Maria Gabriela Ferreira Bezerra
Estudante do Curso Integrado de Segurança do Trabalho do IFPE-Campus Caruaru
Data: 3 de dezembro de 2023.
O renomado autor espanhol, Miguel de Cervantes, deixou uma herança literária que transcende as fronteiras do tempo. Sua conhecida e renomada criação, “Dom Quixote de La Mancha”, publicado em 1605, mergulha nas complexidades da mente humana, desafiando as fronteiras do entre a razão e a loucura. O objetivo dessa crítica argumentativa é evidenciar as singularidades desse clássico da literatura ocidental, destacando tanto suas qualidades acrônicas quanto suas complexidades. A narrativa de “Dom Quixote” é uma tapeçaria intocada que interliga a fantasia e a realidade. A história gira em torno de Alonso Quijano, um cavaleiro sonhador que, imerso em suas exageradas leituras de romances de cavalaria, perde a noção do que é real e decide se tornar um cavaleiro andante. Essa atitude marca o início de uma delirante jornada e, ao mesmo tempo, profundamente reflexiva. Uma das características marcantes da obra é a subversão inteligente dos tópicos da época tradicional, enquanto os romances de cavalaria da época idealizavam heróis nobres e suas heróicas jornadas. Cervantes transforma seu protagonista em um peculiar anti-herói. Desafiando a noção de heroísmo ao mostrar um personagem que, em vez de triunfar sobre ameaças reais, luta contra inimigos imaginários.
A caracterização profunda dos personagens é um dos pontos fortes do livro. “Dom Quixote “, com sua mistura única de loucura e idealismo, é uma figura que transcende as páginas e deixa uma marca de firmeza na psique do leitor. Seu fiel escudeiro Sancho Panças, fornece um contraponto humorístico, mas também serve como um espelho para a racionalidade por varias vezes ausente em seu mestre. Essa dinâmica entre os personagens adiciona à narrativa uma dimensão humana, tornando-a envolvente e acessível. O ponto central da crítica à sociedade feudal é um dos aspectos mais marcantes do livro, o autor usa a figura de Dom Quixote para satirizar não apenas o excesso romântico da literatura do século XVI, mas também para lançar uma crítica mordaz às instituições sociais presentes na Espanha nessa época. O errante cavaleiro, em sua busca por honra e justiça, enfrenta por diversas vezes a hipocrisia e corrupção de uma sociedade que, aos olhos de Cervantes, precisa ser reformada e questionada. Entretanto, o clássico não está isento de críticas negativas. Alguns leitores argumentam que a extensão da obra, especialmente nas múltiplas histórias dentro da história, podem tornar a leitura cansativa e tediosa. Sua estrutura, embora inovadora para a época, pode parecer desorganizada para diversos leitores contemporâneos que estão habituados com histórias e contos mais lineares.
Concluindo, “Dom Quixote” é uma obra que ultrapassa as fronteiras temporais, ofertando uma profunda reflexão sobre a sociedade, os limites da sanidade e a condição humana. Cervantes, por meio de sua escrita magistral, cria um mundo onde a razão e a loucura dançam em um lindo balé, desafiando o que o leitor espera e estabelecendo um marco na literatura do mundo inteiro. A riqueza da natureza, a crítica social penetrante e os personagens inesquecíveis consolida a obra “Dom Quixote” como um tesouro da literatura que continua motivando e provocando discussões ao longo dos séculos.