O ecodesign ou Design for Environmet (DfE) é um instrumento de gestão ambiental que se concentra na fase de concepção dos produtos e nos respectivos processos de produção, distribuição e descarte.
Segundo o artigo científico publicado por R. Karlsson e C. Luttropp (2006), o mapa linguístico da palavra ecodesign indica uma intensa relação entre economia e aspectos ambientais.
Para o Ministério do Meio Ambiente, o ecodesign se trata de todo processo que abrange aspectos ambientais, possuindo como principal meta, projetar ambientes, desenvolver produtos e executar serviços que de alguma maneira irão reduzir o uso dos recursos não renováveis ou ainda minimizar o impacto ambiental durante seu ciclo de vida.
O ecodesign, além de minimizar os impactos ambientais, reduz os custos de produção e possibilita um diferencial competitivo dentro de um mercado que enfatiza o desenvolvimento sustentável. Portanto, o ecodesign acompanha todo o processo de desenvolvimento dos produtos, desde a matéria-prima, até como eles chegam nas mãos dos consumidores e são descartados.
Em síntese, o ecodesign tem o propósito de reduzir a geração de resíduo e economizar custos de disposição final, ou seja, o ecodesign promove o racionamento e o uso inteligente de recursos, tanto ambientais quanto financeiros.
Alguns princípios direcionam as práticas e estratégias relacionadas com o ecodesign.
Uma das principais características do ecodesign é o uso de materiais sustentáveis, como: madeira certificada, plásticos biodegradáveis e tecidos orgânicos.
O ecodesign busca reduzir a quantidade de resíduos gerados durante a produção e o descarte dos produtos.
A eficiência energética dos produtos, reduzindo o consumo de energia elétrica durante a produção e o uso, é uma busca constante do ecodesign.
O desenvolvimento dos objetos nos quais as peças possam ser trocadas com facilidade em caso de defeito, evitando que o produto seja substituído, gerando menos resíduo, é o princípio da modularidade, típico do ecodesign.
E por fim, a reutilização e a reciclagem dos produtos que o ecodesign busca promover, prolonga a vida útil dos bens e reduz a quantidade de resíduos gerados.
Para compreendermos melhor essas características, é possível sintetizá-las nos 3Rs: reutilização, reciclagem e redução. A imagem ao lado, ilustra as características ou princípios do ecodesign.
Sendo assim, o conceito de ecodesign é muito amplo e permite inúmeras ações de gestão ambiental. Portanto, a compreensão das características ou princípios do ecodesign é tão relevante. Essas práticas ambientais tornam o ecodesign um conjunto de metodologias que promovem uma maior qualidade no funcionamento dos produtos e serviços, trazendo benefícios para os diversos setores da sociedade.
Histórico do Conceito Ecodesign
O conceito de ecodesign surgiu no início dos anos de 1990, quando as indústrias eletrônicas dos Estados Unidos começaram a criar produtos menos agressivos ao meio ambiente.
Assim, a década de 1990 pode ser considerada o marco no design mundial em que nasceu o conceito de design ecológico.
O conceito surgiu a partir da associação das ideias de reestruturação produtiva somada à sustentabilidade, proporcionando a desaceleração do ciclo de vida de produtos e serviços, com o desenvolvimento de inovações tecnológicas e mercadológicas.
Entretanto, em 1970, temos o primeiro exemplo de produção de ecodesign, empreendido pelo designer austríaco-americano Victor J. Papanek (1923-1998) que criou diversos produtos pensando na responsabilidade social e ambiental, usando o mínimo de recursos possíveis e o primeiro a colocar em prática estratégias para minimizar os impactos ambientais que o modo de produção convencional acartava ao longo dos anos.
O ecodesign faz parte da economia circular e promove variados benefícios para as empresas, os consumidores e o meio ambiente.
O ecodesign pode ajudar as empresas a cumprirem as normas e regulamentos ambientais vigentes, evitando multas e sanções, além de ter a possibilidade de aumentar a produtividade e a qualidade dos produtos, ao mesmo tempo em que reduz os impactos ambientais negativos.
Um grande benefício do ecodesign é o diferencial competitivo, onde a criação de produtos inovadores e atrativos para os consumidores, é um marco para os que buscam cada vez mais soluções sustentáveis para suas necessidades.
Os Móveis feitos com madeira certificada ou reciclada, roupas feitas com fibras naturais ou recicladas, embalagens biodegradáveis ou recicláveis, lâmpadas de LED ou de baixo consumo energético, eletrodomésticos com selo de eficiência energética, celulares com componentes reciclados ou recicláveis, são alguns exemplos de produtos do ecodesign.
O ecodesign pode ser aplicado em diversos setores e áreas, como arquitetura, engenharia, moda, tecnologia, entre outros.
O Ecodesign e a Economia Circular - O Modelo Cradle to Cradle
O ecodesign é uma parte essencial da economia circular, uma estratégia que tenta prolongar indefinidamente o valor dos produtos, mantendo-os dentro de um circuito fechado e isento de resíduos. Distinto do modelo de produção linear (extrair, produzir, usar e descartar), o design com materiais sustentáveis colabora para que os bens da economia circular terminem sua vida útil em condições de terem novas funções.
O design circular está relacionado com o modelo do Cradle to Cradle, ou C2C, que significa “do berço ao berço”. Esta metodologia foi título do livro publicado em 2002 pelo arquiteto americano William McDonough e o engenheiro químico alemão Michael Braungart: Cradle to Cradle: Remaking the Way We Make Things (em português: Do Berço ao Berço: Refazendo a maneira como fazemos as coisas).
Os autores, nesse livro, analisam o ciclo de vida dos produtos e argumentam que a gestão dos recursos deve ser através de uma lógica circular, onde eles deverão ser reutilizados a fim de contribuir para a regeneração do meio ambiente, desaparecendo a ideia de lixo.
Como exemplo positivo do modelo cradle to cradle, podemos citar o processo de upcycling que reaproveita todos os recursos, dando uma nova vida aos materiais e sem perder a qualidade inicial.
Neste modelo, há uma classificação dos nutrientes em dois tipos: nutrientes biológicos e nutrientes técnicos. Os primeiros são oriundos de recursos renováveis que podem voltar à natureza sem impactar negativamente o ecossistema, como a madeira, o papel e o algodão. Já os nutrientes técnicos são materiais que advém de recursos não renováveis e que podem trazer impactos ambientais permanentes, por não serem decompostos, como por exemplo, o ferro, o plástico e o alumínio.
[1] https://blog.ipog.edu.br/engenharia-e-arquitetura/ecodesign/
[2]https://www.beecircular.org/post/ecodesign-economia-circular-principios-vantagens-exemplos-empresas
[3] https://www.ecycle.com.br/ecodesign/
[4] https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0959652605002374
[5)] https://www.iberdrola.com/compromisso-social/eco-design-produtos-sustentaveis
[6] https://www.beecircular.org/post/upcycling-importancia-vantagens-exemplos
[7] https://agrozil.com.br/artigos/o-que-e-ecodesign-e-quais-os-seus-beneficios/
[8] Pesquisas realizadas com os alunos do 7º ano A sob a orientação da professora Kathleen C. Machado Gonçalves, em outubro de 2023, do Colégio Externato São José - Goiânia - Goiás