas principais até o século 10. 

Os anos seguintes foram preenchidos com sucessivas guerras civis, e durante essa época de conflitos internos, é que surgiram as primeiras escolas de Kenjutsu (arte da espada). Estas escolas foram fundadas por vários mestres esgrimistas, e cada escola teve seu próprio estilo original. Com o passar dos anos, os tempos mais calmos prevaleceram, e mais ênfase foi colocada nos aspectos espirituais com a prática do Kenjutsu. Estes aspectos morais e sociais baseados nas filosofias do Zen-Budismo, Xintoísmo e Confucionismo, deram origem ao código de honra seguido pelos samurai. 

Os guerreiros Samurai (Bushi) eram a única classe permitida a carregar uma espada longa (O samurai carregava duas espadas na cintura, a espada mais curta ficava sempre com eles, enquanto a mais longa era usada somente fora de casa. Portanto facilmente se identificava quando alguém pertencia a classe guerreira dos bushi, já que as pessoas de outras castas só tinham permissão de utilizar a espada curta, também chamada de espada companheira), dominar a espada era indispensável para todo Samurai respeitado. Esse fato, foi considerado para representar literalmente o espírito de Bushi. 

Durante a segunda metade do século 18, o primeiro equipamento protetor real de kenjutsu veio a surgir. Estes desenvolvimentos no equipamento protetor e no uso do Shinai (a espada de bambu), tiveram um papel importante para a evolução da prática de Kenjutsu. 

Nos últimos dias do Xogunato Tokugawa, como a consciência do povo japonês para sua defesa pessoal e nacional estava crescendo, o Kenjutsu tornou-se popular mesmo entre os cidadãos da classe "não-bushi". Com o governo Xogunato abolido em 1867, e com o surgimento do Japão moderno, a classe dos Bushi foi extinta; foi proibido carregar espadas presas ao cinto. Em conseqüência, o Kenjutsu declinou temporariamente sua popularidade. Entretanto, com a abolição da rebelião em 1877, a autoridade dos oficiais de polícia que dominavam o Kenjutsu foi respeitada altamente. Ao mesmo tempo, havia uma necessidade de realçar a riqueza e a força militar do Kenjutsu em uma escala nacional. Sob tais circunstâncias, a elevação do Kenjutsu foi reexaminado. 

Em 1879, o departamento metropolitano da polícia de Tókio, começou a dar cursos de Kenjutsu para seus oficiais. A popularização do Kenjutsu, exigiu um "formulário universal", que incluiria na integra, todas as escolas existentes de Kenjutsu. 

Em 1912, após uma longa deliberação entre os mestres das principais escolas de Kenjutsu, um sistema novo de Kenjutsu que transcende escolas existentes foi estabelecido. Este é o nascimento do Kendo. Desde então, o Kendo, no Japão, faz parte do programa da instrução física nas escolas. As crianças aprendem desde cedo o caminho da espada e as escolas adotam a arte marcial como currículo de educação física. Em conseqüência, o Kendo cresceu ainda mais, e muitos torneios foram e ainda são realizados no Japão e em todo o mundo.

 Após a 2a Guerra Mundial, Kendo sofreu um recesso. Kendo era considerado antidemocrático pelas matrizes gerais das forças da ocupação, e foi proibido oficialmente em público. Em 1957, devido em grande parte aos esforços dos muitos entusiastas do Kendo, o Kendo foi restaurado. No mesmo ano, a federação de Kendo do Japão, foi fundada. Kendo cresceu em um nível nacional outra vez. 
 
 
 

História dos Samurais

 

Samurais

O termo samurai corresponde à elite guerreira do Japão feudal. A palavra samurai vem do verbo Saburai, que significa "aquele que serve ao senhor". A classe dos samurais, dominou a história do Japão por cerca de 700 anos, de 1185 à 1867. E ao longo desse período, os samurais exerceram diferentes funções em determinadas épocas, passando de duelistas à soldados de infantaria da corte imperial, equipados inclusive com armas de fogo.

No início, os samurais realizavam atividades minoritárias tais como, as funções de cobradores de impostos e servidores da corte imperial. Com o passar do tempo, o termo samurai foi sancionado e os primeiros registros, datam do século X, situando-os ainda como guardiões da corte imperial, em Kyoto e como membros de milícias particulares a soldo dos senhores provinciais. Nessa época, qualquer cidadão poderia tornar-se um samurai. Este cidadão por sua vez, teria que se engajar nas artes militares para então, por fim, ser contratado por um senhor feudal ou daimyo, mas enquanto isso não acontecia, esses samurais, eram chamados de ronin.

Na Era Tokugawa (1603), quando os samurais passaram a constituir a mais alta classe social (bushi), não era mais possível à um cidadão comum, tornar-se samurai, pois o título "bushi", começou a ser passado de geração em geração. Só um filho de samurai poderia tornar-se samurai e este tinha direito a um sobrenome. Desde o surgimento dos samurais, só estes tinham direito a um sobrenome, mas com a ascensão dos samurais como uma elite guerreira sob os auspícios da corte imperial, todos os cidadãos passaram a ter um sobrenome.

A partir desta época, a posição do samurai consolidou-se como um grupo seleto da sociedade. As armas e armaduras que usavam eram símbolos de distinção e a manifestação de ser um samurai. Porém para armar um samurai era necessário mais que uma espada e uma armadura. Parte de seu equipamento, era psicológico e moral; eram regidos por um código de honra muito precioso, o bushido (caminho do guerreiro), no qual a honra, lealdade e coragem eram os princípios básicos. A espada era considerada a alma do samurai. Todo bushi (nome da classe dos samurais), portava duas espadas presas ao Obi (faixa que segura o quimono), o katana (espada longa - de 60 a 90 cm) e wakisashi (de 30 a 60 cm), essas espadas eram o símbolo-distintivo do samurai.

Os samurais não tinham medo da morte, que era uma conseqüência normal e matar fazia parte de suas obrigações. Porém, deveriam morrer com honra defendendo seu senhor, ou defendendo a própria reputação e o nome de seus ancestrais. Se viessem a falhar ou cometessem um ato de desonra para si próprio, manchando o nome de seu senhor ou familiares, o samurai era ensinado a cometer o Harakiri ou Seppuku, ritual de suicídio através do corte do ventre.

Se um samurai perdesse o seu Daymio (título dado ao senhor feudal, chefe de um distrito) por descuido ou negligência na hora de defende-lo, o samurai era instruído a praticar o harakiri. Entretanto, se a morte do Daymio não estivesse relacionada à ineficiência ou falta de caráter do samurai, este se tornava um ronin, ou seja, um samurai que não tinha um senhor feudal para servir, desempregado. Isto era um problema, pois não conseguindo ser contratado por outro senhor e não tendo quem provesse seu sustento, freqüentemente tinha que vender sua espada para poder sobreviver ou se entregar ao bandidismo.

 

 

Fora do campo de batalha, o mesmo guerreiro que colhia cabeças como troféu de combate era também um fervoroso budista. Membro da mais alta classe, empenhava-se em atividades culturais, como arranjos florais (ikebana), poesia, além de assistir a peças de teatro nô, uma forma de teatro solene e estilizada para a elite e oficiar cerimônias do chá, alguns se dedicavam a atividades artísticas tais como a escultura e a pintura.

O estilo de vida e a tradição militar dos samurais dominaram a cultura japonesa durante séculos, e permanecem vivos no Japão até os dias de hoje.

Milhões de crianças em idade escolar ainda praticam as habilidades clássicas do guerreiro, entre elas a esgrima (kendo), arco-e-flecha (kyudo) e luta corporal desarmada (jiu-jitsu, aikido). Estas e outras artes marciais, fazem parte do currículo de educação física no Japão atual.

Hoje o espírito samurai continua vivo na sociedade. Através desse espírito, que o Japão é hoje uma das maiores potencias mundiais

 

                     História

No princípio, os samurais (aquele que presta serviços) serviram como soldados de milícia e guardiões da casa imperial japonesa. No ano de 1185, quando o mais poderoso dos clãs guerreiros da época estabeleceu um governo militar centralizado, após longos anos de guerras civis, os samurais tomaram efetivamente o poder como elite guerreira. Em 1192, Minamoto Yoritomo, declarou-se xogun (general supremo) dando início ao xogunato (ou bakufu) de Kamakura, o primeiro dos três regimes da era samurai, que iriam dominar a sociedade, a política e a cultura japonesa por longos 700 anos.

Antes, os samurais já tinham grande importância na sociedade japonesa, mas ainda não faziam parte do poder. No início do período Heian (794 a 1192) no Japão, "samurai" ou saburai (vem do verbo Saburau que significa "servir ao senhor") eram aqueles que serviam no palácio da imperatriz e das comcubinas do soberano ou ainda príncipes regentes e ministros da Corte. Já se podia verificar a partir dessa época, a importância dos samurais na hierarquia, ficando acima de criados e servidores comuns. O termo "bushi" (guerreiro), apareceu como sinônimo de samurai pela primeira vez em registros do século 8 e já representava guerreiro adestrado nas artes militares, mas ainda não indicava um funcionário de um senhor feudal como nos anos que sucedem. O imperador estava no topo da cadeia de vassalagem no Japão. Porém, com o tempo, o trono imperial esvaziou-se de autoridade, ao passo que poderosos clãs de samurais se formaram pelo interior do país. Com a ascensão dos samurais, o imperador tornou-se figura decorativa. Entre 1180 e 1185 aconteceu a Guerra de Genpei, na qual o clã de Minamoto venceu o combate contra as tropas de Taira pelo controle do Japão.

No período kamakura, que vai de 1192 a 1333, os samurais passaram a ser os guardiões do novo regime, desempenhando funções como a cobrança de impostos aos camponeses e atividades militares como a de proteção.

Em 1338, Ashikaga Takauji nomeou-se xogun, tendo início o segundo xogunato conhecido como Ashikaga ou Muromachi. Nessa época, a insatisfação dos lavradores que altercavam a autoridade do governo e a criação do pagamento de diversas taxas, obrigou os samurais a se afastarem da zona rural, e prestarem serviços exclusivamente militares aos chamados Daimyo ou senhores feudais.


Paralelamente ao desenvolvimento do imperialismo no Japão, surgiu a casa de tipo senhorial com fosso (Yakata). A mansão samurai de Yamajima Yakata (acima), um conjunto de vários edifícios, é um bom exemplo que data do século XIV. Os artesãos locais eram estimulados pela corte japonesa, ainda que muitas idéias eram importadas de vários países vizinhos, como a China por exemplo. Ao lado, tábuas de impostos do palácio Heijo, Nara, 717.

As ambições dos senhores feudais afloraram sob o reinado dos xoguns Ashikaga. No século 15 houve uma descentralização no feudalismo japonês, quando os clãs mais poderosos, começaram uma guerra entre si pela supremacia do poder no Japão. Esse período de lutas e conflitos que durou mais de 100 anos é conhecido como Sengoku Jidai, ou a Era dos Estados em Guerra e foi marcado pela revolta dos vassalos em relação aos seus senhores feudais. 

A partir daí o feitio moral das batalhas mudou drasticamente. Milhares de samurais cruzaram o país para sitiar castelos. Fazendeiros se viram obrigados a combater como soldados e foi nesta época em que os ninjas ganharam grande importância nas lutas dos clãs. À medida que foi se alterando a configuração dos conflitos armados, sua postura modificou-se. Os samurais começaram como cavalheirescos guerreiros eqüestres, mas, com a crescente rivalidade entre os clãs, diante de exércitos cada vez maiores, passaram a ser treinados no combate corpo a corpo. As armas de fogo chegaram ao Japão em 1543 na época das navegações, trazidos por portugueses que haviam se desviado da rota para China. Os portugueses iniciaram um próspero comércio com os nipônicos e introduziram entre outras coisas, as armas de fogo. O Japão rapidamente aprendeu a tecnologia e em pouco tempo seus exércitos já estavam equipados com as armas. Em 1549, o cristianismo foi introduzidos por missionários estrangeiros e percebendo a rápida propagação, o xogun proíbe a atividade missionária, banindo o cristianismo e expulsando os portugueses. Em 1640 o Japão praticamente já estava isolado do resto do mundo.

Por volta de 1560 o Japão se encontrava no auge da guerra entre os feudos e nos 40 anos seguintes, o mais poderoso xogun de todos os tempos, Tokugawa Ieyasu, subiria ao poder e imporia a paz aos Daimyo, submetendo-os às suas necessidades e estabelecendo assim, uma unificação ao país. Antes de Ieyasu, dois grandes generais haviam tentado unificar o Japão, estes eram, Oda Nobunaga e Toyotomi Hideyoshi.

Em 21 de Outubro de 1600, aconteceu a mais famosa e importante batalha do Japão, a de Sekigahara, na qual o general Tokugawa Ieyasu e seu exército derrotaram os clãs rivais. Em 1603, Tokugawa tornou-se xogun e estabeleceu-se o xogunato Tokugawa, marcado por um governo dominador, autocrático e centralista.

Nos 250 anos que se seguiu, muitos samurais viraram aristocratas ociosos, subsidiados pelo Estado, ou, como não havia mais rivais, alguns samurais passaram a se dedicar a outras atividades como filosofia, literatura, caligrafia, cerimônia do chá. Neste último xogunato, os guerreiros samurais eram ao mesmo tempo, administradores públicos e funcionários militares do governo, alem de estarem instalados no topo de um rígido sistema de classes.

Em primeiro, vinha o samurai ou bushi, a classe mais alta. Somente esta podia portar duas espadas. Os samurais nessa época tinham o compromisso de defender o governo do xogun nos períodos turbulentos, em troca, recebiam anualmente uma pensão em arroz, medida em unidades chamadas koku e que eram pagas às custas dos impostos que recaíam sobre a colheita dos membros da segunda classe, os fazendeiros, que chegavam a dar 60% das safras de arroz, aos samurais. Em seguida, os artesãos, terceiro lugar nas classes, davam roupas, espadas, armaduras e saquê. Por último, os comerciantes, marginalizados pela elite, ocupavam o mais baixo estrato. O comportamento de cada classe era ditado por leis.

Ainda no período Tokugawa, os samurais passaram a enfrentar bastantes dificuldades com a pobreza. O custo de vida aumentou, diminuindo assim o valor do estipêndio em arroz a que o guerreiro tinha direito e a classe mercantil ganhava cada vez mais riquezas e poder. Muitos samurais arrumaram emprego como burocratas, professores de artes marciais, policiais e guarda-livros como meio de subsistência. Alguns tiveram até que vender a própria espada para se manterem.


Chegada do comodoro Matthew Perry à baía de Toquio no Japão.

O Japão era até então, um país isolado do mundo desde 1630. Em 1853 o navegador norte-americano Matthew Perry chegou à baía do Japão e exigiu a reabertura dos portos. O xogun percebeu que a abertura dos portos seria inevitável e assinou o tratado firmando pactos comerciais com outros países. Tal atitude foi vista como ato de fraqueza do xogun, provocando rebeliões de diversos clãs samurais, muitos deles contrários a Tokugawa.

Agindo em nome do imperador, há tempos esquecidos, os samurais rebeldes com apoio de comerciantes e fazendeiros insatisfeitos foram à luta contra as forças do xogun Tokugawa e o expulsaram do poder. O governo Meiji, nomeado pelo jovem imperador e composto de muitos samurais instruídos, impulsionou O Japão para um rápido processo de modernização, junto com o Ocidente. Em Janeiro de 1868 foi anunciada a restauração Meiji. As classes sociais foram logo abolidas, dessa forma, os samurais perderam seus privilégios como a remuneração por estipêndio e foram proibidos de usar as duas espadas.

Alguns samurais que haviam ajudado o imperador a chegar ao poder, se sentiram traídos, pois estes acreditavam que seria reinstalado um governo baseado na classe guerreira.

As habilidades militares dos samurais já haviam decaído e eram suplantados em riquezas por muitos comerciantes. Até que no fim dos anos 1860, as forças leais ao imperador, incluindo samurais descontentes, "derrubaram" a outrora indômita classe guerreira.

Muitos samurais se recusaram a se render e ao invés disso, cometeram o seppuku ou harakiri. Aos poucos, os próprios guerreiros perceberam que uma mudança de cunho-político-social seria necessária e aceitaram o sacrifício da extinção de sua classe. Alguns deles voltaram para o campo e outros foram para o comércio, indústria, funcionalismo público, policial e até forças armadas. Mas até hoje eles habitam o psiquismo japonês.

 

 

Código de Honra

A classe guerreira do Japão feudal conhecida como samurai (ou bushi), conseguiu fama por sua bravura, técnicas marciais, honra e por seu espírito inabalável diante da morte. Essa reputação se deve à um código de ética e conduta, seguido e vivido pelos guerreiros, conhecido como bushido.

PRECEITOS DO BUSHIDO


GI


YU


JIN

1.      GI - Justiça e Moralidade
Atitude direta, razão correta, decidir sem hesitar;

2.      YU - Coragem
Bravura heróica;

3.      JIN - Compaixão
Benevolência, simpatia, amor incondicional para com a humanidade;

4.      REI - Polidez e Cortesia
Amabilidade;

5.      MAKOTO - Sinceridade
Veracidade total, nunca mentir;

6.      MEIYO - Honra
Glória;

7.      CHUGO - Dever e Lealdade
Devoção, Lealdade.


REI


MAKOTO


MEIYO


CHU


O bushido oferece padrões que regem a vida do guerreiro samurai, principalmente no que diz respeito a honra e coragem. Para o samurai, morrer em uma batalha ou duelo, significa honrar o nome de sua família e de seus ancestrais. Falhar diante do dever de proteger seu senhor, era a maior desonra para o guerreiro, que não tinha outra escolha senão cometer o suicídio, conhecido como seppuku.

HARAKIRI

Para evitar a desonra da captura ou a vergonha de sair vivo de um duelo quando derrotado, o samurai  praticava um ritual chamado seppuku, que significa: suicídio ventral. No geral, segundo seu código de conduta, quando um samurai perdia sua honra de alguma forma, ele se via na obrigação de cometer o suicídio. 

O harakiri, como também é chamado tal suicídio, se baseia numa morte lenta e dolorida, em que o samurai fincava uma pequena espada ao lado do abdômen e cortava o próprio ventre de uma ponta a outra. Porém, antes de atravessar o abdômen com uma lâmina, era feito todo um ritual, que ia desde a composição de um poema de morte por parte do samurai, até um banho de purificação do corpo e da alma. Depois o samurai se recostava num pequeno banco de modo que quando morresse, seu corpo não caísse pra trás. Pegava então sua espada curta ou uma adaga afiada e cortava o corpo na altura do abdômen, terminando por puxar a lamina pra cima. Era importante o samurai ter total auto-controle e não mostrar sinais de medo ou dor. Caso o samurai não tivesse mais agüentando a dor, um parente ou amigo íntimo entre os espectadores do ritual, empunhava uma espada e com ela, decepava a cabeça do samurai de modo que a espada não transpassasse totalmente o pescoço do samurai, deixando sua cabeça pendurada por uma fina camada de pele, para que ela não rolasse no chão. 

Entretanto, o ritual nem sempre poderia ser seguido nesses detalhes. Nos campos de batalha por exemplo, pra evitar de ser capturado, o samurai derrotado apenas enfiava a espada em seu abdômen. 

O suicídio tem um enorme valor no Japão, pois difere os samurais das outras castas guerreiras e prega o conceito de que mais vale a morte do que a desgraça de ter o próprio nome desonrado. Essa influência se vê ainda nos dias de hoje e um exemplo comum disso, são os pilotos kamikase da Segunda Guerra Mundial.

Em 1703, 47 ronin desafiaram o poder do xogun degolando o mestre de etiqueta, culpado pela morte do antigo amo deles. Em seguida, os ronincometeram seppuku, tornando-se os mais reverenciados rebeldes do Japão inclusive nos dias de hoje.


 

 

INTRODUÇÃO

Ninjutsu é uma arte marcial japonesa com raízes que datam mais de mil anos atrás. Existiam no Japão, muitas escolas e famílias de ninjutsu, mas durante a era de paz civil no Japão, não eram mais necessários, os serviços dos ninjas. Em razão disso, muitas dessas escolas desapareceram, porém algumas mantiveram a tradição viva ensinando as suas crianças, passando de pai para filho os segredos dos ninjas.

Os ninjas tiveram funções diferentes em determinadas épocas da história do Japão. Houve épocas em que eram guerrilheiros, terroristas, assassinos e em outras épocas eram agentes secretos do governo japonês, instrutores de polícia e assim por diante.

Ninjutsu, foi desenvolvido como um sistema de combate por povos que viveram principalmente nas províncias de Koga e Iga, e sabiam da importância de um estado psicológico e uma saúde mental boa. Existiam muitos clãs diferentes de ninjas, cada qual com seu próprio estilo.

O ninjutsu influenciou a história, a política e a cultura do Japão. Os verdadeiros guerreiros da escuridão começaram a desenvolver sua maneira de sobrevivência, auto-defesa, táticas marciais com armas, camuflagem, espionagem e guerrilhas, que mais tarde passaram a ser conhecidas como ninjutsu. 

HISTÓRIA 

Durante a longa guerra civil que durou até o fim do século XVI, algumas famílias que habitavam as regiões montanhosas na região de Honshu, eram impedidas de portar espadas ou armas, então desenvolveram técnicas marciais para se proteger e foram forçados a praticar seus conhecimentos ninjas em segredo, nas montanhas e florestas. Essas famílias de guerreiros desenvolviam suas habilidades em harmonia com a natureza e treinavam diferentes tipos de combates e praticavam meditação. Quando necessário, essas famílias se uniam para lutar contra os inimigos.

Como em qualquer sociedade,  havia crápulas entre os ninjas, que não tinham o menor pudor em utilizar os conhecimentos adquiridos para fins nada honoráveis, como matadores de aluguéis. Foi ai que o ninja evolui de guerreiro das montanhas para guerreiros da noite e começaram a ocupar parte na história do Japão, pois muitos senhores feudais contratavam os serviços desses ninjas, que eram exceções, para realizar assassinatos e atuar como espiões. Esses ninjas eram samurais, pois serviam a um daimyo, com a diferença de não seguirem o bushido, mais sim, seu próprio código de conduta. Não se importavam em realizar suas missões de maneira desleal, já que sua imagem não era afetada, pois além de atuarem de noite, daí o nome – o guerreiro da escuridão – usavam uma máscara que mantinham sua identidade em sigilo.  

Naquela época, os "ninjas do bem" dirigiam suas atividades à família e aos objetivos da comunidade que pertenciam. Mas como as injustiças eram muitas no passado, os ninjas viviam às voltas em inúmeras batalhas. O que levou a condição de guerreiros mortais. 

Poucos clãs ninjas vingaram até a entrada do Japão na era moderna, iniciada com o império Meiji, em 1868, o ninjutsu praticamente desapareceu. Meiji queria transformar a então sociedade agrícola e de guerreiros samurais, em um nação industrializada. Seu primeiro decreto foi proibir que os samurais usassem espadas.

Das quase cem escolas existente antigamente, apenas uma sobreviveu até os dias de hoje e esta reunia os ensinamentos de nove clãs diferentes. Um dos principais motivos do desaparecimento do ninjutsu está em sua própria filosofia. Apesar de poder ensinar sua arte marcial e algumas técnicas de combate aos interessados em geral, o ninja só repassa todo o seu conhecimento a um herdeiro determinado e de uma maneira muito especial. Com um agravante extra: o ninja não tem liberdade para escolher este herdeiro. O encontro deve ocorrer de forma natural ou, para os leigos, sobrenatural. É algo inexplicável, transcedental a matéria, é preciso uma afinidade muito grande entre aluno e discípulo, que ira acontecer naturalmente.

Os ninjas sempre foram espiritualistas, meio ecológicos. As primeiras famílias que habitavam as montanhas viviam em perfeita comunhão com a natureza, jamais contrariavam suas leis Entre um combate e outro, os ninjas aprenderam a utilizar plantas e ervas como remédios. Em Koga, província de Shiga, berço do ninjutsu, ainda hoje existem inúmeras companhias farmacêuticas originados a partir dos preceitos da medicina natural desenvolvida pelos ninjas.

A fé também tornou-se parte integral do ninjutsu. Uma das principais influências espirituais dos ninjas foi Shinto, "o caminho do kami". Kami é a palavra japonesa para Deus. Mas a filosofia implica em um sentimento mais voltado para uma força sagrada do que para um ser superior. Outra forte influência dos ninjas foi o método Mikkyo de expandir a força interior ou o Ki, baseado no uso de palavras e símbolos secretos para concentrar a energia e as intenções em objetivos específicos.

Os ninjas também foram influenciados por um grupo de nome Shugenja que morava nas montanhas. Esse método consistia em submeter-se aos obstáculos natureza para extrair força da própria terá. È incorreto entretanto afirmar que esses métodos faziam parte das raízes do ninjutsu, o ninjutsu é uma filosofia separada e um modo de vida que não surgiu da noite para o dia. O grande intervalo de tempo entre o império Jinmu e as famílias ninjas das montanhas comprova isto. Apesar de entrar em combate quando necessário, os ninjas eram pessoas comuns que desenvolveram certas habilidades para tentar superar dificuldades nos tempos feudai do Japão. Ninjutsu é freqüentemente traduzido como arte do desaparecimento, mas o kanji "NIN" tem muitos outros significados, tais como perseverança, resistência e principalmente tolerância, que é o mais importante preceito do ninja.

Apesar de não serem guerreiras, as famílias ninjas eram constantemente repudiadas pela sociedade feudal. Eram submetidas a taxas de impostos injustas e perseguição religiosa. O ninja aprendeu a agir com mais eficácia por defesa própria. Eles usavam conhecimento superir das forças da natureza e das técnicas militares herdadas ao longo dos anos com armas contra o exército do governo.

Porém muitas de suas táticas eram consideradas covardes. Como atacar o inimigo sem lhe dar chance de defesa. Os ninjas na verdade apenas usavam o bom senso contra adversários mais poderosos. Os senhores feudais tinham ao seu lado os temidos guerreiros samurais, que muitos confundem com os ninjas, apesar de alguns serem mesmo samurais. Os ninjas não quiseram se envolver com o governo protegido por samurais que se estabeleceu na era Kamamura (1192-1333) até o fim do período Edo (1867). Muitas vezes as famílias ninjas usavam seus guerreiros ou fontes de informações para proteger seus membros, evitando que eles se tornassem vítimas de disputas entre grupos de samurais inimigos. O ninjutsu era desenvolvido como uma contracultura para a sociedade japonesa dominada pelos samurais.

O sucesso dos ninjas nos combates se devia também a uma boa preparação e ao sistema perfeito de dissimulação, até mesmo dentro dos clãs. Não por acaso só ninjas desenvolveram um sistema de combate e espionagem que lhes renderam uma boa reputação como guerreiros. Essa reputação pode ganhar uma nova perspectiva no mundo atual. Os ninjas eram pessoas comuns, mas com objetivo e pontos de vista filosóficos únicos.  A filosofia ninja tornou-se parte bastante importante em seu método de combate. 

O código do samurai, o bushido, deriva de uma série de princípios gerais para guerreiros, que se transformou numa disciplina formal. A filosofia ninja, embora contendo alguns valores similares, evoluiu através de outra trilha cultural. Quando uma casa ninja era atacada por exemplo, seus moradores "desapareciam" por passagens secretas nunca descobertas. Os oponentes, desconhecendo os ninjas, não compreendiam sua estratégia e divulgavam a lenda de que eles eram mágicos - sem ao menos perceber, que muitas vezes a derrota não era causada por um forte guerreiro, mas sim por uma delicada porem ardilosa mulher.

KUNOICHI

As mulheres aliás, sempre fizeram parte do mundo ninja, recebendo denominação especial: kunoichi. Mas apenas seus engajados integrantes sabiam que por trás da máscara de um kunoichi estava uma mulher. Mais do que guerreiras, as ninjas eram sensuais e sabiam se aproveitar dessa peculiaridade para seduzir e, na seqüência, aniquilar os inimigos. Elas se davam ao luxo de ter até uniforme exclusivo que estrategicamente, deixavam sua lindas pernas à mostra. Elas eram muito competentes e quase sempre conseguiam cumprir seus objetivos.

NINJUTSU HOJE

A imagem atual de criminosos em potencial, que muitos ainda cultivam pelos ninjas foi herdada do fato de eles combaterem os samurais, que figuravam o lado da classe dominante. Os exageros sobre as habilidades ninjas também são frutos do desconhecimento, pois poucos mortais tinham acesso ao seu restrito mundo. Mas não é somente por causa da eficácia das táticas de combate que a mística sobre os ninjas persiste até hoje. A arte marcial do ninjutsu atrai desde crianças até agentes dos principais serviços secretos do mundo também pela filosofia.

Mais do que embasar a arte do desaparecimento ou as famosas técnicas para matar, o ninpo (essência da imagem ninja) é um método físico, emocional e espiritual de proteção.

 

 
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