Administração Financeira e Orçamentária
Unidade 4: Decisões de Investimentos
Unidade 4: Decisões de Investimentos
Objetivos Específicos
Capacitar o aluno na compreensão do que é um investimento, como selecionar e avaliar.
Introdução
Além disso, espera-se que elas apresentem melhores resultados futuros como aumento da produtividade, redução de custos, aumento da lucratividade ou rentabilidade. Afinal, o Ativo da empresa representa em que os recursos financeiros dela foram gastos e o objetivo do ativo da empresa é gerar renda. Espera-se que essa renda gere lucros, após deduzidas as despesas e os custos operacionais. Esse dinheiro que a empresa precisa decidir como gastar e que vai resultar em alterações positivas do seu ativo, são chamados de Despesas de Capital e devem ser vistos como um investimento que a empresa faz nela mesma.
Portanto, a análise e processo de decisão sobre essas despesas de capital deve seguir a mesma lógica das decisões de investimentos. O potencial de rentabilidade do investimento deve ser avaliado, os custos de oportunidade e riscos ponderados, o capital inicial necessário para realizar o investimento deve ser calculado, o montante potencial ou fluxos de caixa gerados devem ser estimados e, tudo isso, deve ser minuciosamente avaliado para, então, tomar a decisão de investir ou não.
2- O que é investimento.
Investir é um conceito amplo que têm algumas variações.
Um investimento pode ser visto como a aquisição de ativos ou itens com o intuito de gerar renda ou valorização. Isso implica, do ponto de vista econômico, investir em bens que não são consumidos no presente, mas sim, utilizados no futuro com o propósito de criar riqueza.
No contexto do mercado financeiro, um investimento se refere à obtenção de ativos monetários com a expectativa de que esses ativos gerem renda no futuro, ou possam ser vendidos posteriormente a preços mais elevados, resultando em lucro.
Em sua concepção mais abrangente, um investimento engloba qualquer ação ou empreendimento conduzido com a intenção de gerar algum tipo de retorno financeiro no futuro. Em resumo, toda ação que demande dedicação de tempo e recursos no presente visando o aumento de capital no futuro pode ser considerada uma modalidade de investimento.
DESTAQUE:
O termo 'investimento' abarca uma gama diversificada de estratégias visando a geração de receitas futuras. No contexto financeiro, isso engloba a aquisição de títulos, ações ou propriedades. Adicionalmente, um edifício construído ou qualquer outra infraestrutura utilizada para a produção de bens pode ser interpretado como um investimento. A fabricação de produtos essenciais para a criação de outros bens também se enquadra na categoria de investimento.
O critério exato para definir uma transação financeira como um investimento é uma questão que carece de delimitação concreta, pois, de uma maneira ampla, há diversas categorias e possibilidades de ações que podem ser compreendidas como investimentos. Especialmente no contexto contábil, diferentes transações podem ser interpretadas como investimentos por algumas pessoas, enquanto que outras discordam dessa categorização. Por exemplo, uma transação de arrendamento pode ser concebida como um investimento por alguns, mas não por outros; a aquisição de um imóvel pode ser um investimento ou não, vai depender da interpretação e objetivos por trás da transação financeira.
A tomada de uma ação com a intenção de aumentar ou gerar futuros ganhos financeiros também pode ser caracterizada como um investimento. Por exemplo, ao optar por prosseguir com a busca de educação profissional, muitas vezes, o objetivo subjacente é o aprimoramento do conhecimento e das habilidades, na esperança de, em última instância, aumentar a receita futura, mediante uma promoção, novo emprego ou algo do gênero. Muitas vezes a busca por educação têm por objetivo principal o retorno financeiro, em vez do conhecimento em si.
É importante reconhecer que a perspectiva sobre o que constitui um investimento pode variar consideravelmente entre diferentes indivíduos e contextos, mas a lógica definidora do conceito de investimentos procede a todos: sacrifício de tempo e dinheiro no presente, com o objetivo de se obter retornos financeiros no futuro.
DESTAQUE:
No entanto, alguns tipos de aplicações são claramente considerados investimentos financeiros, incluindo investimentos em renda fixa (títulos de dívida privada e pública), investimentos de capital ou venture capital (aplicação de dinheiro nos ativos de uma empresa ou participação societária) e investimentos especulativos em renda variável (como títulos conversíveis, cotas de fundos de investimento abertos, ações e derivativos).
3. Inflação e custo de oportunidade na análise de investimentos
Definido o que é investir é necessário fazer um adendo. Nem todo ativo que gera renda ou lucro é um investimento bom ou viável, por mais que seja lucrativo ou que gere um ganho adicional, um investimento, para valer a pena e ser viável, precisa superar algumas métricas econômicas, sendo que as principais são a inflação e o custo de oportunidade.
Isso porque, investir implica correr riscos, consome tempo e dá trabalho, além disso, como o principal objetivo do investimento é que ele traga ganhos no futuro e como, no final das contas, esse dinheiro que deixou de ser usado no presente vai ser consumido no futuro (dinheiro, portanto, serve apenas para isso).
Se no momento de usar o dinheiro para consumir no futuro, ele não permitir comprar mais coisas do que era possível de ser comprado lá no passado quando ele foi investido, na prática, o investimento não valeu a pena. Mesmo que no futuro o dinheiro dos investimentos sirva para comprar a mesma quantidade de coisas que ele era capaz de comprar no passado, que ele tenha sido lucrativo, não adiantou nada esse investimento, pois investir é sacrifício de duas coisas: dinheiro e tempo.
Se recuperar o dinheiro investido, mas ele não permitir comprar mais coisas, apenas será recuperado metade do sacrifício feito, o tempo sacrificado se perdeu. Por isso, que um investimento, para ser minimamente viável, precisa produzir lucros que sejam suficientes para compensar o tempo sacrificado, isso significa render mais do que a inflação.
DESTAQUE:
Investir com o objetivo de obter rendimentos superiores à taxa de inflação e ao custo de oportunidade é fundamental para preservar e aumentar o poder de compra ao longo do tempo. A inflação diminui o valor real do dinheiro, tornando essencial que os investimentos possam acompanhar ou superar esse ritmo de desvalorização. Além disso, o custo de oportunidade representa a renúncia às alternativas de investimento, e, portanto, qualquer investimento deve superar esse custo para ser considerado vantajoso. A busca por rendimentos que excedam essas métricas é uma estratégia sólida para proteger o patrimônio e alcançar objetivos financeiros a longo prazo.
Essa lógica de um investimento superar a inflação vem do conceito econômico de poder de compra, que é a quantidade de coisas que o dinheiro é capaz de comprar. Imagine que uma cesta básica custasse R$250 em 2010 e que você tivesse R$250 sobrando; você poderia comprar essa cesta ou investir em uma poupança que iria render 6% ao ano. Se você optasse por investir, seus R$250 iriam virar R$265 em um ano; se, no mesmo período, a cesta básica subisse de preço e custasse R$270, essa escolha de investimento não valeria a pena.
Veja que ela daria lucro, de R$15 reais, mas esse lucro não seria suficiente para comprar a mesma cesta básica no ano seguinte, que foi comprada com R$250 no ano anterior. Essa perda da capacidade de comprar coisas que ocorre com o dinheiro é a chamada perda de poder de compra e, a principal forma de evidenciar isso é a Inflação.
DESTAQUE:
A inflação é uma sensação, impossível de ser totalmente medida. Por isso, os economistas calculam um índice de preços. No caso brasileiro o índice de preços oficial que serve como parâmetro para inflação é o IPCA. Um índice de preços mede a variação média dos preços de uma cesta padronizada de bens e serviços em toda uma região. O IPCA mede a variação média em 8 grandes regiões do país, de norte a sul. Se os preços sobem, em média, nos mercados e estabelecimentos, o IPCA medido sobe, o que indica que a inflação está subindo.
Dessa forma, analisamos se a rentabilidade de um investimento é viável ao compará-la com a inflação no período. Podemos fazer uma análise simplista ao deduzir diretamente da rentabilidade nominal o valor da inflação no período (por exemplo, se meu investimento rendeu 6% no ano e a inflação foi de 3% no ano, na prática ganhei 3%) ou calcular a rentabilidade real do meu investimento ao aplicar a seguinte fórmula:
Porém, apenas superar a inflação pode não ser o suficiente em um investimento, pois temos a questão das escolhas. No mundo sempre temos escolhas, ainda mais nos investimentos, e cada escolha tem seus riscos, custos, tempo, valores e resultados esperados. Assim sendo, ao escolher um investimento em detrimento de todos os outros, ele precisa, além de superar a inflação e dar lucro, entregar um lucro, um retorno, superior às alternativas mais simples e básicas dessa lista de investimentos.
O raciocínio é o seguinte: se tenho uma opção de investimento que é simples, segura, fácil e acessível, que tenha altíssima probabilidade de me entregar uma rentabilidade esperada, meu investimento tem de ser mais rentável do que essas alternativas, que no caso brasileiro existem ao menos três:
a) Poupança: que vai dar em torno de 0,5% ao mês ou 70% da Taxa SELIC
Na nova poupança, vigente desde 2012, caso a taxa SELIC fique abaixo de 8,5% ao ano, a rentabilidade da poupança passa a ser 70% da Taxa SELIC, em ambos os casos, sem cobrança de Imposto.
b) CDB: que tem opções simples que rendem proporcional à Taxa SELIC, em torno 77% a 85% da SELIC
Um CDB que rende 100% da Taxa DI após a dedução de imposto de renda, rende o equivalente a 77% a 85% da taxa SELIC, dependendo do prazo de aplicação, pois quanto maior o prazo, menor o imposto de renda[1].
c) Títulos públicos federais chamados de Letra Financeira do Tesouro (LFT) ou Tesouro SELIC, que têm rentabilidade segura e proporcional à taxa SELIC, o que após a tributação rendem em torno de 79% até 90% da SELIC.
Todas elas rendem, aproximadamente, o mesmo que a Taxa SELIC, portanto, podemos estabelecer que no Brasil o custo de oportunidade é algo próximo ao valor da Taxa SELIC. Logo, um investimento que não seja tão seguro, nem tão acessível, que vá dar trabalho e tenha seus riscos e custos, precisa entregar uma rentabilidade superior à Taxa SELIC e essa rentabilidade tem de ser real.
Essa é a lógica final, uma rentabilidade mínima aceitável (ou taxa mínima de atratividade, TMA) será um múltiplo da Taxa SELIC Real, dado pela fórmula:
RMAouTMA=(C.R.xTaxaSELIC)x(1+IPCA)*
*opcional
Onde:
C.R.: Coeficiente de Risco, quanto mais arriscado for o investimento, maior deverá ser esse valor, ele pode ser maior ou igual a 1.
Taxa SELIC: Taxa Básica de Juros em termos anuais
IPCA: Índice acumulado anual de preços divulgado pelo IBGE
RMA ou TMA: Rentabilidade Mínima Aceitável ou Taxa Mínima de Atratividade
[1] Imposto de Renda na Renda Fixa em 2023 era de: 22,5% para 180 dias; 20% para 181 a 360 dias; 17,5% para 361 a 720 dias; 15% para mais de 721 dias.
4. Fluxo de Caixa
Segundo Assaf Neto (2023), em finanças, o fluxo de caixa (CFj) é a quantia de dinheiro (recursos financeiros) que é gerada ou consumida por um projeto em um determinado período de tempo. Analisar o fluxo de caixa é uma das métricas mais utilizadas em finanças para a tomada de decisões de investimentos. Porém, realizar tal métrica demanda conhecer e seguir alguns passos.
Existem vários tipos de fluxo de caixa, cada um com seu próprio uso específico. Os mais comuns são:
Fluxo de caixa das atividades operacionais: representa o dinheiro gerado pela operação normal da empresa.
Fluxo de caixa das atividades de investimento: representa o dinheiro gasto ou recebido em investimentos, como a compra ou venda de ativos.
Fluxo de caixa das atividades de financiamento: representa o dinheiro recebido ou pago em financiamentos, como empréstimos ou dividendos.
Variação líquida de caixa: é a soma do fluxo de caixa operacional, de investimentos e de financiamentos.
Fluxo de caixa livre: O fluxo de caixa livre (do inglês Free Cash Flow, FCF) é uma medida do dinheiro que está disponível para os acionistas após a empresa ter atendido a todas as suas obrigações financeiras. Existem dois tipos principais de fluxo de caixa livre:
✔️FCFE (Fluxo de caixa livre para o acionista): representa o dinheiro disponível para os acionistas após o reinvestimento no negócio.
✔️FCFF (Fluxo de caixa livre para a firma): representa o dinheiro disponível para todos os credores e acionistas, incluindo a dívida.
O fluxo de caixa pode ser usado para avaliar a saúde financeira de uma empresa, tomar decisões de investimento e comparar diferentes investimentos, ao avaliar a capacidade de geração de caixa de uma empresa, está se avaliando diversos aspectos das finanças da empresa, que incluem:
· Liquidez: O fluxo de caixa pode ser usado para avaliar a capacidade de uma empresa de cumprir suas obrigações financeiras de curto prazo.
· Rentabilidade: O fluxo de caixa pode ser usado para medir a eficiência com que uma empresa gera dinheiro.
· Valor Presente Líquido (VPL): O VPL é uma medida do valor futuro de um investimento, ao descontar os fluxos de caixa projetados de um investimento, pelo seu custo de oportunidade, a somatória desses fluxos de caixa descontados é o valor presente líquido, sendo este positivo, é um indicativo da viabilidade potencial do investimento.
DESTAQUE:
O fluxo de caixa é uma ferramenta essencial para a análise financeira de investimentos, ao entender os diferentes tipos de fluxo de caixa e seus usos, os investidores e gestores podem tomar decisões mais informadas sobre investimentos e operações, com base em seus custos de oportunidade e riscos.
5. Indicadores de Análise de Investimentos: VPL, TIR, TMA e Payback
Sendo assim, o primeiro passo para a análise de investimentos é a estimativa do fluxo de caixa do projeto de investimentos. Projeta-se, primeiro, o quanto será o custo inicial do projeto, o fluxo de caixa inicial negativo (CF0); em seguida projeta-se os próximos fluxos de caixa periódicos (CFj), contrapondo as entradas e as saídas de caixa que o projeto deve produzir, normalmente por 4 períodos. E, finaliza-se com o fluxo de caixa residual ou final, para o último período, que poderá ser o encerramento do investimento ou a assunção de sua perpetuidade (fluxo de caixa perpétuo de Gordon).
Em seguida, descontam-se esses fluxos de caixa pela TMA do Projeto e obtém-se o Valor Presente Líquido do projeto, ou, o resultado econômico do projeto, sendo este positivo o projeto é considerado viável. Conforme a fórmula:
*O último CFj poderá ser o Fluxo Residual ou Perpétuo, o valor do fluxo de caixa residual apenas considera o valor final do ativo de investimento no seu final de vida útil, como uma entrada de caixa, enquanto o Fluxo de Caixa Perpétuo de Gordon segue a seguinte fórmula:
O cálculo da Taxa Mínima de Atratividade, TMA, é fundamental para realizar os descontos dos fluxos de caixa e obter o VPL, conforme já visto. A TMA é a rentabilidade mínima aceitável para um projeto de investimentos com base no seu custo de oportunidade e, no Brasil, esse valor pode ser obtido mediante a multiplicação da Taxa SELIC por um coeficiente de risco.
Porém, isso é apenas uma aproximação genérica para a TMA. A empresa pode recorrer a esse cálculo aproximado somente quando ela não dispõe dos dados financeiros corretos, mas, idealmente, ela deve calcular a sua própria TMA e esse cálculo passa pelo cálculo do WACC ou CMPC (Custo Médio Ponderado do Capital) e da definição de sua Estrutura de Capital.
Entendendo a Estrutura da Capital:
Segundo, Ross et al (2002), a Estrutura de Capital é a relação entre as fontes de financiamento advindas de terceiros e próprio, ou seja, de todos os recursos que a empresa captou para financiar suas atividades, valores, estes, evidenciados nas contas do Passivo e Patrimônio Líquido, quanto desse total os capitais de terceiros representam (em termos %) e quanto desse total são capital próprio. O capital de terceiros é a soma de recursos captados de entidades fora da empresa, ou seja, empréstimos, financiamentos e debêntures, principalmente. O capital próprio é a soma de recursos que a própria empresa gerou ou aplicou em si mesma, ou seja, reservas de lucros e capital social. A importância da definição dessa estrutura se dá pelo fato de que o Custo Médio Ponderado do Capital, ou seja, o quanto em termos percentuais a empresa precisa ter de lucratividade mínima, é calculado com base na média ponderada das taxas de juros que a empresa paga para os capitais de terceiros e a rentabilidade que ela distribui para o capital próprio, essa estrutura de capital nos dá os pesos dessa média ponderada.
O Custo Médio Ponderado do Capital é o quanto a empresa paga de juros e dividendos em termos percentuais, de maneira bem simplista. Para chegar a esse valor, ela precisa avaliar o custo de juros de cada uma de suas dívidas, o capital de terceiros. Em seguida, ela precisa verificar o quanto cada dívida pesa no total de dívidas que ela tem, o peso de cada uma no total dos capitais de terceiros. Por fim, ela deve multiplicar esses pesos pela taxa de juros efetiva que cada dívida tem, achando a média ponderada das taxas de juros dos capitais de terceiros.
DESTAQUE:
Outra forma possível de se encontrar esse valor é verificar qual o custo com despesas financeiras que empresa tem, apenas com capitais de terceiros, dividir pelo valor desses passivos, para encontrar o custo efetivo dos capitais de terceiros em termos percentuais.
Depois, precisa determinar o quanto os acionistas desejam de rentabilidade mínima (que será a Taxa SELIC multiplicada por um coeficiente de risco, algo como 2 vezes a SELIC, por exemplo). Então, calcula-se a sua estrutura de capital para saber o quanto é o peso desse capital próprio no total de recursos captados pela empresa, multiplicando esse peso pela rentabilidade mínima que o acionista deseja, e somando com a média ponderada das taxas de juros dos capitais de terceiros, encontra-se o Custo Médio Ponderado do Capital da Empresa ou a TMA da empresa, o quanto em termos percentuais precisa ter de rentabilidade.
TIR
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é uma métrica usada na análise financeira para estimar a rentabilidade potencial de projetos de investimentos. É a taxa de desconto que torna o valor presente líquido (VPL) de todos os fluxos de caixa projetados igual a zero em uma análise de fluxo de caixa descontado.
O resultado do cálculo da TIR é um percentual anual que traz os fluxos de caixa do projeto para zero, ou seja, é o valor que a TMA teria que ser para que o VPL seja zero. Isso representa o retorno percentual do projeto de investimentos.
De modo geral, quanto maior a taxa interna de retorno, mais desejável é o investimento, mais rentável ele é, pois, maior teria que ser a TMA para reduzir o VPL do projeto a zero. A análise da TIR é bastante simples, basta compará-la com a TMA do projeto, sendo superior, significa que o projeto é possivelmente viável.
Junto da análise do VPL, a TIR reforça a aceitação ou negação de uma alternativa de investimento. A sua fórmula é dada por:
Lembrando:
O valor presente líquido (VPL) de um investimento é a soma dos valores presentes de todos os fluxos de caixa futuros do investimento, descontados a uma taxa de desconto (TMA).
A taxa de desconto é a taxa de retorno que os investidores poderiam esperar ganhar em um investimento alternativo com risco semelhante.
Para calcular a TIR, o procedimento é o mesmo do cálculo do VPL, no qual, normalmente, são calculados juntos, sendo primeiro o VPL, depois a TIR. Estimam-se os fluxos de caixa, então, a TIR será o valor necessário para que esses fluxos de caixa descontados somados ao fluxo de caixa inicial sejam iguais a zero. É uma conta de tentativa e erro até bater o 0. Em calculadoras financeiras e planilhas eletrônicas é possível fazer essas contas usando funções automáticas.
Três possíveis análises do resultado da TIR
a) Se a TIR for maior que o custo de capital, o investimento é considerado rentável.
b) Se a TIR for igual ao custo de capital, o investimento é considerado neutro.
c) Se a TIR for menor que o custo de capital, o investimento é considerado não rentável.
A principal desvantagem da TIR é que ela não contabiliza muito bem os custos de oportunidade e riscos do projeto, uma vez que se assume que a TMA será a mesma em todos os anos de simulação do projeto, mesma desvantagem do VPL por sinal. Além disso, a TIR é limitada aos fluxos de caixa projetados que podem não ocorrer.
O payback é o período de tempo que leva para recuperar o custo de um investimento. É uma métrica simples e fácil de calcular que pode ser usada para comparar diferentes investimentos.
Para calcular o payback, basta dividir o investimento inicial pelo fluxo de caixa médio anual. Quanto menor o payback, mais atraente o investimento.
Por exemplo, se um investimento custa R$10.000, e gera R$2.000, em fluxo de caixa anual, o payback seria de cinco anos. Isso significa que levaria cinco anos para recuperar o investimento inicial.
DESTAQUE:
O fluxo de caixa médio é uma métrica importante para avaliar a saúde financeira de um investimento. É calculado como a diferença entre as entradas e saídas de caixa de um investimento durante um determinado período de tempo. Um fluxo de caixa médio positivo indica que o investimento está gerando mais dinheiro do que está consumindo, enquanto um fluxo de caixa médio negativo indica o contrário. Os investidores usam o fluxo de caixa médio para avaliar a atratividade de um investimento, e as empresas usam o fluxo de caixa médio para gerenciar suas finanças. Por exemplo, se um investimento gera uma receita de R$20.000, mas tem um custo de manutenção de R$5.000, o fluxo de caixa médio gerado por ele é de R$15.000,.
O payback é uma métrica útil para empresas e indivíduos. As empresas podem usá-lo para comparar diferentes projetos de investimento e escolher aquele com o payback mais curto. Os indivíduos podem usar o payback para calcular o retorno sobre o investimento em reformas residenciais e outros investimentos pessoais.
Vantagens de usar o Payback
A principal vantagem dessa métrica é a facilidade e velocidade com a qual pode ser calculada. Basta pegar todos os fluxos de caixa nominais projetados pelos investimentos, calcular sua média e dividir pelo capital investido inicialmente para se obter um Payback Médio, que lhe diz o quanto de tempo levará, aproximadamente, para se recuperar os investimentos. Outra forma simples, é calcular período a período o saldo a recuperar, deduzindo do capital inicial o fluxo de caixa de cada um, até bater o zero a zero, no período que isso ocorreu, se tem o tempo que vai levar para se ter o payback. São ambas, contas simples e rápidas de soma e subtração.
Assim, basta fazer esse processo para todas as opções de investimentos e aquele que retorna o capital investido terá uma vantagem competitiva em relação aos outros.
Desvantagens de usar o Payback
A principal desvantagem do Payback é utilizar como base de cálculo os valores nominais dos fluxos de caixa médios. Isso desconsidera o valor temporal do dinheiro, o custo de oportunidade, consequentemente, inflando o resultado do payback, pois o dinheiro sempre vale menos no futuro. Logo, um investimento que tem um payback de 4 anos, na prática, deveria ter um tempo de recuperação do capital investido maior do que 4 anos.
Além disso, o payback não contabiliza os riscos do investimento, pois não considera o custo de oportunidade e as variações do fluxo de caixa no tempo, porque usa valores médios. Assim, as entradas de caixa nos períodos finais do projeto têm a mesma importância que as entradas iniciais, o que significa que o risco desse caixa não ser recebido no futuro é desconsiderado.
Payback Descontado ou Payback Líquido
É um ajuste realizado no cálculo do payback, para considerar o custo de oportunidade na conta, ao invés de usar os valores médios dos fluxos de caixa. O payback ajustado ou líquido é calculado com base nos fluxos de caixa descontados de cada período, então, o saldo devedor é atualizado período a período, com base nesses fluxos descontados, o que naturalmente, aumenta o tempo para retorno do valor investido e reduz as desvantagens do payback.
· Exemplo prático de Payback Nominal e Descontado
Enunciado: Uma empresa comprou uma máquina no valor de R$50.000, Ao longo de 5 anos de utilização essa máquina reduziu os custos de produção da empresa, permitindo um aumento do seu lucro operacional anual. No primeiro ano o lucro aumentou em R$15.000, no segundo ano em R$20.000, no terceiro ano em R$25000, no quarto ano a máquina começou a ter custos de manutenção, por isso o lucro gerado foi de apenas R$20.000, e no quinto ano de R$15.000,. A taxa média de juros do mercado financeiro nesse período foi de 12% ao ano, por isso ela foi escolhida como a TMA.
Explicação das Contas realizadas:
Saldo a Recuperar no primeiro período é igual ao Investimento Inicial, ou seja, R$50.000 negativo; esse valor que precisa ser recuperado é o payback; o valor investido vai sendo recuperado com os lucros observados nos Fluxos de Caixa 1 ao 5. Assim, temos que o Saldo a Recuperar dos períodos seguintes serão iguais ao Saldo a Recuperar anterior + Fluxo de Caixa. Por exemplo: Saldo a Recuperar (1) é igual ao Saldo a Recuperar (0) mais Fluxo de Caixa 1, portanto -R$50.000,00 + R$15.000,00 = -R$35.000,00.
Já os Fluxos Descontados são resultado de uma conta mais complexa, cada Fluxo de Caixa é descontada pela TMA acumulada do período:
Já os saldos a Recuperar líquidos são a mesma conta do saldo a recuperar, a única diferença é que se usam os valores dos fluxos de caixa descontados para quitar os -R$50.000.
Por fim, as contas de Payback e Payback Descontado demandam analisar a tabela, no momento em que o Saldo a Recuperar for maior ou igual à zero. Aquele período é o do payback, na nossa tabela o payback comum ocorre no terceiro período e o payback descontado ocorre no quarto período. Para saber com exatidão o valor do payback fazemos a seguinte conta:
a) Pegamos o saldo a recuperar do período anterior ao que deu o payback, então se o payback comum foi no terceiro período, pegamos o saldo a recuperar (desconsideramos o sinal) do segundo período;
b) Dividimos pelo valor do fluxo de caixa do próximo período;
c) O resultado dessa divisão será o número depois da vírgula do payback.
Assim temos:
Portanto, levou 2 anos para chegar aos -R$15.000,00 e mais 0,6 ano para quitar isso, deste modo, em 2,6 anos obtivemos o payback comum.
Com a mesma lógica encontramos o payback descontado de 3,2 anos:
6. Elaboração de Cenários de Investimentos
A última problemática na análise de investimentos são as possibilidades. Uma análise de projeto de investimentos é uma análise de possibilidades, de cenários possíveis, portanto, há uma questão probabilística envolvida. Uma decisão de investimentos bem fundamentada deve ter como base diversos cenários simulados, com diversas probabilidades de ocorrência e somente quando a maioria dos cenários apresentar indicadores positivos como VPL e TIR elevados, que esse projeto deverá ser aceito e considerado como possivelmente viável.
Em suma, cada projeto deve ter algumas de suas características variadas, para cenários mais pessimistas e otimistas, a cada cenário deve se variar apenas uma característica. Em um cenário, por exemplo, se altera a TMA, uma otimista, uma pessimista e uma neutra, tendo dessa forma, 3 cenários possíveis nessa condição. Em seguida, pode-se alterar as expectativas de fluxos de caixa, novamente, com três variações de cada, sendo otimista, pessimista e neutra, tendo agora 6 cenários. É possível, também, se alterar a estimativa de crescimento dos fluxos de caixa, a taxa Gordon, o valor do investimento inicial e fazer combinações com as características. Assim, as mais variadas possibilidades são simuladas e, por fim, atribui-se uma probabilidade de ocorrência para cada cenário, em que são calculados os VPLs e TIRs de cada cenário e se, os cenários que tiverem resultados viáveis somarem mais de 50% de probabilidade de ocorrência, já é um bom indicativo de que esse projeto de investimento possa ser viável.
Exemplo prático de Análise de Decisão de Investimento
Nas diversas situações possíveis em que uma empresa precisa decidir quanto dinheiro aplicar em seu ativo, podemos elencar as seguintes:
a) Substituição de Ativo em uso (exemplo 1)
· Troca de máquina ou veículo por um novo por motivos de substituição tecnológica ou obsolescência
b) Aquisição de Ativo novo (exemplo 2)
· Compra de nova máquina ou tecnologia, por exemplo
c) Ampliação de Ativo Imobilizado (exemplo 2)
· Expansão da capacidade produtiva ou estoques, por exemplo
d) Aplicação financeira (exemplo 3)
· Aplicação em instrumentos de renda fixa variados
e) Aquisição de nova empresa
· Compra de ações ou participações em outros empreendimentos
f) Desativação de Ativo
· Quando um ativo deixa de ser economicamente viável e deve ser desativado sem ser reposto
Em todos esses casos, as contas se assemelham, calcular o VPL e a TIR, depois o Payback Ajustado, analisar e decidir. Cada caso, vai demandar apenas alguns ajustes de conta.
Vamos ver alguns exemplos de cada:
Exemplo 1 - Trocar um caminhão antigo em uso por um novo
Primeiro, é necessário avaliar a capacidade de geração de caixa do caminhão velho e seu valor venal, durante 5 anos (Os valores na tabela foram coletados pela empresa; o Lucro Contábil nada mais é do que o Caixa Gerado menos a Manutenção; o Valor Venal é o valor do caminhão descontado pela depreciação anual).
Em seguida, vamos estimar quanto o caminhão novo vai custar e gerar de caixa (Os valores dessa tabela foram coletados pela empresa; o preço de compra é o valor de mercado do caminhão em cada respectivo ano; segundo a tabela de mercado, o lucro contábil é o valor de caixa gerado pelo caminhão menos a sua manutenção).
Depois é necessário determinar a TMA do Projeto, assumindo que a empresa iria utilizar seu dinheiro em caixa para a aquisição do caminhão novo e que esse dinheiro estava rendendo 12% ao ano numa aplicação de renda fixa. Nesse exemplo a TMA poderia ser de 12% a.a. seguindo essa simples lógica.
Por fim, calcula-se o VPL cenário a cenário:
a) Se a empresa escolher por manter o caminhão velho, qual seria o VPL gerado
b) Se a empresa vender o caminhão velho agora e comprar o novo e usá-lo, qual seria o VPL gerado.
c) Se a empresa vender o caminhão após 1 ano de uso e usar o dinheiro para comprar um caminhão novo e usá-lo por 4 anos, qual seria o VPL gerado.
Então, o cenário que apresentar o melhor VPL será a melhor opção, porém, a TIR e o Payback líquido também devem ser considerados caso a empresa deseje recuperar o valor investido primeiro ou prefira rentabilidade percentual ao invés de retorno total, ela pode escolher a opção com a maior TIR ou o menor Payback. Caso haja uma opção com duas métricas melhores ou com as 3 métricas melhores, daí, naturalmente, essa será a opção escolhida, caso contrário é uma questão de qual o principal objetivo da empresa e qual opção atende melhor a esse objetivo.
Cenário 1 - Manter o caminhão velho por 5 anos
Nesse cenário, pegamos os valores dos fluxos de caixa da tabela do caminhão velho e descontamos eles pela TMA de 12%. As contas para encontrar os valores descontados ficam assim:
A coluna Saldo a Recuperar Líquido é simplesmente o Valor de -R$95000 descontado pelo fluxo de caixa descontado de cada ano, sucessivamente.
Lucro Nominal = somatória da coluna Nominal = R$ 232.248,97
VPL = somatória da coluna Descontado = R$ 145.738,65
Payback Descontado = 1,48 anos
Cenário 2 - Vender o caminhão velho, comprar e usar o caminhão novo por 5 anos
Nesse cenário a empresa vai vender o caminhão velho por R$95000 e usar o dinheiro para comprar o caminhão novo que custava R$229500, portanto, ela vai desembolsar apenas R$134.500. Esse será seu fluxo de caixa inicial e os fluxos de caixa seguintes serão os da tabela do caminhão novo, eles serão descontados pela TMA de 12%, ficando assim:
Novamente, a coluna de Saldo a recuperar líquido é o valor de R$134500 descontado pelo valor da coluna de Fluxo de Caixa Descontado, sucessivamente.
Nesse cenário o Lucro nominal foi de R$325.430,86 e o VPL foi de R$200.840,81. O Payback descontado foi de 1,59 anos.
Cenário 3 - Manter o caminhão velho por 1 ano, vendê-lo no segundo ano e comprar o caminhão novo para depois usá-lo.
Esse é o cenário mais complexo. No primeiro ano a empresa mantém o caminhão velho e o utiliza, portanto, o fluxo de caixa inicial é o valor venal do caminhão velho, o fluxo de caixa do primeiro ano será o fluxo de caixa da tabela do caminhão velho, de R$75000. O segundo fluxo de caixa será a venda do caminhão velho menos a compra do caminhão novo, mais o valor o fluxo de caixa gerado no segundo ano do caminhão novo conforme tabela, ou seja, R$85500 - R$206550 + R$98000.
Novamente, a coluna de Saldo a recuperar líquido é o valor de R$95.000,00 descontado pelo valor da coluna de Fluxo de Caixa Descontado, sucessivamente. Nesse cenário o Lucro nominal foi de R$219.380,86 e o VPL foi de R$121.965,49. O Payback descontado foi de 3,71 anos.
Dessa forma, podemos concluir pela análise do VPL que a opção de vender o caminhão velho já no começo do primeiro ano e comprar o caminhão novo, vai gerar o melhor resultado, pois apresentou o maior VPL.
Exemplo 2 - Análise de aquisição de um ativo novo ou expansão de capacidade produtiva ou estoques
Nessa análise a empresa deve avaliar primeiramente, seu custo de oportunidade interno, mediante o cálculo do custo médio ponderado do capital ou, se for uma compra financiada, o custo de juros desse financiamento, em qualquer um dos casos, o que vai mudar é o valor da TMA, pois qualquer decisão de expansão de seu Ativo imobilizado segue a lógica de calcular a capacidade de geração de caixa desse ativo, o descontando pela TMA e calculando o VPL e a TIR.
Então, vamos imaginar que a TMA desse projeto seja de 12% ao ano, a empresa vai comprar uma máquina que aumentará a sua produtividade, o que significa produzir a mesma quantidade com menos custos ou uma quantidade maior com os mesmos custos. Contudo, a máquina tem um custo de manutenção, logo, temos que avaliar quanto caixa essa máquina vai gerar, descontando seu custo de manutenção, simular isso por 5 períodos (no caso 5 anos) e descontar esses fluxos de caixa pela TMA de 12%. Teremos, então, o VPL e a TIR para avaliar se a máquina é viável ou não, vamos simular três cenários possíveis:
a) Cenário 1 - Otimista, máquina entrega 100% de sua produtividade esperada
b) Cenário 2 - Mediano, máquina entrega 80% de sua produtividade esperada
c) Cenário 3 - Pessimista, máquina entrega 60% de sua produtividade esperada
Observação: poderíamos também simular cenários com custos de manutenção maiores para termos mais análises, mas isso estenderia muito o exemplo, sendo que a lógica é a mesma, em que o caixa gerado nas simulações seria menor, a análise de VPL e TIR seria a mesma. Também vamos assumir que o caixa gerado será constante nos próximos 5 anos, para simplificar as coisas.
Dois dos três cenários se mostraram viáveis, então a compra da máquina é potencialmente viável, pois tivemos 2 VPLs positivos e 2 TIR superando a TMA de 12%, nos cenários 1 e 2.
📌Observação: O cálculo da TIR é impossível de ser calculado com precisão sem calculadora financeira ou planilhas eletrônicas, na calculadora financeira o procedimento é:
Valor do Fluxo de Caixa Inicial [CHS] [g] [PV]
Valor do Fluxo de Caixa 1 [g] [PMT]
Valor do Fluxo de Caixa 2 [g] [PMT]
Valor do Fluxo de Caixa 3 [g] [PMT]
Valor do Fluxo de Caixa 4 [g] [PMT]
Valor do Fluxo de Caixa 5 [g] [PMT]
[f] [FV] : resposta no visor
[f] [FV] [g] [PMT] [PV] [PMT] são os botões da calculadora financeira.
Na planilha eletrônica, basta digitar =TIR depois selecionar as células correspondentes aos fluxos de caixa, desde o inicial até o quinto fluxo, lembrando que o fluxo inicial precisa estar com sinal de negativo para dar certo a conta.
Exemplo 3 - Análise de uma aplicação financeira de renda fixa
Nessa análise a empresa pode fazer dois caminhos, ou compara a rentabilidade do investimento e compara com a Taxa SELIC, ou calcula o VPL e a TIR do investimento usando a SELIC como TMA. A única questão é comparar modalidades de investimentos semelhantes, com condições e prazos semelhantes se for comparar apenas as rentabilidades, caso contrário, melhor fazer a conta do VPL.
Imagine o seguinte: a empresa pode fazer um aporte em um título de renda fixa bancária que vai remunerar 15% ao ano ou comprar um Título Público Pré-Fixado que vai remunerar 12,5% ao ano. Se ambos tiverem a mesma condição, por exemplo, remuneração total apenas no final e ambos tiverem o mesmo prazo e tributação, basta escolher o que tiver a maior rentabilidade. Porém, se fosse outro caso, de um lado aplicar em um título de dívida privada que paga bônus anuais mais um vencimento no final, daí podemos calcular o VPL e a TIR, assim:
Se tiver mais de uma opção de investimentos, basta fazer essa mesma análise com todas as opções e a que apresentar a maior TIR é a mais rentável; se todos tiverem o mesmo valor inicial de investimento, o que tiver o maior VPL é o melhor.
Exemplo 4 - Análise de aquisição de uma nova empresa
Nessa análise a empresa pode fazer o cálculo do VPL com base no quanto de fluxo de caixa livre ela estima que a nova empresa vai gerar. O cálculo para chegar nessa estimativa de fluxo de caixa livre é bem complexo, demorado e subjetivo, portanto não será abordado aqui, pois envolve analisar o potencial de sinergia da empresa nova, o seu demonstrativo de fluxo de caixa e de resultados, entre outras questões financeiras e econômicas.
Após estimados os fluxos de caixa que a nova empresa deve agregar para a empresa, deve-se calcular o fluxo de caixa perpétuo, ou estimar o valor venal dessa empresa, “fingir” que iria vendê-la depois de 5 anos. Como isso não é muito comum ou fácil, o mais aplicável é estimar seu fluxo de caixa perpétuo, pelo modelo de Gordon. Nesse modelo, a empresa estima qual será o crescimento futuro médio da empresa que foi comprada (com pesquisas econômicas de demanda, por exemplo), em seguida ela aplica uma fórmula para achar o quanto de caixa essa empresa nova vai gerar durante muitos e muitos anos.
Essa análise vai resultar num último fluxo de caixa bem elevado que representa, financeiramente, todos os fluxos de caixa futuros que a empresa nova deve gerar já trazidos a valor presente. Por fim, soma-se todos os fluxos de caixa descontados nos 4 primeiros anos com o fluxo de caixa perpétuo e desconta-se o valor de aquisição da empresa, se der um VPL positivo, a empresa é potencialmente viável.
DESTAQUE:
O dinheiro perde valor com o tempo. Após muitos anos, uma quantidade de dinheiro como R$1000 não valem quase nada se forem trazidos a valor presente. Isso ocorre por causa da matemática. Se você tiver R$1000 e descontar esse valor por uma TMA de 12,5% ao ano, após 15 ou 20 anos, os R$1000 se tornam insignificantes, conforme o gráfico a seguir. Por isso que se usa a metodologia da Taxa Gordon.
Fonte: Autor do material didático
Vamos agora ao exemplo: uma empresa avalia adquirir uma empresa que atualmente é sua fornecedora de alguns insumos. Essa aquisição deve gerar economias na compra desses insumos, o que segundo os analistas, deve proporcionar um aumento do fluxo de caixa livre, portanto, existe o potencial de uma sinergia financeira com a economia de custos.
O valor de compra dessa empresa fornecedora é de R$56,5 milhões, o custo de oportunidade, conforme o WACC da empresa é de 18% a.a. e os fluxos de caixa livre estimados são:
R$5 milhões no ano 1;
R$8 milhões no ano 2;
R$12,5 milhões no ano 3;
R$16 milhões no ano 4.
Além disso, para calcular o Fluxo de Caixa Perpétuo de Gordon, a estimativa de crescimento a longo prazo dessa empresa é de 5% ao ano.
Para calcular o Fluxo Perpétuo, basta aplicar a fórmula:
Exemplo 5 - Desativação de um ativo
Nessa análise, a empresa deve avaliar o potencial de geração de caixa do ativo, período a período, calcular seu VPL com base numa TMA e, enquanto o VPL for positivo, significa que o ativo é viável, no momento em que for negativo, não compensa mais manter o ativo, mesmo que ele esteja sendo lucrativo. Um VPL negativo significa que ele não é mais rentável o suficiente para superar a TMA.
No exemplo abaixo uma empresa tem uma máquina que valia R$500mil e a cada ano ela deprecia em R$50 mil. A cada ano que a empresa escolhe manter a máquina funcionando é como se ela tivesse investido o valor da máquina, é o fluxo de caixa inicial. Em seguida, ela tem as previsões de quanto caixa e quanto custo de manutenção a máquina vai gerar, resultando no seu lucro contábil gerado. Por fim, a empresa finaliza o ano “vendendo” a máquina pelo seu valor já depreciado, será o fluxo de caixa do período, esse valor será descontado por uma TMA, que a empresa estabeleceu em 10% a.a. para se obter o VPL. Repete-se o processo, ano a ano, até encontrar o VPL negativo.
Aporte Inicial: Valor gasto na aquisição do ativo, a cada ano que se escolhe manter o ativo em vez de desativá-lo ou vendê-lo, a empresa deve considerar esse valor como se fosse um aporte. O Ativo será depreciado a uma taxa constante de 10% ao ano que será o valor do aporte do período seguinte.
Aplicando a teoria na prática
Mapa Mental
Considerações finais
A tomada de decisão de investimentos não é algo para ser tratado de maneira leviana, pois muito dinheiro está em jogo e apenas dar lucro não é uma medida suficiente para determinar a viabilidade de um projeto de investimentos.
Por isso, a empresa deve primeiro entender quais são os tipos possíveis de investimentos que ela pode fazer, de acordo com cada possível objetivo que ela possa ter. Em seguida, é preciso que o objetivo seja muito bem definido. Se o objetivo for manter liquidez e segurança, pois se trata de um investimento para reserva de emergência, a seleção possível de investimentos reduz bastante. Contudo, se o objetivo for obter rendimento financeiro, a seleção aumenta, uma vez que se abdica da liquidez.
Da mesma forma, se a empresa almeja trocar uma máquina, adquirir outra empresa ou expandir sua capacidade produtiva, em todos esses casos, precisa ter ciência de quanto o dinheiro que ela dispõe lhe custa e para isso, precisa calcular seu Custo Médio Ponderado do Capital e saber qual é seu Custo de Oportunidade, para chegar na sua Taxa Mínima de Atratividade.
Somente com isso determinado, poderá simular as opções de investimentos, calcular cenários possíveis, avaliar se o fluxo de caixa descontado desses cenários é positivo ou negativo e sua taxa interna de retorno, para então, conseguir decidir qual opção de investimento é viável.
Referências
Referência Básica
ASSAF NETO, Alexandre; LIMA, Fabiano Guasti. Fundamentos de administração financeira. 2.ed. São Paulo: Atlas, 2023. 380 p.
HOJI, Masakazu. Administração financeira e orçamentária: matemática financeira aplicada, estratégicas financeiras, orçamento empresarial. 12.ed. São Paulo: Atlas, 2018. 555 p.
PADOVEZE, Clóvis Luís; TARANTO, Fernando Cesar. Orçamento empresarial: novos conceitos e técnicas. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. 209 p.
Referência Complementar
HOJI, Masakazu. Administração financeira: uma abordagem prática. 3ª ed. São Paulo: Atlas, 2001. 497p
MATARAZZO, Dante Carmine. Análise financeira de balanços: abordagem gerencial. 7ª ed. São Paulo: Atlas, 2010. 372p. + CD-ROM.
MORANTE, Antonio Salvador; JORGE, Fauzi Timaco. Administração financeira: decisões de curto prazo, decisões de longo prazo, indicadores de desempenho. São Paulo: Atlas, 2007. 103 p.
PADOVEZE, Clóvis Luís. Curso básico gerencial de custos. Pioneira Thomson Learning, 2003. 377p.
WERNKE, Rodney. Análise de custos e preços de venda: ênfase em aplicações e casos nacionais. São Paulo: Saraiva, 2005. 201 p.
Outras Referências
ROSS, Stephen A. et al. Administração Financeira. São Paulo: Atlas, 2002.
2. O que é investimento