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7 Wonders

 

"7 Wonders" nunca será um Jogo do Ano... mas é um grande jogo ainda assim!

Falamos de um "light civ" à base de cartas em que o objectivo de cada jogador será potenciar ao máximo as suas escolhas de cartas de modo a ter uma pontuação maior que os adversários no fim do jogo. O jogo desenvolve-se ao longo de 3 eras e em cada uma delas o jogador, em princípio, jogará 6 cartas. Seis vezes três dezoito. Em 18 turnos teremos que pontuar mais que os adversários. As cartas são variadas e têm custos variados. No fim de cada era os jogadores entram em guerra com os seus vizinhos, que são os jogadores imediatamente à sua esquerda e à sua direita, comparam o seu poder militar e recebem fichas de pontos de acordo com o resultado. Uma derrota militar equivale sempre a receber uma ficha de -1 ponto e uma vitória poderá equivaler a 1, 3 ou 5 pontos dependendo se estamos na era I, II ou III.

O mecanismo de jogo é simples e reminiscente de jogos como "Fairy Tale" ou "Notre Dame". No início de cada era todos os jogadores recebem 7 cartas. Dessas 7 cartas escolhem 1 e passam as restantes 6 ao jogador à sua esquerda. Depois de todos escolherem uma carta ela é executada por todos em simultâneo. Nesta fase do jogo existem 3 opções:

a) o jogador "constrói" o edifício da carta que escolheu pagando os recursos necessários;
b) o jogador descarta a carta que escolheu, sem ninguém ver qual é, e recebe 3 moedas em troca;
c) ou então o jogador utiliza a carta que escolheu como marcador para indicar que procedeu à construção de uma etapa da sua Maravilha.

Depois todos pegam no monte de cartas que receberam do vizinho da direita e que agora só tem 6 cartas e voltam a escolher mais uma carta, passando as restantes para a esquerda. E assim se repete este ciclo até só haver duas cartas em cada mão. Nessa altura os jogadores escolhem uma última carta para utilizar e a que sobra é descartada. Após esta última acção, temos a batalha militar e termina a era. Se fôr a terceira era, termina o jogo.



É tudo muito simples e intuitivo. Existem cartas castanhas e cinzentas que dizem respeito à produção de recursos ou bens manufacturados. Cartas vermelhas que aumentam o poder militar que cada um. Cartas verdes, que representam conhecimento científico e que pontuam no fim do jogo. Cartas azuis que representam estruturas civis e que dão pontos de vitória. Existem cartas amarelas que podem oferecer vantagens comerciais aos seus detentores ou permitir opções de pontuação extra no fim do jogo. Finalmente existem as cartas roxas ou "guilds" que permitem aos jogadores ter pontuações adicionais no fim do jogo de acordo com determinados critérios.

O primeiro, e quem sabe segundo jogo de "7 Wonders", serão mais lentos de forma a que todos se adaptem às mecânicas e aos símbolos, mas a partir daí é sempre a aviar. Quer jogues com 2 ou com 7 jogadores, uma partida completa de 7 Wonders rondará sempre entre os 30 e os 40 minutos.


Os componentes são todos de boa qualidade, com excepção feita para as cartas que após algumas partidas começam a revelar sinais de desgaste visíveis. A arte é fabulosa e tem a assinatura do já nosso conhecido Miguel Coimbra.

Em suma, em "7 Wonders" o objectivo é fazer crescer uma determinada civilização, tentar construir a respectiva maravilha e pontuar o máximo por tudo isto. Simples. A quantidade de cartas e a possibilidade de jogar com 2 até 7 pessoas fazem deste jogo um aliado poderoso em qualquer colecção. Se adicionarmos a isto o facto do jogo durar entre 30 a 40 minutos, mais interessante se torna este jogo. Se em cima de tudo isto tivermos em conta de que se trata de um jogo com imensos caminhos para a vitória e suficientemente desafiante para apelar quer jogadores ocasionais, quer a "gamers" convictos, então temos a certeza de que esta é uma aquisição obrigatória em qualquer ludoteca. Neste campo, "7 Wonders" é já o meu "filler" favorito.

Não tendo nenhum mecanismo verdadeiramente inovador ou original, Bauza cruzou várias influências e criou um título bem conseguido e que funciona perfeitamente. É divertido e não cansa facilmente, porque deixa aquela vontade de querermos fazer melhor na próxima vez.

Nota: 8.5

Outras opiniões: Inácio 7; Sentieiro 6; Soledade 6

Agradecimentos pelas imagens a: A Traveler; Jesus A. Perez; Henk Rolleman e Steven Metzger

costa@spielportugal.org

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