Um olhar para a linha de frente
Em todo o mundo, os verdadeiros heróis do nosso tempo estão trabalhando, sob grande pressão, na linha de frente do combate ao novo coronavírus.
Enquanto a orientação da OMS é de distância social de dois metros, os profissionais de saúde examinam os pacientes a uma distância de cerca de 20 cm de seus rostos. Nesse sentido, os equipamentos de proteção individual (EPI) são de uso vital para quem está na linha de frente. No Brasil, até o momento desta publicação, o Conselho Federal de Enfermagem (Cofen) já havia recebido mais de 1.300 denúncias de falta ou escassez desses equipamentos.
Os profissionais de saúde estão expostos a uma carga viral muito maior e mais constante. Segundo matéria da BBC, uma carga viral maior significa que a gravidade de uma doença tende a ser pior e a capacidade de transmissão muito maior. De acordo com Victor Grabois, presidente da Sobrasp (Sociedade Brasileira para a Qualidade do Cuidado e Segurança do Paciente), um profissional de saúde que esteja contaminado pode infectar até 9 pessoas.
Não existe um levantamento oficial do número de profissionais de saúde afastados em todo o Brasil. Mas, a reportagem do Fantástico, exibida em 12 de abril, apurou que quase 7 mil profissionais, entre médicos, técnicos de enfermagem e enfermeiros, foram afastados do trabalho desde o começo da pandemia por apresentarem sintomas suspeitos. Entre os que conseguiram fazer o teste, pelo menos 1.400 estavam infectados e 18 deles morreram de Covid-19.
Segundo o Cofen, o número de enfermeiros e técnicos de enfermagem possivelmente infectados e afastados deu um salto na semana de 12 de abril. O aumento foi de 660% - de 158 para 1.203 casos. A maioria dos profissionais de enfermagem afastados têm entre 31 e 40 anos e 83% são mulheres.