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O que você quer?

postado em 10 de abr de 2016 14:55 por Sérgio Kawanami

O que você quer?

 

Por esses dias, conversando com Pai Joaquim do Cruzeiro das Almas (o “Vô), recebi o questionamento: “O que você quer?”

Como chato que sou, ao invés de simplesmente pensar na resposta, devolvi outra pergunta, tal como faz uma criança de três anos: “Por quê?”

E a resposta veio rica.

Porque ao saber o que queremos, podemos iniciar a nossa caminhada.

Porque teremos motivos para acordar e seguir vivendo encarnados.

Porque podemos priorizar as nossas ações.

Porque isso é o início, somente o início, para fazermos as nossas escolhas.

Porque sem saber o que queremos, decidiremos incorretamente.

Porque assim perdemos tempo.

Porque sem saber isso, jogamos fora minutos, horas, dias, anos, encarnações inteiras.

Sabe-se que o processo reencarnatório é um meio para que possamos nos aperfeiçoar constantemente. É o “kaizen” pessoal. Sabemos que nossos pontos de melhoria requerem uma quebra de padrão e, quebrar esse padrão é o objetivo.

Comecei a pensar sobre o que eu quero. Isso é de foro íntimo de cada um.

Infelizmente, ao iniciar a reflexão, percebi que ainda quero muitas coisas materiais (e desde quando me lembro, pouco mudaram): uma boa casa, um bom carro, um helicóptero, uma lancha, casa de campo, casa na praia, jardim grande (mas com um jardineiro de brinde), um bom trabalho, um caminhão de bombeiro, um carro de polícia, etc. etc. etc.

Então senti vergonha (e obviamente a espiritualidade me instruiu novamente).

Recomecei a pensar. Talvez eu seja um saudosista, ou tenha visto muitos filmes nos anos 80 e 90.

Reescrevi minha lista de desejos sinceros (os que não são tão sinceros assim, resolvi não colocar abaixo):

Quero encontrar os meus desafetos (para poder fechar as questões em aberto há sabe-se lá quanto tempo).

Quero poder auxiliar outras pessoas, simplesmente por vontade de auxiliar.

Quero ter mais paciência (no trânsito, com as pessoas que querem ser burras, com os mais materialistas que eu).

Quero andar de mãos dadas, caminhar na areia, rir de um pum, cozinhar a comida preferida e, quem sabe, ficar velho e sentar em um banco de praça.

Quero conhecer o mundo, outras culturas, para constatar se consigo mesmo respeitar outras formas de enxergar a vida.

Quero ser parceiro, apoiar, transformar o meu meio, começando por mim mesmo.

Quero entender mais da vida e começar a ter certeza de que ela está cheia de coisas boas.

Quero enxergar o copo meio cheio e não meio vazio.

Quero conviver com pessoas com objetivos e valores similares aos meus, mas mesmo assim, conseguir compartilhar momentos com pessoas de pensamento diferente.

Quero poder olhar nos olhos das pessoas e ser sincero, sem ser julgado e sem julgar.

Quero que as palavras sejam verdadeiras, e saber que por mais duras que sejam, serão entendidas da maneira correta.

Quero me rodear de pessoas que dispensam palavras, pois sabemos que o pensamento está em sintonia. E junto com elas trilhar um caminho para o aperfeiçoamento moral.

Quero que tudo esteja justo.

Quero não ter medo de perder (pessoas, amigos, memórias).

São muitas coisas diferentes e que não dependem de dinheiro e nem da tal crise político-econômica.

Todas elas podem ser iniciadas hoje, já! Dependem somente de mim.

É.... depois de 26 anos de Umbanda, talvez eu tenha começado a compreender o que a espiritualidade quer ensinar...

 

E, infelizmente, ainda tem gente que vai para um terreiro procurando alguma amarração... 

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