A ADE contempla objetivos e características próprias de uma avaliação em larga escala, que atende ao macro (rede) e micro (escola) sistemas, simultaneamente, tendo para a rede o objetivo de subsidiar a formulação (re) e monitoramento de políticas públicas e fomentar a cultura de avaliação educacional, e para a escola o objetivo de fornecer informações qualitativas e quantitativas do desempenho dos estudantes, proporcionando à equipe escolar a partir de seus dados/resultados diagnosticar, analisar/refletir, intervir e acompanhar o processo de ensino e aprendizagem em face dos objetivos esperados - competências e habilidades - presentes nos testes, auxiliando em suas ações/intervenções pedagógicas.

A metodologia adotada para a elaboração dos itens (múltipla escolha), ancora-se na teoria da Taxonomia dos Objetivos Educacionais (Taxonomia de Bloom), nas matrizes de referência do Sistema de Avaliação da Educação Básica – Saeb, disponibilizadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Anísio Teixeira-Inep, nas Diretrizes Curriculares Nacionais – DCNs e na Proposta Curricular da Semed, articulada aos conhecimentos dos estudantes ao longo de sua trajetória escolar.

A construção da medida da ADE é subsidiada pela Teoria Clássica de Testes – TCT, cujo princípio básico é que, quanto mais acertos, maior será o domínio dos estudantes, isto significa que o todo é o mais importante, pois, privilegia a quantidade de acertos, o escore total, categorizados por etapa/ano/modalidade de ensino, apresentando resultados em nível geral (rede), por Divisão Distrital Zonal, por escola, turma e estudantes.

Nos anos de 2014 a 2017 foram avaliados por meio da ADE, estudantes do ensino fundamental dos anos iniciais e finais (3º ao 9º anos), nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática, além de Ciências da Natureza e Humanidades (para o 8º/9º anos), com três aplicações ao ano, tendo como elementos estruturantes dos testes os documentos supracitados e outros afins.

Em 2018, optou-se por avaliar o desempenho dos estudantes dos 3º, 4º, 6º e 8º anos em três momentos, da Educação de Jovens e Adultos-EJA, da 3ª e 4ª fases em duas aplicações e do Projeto Itinerante uma aplicação no decorrer do ano letivo somente nos componentes curriculares de Língua Portuguesa e Matemática, por entender que o MEC/Inep construirá as matrizes de referências concernentes aos componentes curriculares Ciências da Natureza e Ciências Humanas, alicerçada a Base Nacional Comum Curricular, com aplicação para 2019.

A tabela a seguir, mostra o histórico das aplicações da etapa/anos/modalidades avaliados e a participação dos estudantes nos testes no período de 2014 a 2018.

Atualmente, a ADE não atende os 1º e 2º anos do ensino fundamental, contudo é possível acompanhar a evolução do desempenho dos estudantes do 3º ao 9º anos ao fim de cada aplicação por meio da análise pedagógica dos resultados apresentados nos relatórios customizados via sistema online, e da ampla divulgação aos setores/escolas da Semed, visto que são em sua maioria, os mesmos estudantes que circundam na rede até o último ano dessa etapa.

Tendo em vista que o objetivo principal das avaliações externas deve ser a qualidade da educação, a Semed Manaus por meio dos resultados da ADE, mesmo com pouco tempo de implementação na rede tem fornecido feedback importantes, especialmente para as escolas, evidenciando que a avaliação além de gerar diagnósticos sobre o aprendizado dos estudantes (erros/acertos), contribui no monitoramento da qualidade de ensino e na formação dos professores, constituindo-se em um potencial indicador de melhoria das práticas escolares e, consequentemente, da aprendizagem dos estudantes.

Dentre os impactos/contribuições destacamos:

    • Apropriação da cultura de avaliação para além do que se planeja no espaço escolar a partir dos resultados;
    • Elaboração de planos de intervenção pelas escolas com base nos descritores com baixo desempenho após a divulgação dos resultados. Destaca-se contudo, que as escolas são orientadas a fazerem uma análise prévia da avaliação, mesmo antes da divulgação oficial dos resultados, visto que os cadernos de prova ficam sob seu domínio;
    • Acompanhamento/monitoramento dos dados da avaliação para subsidiar a gestão pedagógica das escolas;
    • Compreensão da finalidade e característica da avaliação (avaliar habilidades e competências em leitura e resolução de problemas com base nos componentes curriculares avaliados nos testes articulados à proposta curricular);
    • Realização de oficinas de formação junto aos professores dos anos iniciais e finais a partir do Caderno de Habilidades e Competências, material de cunho instrucional, elaborado pelos professores elaboradores de itens da Divisão de Avaliação e Monitoramento-DAM.

Articulada ao sistema nacional de avaliação, vale ressaltar que a ADE desde sua implantação, busca priorizar em seus itens a realidade educacional e as especificidades locais, por ser uma avaliação genuína da rede de ensino. Destaca-se ainda, como ponto de extrema relevância, o entendimento da avaliação pela comunidade escolar como parte do processo educacional, e que envolve tomada de decisão, pois ao analisar coletivamente os resultados, identificam-se as dificuldades dos estudantes no processo de ensino e aprendizagem, e ao mesmo tempo são planejadas ações corretivas para que eles possam vencê-las.

Nota-se no decorrer do percurso uma evolução no pensar da escola no que tange à compreensão de que avaliação da aprendizagem e avaliação em larga escala, ainda que com propósitos diferentes se complementam, pois são indicadores, respectivamente, da qualidade da aprendizagem/educação básica seja em nível nacional, internacional ou local.

ANÁLISE PEDAGÓGICA DOS RESULTADOS