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SNCF

A Winsome Games já nos habituou à sua forma de estar e de ser. Por um lado, jogos competentes e com originalidade. Por outro, talvez mais importante até para alguns jogadores, jogos muito mal acabados em termos de gráficos e material. Confesso que, como muitos, também sou de modas e, se o aspecto gráfico me afastou do set da Winsome de Essen 2009, já o deste ano não deixei de comprar. Continuo a preferir jogos bonitos a feios, jogos de 2 horas aos de 5 mas, fases são fases e esta é de relaxar um bocadinho perante maus componentes e ser mais tolerante em termos de tempos de jogo absurdos, também.
A minha desculpa, portanto, para ter comprado o Essen set 2010 da Winsome é esta. Já está admitido. Mas vamos ao jogo.

Para quem não sabe os SNCF são os caminhos de ferro de França. A CP dos gauleses. Eu confesso que estaria disposto a ver um jogo sobre França com uma outra panache na apresentação, um bocadinho mais trabalhada e com uns tititis e tototós mais evidentes e rebuscados mas, a verdade é que é um jogo da Winsome e, apesar de alguns (inúmeros) pedidos para começarem a ter um bocadinho (só mesmo um bocadinho) mais de cuidado com as suas apresentações eu, no fundo no fundo, sabia que vinha lá o sabão azul dos geles de banho. Um jogo de aspecto rude e espartano mas muito eficaz, sem dúvida. Limpa bem, mesmo bem, mas não deixa cheirinho bom nem hidrata coisa nenhuma. Metro-sexualidades à parte, mesmo num contexto francês, com a pele em chaga, pegámos no jogo e lemos a folha A4 de regras a preto e branco. A Winsome é também famosa por ter as regras mais minimalistas do mundo. Eles conseguem esconder do leitor coisas que todos perguntam no final só porque as acham demasiado óbvias para meter no papel. Estas até são bem boas. Aliás, depois de já ter dado uma espreitadela aos outros jogos do set deste ano, reparei que houve um esforço para deixar menos ambiguidades, apesar de tudo.

Entusiasmadíssimo com a qualidade das regras e com a seriedade do papel lá fomos para o jogo. Todas as companhias (seis) começam com um cubo em Paris e é daí quue se estendem. Duas acções possíveis: estender companhia (meter cubos) ou vender e comprar acções (signifca entregar um cubo de uma companhia e tirar um ou dois cubos de outra diferente). As companhias vão avançando no terreno e chegando a cidades de valores diferentes, valorizando-se. No final, atrás de cada screener de cada jogador estão escondidos os cubos que cada um tem. Basta contar quanto vale cada companhia no final e multiplicar o número de cubos que cada um detém. Simples. Tão simples que já tinha jogado um jogo de SNCF antes do leitor acabar de ler isto.

A impressão que ficou foi a de um jogo muito interessante para começar qualquer coisa. Estranho o meu sentimento misto de interesse pela simplicidade/dificuldade da decisão e o términus repentino e frustrante, algo abrupto. A decisão de terminar o jogo parte dos jogadores e parece ser mesmo a mais importante a ter durante a partida. Ainda à espera de um re-match para analisar as possíveis tácticas e a leitura que se pode retirar do que os outros jogadores vão fazer.

Gostei. De uma forma simples mas eficaz, como o sabão azul, consegui tirar algum mérito a este joguinho de comboios em França que tem tudo para ser o próximo avanço da Queen na linha clássica de parcerias Winsome/Queen Games. Acho que este é um jogo que vai juntar muitos adeptos rapidamente.
Eu fiquei adepto. Nada ferrenho nem muito entusiasmado com o jogo mas aberto à tendência Outono Inverno das modas francesas...

Nota: 7

Outras opiniões: Carlos 6; Sentieiro 5;

soledade@spielportugal.org

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