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Este espaço está confinado às mais variadas propostas de intervenção, mas sempre numa perspectiva de análise e confronto. A experiência científica, através do 'tubo de ensaio'...

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A cidade é um palco por excelência

Publicado a 13/12/2009, 08:48 por A Arte Dramática Teatro   [ atualizado a 16/12/2009, 15:44 ]

            A Identidade Regional
            Descobrir a identidade regional, geografia do espaço, clima, os usos e costumes, obriga a uma prospecção minuciosa e atenta, para desvendar as características em que um plano pode ser implementado e o êxito seja atingido.

            As autarquias, eternas desenhadoras do quotidiano das suas populações, têm um papel fundamental nesta identidade, que pode ser tratada com sentido elevatório ou destruído sem deixar prevalecer as raízes culturais, artísticas, assim como patrimoniais. Numa altura eleitoral / pós-eleitoral, torna-se necessário construir espaços de debate e discussão em torno das grandes obras efectuadas ou das aberrações verificadas, em torno do que existe e do que pode ser complemento a uma reestruturação equilibrada.

            Conhecer o espaço, relevo acidentado ou plano, identificar a zona, rural ou urbana, as principais actividades económicas, as vias de comunicação existentes, o tipo de construções e a densidade populacional será a primeira observação a ter em conta. Em seguida, depois de conhecer minuciosamente a qualidade de cada um dos elementos evocados, uma incidência dentro da própria comunidade, através da observação dos seus aspectos culturais, permitirá construir uma plano de intervenção equilibrado, que será sustentado pelas melhorias aplicadas à prática corrente não só do indivíduo, mas de tudo o que o rodeia.

            Pensar numa aplicação deste género é pensar num todo, ainda que o plano possa ser concretizado por partes. Aplicar o plano obriga a uma estrutura capaz dos seus executores, ou seja, a determinação de um administrador, ou presidente, não pode ser baseada no faz-de-conta, mas iniciar a construção pelas bases. Deste modo, a primeira grande obra num concelho passa pelo saneamento básico, acompanhado pela rede de gás, linhas de telefone, electricidade e televisão por cabo. Segue-se a acessibilidade, onde as principais ruas estarão devidamente transitáveis, não só para a mobilidade dos seus habitantes, mas pela troca comercial que pode surgir. Nas distintas comunidades, verificadas as constantes atrocidades contra as escolas primárias, seguem-se as requalificações desses edifícios e, de uma vez por todas, administrar os espaços com actividades formativas, em que a cultura se associa ao recreativo e ao artístico e, em tempos distintos, se constrói um leque de ofertas para toda a comunidade. Não se pode pensar que só na cidade é que há qualidade, porque lá é que está a ginástica para a miúda, o teatro do miúdo e o ténis do pai. Hoje há muita facilidade de mobilidade e de contratar recursos humanos (qualificados) para melhor servir toda a população de um concelho.

            As autarquias têm de descentralizar os recursos e aproveitar o melhor de cada terra, as características geográficas e climatéricas, o património cultural existente e devolver, através de serviços, os impostos que todos dão por obrigação, mas são poucos os que usufruem do seu esforço. Cabe ao autarca de uma freguesia apontar as principais necessidades de uma terra, gerir eventuais conflitos e candidatar projectos a programas financiados, mas ao autarca do concelho cabe cumprir e não eternizar anos e anos as obras que lhe foram solicitadas e aprovadas pelo executivo, cabe obrigar os vários departamentos autárquicos a intervir nas distintas áreas em todo o concelho e criar ou apoiar aulas de música, dança, teatro… como fazem nos belos edifícios das cidades.

Pedro Miguel Sousa

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