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 Prisões Políticas e historial pós 25 de Abril de 1974

5 de Outubro
As "festanças" comemorativas da implantação da República passaram em branco as prisões políticas ocorridas na época, e não foram poucas.
A título de exemplo, lembra-se que no dia 10 já havia presos 46 padres na Cadeia do Limoeiro e 82 no Forte de Caxias, e 233 freiras no Arsenal da Marinha...

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É PRECISO

É preciso ficar aqui, entre os destroços,
E cinzelar a pedra e recompor a flor.
É preciso lançar no vazio dos ossos
A semente do amor.
É preciso ficar aqui, entre os caídos,
E desmontar o medo e construir o pão.
É preciso expulsar dos cegos dias idos
A insónia da prisão.
É preciso ficar aqui, entre os escombros,
E libertar a pomba e partilhar a luz.
É preciso arrastar, pausa a pausa, nos ombros,
A ascensão de uma cruz.
É preciso ficar aqui, entre as ruínas,
E aferir a balança e tecer linho e lã.
É preciso o jardim a envolver as oficinas:
É preciso amanhã.

António Manuel Couto Viana
in “Nado Nada”, 1977.

 

 

OS MORTOS NÃO SE DISCUTEM


Os vivos que vão estar presentes a 10 de Junho em Belém querem, antes de mais, ser dignos da História de Portugal e merecer os Mortos.
É uma Honra suprema poder estar de pé, entre as ruínas, ver passar os espectros, as sombras, e permanecer íntegro e impassível perante o «Toque de Silêncio».

Pode ter sido ocupado o Estado, pode a Nação sentir a sua Vontade
destruída ou e desviada, pode «este» Portugal estar à beira do Fim.
Podemos ter aceite discutir tudo, podemos ter cedido em quase tudo, mas não na Memória.

Os Mortos, esses não se discutem. Honram-se. Tombaram por uma causa que para nós não foi, é - Nobre e Grande. E, nos dias que correm, podemos mesmo sentir inveja dos Mortos, tal é a Dor que por vezes nos sufoca neste tempo de cães.

Eles não sabem que um outro Portugal há-de nascer depois «deste»
ter acabado de vez - que para surgir Um tem que desaparecer o Outro!
As favas foram sempre mal contadas por «eles», que não sabem da fantástica Quimera que gera novas Possibilidades e é ela quem move o Mundo, «eles» não sabiam nem sabem de onde vem a Vida, nem como nasce a fórmula
do Sangue e do Espírito. Eles não sabem Nada!

Façamos então uma Homenagem aos nossos irmãos que aceitaram
a simplicidade de dar tudo para que Portugal vivesse. Eles não estão longe, vêem-nos, ouvem-nos e hão-de combater ao nosso lado na última batalha pelo Futuro.

VL

10  de Junho, 2010

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25 de Abril de 1974

Duzentos capitães! Não os das caravelas

Não os heróis das descobertas e conquistas,

A Cruz de Cristo erguida sobre as velas

Como um altar

Que os nossos marinheiros levavam pelo mar

À terra inteira! (Ó esfera armilar, que fazes hoje tu nessa bandeira?)

Ó marujos do sonho e da aventura,

Ó soldados da nossa antiga glória,

Por vós o Tejo chora,

Por vós põe luto a nossa História!

Duzentos capitães! Não os de outrora...

Duzentos capitães destes de agora (pobres inconscientes)

Levando hílares, ufanos e contentes

A Pátria à sepultura,

Sem sequer se mostrarem compungidos

Como é o dever dos soldados vencidos.

Soldados que sem serem batidos

Abandonaram terras, armas e bandeiras,

Populações inteiras

Pretos, brancos, mestiços (milagre português da nossa raça)

Ao extermínio feroz da populaça.

Ó capitães traidores dum grande ideal

Que tendo herdado um Portugal

Longínquo e ilimitado como o mar

Cuja bandeira, a tremular,

Assinalava o infinito português

Sob a imensidade do céu,

Legais a vossos filhos um Portugal pigmeu,

Um Portugal em miniatura,

Um Portugal de escravos

Enterrado num caixão d'apodrecidos cravos!

Ó tristes capitães ufanos da derrota,

Ó herdeiros anões de Aljubarrota,

Para vossa vergonha e maldição

Vossos filhos mais tarde ocultarão

Os vossos apelidos d'ignomínia...

Ó bastardos duma raça de heróis,

Para vossa punição

Vossos filhos morrerão Espanhóis!

Joaquim Paço d’Arcos.
(Poema que à data o impediram de publicar)
 
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A Ponte sobre o Tejo, chamada de 25 de Abril,  foi inaugurada em 6 de Agosto de 1966...

 

"Ideiasquematam"

«Não posso deixar de considerar mais uma vez excessivo o modo como o nosso sistema judicial penaliza os crimes reais, hipotéticos ou mesmo de opinião, que em democracia não são crimes, da extrema-direita. Já não é a primeira vez que tal se nota, numa desproporção enorme entre o modo como juízes e procuradores se atiram para os crimes da extrema-direita, e tratam com penas leves ou nenhumas, crimes de sangue, violência, violações, assaltos à mão armada, etc. Entre as penas possíveis a aplicar aos crimes do grupo de skins que foi julgado (dou de barato que haja crimes, embora tenha a maior das dúvidas sobre uma polícia que apresenta como despojos de uma busca bandeiras e símbolos nazis, que eu também desconhecia ser um crime possuir, e que, já digo publicamente, também tenho no meu arquivo), parece sempre escolher-se a mais dura, mesmo quando o bom senso exigiria outra ponderação.

As ideias de Mário Machado matam, tenho poucas dúvidas sobre isso, Mas também as minhas há trinta anos matavam, as de Mário Soares, na sua juventude, matavam, as de vários membros do governo actual e de altos responsáveis da magistratura, de empresas, da comunicação social, matavam também. E as de muita gente hoje, que em Portugal passa por ser pacífica e que ninguém vê com os mesmos olhos com que vê os skins e os nazis, matam hoje mesmo, na Colômbia, na América Latina em geral, em África, na Ásia e mesmo na Europa, no país nosso vizinho, Ou pensam que a apologia da violência é um exclusivo da extrema direita e que a extrema-esquerda são uns pacíficos meninos, cujas bandeiras com a foice e o martelo não têm tanto sangue como a cruz gamada?

Só que em democracia as ideias e as opiniões é suposto serem livres, por péssimas que sejam, e o nosso desgosto com elas não devem servir de agravante penal, sob pena de politização da justiça.»

E mais esta...
COISAS DA SÁBADO: NÃO SABIA QUE ERA PROIBIDO EM DEMOCRACIA SER CONTRA A IMIGRAÇÃO

O vereador Sá Fernandes à revelia das leis e da liberdade, mandou arrancar um cartaz do PNR contra a imigração. Nada tenho com as ideias e as práticas do PNR, nem precisava de o dizer a não ser porque este mundo está tão envenenado que tem que se estar sempre a repetir o óbvio, mas desconhecia que era proibido em democracia pronunciar-se contra a imigração. O problema é nós nos esquecemos que a liberdade dos outros é também para dizer aquilo que nós detestamos e não concordamos. A liberdade é assim, não é apenas aquilo que o vereador Sá Fernandes entende ser politicamente correcto dizer ou aquilo que ele quer censurar. Felizmente.

José Pacheco Pereira

in

Abrupto
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MURO de BERLIM
a queda da grande prisão, em 9/11/89.
Veja em:
www.stasimuseum.de
www.stiftung-hsh.de
www.maeur-museum.de
o paraíso comunista e as suas prisões na RDA.

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Quem foi
Palma Inácio

Sabotador?
Pirata do Ar?
Ladrão de Bancos
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Humor negro no Gulag

- Três tipos estão conversando num Gulag e acabam por falar dos motivos pelos quais tinham sido deportados. "Eu estou aqui porque sempre chegava cinco minutos atrasado ao trabalho e acusaram-me de sabotagem", disse o primeiro.
"Eu estou aqui porque sempre chegava cinco minutos antes ao trabalho e acusaram-me de espionagem", afirma o segundo.
"Eu estou aqui porque sempre chegava pontualmente e descobriram que tinha um relógio americano exclama o terceiro",

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Somos
um grupo     
de ex-presos políticos
do pós 25 de Abril.
Queremos contar
a verdade, ainda
que incómoda.
Este site estará em construção permanente, aberto
às memórias
e testemunhos
de quantos viveram 
a injustiça e sofreram a repressão ilegítima por motivos políticos, num tempo em que a liberdade de expressão e a liberdade de acção política eram bandeiras do «processo revolucionário».
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Porquê

Numa Escola de Lisboa, na aula de História, a professora explica que depois do 25 de Abril não houve presos políticos em Portugal. Uma aluna levanta-se e diz não ser verdade já que o seu Pai estivera preso por esses motivos, bem depois daquela data.
A professora replicou que deveria ser de delito comum...
Querendo dar elementos aos seus colegas, a aluna nada encontrou na net.
É este o nosso objectivo. Fazer para que conste. 
[23/04/07]
Ver página 'Intervenções'

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(Ex)citações
«Chefe de sala [dos lideres internacionais] rende sempre qualquer coisinha – vejam os casos de Sampaio [ex-MES], Guterres [ex-JUC] e Barroso [ex-MRPP]. Ter as unhas limpas, não baralhar os talheres, falar inglês técnico e portar-se bem à mesa é meio caminho andado»

Joaquim Letria in 24 Horas 23/07/07

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(Ex)citações -1
«Andam muitos
à solta»
«Se as prisões continuam é porque na madrugada de sábado [dia 28 de Setembro de 1974], a acção teve que se desencadear rapidamente.(…) Deve haver ainda muitos [indivíduos metidos no “complot”] à solta.»
Declarações em Conferência de Imprensa, a 1de Outubro de 1974, do comandante Montez, director–geral da Informação.
in A Capital 2 de Outubro de 1974

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(Ex)citações - 2

Os desejos
e os sonhos ...
do jornalista 
Baptista-Bastos
 


«Essa "associação de malfeitores", termos
consignados nos mandatos de captura, preparava-se, fria e determinantemente, para reinstituir o crime, o latrocínio, o assassínio (...) desejaríamos que a lista com os nomes dos cidadãos a abater pelos fascistas fosse tornada pública.» 
in Diário Popular 3/10/74

«O festim durou pouco. (...) Há trinta e três anos alimentámos um sonho buliçoso, sentimental,
ocasional e frágil.» 
in Diário de Notícias 25/04/2007
[17/05/07]


«Não acredito que Sócrates seja fascista.
Mas que o fascismo anda por aí, lá isso...»
in Público 10/01/08
[13/01/08]

«E a história da II República, saída do 25 de Abril, não representa, propriamente, um modelo de santidade.»
in Diário de Notícias 2/04/2008
[03/04/08]

28 de SETEMBRO - 74
Há 36 anos centenas de prisões realizadas na calada da noite pelo COPCON, sem mandatos de captura, encheram Caxias e outras prisões, são a razão de ser deste registo de memórias, para que não se esqueçam e desvalorizem os acontecimentos daquela época promovidos por ondas  totalitárias  marxistas e inocentes úteis para quem o "sonho" estava à sombra do Muro de Berlim, cuja queda, em 9 de Novembrode 1989, mostrou o que queriam impor aos portugueses...

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Serviçais

Um regime que começou por prender e exilar os seus melhores empresários, acusando-os do “crime” de serem ricos e criarem riqueza, só podia desembocar nisto: um Estado esbanjador do dinheiro alheio pedindo esmola por esse mundo fora. Tudo estava ao nosso alcance, tudo desbaratámos. Ao logo das últimas três décadas, delapidámos a estabilidade financeira, destruímos a agricultura, acabámos com as pescas e com a indústria, avacalhámos o turismo – e, como cigarras idiotas, transformámos Portugal num país de mangas-de-alpaca. Uma hora de trabalho de um alemão produz mais riqueza real do que um turno completo de um “empregado” português dos “serviços”. Um país de “serviços” é o que somos hoje – prevendo-se, inevitavelmente, a nossa breve transformação num país de serviçais. Esta insanidade (algo ainda mais extraordinário) não nos foi imposta por ninguém: escolhemo-la nós, de cada vez que fomos às urnas renovar o mandato dos sucessivos vendedores de banha-da-cobra por quem nos deixámos enfeitiçar, de cada vez que fechámos os olhos e quisemos acreditar que o seguinte não seria pior do que o anterior. Comprámos o elixir da felicidade instantânea dos governos ideológicos de esquerdas e sub-esquerdas, suportámos a demência gonçalvista e a tirania dos copcães, deixámos entregar o Ultramar com a mesma inconsciência com que agora parecemos preparar-nos para entregar a soberania dos nossos mares, rendemo-nos aos tecnocratas sem miolo e aos falsos liberais da negociata, sucumbimos a políticos feitos de “imagem” e a governantes empenhados na “implementação” do seu próprio enriquecimento. A ignorância espessa da sociedade de “doutores” iletrados pelos “Morangos com Açúcar” é uma risada nos mercados internacionais: os nossos trabalhadores são menos qualificados do que os turcos ou os mexicanos, os nossos empresários ainda são piores. Educámos os nossos filhos para palermas, demos-lhes como horizonte um bmw, um “emprego” e férias em Punta Cana. Aceitámos uma “Justiça” de faz-de-conta, uma Saúde de Terceiro Mundo e uma vida sem alma ou destino. Agora, pagamos.
in Diabo
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Política pós-25A


O 25 de Abril até pode ter apanhado as pessoas desprevenidas ou ocupadas, mas o que foram fazer nos dias, meses e anos seguintes foi já da sua inteira responsabilidade. Ou irresponsabilidade? 

A pergunta correcta é "onde é que estava no pós 25 de Abril"? 
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·         Durão Barroso, como se vê, era um marxista ferrenho e maoísta fanático;

·         Jorge Coelho foi actor na UDP;

·         Catalina Pestana bloqueou a ponte 25 de Abril.

Texto de Maria Henrique Espada

VER:
Onde "andavam" a seguir ao 25/A, estes e outros! 
 

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UM RELATO

Encontrei há dias um conjunto de jornais velhos, muitos deles do dia 30 de Setembro de 1974.
    Trata-se do "Diário de Lisboa", República", O Sèculo" e "Diário de Notícias" além de "O Avante," claro ! Noto que, salvo o caso do Diário de Notícias, não foi autorizada a publicação de jornais no Domingo, 29 de Setembro. 
 
O cartaz acima reproduzido foi obra de um colega: Francisco Hipólito Raposo - Quito (tal como ele assinou no próprio cartaz).
     Não vou fazer a história do 28 de Setembro mas gostaria de recordar alguns pontos em que estive envolvido:
    1) - O cartaz foi composto numa das empresas do então Grupo Eminco - C Santos (Publifirma Lda.) por encomenda da Organização da Manifestação.
    2) - Segundo consta (Diário de Lisboa) o cartaz, foi enviado aos diversos jornais de Lisboa para publicação (dois dias seguidos), mas estes terão recusado sua publicação.
    3) - Uma vez que os jornais não terão aderido à solicitação, um numeroso grupo de indivíduos que se deslocou em diversos automóveis (1), colou imensos exemplares do cartaz nas ruas de Lisboa (madrugada de 19 de Setembro).   
    4) - Acresce que a referida empresa C Santos promoveu no dia 20 (Quinta Feira) uma corrida de toiros (nocturna) no Campo Pequeno para lançamento de um novo modelo do automóvel Audi.
    Para essa corrida foram convidados diversos quadros da Empresa, tendo-me tambem cabido uns bilhetes. 
      No intervalo da corrida de toiros, foi calorosamente aplaudido o Presidente da República - Gen. Spínola e vaiada a figura do Primeiro Ministro - Brig. Vasco Gonçalves.
      Ainda no decorrer da corrida, houve protestos contra o MFA e o contra o processo de descolonização em curso.
      Face a estes comportamentos que não esperava encontrar,decidi não sair da praça logo após o final da corrida, porque me assaltou o ocorrido no Capitólio, quando foi apresentado o céle-bre filme italiano "Dove la Libertá".
      Apreciei a lide do "sobrero" feita por uns expontâneos (colegas de trabalho) do grupo do Quito Hipólito.
      Havia calma quando saí, mas cheirava-me a qualquer coisa.
    5) - No dia seguinte, encontrei as barreiras populares na Calçada de Carriche, apoiadas por militares de "Engenharia Um" onde reconheci o colega de trabalho, o então recruta, Diniz P. Vieira.
    6) - Certamente que por tudo isto, logo no dia 29 foi preso o Dr. Bernardo Mendes de Almeida - Conde de Caria, um dos Administradores da Eminco - C. Santos. Além de uma extensa lista de nomes, foi tambem preso o toureiro J. João Zoio.
    7) - É claro que nos dias seguintes foi a Empresa invadida por imensas comissões de Bairro, Intersindical, da Banca e até do Copcon, pretendendo mais detalhes de tudo isto e da possível envolvência da empresa (e Administradores) na organização da
manifestação.
    8) - Acabei por receber (aturar) várias delegações, embora as minhas funções na Empresa nada tivessem a ver com estes factos. Claro que mostrei a factura respeitante à encomenda recebida bem como o recibo correspondente, já cobrado.
     Informei ainda que o cheque tinha sido remetido à Banca como era natural. Tudo em ordem portanto!
    9) - Nestas circunstâncias, por ter dado a cara em nome da Empresa, fui olhado de lado por muitos colegas, até por quem na área administrativa se situava mais perto e íntimo da Administração. Nestas coisas há sempre heróis que põem a rabinho de fora !
  10 ) - Um grupo de "camaradas" chegou a dizer-me que iriam investigar por que razão eu defendia a Administração. Claro que lhes respondi que não seria pelo facto de ter ligações especiais com alguem dessa família.
     Por outro lado, tambem não era pelo facto de algum Administrador conhecer a minha mulher. Não, por aí, não era !
 11) - Disto e até ao 11 de Março, houve muita agitação.
    Seguiu-se logo o "Domingo - Dia de Luta", pela produtividade.
    Por decreto governamental, todo o País foi trabalhar nesse Domingo para se comemorar a vitória da democracia, etc.
  12) - Constou que em Cascais estava afixado um Comunicado do Copcon informando que o Administrador Dr. Fernando Pizarro, tambem teria sido preso. Da Empresa foi porém preso o próprio "Quito" Hipólito com quem, logo que solto, tive a oportunidade de confraternizar.
Luis Soares da Cunha
(1) - Nota: Uma destas acções (vigiadas pelo MFA) provocou a prisão do Eng Pedroso dos Santos que nada tinha a ver com ela, só que vendera um dos carros a que ainda não tinha sido alterada o registo de propriedade. Essa demora valeu-lhe quase dois meses em Caxias, gravemente doente, com úlcera de estômago, sem medicação e alimentação adequada, com desmaios na cela, o que originou, uns meses depois, o seu falecimento.
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Saneamentos,mandados de captura em branco, etc.
Comportamentos vergonhosos
no PREC (1974/75)
- os mandados de captura em branco
do COPCON
-
os escandalosos saneamentos de Oficiais

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O 25 DE ABRIL
               E A HISTÓRIA

por António José Saraiva
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Manifesto
dos Oficiais Revolucionários

de 20-11-75(1)
 
(Aos soldados, marinheiros, classe operária e povo trabalhador)
   1. O processo iniciado em 25 de Abril de 1974 chegou ao momento da verdade, ao momento do avanço decisivo para o socialismo. É certo que até agora foram vibrados duros golpes no poder da burguesia e foram dados passos importantes no sentido da organização autónoma da classe operária e do povo trabalhador. As nacionalizações, o começo da reforma agrária, as experiências de controlo operário e o avanço do poder popular constituem as principais conquistas das massas trabalhadoras nesta fase do processo. Tudo isto, no entanto, não representou a destruição do capitalismo, nem a criação do poder dos trabalhadores.
   É assim que a burguesia pode tomar conta do Conselho da Revolução, do VI Governo e do MFA. (...)
   2. A partir do momento em que o desenvolvimento do processo português tornou claro o falhanço das sucessivas tentativas da burguesia para recuperar o controlo da sociedade portuguesa, através de soluções conciliatórias falsamente favoráveis às classes trabalhadoras, tornou-se obsessiva, para o poder instituído, a construção de um aparelho repressivo capaz de substituir, pela força, a falta de apoio das massas populares.(...)
   3. A alternativa revolucionária para a crise é a que assenta no papel determinante das massas populares, da classe operária e dos soldados, é a que ultrapassa a direcção conciliatória existente até agora, pela afirmação duma direcção política revolucionária, expressão da capacidade das massas em construírem o socialismo, isto é, o seu poder e a sua sociedade, e em construírem o braço armado, que os levar à vitória final, o exército revolucionário.
   A saída para a crise está pois na construção dum poder revolucionário assente num programa de unidade revolucionária, que se baseie nas ideias expressas no Documento do COPCON.
   A natureza revolucionária do poder só se demonstra na prática, pelo que tornar a Assembleia Popular Nacional uma realidade, exige:
- O rápido reforço dos órgãos de Poder Popular de base já existentes: Comissões de Moradores, Comissões de Trabalhadores, Conselhos de Aldeia e Comissões de Soldados e Marinheiros; (2)
- A pronta constituição destes órgãos onde não existam.  
- A coordenação dos órgãos de Poder Popular de base através de Assembleias Locais e Regionais.
   Este conjunto de acções terá de ser obra dos próprios trabalhadores, competindo ao Poder do Estado abrir o espaço para o seu desenvolvimento, apoiando inequivocamente os trabalhadores e proporcionando-lhes as condições necessárias.
   Para além disto o poder só será legitimamente revolucionário desde que assuma o objectivo imediato de colocar a economia ao serviço do povo trabalhador, liquidando o desemprego e a subida do custo de vida, o que exige:
   - Criar condições para a construção do controlo operário sobre a produção, o que significa que toda a economia (fábricas, oficinas, bancos, comércio, etc.) terá de ser controlada directamente pelos trabalhadores através dos órgãos do Poder Popular;
   - Criar condições para que a reforma agrária seja estendida a todo o país, baseando-se nos seguintes princípios: (...)
   - Assegurar uma política de independência nacional através de: (...)
   Perante o Governo e as forças de direita em geral, que recorrem a actos de desespero e de pirataria, que podem conduzir o país à guerra civil ou à intervenção estrangeira feita pelo Imperialismo, os trabalhadores, os soldados e os militantes revolucionários têm que encontrar o seu próprio caminho para a tomada do poder.
   E esse caminho tem de ser o da organização autónoma dos trabalhadores das fábricas e dos campos para a construção e o fortalecimento do Poder Popular. Mas o Poder Popular nunca será verdadeiramente poder se não for armado. Os trabalhadores só serão capazes de conquistar o poder e de o aguentarem nas mãos se estiverem armados, se tiverem a força organizada do seu lado.
   E é da conjugação dos trabalhadores armados com os soldados que estão nos quartéis, que nascer  o largo movimento e a  vanguarda que pode fazer frente à burguesia e ao Imperialismo.
   Só o armamento dos trabalhadores e a sua organização com os soldados, formando um exército revolucionário, pode impedir a organização da burguesia e o perigo de intervenção estrangeira.
   É neste movimento e nesta vanguarda que tem de basear-se o novo poder. Para nós oficiais, que procuramos ser coerentes com um projecto revolucionário, a única garantia de revolução socialista autêntica é a de que efectivamente o poder estar  nas mãos dos trabalhadores, não nas mãos de qualquer partido ou força política.
   É da base e para a base dos trabalhadores, que  o poder tem de vir e tem que ir.
   Para nós, oficiais que procuramos ser coerentes com um projecto revolucionário, a vanguarda está nos trabalhadores e nos soldados. Não admitimos mais golpes de Estado, venham eles de onde vierem, fabricados pelos oficiais nas costas dos trabalhadores. Não admitimos mais conspirações de gabinete, alheias à organização dos trabalhadores e dos soldados. Não admitimos mais as manobras dos políticos, que fazem dos trabalhadores, das suas manifestações e movimentações, a força com que argumentam à mesa das negociações, à mesa dos pactos.
   Nós estamos com o Poder Popular Armado, com os Soldados, com os militantes revolucionários, até à vitória final, até à tomada do poder.
    - VIVA A REVOLUÇÃO SOCIALISTA
    - VIVA O PODER POPULAR ARMADO
OFICIAIS REVOLUCIONÁRIOS, COM OS SOLDADOS,           OS OPERÁRIOS E OS CAMPONESES UNIDOS VENCEREMOS
 Os subscritores (3)
   Ten-Cor. Cav.ª João Bilstein Sequeira (DAC); Maj. Adm. Mil. Queirós de Azevedo (EPAM); Major Cav.ª Mário Tomé (RPM); Major F.A. Barroso; Maj. Art.ª Manuel Borrega (RAC) Cap. Art.ª Rosado da Luz (DMF Almada); Cap. Cav.ª Carlos Matos Gomes (DAC); Cap. Adm. Mil. Mendonça da Luz (DSA); Cap. Mil.º/F.A. Moreira da Luz (A. M.); Cap. Eng.ª Cabral e Silva (RE n.º1); Cap. Adm. Mil. Durand Clemente (EPAM); Cap. Eng.ª/FA Jorge Alves; Cap. Eng.ª /F.A. Nuno Ferreira; Cap. Mil.º Cav.ª Mendonça de Carvalho; Cap./F. A. Sobral Costa (GDACI); Cap. Santos Silva (SDCI); Ten. Mil.º Matos Pereira (GNR); Ten. Cav.ª Mário Rodrigues (RPM).
Notas: 
   (1) Texto datado de 20-11-1975 e publicado no “Diário Popular” no dia seguinte. Este vespertino era dirigido por Jacinto Batista e na sua redacção, chefiada por Abel Pereira encontravam-se além de outros, Adelino Cardoso,  José Eduardo Moniz, João Alves da Costa, Nuno Vasco, Pacheco de Andrade e Urbano Carrasco.(...)
   O manifesto foi lido por um dos subscritores, na manifestação promovida, em 20-11-1975, pela União dos Sindicatos da Cintura Industrial de Lisboa, num varandim dos jardins do Palácio de Belém (Praça Afonso de Albuquerque) e na presença do Presidente da República, então General Costa Gomes. 
   (2) Propunham fazer uma aproximação ao sistema revolucionário montado por Fidel de Castro, em Cuba, em 1960. (Ver: “Os Comités de Defesa da Revolução”. Lisboa, Iniciativas Editoriais, 1975, pp 14 e 15). Estas Comissões pretendiam ser uma cópia dos “Comités de Defesa da Revolução” cubanos, montados nos bairros, empresas e aldeias. Só que estes revolucionários portugueses não terão percebido que já lá existia um Exército da confiança do líder da Revolução e, em Portugal, as Forças Armadas estavam completamente divididas e tinham sofrido um processo de desgaste e degradação, desde o 28 de Setembro de 1974.
   (3)Curiosamente nenhum dos subscritores era de Infantaria (QP), a Arma do Exército com maiores efectivos. Destaques no texto feitos pelo autor.
 
Nota do PORTUGALCLUB:
Matéria do Livro "memórias da Revolução" de autoria do Coronel Manuel Amaro Bernardo. Se desejar adquirir : 00351.  213.143.378   
prefacio@mail.telepac.pt
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A prisão do Tenente-Coronel Marcelino da Mata(*) 
   P: Sabe que já descrevi em livros anteriores o sucedido consigo na altura do “Verão Quente” (1975), quando estava na Amadora. No entanto julgo que ocorreu algo a seguir ao 11 de Março, e ainda não referido por desconhecimento…
    R: Foi dois ou três dias depois do 11 de Março. Estava a voltar do Hospital, onde fora a uma consulta e o Comandante do Batalhão, Major Jaime Neves, dirigiu-se a mim e disse: “Olha! Veio uma ordem para te apresentares em Caxias”. Eu sabia lá onde era isso…
    Apareceu logo um voluntário, um tenente de Artilharia, para me escoltar. Fiquei no Presídio de Caxias durante dois meses, no isolamento (cela 41).
   
Ao fim desse tempo, em 18 de Maio, vieram dizer-me que estava uma viatura à minha espera para me levar para o Regimento de Comandos (tinha sido mudada a designação da Unidade e o Comandante graduado em coronel). Fui para casa. Na noite seguinte, passadas 24h00, o oficial de dia, o então Capitão Ribeiro da Fonseca, mandou o oficial de ronda, Tenente Carronda Rodrigues, ir buscar-me a casa. Mas como eu já ouvira no Rádio Clube Português, que tinha sido preso “por pertencer ao grupo fascista e terrorista ELP”, dirigi-me para o quartel.
   
Á minha frente, o Ribeiro da Fonseca, telefonou para o Jaime Neves dizendo que queriam a minha entrega, com escolta, no RALIS, o que o comandante autorizou. Depois, aquele oficial de dia disse ao Carronda Rodrigues que me levasse, esperasse pelo fim do interrogatório e me trouxesse de volta. Tal não aconteceu assim. Ele entregou-me ao oficial de dia e veio embora.
   
P: A tortura a que foi sujeito no RALIS já está descrita no meu último livro”25 de Novembro de 1975; os «comandos» e o Combate pela Liberdade”. Saiu em liberdade depois de estar mais cinco meses em Caxias?
    R: Sim. Fui libertado em fins de Outubro. Depois decidi ir-me embora para Espanha.
(*)Marcelino da Mata nasceu em 7-5-1940, na Guiné e foi incorporado em 3-1-1960, em Bolama. Condecorado com uma Medalha de Cruz de Guerra de 2.ª classe em 20-8-1966 e outra de 1.ª classe, em 20-6-1967, viria a ser distinguido com a Torre e Espada, Valor, Lealdade e Mérito em 10-9-1969. Foi ainda condecorado com duas medalhas de Cruz de Guerra de 1.ª classe, em 20-6-1971 e em 1-10-1973; e outra de 3.ª classe, em  15-9-1973, como alferes graduado.
in "Memórias da Revolução"  do Coronel Manuel Bernardo
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       Relatos
«Eu! Enforcava-os já!»
Estávamos nas primeiras horas do dia 28 de Setembro de 1974, dia da chamada “Manifestação da Maioria Silenciosa”.

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Uma história
Pela calada da noite …

Na noite de 28 de Setembro, do ano revolucionário de 1974, pelas três da madrugada, quatro Chaimites e vários jeeps, irromperam pela porta do nº.9, da Rua Justiniano Padrel, em Lisboa, aos gritos de:

- Forças Armadas! Forças Armadas!

Aterrorizando todo o Bairro, entraram pela porta do 1º. Frente, vasculhando a casa inteira onde residia uma senhora, mãe de um filho de três meses, prima do procurado.

O capitão José Eduardo Diniz de Almeida e o tenente Manuel Augusto Quiñones de Magalhães, do mui revolucionário RALIS, e uma catrefa de gentuça, na altura apelidados de soldados, sob a ordem do Capitão Vasco Lourenço e do COPCON, pretendiam capturar um dos responsáveis pela "intentona reaccionária do "28 de Setembro": o capitão Sena, o braço

esquerdo do Kaúlza de Arriaga, já que o braço direito, Major Mário Tomé, se encontrava entre os chefes "revolucionários", mandantes daquela noite.

O então capitão, João Manuel da Fonseca Nunes e Sena, estava há dois meses ausente de Portugal e a residir em Palma de Maiorca!
COPCON (Comando Operacional do Continente) criado em 8-7-1974, quando o Gen. António de Spínola graduou Otelo Saraiva de Carvalho em brigadeiro e o colocou no COPCON, como adjunto do CEMGFA, Gen. Costa Gomes.
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SANEAMENTO DE MILITARES

Quadros das F.A. saneados, com muitos anos de serviço e várias comissões na Guerra do Ultramar, ficam anos fora das fileiras!

Maio de 1974
 
Ao fim da tarde de quinta-feira, entram na sala dos ajudantes-de-campo do Estado Maior do Exército, o mui revolucionário capitão de Abril, Vasco Correia Lourenço, acompanhado por um alferes miliciano de quem a História não registou o nome.
Sentou-se o anafado capitão na secretária, que fora do capitão Lencastre Bernardo e depois do capitão Frutuoso, ambos ajudantes do Vice-CEM, general Fernando Viotti de Carvalho, afim de poder tomar mais uma das suas medidas revolucionárias e libertadoras, em nome do MFA.
Sacando de uma lista de nomes de coronéis do Exército, já rascunhada, são percorridos nomes e varridos, pelas mais variadas e absurdas razões, nomes de distintos oficiais proscritos por, no entender do sensor e do seu mui revolucionário conselheiro, não terem perfil de se poderem integrar na nova ordem politica e social vigente.
São assim corridos oitenta e tantos coronéis, entre os quais e só a título de exemplo, se podem elencar: o coronel Hilário Marques da Gama e o coronel Jacinto Frade Júnior.
Concluída a tarefa foi chamada a secretária, Dª. Ivone, para passar a dita lista à máquina.
Já na posse da dita, o capitão Vasco Correia Lourenço entrou no gabinete do Chefe do Estado Maior do Exército, general Jaime Silvério Marques, membro da Junta de Salvação Nacional, que, de imediato, sancionou o revolucionário saneamento.
Estes distintos oficiais só foram
reintegrados no Exército, na última reunião do Conselho da Revolução, feita sob a presidência do então Presidente da República e Presidente do Conselho da Revolução, general António dos Santos Ramalho Eanes, tendo estado até àquela data sem receber quaisquer vencimentos.
O general Luís Mário do Nascimento, Ajudante General do Exército, responsável pelo Pessoal, assistiu a tudo isto e, nesse mesmo dia, voltou para sua casa em Campo de Ourique, para não mais regressar.
 
J.S.

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"28 de
Setembro 74"
TEMPO INDETERMINADO DAS PRISÕES 

     «O tempo de prisão oscilou entre 15 dias e 15 meses (até 17 meses no caso especial do General Kaúlza de Arriaga) pois houve muitos detidos no "28 de Setembro" que só foram postos em liberdade no final do ano de 1975.       

Muitos encontravam-se presos em SET75. (…)
O que torna particularmente grave este tempo das prisões é a sua total indeterminação e encontrar-se à margem de qualquer finalidade judiciária ou investigatória. Como se tratou, duma forma geral, de prisões arbitrárias, em que os presos eram-no não por factos cometidos ou indiciados mas sim por características ideológicas ou sociais, a prisão era um fim em si mesmo e não se destinava a nada.    

Alguns detidos conseguiam utilizar meios de pressão ou empenhos suficiente­mente válidos para serem restituídos à liberdade. Outros chegaram a ser pu­ramente esquecidos: o Dr. Pedro Manuel Reis esteve preso até JUL75 sem nun­ca ser interrogado, a não ser no dia em que foi libertado e lhe perguntaram (estava ele na Penitenciária) "que diabo estava ele aí a fazer". O poeta Florentino Goulart Nogueira, sem família nem advogado, esteve preso até fi­nal de 1975, muito doente, sem nunca ser interrogado nem acusado de coisa nenhuma.

Por outro lado, a constante mutação dos próprios responsáveis pelas prisões e pelos estabelecimentos prisionais originava situações de esquecimento e de tempo indefinido de detenção.

Há que verificar, portanto, que, efectuadas sem qualquer base criminal, não sendo necessárias para a efectuação de quaisquer diligências investigatórias e não constando de processos devidamente organizados, as situações de prisão dos chamados implicados no "28 de Setembro" se constituíram e prolongaram á margem de qualquer legalidade como, puras situações de facto.

ILEGALIDADE DO PROCESSO DO "28 DE SETEMBRO"
Apesar de terem sido presas cerca de 300 pessoas, não foi, ao que parece, instaurado um único processo criminal , e nem sequer foi entregue qualquer queixa ou acusação a algum serviço regular ou especial de Promotoria de Justiça.


Trata-se, pois, dum acto de violência colectiva, cuja amplitude delineada era aliás muito maior, pois centenas de pessoas fugiram e muitas outras não foram encontradas em casa, o que fez com que fossem naturalmente esquecidas. O motivo geral da perseguição foi ideológico. Como já se disse, muitas prisões foram determinadas pelo que as pessoas tinham sido, outras pela sua ligação com o acto político da manifestação e outras ainda não se inserem em
qualquer contexto, resultando ou de denúncias irresponsáveis ou da inclusão do nome em listas.

 

Bernardino Mendes de Almeida, cuja prisão durará até DEZ74 para depois se renovar de 11MAR75 a OUT75, e Manuel Gonçalves, detido durante 20 dias, representam simbolicamente, no "28 de Setembro", o ataque, depois generalizado, a todos os chefes de empresa e dadores de trabalho.»
(Página 28 e 29 do Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre presos sujeitos às Autoridades Militares -1976)                                                 [24/06/08]
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Testemunhos do jornalista 
Manuel Maria Múrias »»»
      
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A "rapaziada vermelha" corre, alegremente, para o Leste
(Siné, Maio de 1974. in Sempre Fixe)
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«Todos os caminhos iam dar a Caxias...
  

O mandado de captura fora assinado em branco pelo
  Comandante do Copcon.
A acusação era grave: Forte suspeita dos crimes de coligação (eu, que não vou em grupos...) e insubordinação.

Local e data: Academia Militar (que falta de hospitalidade!...), onde era visita e treinador da equipa de rugby; 12 de Março de 1975.

Oficial captor: Cmdt Nemésio, dos submarinos, única obra que não foi revista pelo Pai»
in "Varanda das Estrelícias" por Joaquim Evónio
Militar na reforma, esteve preso dois meses, um dos quais incomunicável, sem prestar declarações, sem culpa formada e sem advogado. sem visitas nem recreio. Quando saiu ficou com residência fixa, e não podendo trabalhar.        [04/05/08]
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No Relatório de Averiguação de Violências sobre presos

«Muitas das prisões efectuadas depois de 25ABR74, e de que agora há queixas, foram ordenadas e efectuadas pelo Comando Operacional do Continente (COPCON).
Porém, algumas delas a pedido de outras entidades, a saber, do Serviço Director e Coordenador da Informação (SDCI), do Serviço de Coordenação da Extinção da PIDE/DGS e LP, da Comissão ad
hoc para o "28 de Setembro", da Comissão de Inquérito ao "11 de Mar­ço", do Gabinete do Primeiro Ministro, do Gabinete do Almirante Rosa Coutinho.
Salvo quanto aos pedidos de detenção formulados pelo Serviço de Coor­denação da Extinção da PIDE/DGS e LP, que já constavam de mandado de captura e que o COPCON se limitava a executar, era o COPCON que emi­tia o mandado, assinado pelo Adjunto do Comandante, mais tarde Coman
dante.
Está averiguado que esta entidade assinou em branco muitos impressos
de mandados de captura, alguns dos quais saíram assim do COPCON.
Em
grande parte das prisões, o motivo invocado foi a suspeita de o deti­do pertencer a uma associação de malfeitores - art. 263.º do Código Penal - construção jurídica que levantou justificados reparos, sendo certo que com ela se pretendeu formalizar a prisão de pessoas sem culpa formada».
 


(Página 11 do Relatório da Comissão de Averiguação de Violências sobre presos sujeitos às Autoridades Militares -1976)      
-Cmdt do COPCON: Otelo Saraiva de Carvalho
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Deportações por motivos ideológicos
Pode ler-se no "Relatório das Sevícias", pág 93, que relativamente a prisões ocorridas em Cabo Verde, sem mandato de captura, em meados de Dezembro de 1974, «houve arbitrariedade na decisão de transferir para a Metrópole 31 indivíduos presos (...) sem informação prévia dos interessados, tudo levando a crer que se tratou de verdadeira deportação por motivos ideológicos.»
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Relatos do 28 de Setembro de 1974

14 meses e 5 dias na prisão
Testemunho do jornalista Manuel          Maria Múrias, mais tarde, director do jornal "A Rua", preso em 28 de Setembro de 1974 e libertado a 3 de Dezembro de 1975.
Passou pelas prisões de Caxias, Peniche e Penitenciária:
«Eu dormia a bom levar quando, pelas 5,30 horas da manhã de 28 de Setembro de 1974, os intelectuais do COPCON me foram buscar a minha casa em S. João do Estoril.»  »»»


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Conclusões Finais
do «Relatório das Sevícias» da pág. 138:

23. Houve muitos casos de maus tratos físicos exercidos
sobre presos, que se traduziram em
espancamentos,
por vezes praticados por vários agressores actuando
simultaneamente;

24. Foram exercidas sevícias sistemáticas sobre presos, com o fim de os humilhar e lhes infligir castigos corporais, traduzidos em agressões, rastejamento no solo, corridas forçadas, banhos frios com mangueira e imposição de beijarem as insígnias duma unidade militar, incrustadas no pavimento;

25. Houve casos de tortura moral, traduzidos em insultos, manobras de intimidação e ameaças, inclusive com armas de fogo;

26. Tomou-se conhecimento de casos de coacção psicológica, como ameaça de prisão de familiares, e de publicação de arranjos fotográficos inculcando a prática de pretensos actos delituosos pelos detidos;

27. Elementos civis, por vezes armados e pertencentes a organizações partidárias (PCP e UDP), prenderam ou colaboraram na prisão de numerosas pessoas;

28. Muitas prisões foram anunciadas, em termos vexatórios: pela rádio, televisão, imprensa e, até, jornais de parede elaborados por organizações partidárias;


 


A 'Nota Final' do Relatório,
na página 143,
com as assinaturas
dos membros da Comissão
de Inquérito
especialmente criada
pelo C.R.


(Clicar na imagem para ler)


 

 
"Relatório das Sevícias"
»»»


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«A Revolução de 1974
trouxe até Portugal a ilusão de direitos sociais à borla, a desregulamentação da banca acrescentou a ilusão do consumo sem factura. Lamentavelmente todas as facturas estão a chegar ao mesmo tempo».
Helena  Garrido
in negocios.
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Riem-se de quê?

Presos políticos em Cuba

52 presos políticos de Cuba vão ser soltos pelo regime comunista de Fidel de Castro por acção da Igreja Católica.
Advogados ligados à defesa dos Direitos Humanos estimam que existam 167 presos políticos em Cuba referem os jornais.
Registamos o silêncio clamoroso, anos a fio, da esquerda e dos seus comentaristas de serviço. Aguardemos o que vão dizer os escribas como por ex. Baptista Bastos
e Daniel da UDP e os meninos e meninas "engomadinhos" do PCP com assento na Assembleia.
As "amplas liberdades" que nos oferecem só os "ceguinhos" não vêm o que elas significam.
Contava há dias na TV, Zita Seabra que numa visita de trabalho quando militante do PCP a Moscovo, reparara que não havia cafés.
Perguntados os
porquês aos camaradas russos disseram-lhe que era pelo muito frio que fazia...

SARAMAGO

As largas dezenas de presos políticos em Cuba não o fizeram menos amigo do grande carcereiro que é Fidel de Castro.
Nem os milhões de mortos feitos pelo comunismo internacional o fez sair do PCP.
Nem os saneamentos que fez no Diário de Notícias 
lançando no desemprego muitos dos seus colegas fizeram que os "lacaios" da nossa comunicação social dessem a devida nota de quem era Saramago...
 
 
 
 
"Relatório
das Sevícias"

Estamos em condiçôes de informar que poderá estar para breve a reedição do "Relatório da Comissão de Averiguações de Violências sobre Presos sujeitos às Autoridades Militares".
O "famoso" relatório da  capa roxa anda há muito desaparecido... nem em bibliotecas se encontra. Por isso, e para que a memória deste período nefasto da nossa história não seja "lavado", o filho de um ex-preso dessa época vai reeditá-lo, o que certamente  corresponderá ao interesse de muita gente que o procura e não o encontra.
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«A revolução de 1974 foi mais do que uma traição: constituiu um crime hediondo e os seus mentores deveriam ser julgados por crimes contra a Humanidade»
 É assim, que logo na nota de abertura o General Silva Cardoso, Alto Comissário em Angola até 2 de Agosto de 1975, dá o tom e demonstra no seu livro "25 de Abril de 1974 - A Revolução da Perfídia", agora editado pela Prefácio, prefaciado por  Veríssimo Serrão.
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O “25 de Abril” queimou livros das escolas
Despacho assinado pelo secretário de Estado da Orientação Pedagógica, Rui Grácio, de 17 de Outubro de 1974:
«Tendo sido informado de que nas Bibliotecas dos estabelecimentos de ensino existe quantidade apreciável de livros e revistas de índole fascista, determino que seja elaborada uma circular ordenando a destruição das publicações com esse carácter, depois de arquivados um exemplar, pelo menos, de cada revista e alguns livros a seleccionar, que fiquem como documento ou testemunho de um regime.»
Em 26/3/75, a directora-geral da Educação Permanente, Maria Justina Sepúlveda Fonseca, anuncia aos encarregados das bibliotecas, através da circular nº 1/75, que "é chegada a oportunidade" de se passar, "com urgência", ao "saneamento dos livros que não reúnam condições ideológicas, literárias ou técnicas para continuarem a ser dados à leitura".
Nesse período eram ministros da Educação: Vitorino Magalhães Godinho e Major António Emílio da Silva
Entre os autores a cujas obras foram queimadas em algumas escolas, cumprindo as ordens das autoridades escolares, estavam as dos historiadores António Matoso e
José Hermano Saraiva (Ministro da Educação Nacional 1968-1970) que declarou ao Publico em 24/7/05: «Os professores em geral não queriam [cumprir as instruções do Ministério] e muitos guardaram os livros. Mas quem é que ousava protestar sem ser logo caluniado? Eu próprio não o fiz. Era pobre, não tinha nenhuma reforma, e concerteza que me mandavam para Caxias. Tinha amigos lá presos por menos do que isso. Até 25 de Abril de 1974 havia 88 presos em Portugal; três meses depois eram três mil. A liberdade acabou com o 25 de Abril».

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Portugal
do Minho a Timor
Um livro, a não perder, com grande detalhe e profundidade, muito documentado, que nos leva a perceber porquê «No terceiro quartel do século XX, durante um período revolucionário de dois anos, alguns portugueses inverteram com êxito o sentido histórico de Portugal.
Trata esta obra de Portugal, não dos regimes ou dos sistemas de governo, mas da doutrina e da política ultramarina portuguesa, tentando descortinar as razões que motivaram alguns portugueses a defender o sentido atlântico e luso-tropical que tinha garantido a independência de Portugal ao longo dos últimos oito séculos, bem como as motivações de outros que optaram pelos caminhos do continente, da Ibéria e da Europa civilizada, sacrificando, a partir de Julho de 1974, com sangue, destruição e tragédias sem paralelo, pedaços da Nação. Nesta obra defende-se, portanto, contrariamente ao que defendem os dirigentes saídos da revolução de 1974/1975, que a instauração de um regime democrático não exigia a destruição do Portugal Uno que estava em construção. Outros regimes, outros sistemas de governo, outras elites, outras gerações de portugueses tudo fizeram para preservar a Pátria d’aquém e d’além-mar.»
Da Editora Vega, são autores
Vasco Silvério Marques e Aníbal Mesquita Borges deste livro com 648 páginas.
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Lenine num "Sábado comunista", jornada em que voluntários russos trabalhavam grátis para o Estado.
Foi daqui que Vasco Gonçalves tirou a idéia de por os trabalhadores portugueses a trabalhar gratuitamente, num Domingo, em Outubro 1974? Ainda hoje não se sabe quanto e qual o destino do dinheiro   "sacado" ao povo...

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O ex-Presidente da República General Costa Gomes andou a mando do PCP?
«Nos momentos críticos eu falava com o Chico [filho do Gen Costa Gomes] e transmitia-lhe o que me mandavam dizer-lhe. Momentos houve em que este contacto foi decisivo para as decisões do general» diz Zita Seabra no seu livro de memórias.  Segundo o Expresso de 29/3/08 o PCP fez chantagem sobre Costa Gomes através do filho militante da UEC, tal como a filha de Vasco Gonçalves e de um sobrinho do Major Melo Antunes. [03//04/08]

Alvaro Cunhal
agente soviético?
Em declarações ao Expresso, de 08/03/08, Santiago Carrilho ex- Secretário Geral do Partido Comunista Espanhol, relembra: «O problema é que Cunhal sempre esteve ao lado da direcção soviética (...) sobretudo no momento da invasão da Checosóváquia, em 1968, que Cunhal aprovou»
E ainda, no "Portugal Notícias" pode ler-se sobre  que Alvaro Cunhal,  o líder histórico do PCP, foi, segundo Cristopher Vitrokhine, chefe  do KGB, o  melhor agente sovietico no Ocidente, o qual serviu  a União Soviética, com todo o empenho e fervor.  Entre muitos serviços prestados á União Soviética, CunhaL forneceu material sobre os serviços de segurança portugueses e também  da  NATO, e outros assuntos. Além de grande número de documentos da PIDE/DGS,  Cunhal também entregou  ficheiros dos serviços de informação militar  e novo serviço de informação  estabelecido, já depois da  Revoluçao de 25 de Abril,  Ao todo foram 474 quilos de documentos que na sua versão em microfilme  incluiram 68 138 imagens  ao ponto de terem que ser cirado em  Janeiro de 1976 uma secção  especial da KGB dedicada a trabalhar e investigar  os documentos portugueses...  [12//03/08]
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Quem estava preso no 25A
Por altura do 25 de Abril, Caxias e Peniche albergavam principalmente os militantes e dirigente do PCP e estudantes esquerdistas que achavam
(achávamos) que o PCP era demasiado moderado.

No pós-25 de Abril, a denúncia do fascismo confundiu-se sempre com a actividade política dos comunistas e com a sua duplicidade estrutural.
O Tarrafal era mau mas o Gulag (que como se sabe nunca existiu) era bom.
O segundo lugar [no "concurso" o Melhor Português] atribuído a Álvaro Cunhal é tanto mais irónico quanto o seu pensamento político era muito mais intensamente totalitário do que o de Salazar [vencedor do dito.]
J.L. Saldanha Sanches, ex-MRPP in Expresso de 31/3/07  [03//03/08]
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Zita Seabra confirma!
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Um livrinho elucidativo do antigo "capitão de abril" de Administração Militar (que lhe deve ter dado imenso jeito na vida civil) Duran Clemente (hoje deve ser coronel como aconteceu com muitos outros, a título de "indemnização" pelo paixão revolucionária à sombra do Muro de Berlim, mas ficando do lado de cá...), editado em Janeiro de 1976 por Edições Sociais.
Citamos:
«O MFA era um Movimento de Oficiais. (...)Não me digam que dele faziam parte sargentos e praças porque não faziam.»
Afinal um movimento de classe...

DS
  [11/01/08]
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«Não conseguiram prender o pai.
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o filho!»

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