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Dez anos...

postado em 4 de out de 2015 18:17 por Sérgio Kawanami

Dez anos...

 Recentemente, na última festa de Erês (Cosme e Damião, Ibejis, ou qualquer outro nome que venham a dar), comemoramos os 10 anos do GECPA.

Portanto, 11 de sacerdócio e 25 de Umbanda.

Antes de escrever esse texto, fui dar uma lida em tudo aquilo que escrevi antes, desde a abertura da casa.

Devo ser muito teimoso mesmo, afinal, os conceitos que foram expostos há 10 anos, continuam os mesmos.

A casa continua a mesma, com a mesma filosofia, com o mesmo objetivo.

Mesmo parecendo contraditório, posso dizer que a casa mudou.

Aprendemos novas técnicas de apoio, e ainda aprenderemos muitas outras.

As pessoas mudaram. Eu mesmo mudei.

Porém o objetivo, o propósito, ainda continua.

No mundo corporativo, diria que nossa Missão, Visão e Valores continuam desde a abertura da casa.

Muitos entraram, muitos saíram.

Aos que se foram, saibam que cada um contribuiu com o que podia, seja por exemplo ou contraexemplo.

Aos que ainda estão na casa, meus agradecimentos. Sei que não sou tão fácil assim de se lidar. Porém saibam que meu tratamento sempre será o mesmo, com um único objetivo, que é a prática da Umbanda na sua essência.

Aos que ainda passarão pela casa, serão muito bem vindos. Assim é a Umbanda e assim que deve ser.

Infelizmente, após ter completado 25 anos de Umbanda, ainda fico inconformado com os mesmos pedidos, com os mesmos problemas, com a mesma postura de reclamação, com a mesma preocupação com as vidas passadas, com a preocupação (e somatização) do falso conceito de karma.

Como escrevi há anos, enquanto eu estiver vivo estarei inconformado. E, caso, mesmo depois de desencarnado, passar alguma mensagem, estarei inconformado (se isso não ocorrer, certamente não serei eu).

Acredito no conhecimento que liberta, mas que nos traz responsabilidades.

Acredito na espiritualidade que orienta e não que resolve nossos “problemas”, pois esses, somente nós mesmos podemos e devemos resolver.

Mas, apesar de ter completado 25 anos de Umbanda, surpreendo-me diariamente.

Surpreendo-me com pessoas que tem conhecimento e os aplicam.

Surpreendo-me com pessoas que praticam a essência da Umbanda e nem sabem disso.

Surpreendo-me com pessoas que conseguem ensinar e aprender ao mesmo tempo, sem demonstração de orgulho.

Surpreendo-me com pessoas que querem ajudar e que colocam isso como prioridade em suas vidas.

Surpreendo-me quando o conhecimento não é objeto de poder e sim de desejo de crescimento.

Surpreendo-me com pessoas diferenciadas que fazem parte da nossa vida.

Isso faz me lembrar que minha casa, nossa casa, foi aberta em uma festa de Cosme.

A linha que traz alegria, sabedoria, riso, nos lembra de que nascemos para, pelo menos, tentarmos ser felizes.

São essas pessoas que me fazem recordar de melodias: “Filho de fé estava doente, filho de fé estava chorando, filho de fé viu Ibejada, filho de fé já está cantando...”

São essas surpresas, que apareceram nesses 10 anos e que continuam aparecendo, que me lembram de muitos outros pontos dos nossos mentores.

Como não lembrar do lindo ponto de Vovó Maria Conga ao saber que podemos contar com essas pessoas e com a espiritualidade?

“todo dia era dia de choro e de muita dor, mesmo assim uma escrava chegava de bom humor, quem chorava passava a sorrir, quem caia ficava de pé, Ela era a esperança, o amor e a fé... na passagem de um mundo pro outro seu povo sentiu, e a aquela tão sua alegria não mais existiu... Ela disse que iria voltar, precisando pode lhe chamar...”

Como pensar que estamos desemparados, ao sentir a presença dos pretos-velhos, e ao ouvir dessas pessoas encarnadas e diferenciadas...?

“a bengala de Pai Joaquim bate devagar mas pode doer, o rosário de Pai Joaquim tem mironga para vencer...”

E a cada dia tenho certeza da presença da espiritualidade, seja no dia de gira, seja através de pessoas diferenciadas que cruzam nossa caminhada!

É através delas que a espiritualidade consegue passar suas mensagens, mesmo quando estamos fora do terreiro.

Passaram-se 10 anos de casa aberta de muita indignação e muita surpresa.

Espero que nos próximos 10, eu tenha menos motivos para ficar inconformado e cada vez mais motivos para ficar surpreso.

E você? Está sendo ferramenta para a espiritualidade? Sendo uma dessas pessoas diferenciadas, que podem surpreender e fazer a diferença na vida dos nossos irmãos de jornada?

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