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Tenente-Coronel Júlio Rodrigues da Silva

Não o conheci, mas ao nomear uma comissão para a criação da Biblioteca de Municipal, esta pessoa ilustre e, certamente, gentil, marcou a minha vida, pois criou a Biblioteca de que sou responsável há quase nove anos.

Digo “certamente, gentil” porque durante estes últimos 9 anos tive o privilégio de conhecer os descendentes deste senhor, dois filhos e uma filha que em comum acordo doaram a biblioteca pessoal do pai à Biblioteca Municipal. E foi assim que tive a oportunidade de conhecer melhor este penamacorense nascido a 10 de Agosto de 1887 e que durante 90 anos, faleceu a 20 de Janeiro de 1977, viveu uma vida de honra e compromisso militar e social.

Tirou o curso militar na Escola de Guerra. Participou na expedição militar a Moçambique integrado no 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria n.º 21, como Oficial Ajudante do Comandante da expedição. Publicou inclusive um livro, Monografia do 3.º batalhão expedicionário do R.I. n.º 21 à província de Moçambique em 1915, em 1937, relatando esta expedição.

Casou-se em 1924. Teve uma filha e dois filhos.

Foi Presidente da Câmara aproximadamente durante 15 anos, em períodos não consecutivos, de 1926 a 1954, tendo como principal missão a melhoria das condições de vida da população.

Entre 1927 e 1930, foi Governador Civil do Distrito de Castelo Branco.

Foi Comandante Distrital de Castelo Branco. Foi 15 vezes Louvado ao longo da sua carreira militar. Recebeu 4 medalhas, duas de prata e uma de ouro, recebeu a Estrela de Prata. Foi condecorado com o Grau de Oficial da Ordem Militar de Avis. Foi Comendador da Ordem Militar de Cristo.

Participou no Grande dicionário da língua portuguesa de António de Morais Silva, vulgarmente conhecido pelo Dicionário de Morais.

Foi homenageado pela Câmara Municipal de Penamacor em 18 de Julho de 1993, altura em que o seu nome foi dado ao largo do quartel.

Através do tratamento técnico que dedico aos livros da sua biblioteca pessoal vou descobrindo factos interessantes, por exemplo, conheceu e conviveu com Cunha Leal, militar e político natural de Pedrógão de S. Pedro, e Egas Moniz, neurologista Prémio Nobel da Medicina em 1949, de quem tem dedicados e autografados pelos autores. Tem uma biblioteca fabulosa com documentos muito interessantes e versando vários assuntos, culinária, desporto, arte, ensino, etc., destacando-se, por número de volumes, a agricultura.

Anotava em todos os livros as datas em que foram adquiridos, e assinava, sempre e exclusivamente, a lápis. Juntava recortes de jornais sobre o assunto do livro ou mesmo sobre a publicação. Fica a ideia de uma pessoa que dava importância ao pormenor, organizada e amante de livros. Muitas das publicações que tem na sua biblioteca pessoal, existem também na Biblioteca Municipal, o que faz perceber a dedicação que tinha em enriquecer o fundo da mesma.

 

Os dados biográficos aqui referidos foram-me fornecidos pelo Sr. Aristides Galhardo Mota, outra pessoa que muito amou Penamacor e a sua história, e pelo filho mais novo do Tenente-Coronel, António Moraes Rodrigues da Silva.

 

Talvez o que aqui escrevo saibam muitos, e é muito provável que saibam muito mais sobre esta pessoa, mas eu não quis deixar de contribuir com esta breve referência ao ilustre penamacorense, o Tenente-Coronel Júlio Rodrigues da Silva.

Por Ilda Lopes

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