Notícias


Sambaquienses

postado em 24 de out de 2012 05:21 por Hugo Mirako

Agência FAPESP – Chamados muitas vezes de meras “comedoras de moluscos”, as sociedades sambaquienses que habitaram o litoral brasileiro durante um período entre 2 mil e 7 mil anos mantiveram hábitos e culturas elaboradas, de acordo com uma pesquisa coordenada pelo professor Paulo Antônio Dantas de Blasis, do Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo (MAE-USP).

As informações foram levantadas durante o Projeto Temático “Sambaquis e paisagem: modelando a inter-relação entre processos formativos culturais e naturais no litoral sul de Santa Catarina”, apoiado pela FAPESP.

Desde 2005, os pesquisadores coletam informações de sítios arqueológicos catarinenses sobre as sociedades que construíam os morros conhecidos como sambaquis, palavra que significa “monte de conchas” em tupi-guarani.

Essas comunidades ocupavam uma ampla faixa do litoral brasileiro que vai da região Sul até o Nordeste e desapareceram há cerca de mil anos. Os primeiros colonos europeus que chegaram ao Brasil ficaram intrigados com essas construções litorâneas, segundo Blasis. “Mas, até hoje, sabemos muito pouco sobre a finalidade dos sambaquis”, disse.

Entre suas funções principais estava a funerária. Covas rasas eram feitas na areia para depositar os mortos. O material encontrado pelo estudo evidencia grandes festas funerárias que reuniam várias comunidades sambaquianas. Os restos de comida eram depositados sobre os corpos que depois ficavam sob conchas.

Esses túmulos em forma de pequenos montes eram construídos lado a lado, recebiam mais corpos em novas camadas e, por fim, eram agrupados em um único monte. Com o passar do tempo, o cálcio se espalhava por toda a estrutura, petrificando-a.

O ritual funerário aponta para uma sociedade mais sofisticada do que se estimava anteriormente. “A maneira de tratar os mortos é bem característica de cada cultura”, disse Blasis, que também destacou outros aspectos encontrados que apresentam um maior aprimoramento daquelas sociedades.

Um deles é o sedentarismo. Diferentemente do que se estimava, os sambaquianos não eram nômades, mas estabeleciam comunidades fixas, o que exigia um maior grau de organização.

Seus membros também eram mais numerosos do que se pensava. Estima-se que havia milhares pela costa brasileira e os grupos interagiam entre eles, como indicam os rituais funerários que eram partilhados por mais pessoas do que caberia em uma única comunidade.

Essa característica levantou a hipótese de haver uma outra função para os sambaquis, a de funcionar como um marcador territorial, servindo de aviso a forasteiros de que o local pertencia a um determinado grupo.

Para levantar esses dados, os pesquisadores do Projeto Temático executaram escavações minuciosas, além de lançar mão de recursos tecnológicos como radares de superfície e instrumentos de datação de objetos com o método de carbono 14 e da luminescência opticamente estimulada.

Túmulos empilhados


Uma das principais conquistas do Temático, segundo Blasis, foi a realização de mais de cem datações, o que permitiu detalhar o mapa do desenvolvimento das sociedades sambaquianas e a construção de uma “supercronologia regional”.

Internet livre e verde! Não ao azeredo,sopa, pipa, acta, vereadores de pau...

postado em 11 de ago de 2012 08:40 por Hugo Mirako

Ateh onde vai o limite de uma pessoa a retirar sua liberdade, somos livres... atenção...
Eles querem privatzar a praia e o vereador ficou ofendido...


Da Redação IDGNow
11/08/2012 - 00h34 - Atualizada em 11/08/2012 - 00h48

A ordem judicial é uma punição por a rede não ter retirado uma página com críticas a um candidato a vereador, informa o jornal Folha de S. Paulo

O juiz eleitoral Luiz Siegert Schuchde, de Florianópolis (SC), expediu uma decisão de enorme impacto: a suspensão por 24h do Facebook no Brasil. A ordem judicial é uma punição por a rede não ter retirado uma página com críticas a um candidato a vereador, informa o jornal Folha de S. Paulo.

A decisão também impõe multa de 50 mil reais em caso de descumprimento.

De acordo com a reportagem, o vereador Dalmo Meneses (PP), candidato à reeleição, pediu à Justiça a retirada da página "Reage Praia Mole", que critica um projeto turístico na capital catarinense.

Segundo a Justiça Eleitoral, a ordem foi desobedecida. Nesta quinta-feira (9), em nova decisão, Schuch mandou suspender a rede no País. O Facebook poderia exibir apenas um aviso informando estar "inoperante por descumprimento da lei eleitoral".

O Facebook disse à "Folha" que "está em contato com a Justiça Eleitoral a respeito deste assunto e que tem procedimentos implementados para lidar com questões relacionadas com propaganda eleitoral".




Java para Ubuntu 11.10 - Site do Banco do Brasil no Mozilla

postado em 16 de jan de 2012 16:55 por Mirako o Verde


Executo algumas aplicações pelo java browser e estava fazendo uns testes com o binário do java, pelo menos aqui funcionou.
Fiz o seguinte:

baixei o binário em:
http://www.java.com/pt_BR/download/linux_manual.jsp?locale=pt_BR

movam o arquivo para a pasta /opt
mv jre-6u30-linux-i586.bin /opt/

vá para a pasta:
cd /opt

Dê permissão de execução:
chmod+x jre-6u30-linux-i586.bin


execute o arquivo:
./jre-6u30-linux-i586.bin

Veja se ele está direcionando para algum arquivo em:
echo $JAVA_HOME

Caso não:
Agora é o x da questão, vá em /etc/bash.bashrc e adicione o java para o SJAVA_HOME:
Antes faça o backup do arquivo
cp /etc/bash.bashrc /etc/bash.bashrc_backup

Depois abra o arquivo e adicione vim /etc/bash.bashrc
e adicione ao final

JAVA_HOME=/opt/jre1.6.0_30/bin/java
export JAVA_HOME

Agora faça um teste para ver se aparece a versão do java
java -version

Agora é a vez do browser
É simples direcione o libnpjp2.so para o diretório do mozilla no home de seu usuário:

Criar antes o diretorio plugins na pasta .mozilla caso não exista, e adicionar o link para libnpjp2.so

para 64bits que é o meu caso
ln -s /opt/jre1.6.0_30/lib/amd64/libnpjp2.so /home/Mirako/.mozilla/plugins/

para 32 bits provavelmente só alterar o amd64 por I386
n -s /opt/jre1.6.0_30/lib/i386/libnpjp2.so /home/Mirako/.mozilla/plugins/


Humanos já fabricavam "colchões" de ervas há 77 mil anos, sou livre para cultivar a erva que quero debaixo do meu colchão?

postado em 11 de dez de 2011 05:53 por Mirako o Verde

Os humanos primitivos da África do Sul já fabricavam colchões à base de erva e plantas medicinais há 77 mil anos, 50 mil anos antes do que se achava, segundo um estudo realizado por uma equipe internacional de cientistas divulgado nesta quinta-feira.

Os restos vegetais foram descobertos nas escavações da caverna de Sibudu, na província de KwaZulu -Natal, pela equipe comandada pelo professor Lyn Wadley, da Universidade de Witwatersrand (Johanesburgo).

Segundo os pesquisadores, são aproximadamente 50 mil anos mais antigos que outros exemplos conhecidos, por isso, coincidem com outros comportamentos que introduziu o homem moderno em sua vida cotidiana, como o uso de conchas e tecnologia de pedra.

Os especialistas destacam que modificar o espaço vital do habitat, incluindo o ambiente do dormitório, é um aspecto importante do comportamento e da cultura humana. Por isso, estes achados apresentam informações que eles consideram "fascinantes" sobre os primeiros humanos modernos no sul da África.

O professor Wadley e sua equipe encontraram em 1998 durante as escavações na jazida um material com pelo menos 15 camadas diferentes que continham restos vegetais.

Os cientistas confirmaram que se tratava de camadas compactadas de erva e de outras plantas que poderiam ter servido aos primitivos para se protegerem de mosquitos e outros insetos.

Vários dos restos de plantas fossilizadas encontradas foram identificados como pertencentes ao gênero "Cryptocarya", da mesma família dos louros.

Membro da equipe científica, a botânica Marion Bamford, da Universidade de Witwatersrand, identificou restos da "Cryptocarya woodii", cujas folhas trituradas emitem rastros de químicos que têm propriedades repulsivas aos insetos.

"A seleção dessas folhas para a fabricação do colchão indica que os primeiros habitantes de Sibudu tiveram um bom conhecimento das plantas que rodeavam sua caverna e seu uso medicinal", explica Wadley.

Os pesquisadores acreditam que os habitantes da caverna colheram as sementes e plantas ao redor do rio Tongati e usavam as plantas não só para dormir, mas também para trabalhar sobre elas.

Uma análise microscópica revelou ainda que há cerca de 73 mil anos eles começaram a queimar as camas periodicamente, "provavelmente como uma forma de se desfazer de pragas", destaca outro dos pesquisadores, Christopher Miller, professor de Geoarqueologia da Universidade de Tubingen (Alemanha).

O estudo será publicado na edição desta sexta-feira da revista "Science".

Colesterol em excesso aumenta o risco de ataque cardíaco

postado em 5 de jun de 2010 10:53 por Hugo Mirako

É senso comum que o colesterol em excesso aumenta o risco de ataque cardíaco. Também não é segredo que o colesterol pode levar à aterosclerose, doença em que se formam placas dentro dos vasos sanguíneos, comprometendo a passagem do sangue. Mas o que ainda é debatido é o motivo. Afinal, porque o colesterol prejudica a circulação?

De acordo com um estudo recente de cientistas alemães, a causa está nos cristais de colesterol. A pesquisa, divulgada no final de abril, explica o funcionamento: quando há excesso de colesterol na alimentação, parte dos cristais se fixa nas paredes dos vasos sanguíneos rapidamente.

Quando isso acontece, o sistema imunológico é ativado, com a migração de células defensivas para os locais onde o colesterol se deposita. Com o acúmulo proveniente de uma nutrição equivocada, mais e mais colesterol vai se acumulando nos vasos, e com isso, mais células são chamadas. Essa “batalha”, que acontece junto à parede da artéria, acaba por desestabilizá-la, e o desfecho disso é geralmente fatal.

A reação do sistema imunológico, às vezes, pode ser forte demais, o suficiente para prejudicar também o tecido em que se encontra o problema.

Em um sistema semelhante ao ataque a cristais de colesterol, doenças pulmonares podem ser agravadas no momento em que o corpo se defende. Em uma delas, o “pulmão negro”, o sistema imunológico combate cristais de silício e amianto que são inalados, naturalmente por trabalhadores de minas. Uma reação inflamatória é causada nesta situação.

Também são cristais de substâncias os culpados pela contração de gota. Neste caso, porém, não se trata de cristais de colesterol, e sim de ácido úrico, que é resultante da digestão. A gota acontece quando os cristais úricos se depositam nos tecidos e articulações, provocando inflamações doloridas. A causa, no entanto, é geralmente a mesma:

uma dieta pouco saudável.

Os estudos ainda estão em andamento. Alguns remédios já são utilizados em terapias, para reduzir os riscos de ataque cardíaco ou derrame a partir de ajustes na síntese do colesterol por parte do organismo.

Mas ainda há muito que fazer. Segundo levantamento da Organização Mundial da Saúde, 17 milhões de pessoas por ano morrem por conta de doenças cardiovasculares, o que representa um quarto dos óbitos no planeta

Bicicleta para melhorar a saúde econômica do país e a nossa qualidade de vida

postado em 5 de jun de 2010 10:52 por Hugo Mirako   [ 28 de ago de 2010 06:35 atualizado‎(s)‎ ]

Segundo um estudo da Associação de Saúde Pública dos Estados Unidos (APHA), citado pela revista Grist , a cada ano são gastos 142 bilhões de dólares em honorários médicos e perdas salariais por enfermidade com pessoas com problemas de obesidade; cerca de 80 bilhões de dólares em honorários médicos e mortes prematuras ligadas à poluição do ar causada pelo tráfego, e cerca de 180 bilhões de dólares em diversas categorias por acidentes automobilísticos.

É um ângulo de reflexão interessante, já que estes fatores não costumam ser levados em conta na tomada de decisões ligadas às políticas de transporte. Mas segundo a APHA, esta situação não pode se estender por muito mais tempo: "Estes custos de saúde ‘escondidos’ estão se acumulando de tal forma que já não podem ser ignorados. Se não forem levados em conta, continuarão crescendo e afetando a saúde econômica do país e a nossa qualidade de vida”, ressalta a associação.

O estudo da APHA não cita as consequências indiretas, como o estresse, o impacto sobre a saúde mental e sobre a sociabilidade. Ainda assim, os resultados são impactantes.

Afinal, os custos indiretos sobre os sistemas de saúde são mais uma razão para deixar o carro em casa e usar a bicicleta.

Quando se discute sobre como melhorar o transporte para criar um futuro sustentável, existem duas abordagens: aqueles que acham que não é necessário mudar os hábitos de uso dos automóveis, mas torná-los menos poluidores (ou até com emissão zero de carbono); e os que defendem que as cidades tenham menos carros e mais espaços para a convivência humana. 

Mas qual destas alternativas aponta realmente para a sustentabilidade? 

Um artigo recente da Grist menciona alguns pontos interessantes em torno desta questão. 
Um dos mais importantes está relacionado ao uso da terra: o problema da dependência dos carros não reside apenas na poluição que geram, mas no desenvolvimento urbano que promovem.  
Para que as pessoas continuem dirigindo na frequência atual, é preciso disponibilizar mais espaços viários e mais estacionamentos, o que inevitavelmente reduz os locais para o desenvolvimento de espaços públicos.
 
Segundo o artigo, os fabricantes de automóveis asseguram que as pessoas desejam ter mais carros, modelos maiores e mais potentes.

Mas é provável que isso não seja verdade. 

Muitas pessoas não querem mudar seu estilo de vida e preferem continuar dirigindo seus carros. No entanto, o corpo e a mente pedem o contrário. 

Apesar de haver poucos estudos sobre o impacto dos engarrafamentos sobre a saúde e a disposição da população, recentemente foi comprovado que o contato diário com espaços verdes é positivo para o humor e o bem-estar mental. 

Gasolina será que estamos seguros?

O poço no Golfo do México despejou, em mais de um mês, de 71 a 147 milhões de litros de petróleo no mar, uma matéria da MSNBC de 1979 recorda que a história, infelizmente, se repete.

"As companhias petrolíferas sempre falam em como são avançadas tecnologicamente, mas só progrediram na tecnologia de perfurar em profundidades maiores. Elas não se tornaram mais avançadas no manejo dos riscos envolvidos, nem em como deter um derramamento como este".



Esta na hora de trocar nossos carros por bicicletas!

Coma bactérias para aumentar a potência do cérebro

postado em 5 de jun de 2010 10:17 por Hugo Mirako

Um experimento com ratos mostrou que aqueles que comiam manteiga de amendoim com uma bactéria inofensiva encontrada no solo tinham mais facilidade para encontrar a saída de um labirinto (comparados com aqueles que comiam manteiga de amendoim “pura”).

Além disso, os ratinhos que comeram “sujeira” também corriam mais rápido do que os outros. O efeito durou quatro semanas depois da ingestão da manteiga de amendoim “batizada”.

Especialistas acreditam que isso foi causado pelo efeito que a bactéria causaria no sistema imunológico. Quando a bactéria entra no organismo, as defesas do corpo são ativadas e também os neurônios no hipocampo, que é responsável pela memória espacial (logo, o melhor desempenho dos ratinhos no labirinto).

Em um teste clássico de capacidade de aprendizagem, deram a ratos uma surpresa - pão branco com manteiga de amendoim - como uma recompensa para incentivá-los a aprender a percorrer um labirinto. 

Quando se iniciou o tratamento com um pouquinho de vaccae Mycobacterium, descobriu-se que os ratos correram pelo labirinto duas vezes mais rápido que os ratos que receberam a manteiga de amendoim pura. Isto sugere que eles aprenderam a navegar o labirinto mais rápido.

Além disso, os camundongos que receberam a bactéria continua a executar o labirinto mais rápido do que aqueles sem ela por mais de 18 ensaios nas próximas seis semanas, mostrando mais alerta por uma mudança surpresa em seu caminho.  Esse efeito durou quatro semanas após o último pedaço de manteiga de amendoim medicado aos ratos.

Por que as pessoas mudam quando ficam doentes, o sistema imunológico eh ativado muitas vezes as pessoas tornam-se deprimidas e lenta, o que poderia ser uma adaptação que acelera a recuperação.
A equipe descobriu que os ratos exposto às bactérias ativavam o sistema imunológico, aglomerados de neurônios ativados em seu tronco cerebral chamada núcleo dorsal da rafe . Esses neurônios se conectam ao prosencéfalo e outras estruturas do cérebro que regulam o humor e o comportamento.

As bactérias podem acelerar a aprendizagem, pois os núcleos rafe estimulam uma região do cérebro chamada hipocampo, que controla a memória espacial.

Mas as bactérias também mudou o humor dos ratos mostrando um comportamento menor de ansiedade, tais como a preparação e pesquisa, talvez análogo ao comportamento mais calmo do sistema imunológico.

Isto é provável que tenha sido causado por alterações das funções mentais superiores do prosencéfalo, que talvez lhes permitiu concentrar melhor no labirinto.

A exposição às bactérias do solo podem afetar o cérebro humano também.
"Isso mostra que nós evoluímos com a sujeira como caçadores-coletores"

Então, desligue a TV e vá arrumar o seu jardim ou dar um passeio na floresta.

Santo Daime/Ayahuasca:Caso Glauco

postado em 21 de mar de 2010 10:29 por Hugo Mirako

A morte do cartunista Glauco Vil­­las Boas, na madrugada do dia 12 de marco, co­­locou em destaque a religião daimista e o chá ayahuasca.

A antropóloga Beatriz Labate, pesquisadora do Instituto de Psicologia Médica da Universidade de Heildelberg, na Alemanha, que estuda o assunto há 14 anos e tem sete livros publicados sobre drogas em geral, lembra que os grupos que usam o chá têm uma visão responsável sobre o uso, por isso escolhem a dose em função de diversos elementos, como idade, peso, sexo, há quanto tempo frequenta a igreja e como está a saúde psicológica da pessoa.
“Existe um critério de seleção, um conhecimento empírico acumulado que tem valor. O sucesso e as conquistas são infinitamente maiores que os possíveis problemas”, afirma. Para ela, é preciso haver mais pesquisas que avaliem melhor os riscos e benefícios. “Sempre se parte de um pressuposto negativo, de que as drogas fazem mal. Caso não se prove que fazem mal, se assume que fazem. Isto deveria ser invertido: primeiro se prova e, se forem ruins, de­­pois se proíbe.”

Joaquim Caiado, como profissional da saúde mental, garante que o Daime não é recomendado para pessoas intoxicadas por outras substâncias como o álcool e as drogas ilícitas.
"Nestas pessoas, o chá pode provocar uma reação adversa no organismo. O Daime é uma substância pura, um depurador, e deve ser tomado por alguém , pelo menos, 'limpo'", informa o psicólogo. Além disso, ele afirma que a ayahuasca, como infusão psicoativa, também, não é indicada para indivíduos em crise psicótica. Ele recomenda que a pessoa busque a medicina tradicional para se tratar e quando estiver recuperada poderá participar do ritual do Santo Daime.

A Pesquisa pioneira da USP-RP testa há quase dois anos a Ayahuasca - poção utilizada no Santo Daime.
Duas mulheres, com problemas crônicos de depressão e que não respondiam bem ao tratamento convencional, foram os primeiros pacientes voluntários desse estudo pioneiro em todo o mundo. Sobre ele, disse textualmente o coordenador Jaime Eduardo Cecílio Hallak, do departamento de Neurociências e Ciências do Comportamento, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, da USP:

"Depois desse estudo com oito voluntários, vamos propor ao comitê de ética a ampliação até 60 pacientes. Os resultados com os dois primeiros casos foram fabulosos". O professor contou que as pacientes chegaram tristes, deprimidas, sem iniciativa, desanimadas, sem apetite e com insônia."Demos a ayahuasca e elas ficaram em observação no hospital durante três dias, por questão de segurança".


O pesquisador contou ainda que depois de tomarem a ayahuasca, as pacientes tiveram visões semelhantes às relatadas pelos usuários do Santo Daime. E também sensações e pensamentos de bem-estar. Essas visões e sensações duraram de 40 minutos a uma hora. E logo depois veio a boa surpresa."Aí fica o que chamo de efeito fabuloso: as pacientes não estavam mais tristes, nem deprimidas. De imediato, as duas senhoras, alegres, disseram que passaram a encarar a vida com novo ânimo".


A Mãe-Terra faz sua parte.

postado em 8 de mar de 2010 15:35 por Hugo Mirako

As florestas no hemisfério norte estão crescendo a um ritmo mais rápido do que há 225 anos e o fenômeno pode estar ligado ao aquecimento global, diz um estudo realizado nos Estados Unidos.

Durante 22 anos, o ecologista Geoffrey Parker, do Centro de Pesquisa Ambiental do Instituto Smithsonian, em Maryland, acompanhou o crescimento no volume de árvores em 55 bolsões de florestas mistas e em diferentes estados de desenvolvimento.

Ele constatou que, em média, as florestas registravam um crescimento médio de duas toneladas adicionais por acre (0,4 hectare) anualmente, o equivalente ao volume de uma árvore nova de 0,5 metro de diâmetro nascendo a cada ano.

Usando técnicas que permitem a comparação de trechos de florestas do mesmo tipo em diferentes estágios de desenvolvimento, a pesquisa pode mapear o crescimento de árvores de idades de cinco a 225 anos.

Com isso, Parker e o co-autor do estudo, Sean McMahon, do Instituto de Pesquisas Tropicais do Smithsonian, puderam determinar que o crescimento acelerado é um fenômeno recente. Se as árvores todas tivessem crescido no ritmo desses últimos 22 anos, as florestas seriam bem maiores.

Parker e McMahon disseram que o principal responsável pelo fenômeno seriam efeitos ligados às mudanças climáticas, em particular, o aumento dos níveis de gás carbônico na atmosfera e ciclos mais longos de crescimento das plantas.

Nos últimos 22 anos, os níveis de gás carbônico na região subiram 12% e a estação de crescimento das árvores é agora quase oito dias mais longa. Com isso, as árvores têm hoje mais tempo e mais gás carbônico para "ganhar peso", como definem os cientistas.

Os especialistas disseram não saber ao certo as implicações que este aumento nas florestas poderia ter sobre o meio ambiente. Sabe-se que pequenas mudanças nos padrões de desenvolvimento das árvores podem ter consequências sobre ciclos de nutrientes, biodiversidade e clima.

As florestas e os seus solos armazenam a maior parte do estoque terrestre de gás carbônico. Por isso, a própria taxa de crescimento da floresta pode alterar os padrões do clima e do próprio processo de mudança climática.

Os pesquisadores americanos esperam que cientistas em outras partes do mundo também monitorem suas florestas para determinar quão difundido é o fenômeno. Como os ecossistemas vão responder às mudanças climáticas é uma das maiores incertezas enfrentadas hoje nesta área pelos cientistas.


Equilibrio eh o caminho.

O Daime, Caetano e Gil

postado em 7 de mar de 2010 02:04 por Hugo Mirako


Juarez Duarte Bomfim - L.E. Pomar Visual Blog

O jornalista Carlos Marques, atualmente consultor da Unesco e residente em Paris, estava com 20 anos de idade quando a direção da revista Manchete decidiu destacá-lo, na companhia de um fotógrafo, para uma reportagem sobre a distante Rio Branco, capital do Acre, no ano de 1969. [1]

Entre os vários entrevistados, Marques conversou com o bispo italiano Giocondo Maria Grotti, que dois anos depois (1971) morreria durante acidente aéreo no município de Sena Madureira.

Ao ser perguntado sobre os problemas que enfrentava na região, o bispo reclamou da Doutrina do Santo Daime, fundada pelo negro maranhense Raimundo Irineu Serra.
Marques decidiu conhecer o Mestre Irineu Serra, que trabalhava no roçado de sua propriedade quando o jornalista foi visitá-lo.

- Aquele encontro foi a experiência mais marcante de minha vida. O mestre Raimundo disse que sabia que eu chegaria e estava me esperando. Disse o meu nome, que eu havia sido libertado recentemente da prisão e que eu tinha uma cicatriz na perna.

Marques contou, ainda, que passou três dias no Alto Santo e tomou Daime, mas não revela detalhes de sua experiência.

- Ele me disse que um dia eu voltaria ao Acre, mas jamais acreditei nessa possibilidade.

Quando se despediu do Mestre Irineu Serra, inusitadamente o mesmo lhe ofereceu uma garrafa de Daime com a recomendação para ele tomar o seu conteúdo com amigos sensíveis. [2]

De volta ao Rio de Janeiro, Carlos Marques entrega a garrafa e o seu conteúdo ao compositor tropicalista Gilberto Gil, a descrevendo como “uma beberagem indígena sagrada que produzia visões deslumbrantes e estados de alma elevadíssimos”. [3]

Naquele mesmo dia Gilberto Gil tomou uma dose da bebida, e logo após foi para o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, pegar a ponte aérea para São Paulo.

Já no saguão do Aeroporto de Congonhas, São Paulo, onde ocorria a inauguração de uma exposição militar, da FAB - Força Aérea Brasileira - o efeito do Daime começou a se manifestar, e Gil “captara conteúdos indescritíveis na presença dos militares”. [4]

Era época de Ditadura Militar e a classe artística e intelectual brasileira estava sendo duramente perseguida, os próprios artistas baianos Gil e Caetano seriam logo após presos e “convidados” a se retirarem do Brasil.

Sob efeito do Daime Gilberto Gil sentiu glauberianamente “como se tivesse entendido o sentido último do momento de nosso sentido como povo, sob a opressão autoritária”.. . e mesmo sob o medo que então os militares provocavam.. . sentia que podia “amar, acima do temor e de suas convicções ou inclinações políticas, o mundo em suas manifestações todas, inclusive os militares opressores”. [5]

A mensagem crística chegava assim ao coração do artista, apesar de todas as perseguições e temores: “Amai a vossos inimigos”.[6] Era o Daime operando…

Depois dessa experiência solitária no vôo Rio-São Paulo, Gilberto Gil reúne um grupo de amigos no apartamento do compositor Caetano Veloso e propõe que todos fizessem uma “viagem” em conjunto. Seguindo a recomendação do Carlos Marques, Gil serve a cada um dos presentes pouco mais de meio copo.[7]

Conta Caetano: ” a beberagem espessa e amarelada tinha gosto de vômito, mas não me causou náuseas”.[8] A partir daí, a verve inspirada do poeta baiano transmite um interessantíssimo depoimento das visões e percepções do que via e sentia, da vida que percebia nos objetos inanimados, “a história de cada pedaço de matéria” de um prosaico carpete de náilon do seu apartamento, por exemplo…

Ao som do rock progressivo do Pink Floyd, no limite exíguo do vigésimo andar de um edifício paulistano, dá-se o experimento:

“Sandra (mulher de Gil) entrava e saia do quarto do som com os olhos duros e o rosto sério. Ela estava assustada. Eu a achava parecida com um índio. Gil estava com lágrimas nos olhos e falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido, não sei. Dedé (mulher de Caetano) circulava pela sala dizendo que se via a si mesma em outro lugar. Eu fiquei muito feliz de observar que as pessoas eram tão nitidamente elas mesmas… Uns pontos de luz coloridos surgiram no espaço ilimitado da escuridão… Formas circulares eram compostas por lindos pontos luminosos dançantes. Aos poucos eu sabia quem era cada um desses pontos luminosos. E em breve eles de fato se mostravam como seres humanos. Eram muitos, de ambos os sexos, todos estavam nus e tinham aspecto de indianos. Essas pessoas dançavam em círculos de desenhos complicados, mas eu não só podia entender todas as sutilezas dessa complicação como tinha tranqüila capacidade de concentração para saber sobre cada uma das pessoas tanto quanto eu sei de mim mesmo ou de meus próximos mais amados”.[9]

É dito que da(s) experiência(s) com o Daime, particularmente experiências pico como esta, de Gilberto Gil (”Gil… falava alguma coisa sobre morrer, ter morrido”..) surgiram belíssimas canções do seu cancioneiro, tal como “Se eu quiser falar com Deus”.

“Se eu quiser falar com Deus
Tenho que ficar a sós
Tenho que apagar a luz
Tenho que calar a voz

Tenho que encontrar a paz
Tenho que folgar os nós
Dos sapatos, da gravata
Dos desejos, dos receios
Tenho que esquecer a data
Tenho que perder a conta
Tenho que ter mãos vazias
Ter a alma e o corpo nus

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que aceitar a dor
Tenho que comer o pão
Que o diabo amassou

Tenho que virar um cão
Tenho que lamber o chão
Dos palácios, dos castelos
Suntuosos do meu sonho
Tenho que me ver tristonho
Tenho que me achar medonho
E apesar de um mal tamanho
Alegrar meu coração

Se eu quiser falar com Deus
Tenho que me aventurar
Tenho que subir aos céus
Sem cordas pra segurar

Tenho que dizer adeus
Dar as costas, caminhar
Decidido, pela estrada
Que ao findar vai dar em nada
Nada , nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Nada, nada, nada, nada
Do que eu pensava encontrar


[10]"Em êxtase Caetano mirava os seus “anjos indianos” nessa “experiência celestial”.


“Eu alternava - com abrir e fechar os olhos - observação do mundo exterior e vivência desse mundo de imagens que se tornava cada vez mais denso… aos poucos eu reconhecia que os seres vistos com os olhos fechados eram indubitavelmente mais reais do que meus amigos presentes no quarto do som ou as paredes desse quarto e os tapetes”.[11]

Com a consciência expandida pela miração, Caetano conhece outra concepção de espaço, diferente da corriqueira e “precária convencionalidade” ; o “tempo era igualmente criticado por essa instância mais alta em minha consciência lúcida: com benevolência e sem nenhuma angústia, eu sabia que o fato de estar vivendo aquele momento era irrelevante diante da evidência de que eu já tinha - ou teria - nascido, vivido e morrido - e também jamais existido -, embora a percepção do meu eu naquela situação fosse uma ilusão inevitável”.[12]

O artista santamarense continua inspiradamente a narrar a sua experiência - da qual recomendamos a leitura atenta, pois não é possível transcrevê-la toda aqui - e quem discursa é também o antigo estudante de filosofia da Universidade da Bahia: diante da representação da “idéia de Deus” diz não saber se teve “o súbito retraimento de quem aprendeu que a face do Criador não pode ser contemplada. ..” Surge então a dúvida no coração de quem vivenciava um extraordinário momento extático, e ao ser levado por Dedé para se olhar no espelho do banheiro, ver seu rosto “de sempre” após toda essa experiência… passou então a ter a certeza “de que estava louco”. Porém “esse eu que tinha tal certeza era como que indestrutível: esse não fica louco, não dorme, não morre, não se distrai”

Quão bela experiência.. . vemos que foi revelada a Luz do Daime a este sensível poeta e compositor baiano e o merecimento de se ver como espírito, a vislumbrar a sua essência - que é Divina, como a de todos nós.

Inebriado do divino e maravilhoso que é Deus, brincando com as dúvidas filosóficas a la Rogério Duarte, futuro devoto hare krishna: “Eu não creio em Deus, mas eu vi!” ou "É óbvio que Deus não existe, mas a inexistência de Deus é apenas um dos aspectos de sua existência”… parodiando Nietzsche Caetano vai bradar para todo o Brasil: “Deus está solto!” sob as vaias da apresentação festivalesca do seu “É proibido proibir”.

Dessa vivência transcendental, Caetano reflete assim: “… por mais de um mês eu me senti vivendo como que um palmo acima de tudo o que existe. E por mais de um ano certos resquícios específicos se mantiveram. Na verdade, algo de essencial mudou em mim a partir daquela noite”.

“Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
E o coração que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história

Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Obá

Quem é ateu…”

(Milagres do Povo Caetano Veloso)[13]

Voltando ao comecinho da nossa história… pois não é que o jornalista Carlos Marques retornou ao Acre após quase 40 anos?

Ao final de uma audiência com o então governador Jorge Viana, este perguntou ao jornalista se ele já conhecia o Acre. Marques contou o que já narramos, e para sua surpresa o governador Jorge Viana mostrou ao jornalista o convite que recebera para participar dos festejos dos 50 anos de casamento do Mestre Raimundo Irineu Serra com a Madrinha Peregrina Gomes Serra, dignatária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal - CICLU Alto Santo, no dia seguinte, 15 de setembro de 2006. E convenceu o jornalista a permanecer mais um dia no Acre.

Marques reencontrou a Madrinha Peregrina Serra, viúva de Irineu Serra, a quem pediu desculpas pelo conteúdo ofensivo que sua reportagem ganhou na edição da revista Manchete, pois esta publicou então várias páginas com a reportagem, onde prevaleceu na edição a versão do bispo de que se tratava de uma seita diabólica. “Foi a primeira entre tantas a desagradar Irineu Serra e seus seguidores”.[14]

- Eu não podia revelar que havia encontrado Deus - disse Carlos Marques.
Na noite de 30 de abril de 2008, na sede do CICLU Alto Santo, foi realizado um evento oficial no qual a Fundação Elias Mansour do Estado do Acre, Fundação Garibaldi Brasil do município de Rio Branco e representantes dos centros que integram os três troncos fundadores das doutrinas ayahuasqueiras (Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal), que solicitaram ao ministro Gilberto Gil, da Cultura, que o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) instaure o processo de reconhecimento do uso da ayahuasca em rituais religiosos como patrimônio imaterial da cultura brasileira.

O evento foi prenhe de êxito e um marco histórico do universo ayahuasqueiro brasileiro. No discurso de encerramento desta função religiosa de 30 de abril de 2008, já sem a presença das autoridades constituídas (ministro, governador, secretários de estado e políticos em geral), o orador oficial do CICLU - Alto Santo lembrou da singela história do jornalista Carlos Marques, concluindo que (palavras minhas, registro de memória): o Mestre Irineu, sabedor do passado, presente e futuro do jornalista Carlos Marques, excepcionalmente presenteou o jornalista com uma garrafa de Daime para que este a fizesse chegar as mãos do cantor Gilberto Gil, que a tomasse e conhecesse, para que, passados quase 40 anos, viesse ao Alto Santo na condição de ministro de Estado interceder por tornar a ayahuasca patrimônio imaterial da cultura brasileira.



Cultura.gov.br

1-10 of 17

Comments