A economia circular é um modelo estratégico baseado na redução, reutilização, recuperação e reciclagem de materiais e energia. Ela busca relacionar o desenvolvimento econômico a um gerenciamento dos recursos naturais de forma proveitosa, através de novos modelos de negócios e da otimização nos processos de fabricação com menor desperdício.
Um sistema econômico que usa uma visão sistêmica para manter o fluxo dos recursos, através do acréscimo, da retenção e regeneração de seu valor, promovendo o desenvolvimento sustentável, é a economia circular.
A economia circular é a ciência que ao permitir a união do modelo sustentável com o ritmo tecnológico e comercial do mundo moderno, faz com que o crescimento econômico, a sustentabilidade e o bem-estar-da sociedade estejam entrelaçados, extrapolando o famoso três “R”s – reduzir, reutilizar e reciclar. Assim sendo, a economia circular repensa as práticas econômicas a longo prazo.
A economia circular engloba uma transformação na remoção de recursos, na forma como os resíduos são eliminados e generalizando, nas lógicas de consumo. Portanto, ela é sustentada pela transição para energias e materiais renováveis e separa da atividade econômica de consumo de recursos finitos.
A economia circular é um sistema holístico que exige transformações contínuas. Não é puramente paliativo, e sim regenerativo, baseado na inteligência da natureza reciclado em uma lógica de produção, consumo e reaproveitamento.
A economia circular está além do âmbito e do foco das ações de gestão de resíduos e de reciclagem, objetivando um modelo que engloba desde redesenho de processos, produtos e modelos de negócios, até a otimização do uso de recursos. Assim, tem como características a minimização da extração de recursos, maximização da reutilização, aumento da eficiência no desenvolvimento de processos e no uso de produtos.
A economia circular é o oposto do modelo tradicional, o modelo económico linear, baseado no princípio “produz- utiliza-descarta”. Este modelo exige muitas quantidades de materiais a baixo preço e de fácil acesso e muita energia.
A obsolescência programada, também faz parte deste modelo linear tradicional, no qual os produtos são concebidos para um período de vida útil limitado de modo a incentivar os consumidores a comprá-los outra vez.
O objetivo da economia circular é promover uma gestão mais eficaz dos recursos naturais, mantendo os produtos, componentes e materiais em seu maior grau de utilidade e valor sempre, constante, dentro de um escopo econômico sustentável.
O conceito de economia circular evoluiu ao longo do tempo e o seu desenvolvimento histórico remonta à escola clássica de economia no final do século XVIII.
Em meados do século XX, a comunidade científica mundial, baseada na análise do curso descendente da revolução científica e técnica, concluiu em termos dos limites de oportunidades de crescimento estabelecidos pela exploração do modelo linear (industrial) a uma escala global que levou ao conceito de economia circular como uma solução alternativa.
Durante a última década, uma atenção especial foi dada ao novo conceito de desenvolvimento de um modelo econômico, chamado "economia circular”, considerado como um novo caminho para o desenvolvimento da sociedade ao longo do caminho da sustentabilidade.
Há várias opiniões sobre a origem do termo "economia circular"; vários cientistas creem que a economia circular é uma nova etapa no desenvolvimento do conceito de desenvolvimento sustentável e da economia verde; por outro lado, menos frequentemente, é considerada como uma direção independente da teoria econômica que surgiu na década de 1970 do século XX.
A referência mais antiga à economia circular pertence a Walter Stahel, que ofereceu a ideia de transição do modelo linear de economia dependente de recursos para uma economia em loop (ou economia circular). Portanto, no final da década de 1970, as ideias e práticas alternativas para a economia e para os processos industriais se fortificaram por meio de acadêmicos, líderes intelectuais e instituições.
Algumas escolas de pensamento importantes para o enraizamento do conceito de economia circular são: Design regenerativo (foi um dos primeiros passos em direção à ideia de economia circular que existe atualmente), Cradle to Cradle – Do berço ao berço, Ecologia industrial, Biomimética, Fundação Ellen MacArthur, estabelecida em 2010 com a missão de acelerar a transição rumo a uma economia circular. Ela trabalha com empresas, governos e academia para construir uma economia que seja regenerativa e restaurativa desde o início.
As tendências atuais de crescimento populacional, aumento da procura e consequente pressão nos recursos naturais enfatizam a necessidade de as sociedades modernas avançarem para um paradigma mais sustentável, uma economia mais "verde" que garante o desenvolvimento econômico, a melhoria das condições de vida e de emprego, bem como, a regeneração do "capital natural".
O modelo econômico atual, baseado num modelo linear, depara-se hoje com questões relativas à disponibilidade de recursos. Este é um sistema que expõe empresas e países a riscos relacionados com a volatilidade dos preços dos recursos e interrupções de fornecimento.
Um novo modelo econômico que funciona em circuitos fechados, catalisados pela inovação ao longo de toda a cadeia de valor, é visto como uma solução alternativa para diminuir consumos de materiais e perdas de energia.
Uma economia "mais circular", se apresenta como um conceito operacional no caminho para a mudança de paradigma, pois a problemática ambiental e social oriundos da globalização dos mercados e do atual modelo econômico baseado na economia de “extração, produção e descarte”, se mostra como um grande desafio.
Nesse sentido, a economia circular é importante porque: preserva o meio ambiente, ajuda a limitar a perda de biodiversidade, reduz a emissão anual total de gases com efeito de estufa, contribui para o combate às alterações climáticas, reduz o impacto ambiental negativo, estimula a inovação, cria novas oportunidades de negócios, promove a eco inovação, reduz a dependência dos combustíveis fósseis e minimiza a produção de resíduos.
A economia circular contribui para um uso racional de recursos, a reutilização, a reposição de materiais, aumentando o seu tempo de vida e reduzindo a extração de novos recursos naturais, ou seja, poupando recursos da natureza.
O impacto ambiental negativo ocasionado pela economia linear é minimizado na economia circular, visto que o uso de produtos, nessa economia, é realizado até que sejam descartados como resíduos (são mais duráveis), e há a contribuição para a recuperação das áreas prejudicadas no meio ambiente.
A transição para uma economia circular pode aumentar a competividade, estimular a inovação, incentivar o crescimento econômico, criando oportunidades de negócio, produtos e serviços, e gerar empregos.
A economia circular promove a eco inovação, ou seja, uma inovação que considera a sustentabilidade ambiental e social.
Na economia circular a ausência de desperdício é uma característica, que o planeta se beneficia. Em vez de uma reta final para os produtos, há um novo ciclo que transforma resíduos em insumos, e esses, em nova matéria-prima. Os novos “R”s entram em ação: de economia restaurativa e regenerativa. O que era fim é só um novo começo.
Na economia circular, como os produtos são feitos com materiais facilmente recicláveis e não perigosos, os objetos são concebidos para a remanufatura, a reforma e a reciclagem. Artigos com componentes e materiais no mais alto nível de utilidade, tanto no ciclo técnico quanto no biológico, otimizam a produção de recursos. Desse modo, componentes e materiais continuam circulando e contribuindo para a economia.
A economia circular desconstrói o conceito de resíduo, devido a evolução de projetos e sistemas que privilegiam materiais naturais que podem ser totalmente recuperados.
Pensar a circularidade da economia é mais do que reduzir os impactos da economia linear, é uma transição para construir um sistema resiliente, inteligente e próspero.
A economia circular e a logística reversa industrial possuem uma relação estreita, pois ambas se complementam e auxiliam na construção de um modelo econômico mais sustentável, considerando que a base da economia circular é: o reuso, por parte do próprio consumidor final; a remanufatura, a reutilização que consiste nas etapas de desmontagem do produto usado, na limpeza de suas peças, na reparação ou substituição de peças estragadas e em testes de qualidade do produto; do updating, no caso de produtos eletroeletrônicos; na remontagem (do produto) que deverá apresentar perfeitas condições; na reciclagem, que em nível industrial é o processo de transformar resíduos ou produtos inúteis e descartáveis em novos materiais ou produtos de maior valor, uso ou qualidade.
A logística reversa integra o ciclo fechado proposto na economia circular, sendo responsável pelo retorno de bens de pós-consumo e de pós-venda ao ciclo de negócios e produção, através do reaproveitamento de materiais. A prática desse conceito é relevante ao lidar com problemas ambientais, econômicos, financeiros e sociais. Assim, sendo, a logística reversa contribui para que as empresas tenham a oportunidade de gerenciar os resíduos, aumentando a eficiência ambiental através: da redução do consumo de recursos de matéria-prima; da criação de valor; da melhoria da satisfação do cliente; da economia de energia; da redução dos aterros sanitários; e redução das emissões de gases.
A visão sobre resíduos, precisa ser mudada para que haja uma compreensão da importância da logística reversa na economia circular. O residual gerado pela cadeia de consumo tem várias possibilidades de reprocessamento. O resíduo de uma determinada indústria, pode ser a matéria-prima de outra. Portanto, o fluxo reverso é composto, basicamente, pela: entrada do produto na cadeia reversa por meio de sua coleta; armazenagem de consolidação, com ou sem processamento, para garantir condições de transporte; seleção e destinação dos produtos para o processamento industrial de reaproveitamento; remanufatura e reciclagem dos materiais; e, redistribuição ao mercado consumidor.
A logística reversa e a economia circular estão diretamente ligados à responsabilidade que todos têm pelo ciclo de vida de um produto, contribuindo para o seu reaproveitamento no ciclo produtivo.
Cada setor envolvido no processo de produção tem um dever na logística reversa. Os consumidores precisam devolver os produtos inutilizados em locais específicos; Os comerciantes devem instalar locais para a devolução; as indústrias devem retirar os produtos e reciclá-los ou reutilizá-los; e o governo promover conscientização para consumidores e fiscalizar as etapas.
Finalizando, a logística reversa industrial desempenha um papel fundamental na economia circular, contribuindo para a sustentabilidade e a preservação dos recursos naturais.
[2]https://www.revistasg.uff.br/sg/article/view/1656/1306
[3]https://ellenmacarthurfoundation.org/pt/temas/economia-circular-introducao/visao-geral
[4]https://www.ecycle.com.br/economia-circular/
[6]https://www.portaldaindustria.com.br/industria-de-a-z/economia-circular/
[7]https://eco.nomia.pt/pt/economia-circular/estrategias
[8]https://www.raizen.com.br/blog/economia-circular
[9]http://www.neitec.eq.ufrj.br/blog/logistica-reversa-na-economia-circular/
[10]https://sgssustentabilidade.com.br/2019/07/16/beneficios-da-economia-circular-e-logistica-reversa/
[12]https://blog.eureciclo.com.br/economia-circular-mundo-lixo-nao-existe/
[13]https://engemausp.submissao.com.br/24/anais/arquivos/455.pdf?v=1697626201
[14]Pesquisas realizadas pelos alunos do 7ºD, sob a orientação da professora Kathleen C. Machado Gonçalves, do Colégio Externato São José, Goiânia- Goiás, em outubro de 2023.