A Economia Compartilhada é modelo econômico-social baseado em atividades de compartilhamento, como troca ou aluguéis de bens e serviços entre pessoas. Mesmo com a participação de grandes companhias ou até corporações multinacionais, o centro da economia de compartilhamento está nos indivíduos, ou mais especificamente, nas suas interações e interesses, aproveitando seus bens subutilizados ou suas habilidades para possibilitar outras fontes de renda.
O compartilhamento é o coração da economia compartilhada, pois o sistema se sustenta em: compartilhar algo que é seu, tentando solucionar uma demanda ou problema de alguém, gerando uma fonte de renda para você.
A partir dos anos 1990 a Economia Compartilhada nós Estados Unidos, foi estimulada pelos avanços tecnológicos que reduziu os custos das transações online e deu impulsos para a criação de modelos de negócios baseado na troca e no compartilhamento de bens serviços.
O termo, contudo, passou a ser utilizado mais frequentemente após os anos 2000 em função do desenvolvimento das tecnologias da informação, juntamente com o crescimento das redes sociais. Isso proporcionou o surgimento de plataformas online que possibilitaram o compartilhamento de informações, em um primeiro momento, com os exemplos clássicos dos softwares livres, passando pela Wikipédia e outros sites de compartilhamento de conhecimento, chegando, ao longo da última década, no compartilhamento de bens e serviços que conhecemos atualmente.
A ideia da Economia Compartilhada propriamente dita surge depois da crise mundial de 2008, que assolou o sistema financeiro de diversos países. No contexto de recessão econômica, pensar em formas de poupar recursos se tornou fundamental não apenas para garantir a lucratividade das empresas, mas também para mantê-las de portas abertas em tempos difíceis. Na época, outras discussões também pautavam o cenário corporativo, como os avanços tecnológicos constantes, a necessidade de conscientização ambiental e a crescente atuação dos millenials, que chegam ao mercado de trabalho com o desejo de inovar. Todos esses fatores, então, acabaram convergindo até que as primeiras ideias que flertavam com o conceito de economia colaborativa apareceram.
Como dito anteriormente, grandes empresas perceberam no movimento da Economia Compartilhada um mar de possiblidades de novas negócios. Dois cases de sucesso nesse cenário são a Uber e OLX.
O aplicativo Uber é uma plataforma que conecta motoristas (que possuem carros cadastrados) aos passageiros, se transformando numa opção inteligente e mais barata de mobilidade urbana. Ele funciona da seguinte forma: os passageiros informam em um aplicativo seu local de origem e pontos de destino e solicitam um carro para realizar esse trajeto por um valor prefixado. Só no Brasil, a Uber já realizou mais de 20 milhões de viagens e possui mais de 500 mil motoristas parceiros.
A OLX é uma plataforma de revenda, onde todos podem vender e adquirir itens usados. É uma das maiores representantes da Economia Compartilhada no mundo e se define como comércio “C2C”, sigla de “consumidor para consumidor”. A plataforma da OLX possibilita que um cliente anuncie um produto usado que gostaria de revender, enquanto outro usuário, interessado no produto, entre em contato para realizar a compra. A retirada do produto pode ser combinada entre as partes ou pode ser utilizado o serviço de entrega da própria plataforma. Segundo dados da própria OLX, no Brasil a empresa conta com uma média de 350 mil anúncios por dia e realiza mais 2,4 milhões de vendas por mês.
Como em toda nova tendência socioeconômica, as transformações positivas e negativas causadas pela Economia Compartilhada ainda estão sendo observadas, mas alguns avanços inegáveis já são visíveis:
diminuição dos impactos ambientais negativos, através da diminuição da produção de bens;
redução dos custos do consumidor mediante empréstimos e reciclagem de itens;
fornece para as pessoas acesso a bens que não podem comprar;
maior qualidade de serviço através de sistemas de classificação fornecidos por empresas envolvidas na economia compartilhada;
maior economia com o mesmo estilo de vida;
mais oportunidades de negócios.
Por outro lado, o movimento de compartilhamento nas relações comerciais tem acendido alertas em diversos setores da sociedade, pois esse ainda é um setor sem uma regulamentação específica e que não se mostra totalmente preparado para os conflitos próprios das relações socioeconômicas. Nesse sentido, algumas perguntas precisam ser respondidas para que os usuários desse universo tenham seus direitos resguardados, a saber:
Se as plataformas lucram apenas em conectar indivíduos dispostos a realizar uma transação comercial, quem é responsável pela qualidade dos produtos e serviços ofertados, sua garantia, procedência ou pelos valores cobrados por eles? Quem é o responsável por possíveis danos, prejuízos e acidentes?
Como solucionar a questão da concorrência desleal entre startups não regulamentadas, e empresas tradicionais, submetidas às normas legais e oneradas com impostos sobre sua atividade, que disputam um mesmo ramo de mercado?
Com a entrada de grandes corporações no munda da Economia Compartilhada, o lucro se torna e elemento prioritário para as plataformas e não o compartilhamento em si. Em alguma medida, essa lógica não pode subverter ou até acabar com as boas iniciativas desse movimento?
Como lidar com as questões trabalhistas, não regulamentadas no modelo de Economia Compartilhada, e evitar que essa atividade se torne um novo mecanismo de exploração de mão de obra e precarização do trabalho?
[1] Economia Compartilhada: 4 cases para entender melhor o assunto. PUCRS online, 2022. Disponível em: <https://online.pucrs.br/blog/economia-compartilhada>. Acesso em: 17 de out. de 2023.
[2] M., Susana. Economia Colaborativa: aspectos positivos e negativos. Medium, 2020. Disponível em: <https://susanamieko.medium.com/economia-colaborativa-aspectos-positivos-e-negativos-3f8f70c0af8d>. Acesso em: 17 de out. de 2023.
[3] O que é Economia Compartilhada? Apd, 2022. Disponível em: <https://www.apd.pt/o-que-e-economia-compartilhada-pros-e-contras-do-novo-modelo-de-consumo/>. Acesso em: 17 de out. de 2023.
[4] Economia Compartilhada: como empreender em novas formas de trabalho. SEBRAE, 2023. Disponível em: <https://sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/artigos/economia-compartilhada-como-empreender-com-novas-formas-de-trabalho,dc8999f7185bd710VgnVCM100000d701210aRCRD>. Acesso em: 17 de out. de 2023.
[5] Pesquisas realizadas com os alunos do 8º ano B sob a orientação do professor Ivan Alexis Matta Junior em outubro de 2023, do Colégio Externato São José - Goiânia - Goiás