Ginaldo Emanoel da Silva
Estudante do Curso Integrado de Segurança do Trabalho do IFPE-Campus Caruaru
Data: 3 de dezembro de 2023.
A série 3 por cento de Pedro Aguilera (lançada em 26 de novembro de 2016), retrata uma sociedade que vive em um local com a natureza colapsada devido a exploração desenfreada do meio ambiente. Nesse mundo, aos 20 anos os jovens participam de uma seleção denominada "processo", onde apenas três por cento dos jovens "são merecedores"e passam a viver no Maralto (local com muita tecnologia e prosperidade).
A obra aborda temáticas bem importantes para a sociedade contemporânea, como por exemplo, as desigualdades sociais, que são retratadas de forma bem perceptível, onde de um lado temos uma parcela da sociedade vivendo na miséria e de outra temos uma parte usufruindo de uma boa qualidade de vida. Além disso, temos no enredo da obra, pautas ambientais, nas quais, a sociedade chegou aquelas condições de completa miséria, devido a ação desenfreada do homem na natureza. Algumas questões ambientais bem importantes e específicas fazem parte da trama, como o processo de desertificação que é proveniente do constante desmatamento das florestas, além de outros processos de urbanização.
Durante o desenrolar da história, alguns pontos da trama ficam um pouco confusos para quem assiste, devido a mudança de personalidade de alguns personagens, que ao que parece, se adaptam de acordo com o roteiro para sempre culpar os que moram no Maralto, deixando de forma subjetiva a mensagem de que a partir do momento que o jovem ascende ao Maralto, ele "esquece"das suas raízes, não permitindo que o telespectador pense que ele só deseje uma melhor qualidade de vida.
Nessa perspectiva do morador do Maralto de certa forma esquecer do seu passado, vemos ao mesmo tempo de que a trama tenta mostrá-los como os vilões, em uma parte da última temporada, podemos observar um dos chefes do processo e o maior defensor do Maralto, indo até o continente ajudar uma criança órfã. Ele não era o único com essa postura, os fundadores do Maralto, algum tempo depois da criação do processo, tiveram algumas ideias para diminuir as desigualdades e acabaram não tendo muitas chances devido a ação do conselho, que decidiram por manter o casal fundador como uma ideia, apagando a identidade humana dos dois.
Além disso, durante o processo alguns problemas acontecem entre os coordenadores devido a discordância em muitos aspectos da dinâmica da seleção, onde cada um julgava que o processo deveria acontecer de forma mais justa ou "criativa"(no sentido da malandragem), gerando vários problemas devido a discrepância de ideias, como consequência, cada temporada, tem um chefe novo e muitas mudanças no processo.
Ao fim da última temporada, quando alguns revolucionários atacam o Maralto, eles acabam destruindo todo ele, o que foi um completo desperdício de todas as tecnologias que poderiam ter sido utilizadas para contribuir com o renascimento da nova sociedade.
Em relação a filmagem, direção e edição da série, temos que destacar alguns pontos bem importantes que sem dúvidas marcaram a obra, que foi todo o conjunto da produção pós filmagem, os recortes e posicionamento de câmeras são bem trabalhados, sem contar a qualidade da imagem que surpreende muito. É interessante o trabalho dos efeitos visuais que estão presentes na série, em alguns momentos são mostrados alguns detalhes na tela de alguns óculos com algumas tecnologias especiais, além de outros detalhes dos comunicadores e câmeras, dando uma maior imersão a trama.
De forma geral, apesar dos problemas na composição do enredo, a série é muito boa para maratonar em um belo domingo de descanso, misturando um pouco de ação, com pautas extremamente relevantes para a sociedade, além de uma narrativa bem intensa com diversos aspectos similares aos do filme "Jogos Vorazes", que mistura a trama com efeitos visuais icônicos e bem imersivos.