Em qualquer fórum de discussão que trate do tema alimentação, a referência futura é o Brasil, e somos apontados como o principal fornecedor da crescente demanda mundial por alimentos. Nosso país, que há 30 anos se comportava como importador, passa agora a exportador mundial, ficando atrás apenas dos EUA e União Europeia e projetando-se como o celeiro do mundo. Mas será que a superprodução agrícola garante, de fato, uma diminuição da fome no mundo? Alimentos são os principais produtos comercializados em escala global? Como explicar a superprodução agrícola e o aumento dos níveis de pobreza e desnutrição no campo? A agricultura pode se expandir livremente pelo território? Como fica a preservação dos biomas brasileiros, tidos como Patrimônio Natural da Humanidade?
Se a alimentação é um quesito elementar à sobrevivência humana, o acesso à terra cultivável deveria ser entendido como direito social; entretanto, a história brasileira, desde sua origem colonial, constrói-se infelizmente em cenário de intenso conflito a esse respeito. Essas são algumas questões centrais levantadas pelo Projeto Terra no âmbito da Geografia, que propõe uma investigação a respeito do ambiente alimentar do Brasil, através de um diálogo entre pesquisas acadêmicas, referências de empresas do agronegócio e de associações preservacionistas.
No campo das Ciências da Natureza, também há muito a investigar com nossos alunos: qual a diferença entre alimentação e nutrição? Como formamos nossos hábitos alimentares? Qual a relação entre nutrição individual e saúde coletiva? Quais políticas públicas garantem uma boa nutrição ao brasileiro? O acesso à alimentação saudável está garantido a todos, ou parte da população está circunscrita em um “deserto alimentar” com oferta ostensiva de alimentos ultraprocessados? A alimentação humana é uma escolha pessoal e livre das pressões sociais? Esse talvez seja um ponto de intersecção entre as disciplinas, já que se pretende investigar a cadeia produtiva dos alimentos, do campo à mesa, a partir de outra questão igualmente fundamental: o que alimentamos quando nos alimentamos?
Neste projeto, os estudantes trabalharam também aspectos da Educação Midiática a partir da leitura crítica de reportagens e outras referências indicadas pelas educadoras da Biblioteca Padre Charbonneau a respeito dos diferentes temas apresentados. Além disso, foram convidados a pesquisar novas fontes qualificadas, realizando fichamentos que embasaram, posteriormente, uma pauta para construção de um texto jornalístico-midiático, com apoio de todos os professores envolvidos no projeto, em especial os de Língua Portuguesa, Ciências e Geografia e do Núcleo de Educação Digital.
Nas aulas de Inglês, aprofundaram-se sobre temas como soberania alimentar, segurança alimentar e nutricional, hábitos alimentares culturais e Guia Alimentar, o que ajudou os estudantes a roteirizar e gravar um podcast na língua estrangeira, de modo a complementar as reportagens produzidas por cada grupo.
Com muita satisfação, publicamos, então, as quarenta e nove reportagens elaboradas no último trimestre do 8º ano de 2021.