Para Refletir!‎ > ‎

Novo Ciclo

postado em 26 de mar de 2017 15:57 por Sérgio Kawanami

Nesse ano (2017), na próxima festa de Cosme, iremos completar 12 anos de casa aberta, 13 de sacerdócio e 27 de Umbanda.

 

Nesses anos, posso dizer que aprendi (e que ainda falta muita coisa para ser aprendida).


Aprendi que os ritos são muito menos importantes que a essência.

Que mudar é difícil e essa conversa de reforma íntima é questão de hábito e disciplina, mas mais ainda, de vontade.

Que tudo aquilo que achamos difíceis, podem até ser, mas são possíveis e dependem somente de nós.

Que as pessoas não nos decepcionam. Nós é que nos decepcionamos. E isso ocorre pela falta de alinhamento das expectativas e dos desejos que temos para nossas vidas.

Aprendi que pouco nos conhecemos e, provavelmente, isso é o que nos faz nos sentirmos sós.

E que a solidão é uma escolha, mas que não é necessária.

Que o despertar para a verdadeira reforma parece solitário, mas não é.

Que ainda temos muito para conhecer e praticar.

E, dentre muitas outras coisas, que a magia está dentro de cada um de nós.

 

Foram várias casas (físicas) que abrigaram o nosso terreiro.

Agora, muito em breve, teremos mais uma. Muitos passaram, poucos ficaram. Outros ainda passarão e seguirão seus caminhos. Outros ainda vão ficar.

Muitos aprendizados novos, conhecimentos compartilhados, memórias registradas. 


Ontem fui, juntamente com mais algumas pessoas, demarcar o espaço, preparar alguns fundamentos e arrumar algumas coisas.

Aproveitei para ir até o rio me recarregar (e tomar água também), para em seguida, recebermos algumas orientações da espiritualidade.

 

Pude refletir por alguns instantes. Lembrar de como a casa começou e de como está agora.

Tenho orgulho em dizer que continuamos mantendo a mesma postura inicial, recebendo a absorvendo mais conhecimentos e experiências, deixando claro o que É e o que NÃO É a Umbanda.

Lembrei-me da alegria da abertura da casa, e pude vivenciar, mais uma vez, a alegria no início dessa nova construção.

Tive a certeza que esse novo ciclo (não só para o terreiro, mas para todos, já que uma nova era se inicia), trará muitas bênçãos, novos aprendizados e, principalmente, muito amor.

 

E é exatamente sobre isso, que gostaria de escrever.


Todo o aprendizado que tivemos deve ser colocado em prática.

A espiritualidade está engajada em nos ensinar sobre a essência da Umbanda, ou seja, a fé, o amor e a caridade.

Ontem, a lição de fé, foi maior do que simplesmente crer.

Foi-nos mostrado, através da radiestesia, as alterações energéticas no momento da magnetização dos assentamentos.

E que, mesmo a radiestesia não sendo utilizada na Umbanda, isso não invalida o conhecimento ou a técnica, ou a própria Umbanda.


O atendimento para a caridade, foi um dos trabalhos efetuados nesse novo local, ainda em construção.

Um atendimento que me fez lembrar logo do início do terreiro, feito em uma casa simples, rodeada de chão batido. E a mensagem da humildade de nossos amigos da espiritualidade foi única.

A espiritualidade não depende de um local pomposo para trabalhar. Dependem somente de nós querermos trabalhar.

Ter visto a alegria de quem estava disposto a auxiliar foi muito gratificante.


E, por último, aprender o amor.

Isso será uma grande transformação para esse novo ciclo.

Ouvimos que o amor, e apenas ele, é o principal remédio para as nossas almas.

 

Parece simplório, porém, o que é o amor?

 

Definir um sentimento tão nobre não é nem um pouco simplório.

Mesmo o amor sendo a base do pensamento cristão, como defini-lo?

 

Conversando, em desdobramento, com o Pai Joaquim (o “Vô”), questionei-o sobre o tema.

E, como todo preto-velho, pacientemente, me explicou:


“O amor pode ser observado por vários prismas, porém não é apropriado dividi-lo (amor fraterno, amor paternal, amor por uma pessoa, etc.).

Isso porque amar é simplesmente amar.

Amar é grande. É muito além de “respeitar”, ou de “gostar”. Esses dois fatores podem existir sem amor, mas o amor não pode existir sem eles.

Mas não se trata somente disso.

Amar liberta, porque envolve confiança e o desejo de sucesso.

É incondicional, pois não importa o que haja, não importa as circunstâncias, você simplesmente o sente.

É o desejar sucesso, alegrias, realizações.

É querer apoiar, ajudar, estar presente, sem querer nada em troca.

É sentir felicidade pela felicidade do próximo.

É sentir saudade, querer ficar junto, mesmo que em silêncio, só aproveitando a companhia.

Amor não se impõe. É aceitar as pessoas da maneira como elas são, mesmo discordando em alguns pontos.

Amar está em aprender e ensinar diariamente, em compartilhar as conquistas, as tristezas, os desafios.

 

Amor é algo para a vida toda e não para o momento.

Por isso, para amar, precisamos de autoconhecimento, conhecer nossos próprios desejos, nossos próprios sonhos e objetivos.

Quando nos sentimos inseguros, com medos, entristecidos, com ciúmes, etc. se trata da nossa própria alma pedindo para que voltemos aos nossos planos.

Olhar para frente é fundamental para que o nosso processo reencarnatório seja proveitoso.

Responda: Como você quer estar quando estiver velho?


O que passou deve servir para o nosso aprendizado, para o nosso crescimento. Não deve servir para nos entristecer, ou para nos assombrar.

Entenda que o que passou, deve ficar no passado. E que o presente tem esse nome porque é uma dádiva.

Viver fora do amor nos faz perder tempo e deixa a alma doente.


Quando nos sentimos sós, provavelmente não encontramos nossos companheiros de jornada, que podem nos trazer esse amor.

 

Mentores espirituais são aqueles que tem mais amor (e não mais luz, ou conhecimento, ou qualquer outra coisa que digam) por nós. ”

 

Senti-me amado pela espiritualidade.

E só por ter essa certeza, tenho convicção que esse novo ciclo, nessa nova casa, nos trará muitas alegrias e reunirá muitos companheiros espirituais para a jornada.

Comments