Minicursos

OS MINICURSOS SERÃO REALIZADOS DIA 08/ 11/ 2016 (TERÇA-FEIRA), NA UENP/ CJ

HORÁRIO: 20h às 22h30 LOCAL: salas de aula do CLCA, Bloco II


1) GÊNEROS DISCURSIVOS, VARIAÇÃO LINGUÍSTICA, LEITURA E ENSINO

Profa. Dra. Patrícia Cristina de O. Duarte

Profa. Ma. Vera Maria Ramos Pinto

Profa. Me. Luiz Antonio Xavier Dias

Profa. Dra. Rosiney Aparecida Lopes do Vale

GP Leitura e Ensino (UENP/CJ/CLCA)

Com a publicação dos Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN), em 1998, o ensino da Língua Portuguesa passou por mudança de paradigma. Segundo o documento, o ensino da língua materna deve se apoiar a partir de dois eixos: 1º) uso da linguagem, que consiste na prática de escuta e leitura de textos e na prática de produção de textos orais e escritos; 2º) reflexão sobre a linguagem, que corresponde à prática de análise linguística, contemplando aspectos linguísticos como variação linguística, estrutura dos enunciados, construção da significação e formas de organização do discurso. Sob tal enfoque, os gêneros discursivos passaram a ser compreendidos como orientadores do processo de ensino/aprendizagem da língua materna. Imbuídos da visão arrolada, no grupo de pesquisa Leitura e Ensino, desenvolvemos o projeto Gêneros discursivos e a formação do professor de língua portuguesa e literatura: questões teóricas e metodológicas, por meio do qual propomos este minicurso, que objetiva fomentar reflexões teórico-metodológicas sobre ensino/aprendizagem de língua portuguesa. Dentre as várias vertentes contempladas, neste trabalho, focalizamos a abordagem da variação linguística no contexto escolar, apresentando propostas didáticas para o ensino de leitura, nas salas de aula do Ensino Fundamental II e Ensino Médio, por meio de gêneros discursivos, que fazem parte das práticas sociais dos alunos e trazem, em seus textos, variação e variedades linguísticas.



2) VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E ENSINO: DA TEORIA À PRÁTICA EM SALA DE AULA

Ma. Taciane Marcelle Marques (UEL)

O uso de determinada forma linguística depende de fatores como geográficos, socioeconômicos, faixa etária, sexo e da crença e atitude linguística do falante. Justamente por isso, documentos oficiais como os Parâmetros Curriculares Nacionais (PCN) defendem o tratamento da variação linguística, das variedades estigmatizadas, tanto quanto das variedades de prestígio. Por isso, é necessário observar o tratamento que alguns documentos oficiais dão à variação linguística ou ainda à linguagem em uso. O minicurso tem por objetivo proporcionar reflexões a respeito do trabalho da língua portuguesa nas escolas de Educação Básica, verificando como os manuais didáticos propõem a abordagem da variação linguística. Esse objetivo é ainda subdivido em três objetivos específicos: (i) apresentar o conceito de variação linguística e como esse vem sendo abordado nos manuais didáticos, para o Ensino Fundamental, aprovados pelo Plano Nacional do Livro Didático – PNLD; em seguida (ii) demonstrar atividades que tratam da variação linguística, com base nas atividades elaboradas pelo Projeto de Pesquisa “Variação Linguística na Escola” (VaLE); e (iii) propor estratégias para os participantes do minicurso elaborarem atividades que considerem a consciência sociolinguística, trabalhando em especial com o tema do preconceito linguístico nas escolas.



3) VARIAÇÃO LINGUÍSTICA NO CONTEXTO DO ESPANHOL PENINSULAR E HISPANOAMERICANO

Profa. Thays Regina Ribeiro de Oliveira (MEPLEM/UEL)

No minicurso, abordaremos a diversidade linguística que permeia a língua espanhola na Espanha e em alguns países da América Latina. Em decorrência do fenômeno globalização, cada vez mais se torna necessário o reconhecimento da variação linguística no contexto do Espanhol Peninsular e HispanoAmericano por parte dos falantes/aprendizes, bem como a valorização dessas variantes linguísticas. Como exemplo, temos a palavra “café”, utilizada para nomear um tipo de bebida servida no café da manhã ou, logo após o almoço, na Espanha, entretanto, na Colômbia, o termo é “tinto” ou “marroncito” para a mesma coisa. Outro exemplo clássico, que desperta certo riso no público desconhecedor das variantes é o da palavra “autobús”, que significa ônibus de transporte coletivo na Espanha, enquanto que, na Colômbia, a palavra para isso é “buseta”.



4) INGLÊS COMO LÍNGUA FRANCA (ILF) E OS REGISTROS DA LÍNGUA INGLESA

Profa. Dra. Eva Cristina Francisco (IFSP, campus Avaré)

Profa. Ma. Fernanda de Cássia Miranda (UENP/ CLCA/CJ)

Mariana Helena Delavia e Silva

Wilian Augusto Inês

Diego de Melo Ferreira

Gisleine de Cássia Vieira

Jefferson Augusto Pinto

Nayara da Silva Buriti

Graduandos do curso de Letras/Inglês, integrantes do Projeto de Pesquisa "Análise de materiais didáticos na perspectiva do Inglês como Língua Franca" GP "Ensino-aprendizagem de Língua Estrangeira Moderna e formação de professores" (UENP/ CJ/CLCA)

Pesquisas na área da Linguística Aplicada têm chamado a atenção pelas interações comunicativas da língua inglesa na contemporaneidade, rotulado de Inglês como Língua Franca (ILF), ocorrido em diversos contextos de comunicação (JENKINS, 2009; SEIDLHOFER, 2011; GIMENEZ et al, 2015). Nesse sentido, o minicurso também irá contemplar o idioma inglês nas formas padrão e coloquial. Considerando a perspectiva do Inglês como Língua Franca, a inteligibilidade também deve ser estabelecida na prática de comunicação formal ou não. Nessa parte do minicurso, intentamos mostrar que a língua inglesa, assim como todos os outros idiomas, é provida das mais diversas variantes. A formalidade e a informalidade da língua inglesa são diferentes formas de comunicar um mesmo enunciado, devendo ser utilizadas em seus respectivos e adequados contextos. 



5) VARIAÇÃO LINGUÍSTICA E PRODUÇÃO DE SENTIDOS: AS FUNÇÕES DA LINGUAGEM POLITICAMENTE CORRETA

Me. Reinaldo César Zanardi

(Jornalista, mestre em Comunicação e doutorando em Estudos da Linguagem pela UEL/ Bolsista Capes)

O comportamento que defende uma postura de respeito nas relações sociais e uma atitude política – individual ou coletiva – para reduzir o preconceito seja de raça, de classe, de gênero, entre outros, recebeu o nome de politicamente correto. A linguagem que materializa a ideologia torna-se, assim, um campo privilegiado para o movimento que “determina” a substituição de palavras consideradas pejorativas por outras, tidas como neutras ou positivas. Neste sentido, a linguagem politicamente correta (LPC) constitui-se um objeto de estudo rico para os diversos ramos da linguística, porque pode ser estudada, segundo diferentes teorias e métodos. O objetivo deste minicurso é refletir sobre a linguagem politicamente correta na perspectiva da variação linguística. Quais as variantes consideradas estigmatizadas ou de prestígio que compõem a LPC? O recorte deste trabalho faz-se no campo semântico de três segmentos sociais: negro, homossexual e pessoa com deficiência. A linguagem é viva, dinâmica e as palavras assumem significados diferentes conforme sua época. A substituição de termos considerados pejorativos por outros mais amenos pode não eliminar nem reduzir o preconceito contra segmentos estigmatizados, mas a manutenção desses termos, por sua vez, também pode sustentar o preconceito, contribuindo para que os segmentos continuem estigmatizados.



6) LEXICOGRAFIA, VARIAÇÃO E ENSINO

Prof. Dr. Fernando Moreno da Silva (UENP/CJ/CLCA)

Nesse minicurso será dada uma introdução à lexicografia, discutindo estrutura e tipos de dicionários; também será abordada a maneira como essas obras lexicográficas tratam os lexemas, mostrando que é um equívoco pensar que as obras são iguais: variação de registro. Além disso, por meio da lexicografia pedagógica, pretende-se apresentar o papel do dicionário como instrumento de ensino-aprendizagem da língua." 




7) POLISSEMIA E GÍRIA NA LINGUAGEM DRAMATÚRGICA BRASILEIRA

Prof. Me. José Francisco Quaresma Soares da Silva

(IFPR -Campus Jacarezinho)

Impactantes, imorais e escandalosos foram alguns dos adjetivos atribuídos à linguagem posta nos diálogos das personagens de A falecida, de Nelson Rodrigues e Dois perdidos numa noite suja, de Plínio Marcos, por ocasião de suas estreias, respectivamente, nos anos 1950 e 1960. Destacamos que muitos estudiosos do teatro brasileiro estabelecem uma linha descendente entre a obra de Marcos em relação a Rodrigues. Por conta de muitos fatores, o próprio Plínio Marcos irá defender, em vários momentos, a posição pioneira de Nelson Rodrigues como o principal renovador da linguagem teatral, visto que, o ano de 1953 e a encenação de A falecida marcam na dramaturgia brasileira a introdução do diálogo rápido, a língua da rua, a gíria e o tempero nacional naquilo que Sábato Magaldi (1997) chamou de ausência de artificialismo e a legitimação da linguagem corrente. No minicurso serão abordados os aspectos pertinentes à linguagem na obra de ambos os autores e como estes elementos ampliam os sentidos do texto.



8) LEITURA DE NARRATIVAS CONTEMPORÂNEAS DO INSÓLITO

Profª Drª Nerynei Meira Carneiro Bellini

GP Leitura e Ensino/GP: Ensino-aprendizagem de língua estrangeira moderna e formação do professor (UENP/CJ/CLCA)

Ana Flávia Salvi

Danilo Santos Ferreira

Felipe da Silva Mendonça

Júnior César dos Santos

Lúcia Regina Calegari Batista

Natália Mendes dos Santos

Tiago Alves Santos

Vânia Ribeiro

Alunos participantes do GP: Leitura e Ensino e do GP: Ensino-aprendizagem de língua estrangeira moderna e formação do professor (UENP/CJ/CLCA)


A literatura do insólito contempla narrativas cujas tramas articulam-se na intenção de suscitarem significados implícitos nas entrelinhas do texto. Remo Ceserani (2006) afirma que o fantástico conta uma história com objetivo de contar outras. As especificidades da composição literária do sobrenatural são possíveis devido ao trabalho singular com a linguagem e os recursos estéticos empreendidos os quais geram ambivalências, elipses, hipérboles, metáforas, dentre outras figuras. Como bem apontou Irène Bessière (1990), o fantástico é criado por meio da linguagem e somente se sustenta por ela. A partir dessas premissas, este minicurso tem o objetivo de perscrutar, por meio de análise de enunciados linguísticos, o modo de articulação dos procedimentos textuais, a fim de instaurar e manter o insólito com verossimilhança narrativa. Para tanto, serão analisados segmentos do livro Ouro, fogo e megabytes (2012), do escritor paulista Felipe Castilho (1985), que revelem as variações da linguagem no processo singular da feitura de um romance contemporâneo brasileiro, que privilegia e engendra o sobrenatural atrelado à representação do mundo empírico.