A obsolescência programada é uma estratégia industrial na qual produtos são projetados para terem uma vida útil limitada, forçando os consumidores a trocá-los mais cedo do que o necessário. Essa prática tem como objetivo impulsionar as vendas e o consumo, mas, frequentemente, resulta em desperdício de recursos naturais e financeiros, além de ter impactos negativos no meio ambiente. A obsolescência programada incita as pessoas a terem hábitos consumistas e negligentes.
A obsolescência programada foi um termo criado em 1920 por Alfred Pritchard Sloan Jr. Executivo norte americano e presidente da General Motors. Ela surgiu como uma solução macroeconômica e como forma benéfica para a sociedade pois tinha como objetivo de evitar crises econômicas como aquela que assolou os Estados Unidos da América em 1929. Surgiu nos países capitalistas nas décadas de 1930 e 1940 conhecido como "descartalização". Obsolescência programada nasceu como um processo de produção de bens com vida útil economicamente curta, fazendo com que os clientes façam compras repetidas durante o ciclo de uso do produto. No entanto, é uma estratégia utilizada por determinados fabricantes para intencionalmente os produtos durarem menos. O termo surgiu quando as empresas perceberam que a venda de produtos havia caído economicamente. A obsolescência programada tem vantagens para as empresas fabricantes dos produtos e para o próprio sistema econômico, pois permite manter ou inclusive aumentar as vendas ano após ano ao incentivar o consumo.
Existem diversas formas de implementação do sistema de obsolescência programada. As principais modalidades são:
SISTÊMICA: é a modalidade típica dos eletrônicos relacionados à informática. Ocorre quando uma máquina perde ou reduz a sua funcionalidade diante do surgimento de uma atualização de sistema operacional incompatível com seu modelo ou quando portas de comunicação externa são deliberadamente modificadas, impossibilitando o uso de periféricos.
PERCEPTIVA: consiste na mudança constante de design de veículos, aparelhos eletroeletrônicos, roupas, entre outros, para atribuir artificialmente às versões anteriores a estampa de obsoletas, tornando-as menos desejáveis.
DATADA: alguns produtos apresentam uma garantia sistêmica pré-programada e deixam de funcionar ou são desativadas após certo período, forçando uma troca que independente da condição de sua estrutura física.
LEGAL: ocorre quando se regulamente o uso de certos modelos de um produto, em situações específicas, obrigando o consumidor a ter mais de uma versão do mesmo item de consumo. É o que ocorre no sistema de rodízio de veículos, por numeração das placas, em grandes centros urbanos. Por não encontrarem alternativas de qualidade, rápidas e seguras, os usuários que têm melhores condições financeiras optam por ter mais de um veículo com emplacamentos que os permitam contornar as regras do rodízio.
Em nosso cotidiano, evidenciamos a obsolescência programada em diversas situações. Os exemplos mais comuns desse tipo de prática são:
PREVENÇÃO DE REPARAÇÃO: é quando um produto é deliberadamente construído para impossibilitar seu reparo ou a troca de peças. Isso pode ocorrer se a estrutura do produto não permite a sua abertura sem danificá-lo ou quando componentes com funções independentes são soldados a uma base central, obrigando a troca de todos eles diante do mal funcionamento de apenas uma parte.
DURABILIDADE ARTIFICIAL: a utilização de materiais inferiores ou menos resistentes em mecanismos expostos à utilização frequente e, consequentemente, ou desgaste é um bom exemplo dessa prática.
DURABILIDADE REDUZIDA DE COMPONENTES VITAIS: é o que ocorre com as atuais baterias de muitos eletroeletrônicos. Muitas delas têm durabilidade que não ultrapassa os três anos e não podem ser substituídas.
Algumas alternativas globais para a obsolescência programada são: implementar regulamentações que exijam maior transparência sobre a vida útil dos produtos e informações claras sobre a disponibilidade de peças de reposição; estabelecer normas de durabilidade e qualidade mínimas para os produtos; incentivo à economia circular, onde os produtos são projetados para serem reutilizados, remanufaturados ou reciclados.
Em âmbito pessoal, as alternativas para combater a obsolescência programada passam por: substituir peças e acessórios somente quando necessário; verificar a real necessidade de um novo aparelho; procurar produtos mais duráveis; cuidados de manutenção; buscar novos produtos pesquisando em sites de avaliações; dar a destinação correta do produto após seu fim.
[1] O que é obsolescência programada? eCycle, [s.d.]. Disponível em: <https://www.ecycle.com.br/obsolescencia-programada/>. Acesso em: 19 de out. de 2023.
[2] A obsolescência programada e suas consequências para o meio ambiente. Iberdrola, [s.d.]. Disponível em: <https://www.iberdrola.com/sustentabilidade/obsolescencia-programada#:~:text=A%20obsolesc%C3%AAncia%20programada%20tem%20vantagens,em%20P%2BD%2Binova%C3%A7%C3%A3o.>. Acesso em: 19 de out. de 2023.
[3] A obsolescência programada de produtos: o impacto da vida útil planejada. Artemis Ambiental, 2023. Disponível em: <https://www.artemisambiental.com.br/blog/post/obsolescencia-programada-de-produtos-o-impacto-ambiental-da-vida-util-planejada>. Acesso em: 19 de out. de 2023.
[4] Obsolescência programada - pesquisadores explicam o conceito: Entenda também o que diz o Código de Defesa do Consumidor. Minas Gerais, TV UFMG, 2021. 1 vídeo (5 min). Publicado pelo TV UFMG. Disponível em: https://ufmg.br/comunicacao/noticias/obsolescencia-programada-pesquisadores-explicam-conceito. Acesso em: 1 jul. 2021.
[5] Pesquisas realizadas com os alunos do 8º ano A sob a orientação do professor Ivan Alexis Matta Junior em outubro de 2023, do Colégio Externato São José - Goiânia - Goiás