A IMPORTÂNCIA DO ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA
O ensino de Ciências Naturais, desde os anos iniciais da escolarização, é de fundamental importância para formação de cidadãos críticos, capazes de interpretar o mundo e os fenômenos à sua volta (BRASIL, 1997). A Base Nacional Comum Curricular da Educação Básica – BNCC (BRASIL, 2017, p. 321) apresentou a importância da área de Ciências Naturais em desenvolver o letramento científico, “que envolve a capacidade de compreender e interpretar o mundo (natural, social e tecnológico), mas também de transformá-lo com base nos aportes teóricos e processuais das ciências”.
Quando a criança chega à escola, traz consigo muitas informações e conhecimentos do seu cotidiano. Estes saberes, chamados empíricos ou do senso comum, precisam ser transpostos ou convertidos em saberes científicos. É nas aulas de Ciências Naturais que ocorre o que chamamos de letramento científico[PMB1] , onde o indivíduo passa a compreender e a interpretar o mundo, adquirindo instrumentalização para transformá-lo. Esse processo só é possível pela intervenção do ensino formal oferecido na escola, instituição promotora do conhecimento historicamente construído. É fundamental que os estudantes tenham contato com atividades intelectuais, experimentais e técnicas, baseadas em metodologias adequadas que permitam a apropriação do conhecimento científico. Desse modo, serão instrumentalizados para poderem atuar de maneira eficaz na sociedade onde vivem, contribuindo inclusive para possíveis avanços científicos e tecnológicos.
Sendo assim, o ensino de Ciências não pode ocupar um segundo plano, em detrimento dos demais conteúdos trabalhados durante a Educação Básica, pois o conhecimento científico é parte constitutiva da cultura elaborada pelo conjunto da sociedade e sua apropriação é necessária para compreender e explicar as transformações do mundo em que vivemos.
Para promover tal compreensão a cerca do mundo, faz-se necessário um trabalho com conteúdos científicos na Educação Básica de forma significativa, através de atividades motivadoras, que contribuam para o avanço cognitivo dos educandos, evitando-se o ensino livresco, bacharelesco e voltado para a “decoreba”.
Entende-se que é de fundamental importância que tais atividades estabeleçam uma relação entre ciência e cotidiano, para que o aluno possa entender o porquê de várias coisas ao seu redor. Consequentemente, tal integração poderá apontar para o caráter provisório e incerto das explicações que os alunos possuem ou das teorias científicas e, dessa forma, o professor poderá apresentar a Ciência como uma construção humana marcada por erros e acertos.
Sendo assim, visando promover um significativo processo de ensino-aprendizagem, ao ensinar Ciências, o professor precisa privilegiar aspectos como: despertar o interesse, a criatividade e o gosto pela ciência; desenvolver novas atitudes sobre o mundo em que vivemos; satisfazer as curiosidades dos alunos; trabalhar aspectos do método científico como a observação, generalização e controle de experimentos; e por fim educar para um mundo que, a cada dia, requer cidadãos conscientes de seu papel na preservação dos recursos naturais. As Ciências da Natureza tornam-se importantes nos currículos escolares por possibilitar ao estudante, que é um sujeito integrante da natureza, compreender o mundo e atuar como cidadão crítico na utilização de conhecimentos científicos e tecnológicos.
O objetivo geral da área de Ciências da Natureza, de acordo com o Currículo de Bauru, é:
Apropriação, pelos alunos, de conhecimentos das Ciências Naturais, articulando-os com as dimensões natural, ética, social, cultural, política e histórica, com o propósito de uma formação omnilateral, a fim de compreender e transformar a realidade, de forma a superar as desigualdades sociais e as diversas formas de exploração humana.
ORIENTAÇÕES TEÓRICO-METODOLÓGICAS
No contexto da Pedagogia histórico-crítica, o objetivo da educação é que os indivíduos e apropriem dos saberes clássicos, daqueles saberes que são essenciais, que permaneceram, que resistiram ao tempo.
Partindo da prática social do indivíduo (síncrese) rumo a uma prática ressignificada (síntese), o professor deve mediar este processo de forma que os educandos tenham suas máximas potencialidades desenvolvidas e sejam capazes de gerar a transformação necessária da sociedade, objetivo de uma educação emancipadora (SAVIANI, 2011, apud SANTOS, FANTIN E CAMPOS, 2016).
As orientações metodológicas buscam propor formas adequadas de alcance desse objetivo e devem considerar, para tanto, os períodos de desenvolvimento que se encontram os alunos, suas atividades-guia, seus conhecimentos cotidianos, saberes e cultura, para que o ensino possa incidir efetivamente no desenvolvimento dos mesmos.
A Matriz Curricular de Ciências Naturais destaca três ideias centrais para o ensino de área (SANTOS 2005, apud SANTOS, FANTIN E CAMPOS, 2016):
HISTÓRIA DA CIÊNCIA
COTIDIANO
EXPERIMENTAÇÃO
SUGESTÕES DE ESTRATÉGIAS PARA O ENSINO DE CIÊNCIAS DA NATUREZA
As oportunidades de trabalho diante das diferentes temáticas são diversas, cabendo ao professor planejar e decidir qual estratégia será mais adequada visando atingir seus objetivos e possibilitar a apropriação do conteúdo por seus alunos.
As sugestões apresentadas não estão separadas por ano, tendo em vista que as realidades escolares são diversas. O professor tem autonomia para analisar quais estratégias serão adequadas aos seus alunos, podendo adaptá-las conforme a necessidade.
Adoção de metodologias diferenciadas de leitura e interpretação de textos relacionados às Ciências Naturais como forma de aprimoramento no processo de alfabetização.
Rodas de conversa, que representam importante atividade para a cognição, nas quais o pensamento e a palavra, intimamente ligados, desenvolvem-se.
Mobilização do processo de alfabetização por meio de acrósticos, caça-palavras, registro de experimentos e outros recursos que trabalhem a escrita das palavras utilizando os conteúdos de Ciências.
Sistematização dos conceitos abordados por meio de textos fatiados, dramatizações, ilustrações, reescritas coletivas tendo o professor como escriba, entre outros.
Trabalho com a ludicidade, utilizando brincadeiras e músicas que estimulem a aprendizagem.
Demonstração prática e concreta dos fenômenos por meio de atividades prática, visitas pedagógicas, aulas de campo, entre outros. Atividades dessa natureza favorecem a observação, pois propiciam oportunidades para que o estudante compare, descreva e diferencie, capacidades estas que são necessárias para que posteriormente possa caracterizar, agrupar e classificar os seres, sistemas, ambientes, substâncias, etc.
Registro/relatório das atividades práticas – problema, observação, pergunta, hipóteses, teste, conclusão - por meio de desenhos, frases, palavras ou textos, de acordo com a turma em questão.
Pesquisas bibliográficas como ponto de partida para o ensino de determinada temática e, com a mediação do professor, construção de texto coletivo contemplando as principais informações pesquisadas (para alunos alfabetizados).
Livros paradidáticos, jogos de tabuleiros, jogos de cartas, moldes em argila ou massa de modelar relacionados aos temas trabalhados.
Estratégias com júri simulado, estudos de casos, entrevistas, palestras, oficinas, documentários, dinâmicas de grupo, quiz, entre outras, podem gerar discussões que oportunizem a construção de argumentos, levantamento de hipóteses, e explicações.
Elaboração de peça teatral sobre o conteúdo abordado na qual os estudantes poderão construir o roteiro e os personagens, culminando na encenação para a comunidade escolar, ou seguir um roteiro já elaborado.
Após a apropriação dos conceitos, os mesmos podem ser socializados por meio de panfletos, cartazes, jornais murais, blogs, entre outros.
Utilização de músicas e poesias que abordem conteúdos científicos.
Grupos de estudo, seminários, oportunidades de troca de experiências e interação entre os pares, adequando ao período de desenvolvimento dos estudantes.
REFERÊNCIA
SANTOS, F. S. S.; FANTIN, F. C. B.; CAMPOS, S. S. P. (coord.). Ciências Naturais. In: MESQUITA, A. M.; FANTIN, F. C. B.; ASBHAR, F. F. S. (org.). Currículo Comum para o Ensino Fundamental Municipal. Bauru: Prefeitura Municipal de Bauru, 2016. p. 425-470.