Para Refletir!

Mensagens e textos recebidos de nossos mentores espirituais ou simplesmente inspirados de maneira anímica.

Novo Ciclo

postado em por Sérgio Kawanami

Nesse ano (2017), na próxima festa de Cosme, iremos completar 12 anos de casa aberta, 13 de sacerdócio e 27 de Umbanda.

 

Nesses anos, posso dizer que aprendi (e que ainda falta muita coisa para ser aprendida).


Aprendi que os ritos são muito menos importantes que a essência.

Que mudar é difícil e essa conversa de reforma íntima é questão de hábito e disciplina, mas mais ainda, de vontade.

Que tudo aquilo que achamos difíceis, podem até ser, mas são possíveis e dependem somente de nós.

Que as pessoas não nos decepcionam. Nós é que nos decepcionamos. E isso ocorre pela falta de alinhamento das expectativas e dos desejos que temos para nossas vidas.

Aprendi que pouco nos conhecemos e, provavelmente, isso é o que nos faz nos sentirmos sós.

E que a solidão é uma escolha, mas que não é necessária.

Que o despertar para a verdadeira reforma parece solitário, mas não é.

Que ainda temos muito para conhecer e praticar.

E, dentre muitas outras coisas, que a magia está dentro de cada um de nós.

 

Foram várias casas (físicas) que abrigaram o nosso terreiro.

Agora, muito em breve, teremos mais uma. Muitos passaram, poucos ficaram. Outros ainda passarão e seguirão seus caminhos. Outros ainda vão ficar.

Muitos aprendizados novos, conhecimentos compartilhados, memórias registradas. 


Ontem fui, juntamente com mais algumas pessoas, demarcar o espaço, preparar alguns fundamentos e arrumar algumas coisas.

Aproveitei para ir até o rio me recarregar (e tomar água também), para em seguida, recebermos algumas orientações da espiritualidade.

 

Pude refletir por alguns instantes. Lembrar de como a casa começou e de como está agora.

Tenho orgulho em dizer que continuamos mantendo a mesma postura inicial, recebendo a absorvendo mais conhecimentos e experiências, deixando claro o que É e o que NÃO É a Umbanda.

Lembrei-me da alegria da abertura da casa, e pude vivenciar, mais uma vez, a alegria no início dessa nova construção.

Tive a certeza que esse novo ciclo (não só para o terreiro, mas para todos, já que uma nova era se inicia), trará muitas bênçãos, novos aprendizados e, principalmente, muito amor.

 

E é exatamente sobre isso, que gostaria de escrever.


Todo o aprendizado que tivemos deve ser colocado em prática.

A espiritualidade está engajada em nos ensinar sobre a essência da Umbanda, ou seja, a fé, o amor e a caridade.

Ontem, a lição de fé, foi maior do que simplesmente crer.

Foi-nos mostrado, através da radiestesia, as alterações energéticas no momento da magnetização dos assentamentos.

E que, mesmo a radiestesia não sendo utilizada na Umbanda, isso não invalida o conhecimento ou a técnica, ou a própria Umbanda.


O atendimento para a caridade, foi um dos trabalhos efetuados nesse novo local, ainda em construção.

Um atendimento que me fez lembrar logo do início do terreiro, feito em uma casa simples, rodeada de chão batido. E a mensagem da humildade de nossos amigos da espiritualidade foi única.

A espiritualidade não depende de um local pomposo para trabalhar. Dependem somente de nós querermos trabalhar.

Ter visto a alegria de quem estava disposto a auxiliar foi muito gratificante.


E, por último, aprender o amor.

Isso será uma grande transformação para esse novo ciclo.

Ouvimos que o amor, e apenas ele, é o principal remédio para as nossas almas.

 

Parece simplório, porém, o que é o amor?

 

Definir um sentimento tão nobre não é nem um pouco simplório.

Mesmo o amor sendo a base do pensamento cristão, como defini-lo?

 

Conversando, em desdobramento, com o Pai Joaquim (o “Vô”), questionei-o sobre o tema.

E, como todo preto-velho, pacientemente, me explicou:


“O amor pode ser observado por vários prismas, porém não é apropriado dividi-lo (amor fraterno, amor paternal, amor por uma pessoa, etc.).

Isso porque amar é simplesmente amar.

Amar é grande. É muito além de “respeitar”, ou de “gostar”. Esses dois fatores podem existir sem amor, mas o amor não pode existir sem eles.

Mas não se trata somente disso.

Amar liberta, porque envolve confiança e o desejo de sucesso.

É incondicional, pois não importa o que haja, não importa as circunstâncias, você simplesmente o sente.

É o desejar sucesso, alegrias, realizações.

É querer apoiar, ajudar, estar presente, sem querer nada em troca.

É sentir felicidade pela felicidade do próximo.

É sentir saudade, querer ficar junto, mesmo que em silêncio, só aproveitando a companhia.

Amor não se impõe. É aceitar as pessoas da maneira como elas são, mesmo discordando em alguns pontos.

Amar está em aprender e ensinar diariamente, em compartilhar as conquistas, as tristezas, os desafios.

 

Amor é algo para a vida toda e não para o momento.

Por isso, para amar, precisamos de autoconhecimento, conhecer nossos próprios desejos, nossos próprios sonhos e objetivos.

Quando nos sentimos inseguros, com medos, entristecidos, com ciúmes, etc. se trata da nossa própria alma pedindo para que voltemos aos nossos planos.

Olhar para frente é fundamental para que o nosso processo reencarnatório seja proveitoso.

Responda: Como você quer estar quando estiver velho?


O que passou deve servir para o nosso aprendizado, para o nosso crescimento. Não deve servir para nos entristecer, ou para nos assombrar.

Entenda que o que passou, deve ficar no passado. E que o presente tem esse nome porque é uma dádiva.

Viver fora do amor nos faz perder tempo e deixa a alma doente.


Quando nos sentimos sós, provavelmente não encontramos nossos companheiros de jornada, que podem nos trazer esse amor.

 

Mentores espirituais são aqueles que tem mais amor (e não mais luz, ou conhecimento, ou qualquer outra coisa que digam) por nós. ”

 

Senti-me amado pela espiritualidade.

E só por ter essa certeza, tenho convicção que esse novo ciclo, nessa nova casa, nos trará muitas alegrias e reunirá muitos companheiros espirituais para a jornada.

O que você quer?

postado em 10 de abr de 2016 14:55 por Sérgio Kawanami

O que você quer?

 

Por esses dias, conversando com Pai Joaquim do Cruzeiro das Almas (o “Vô), recebi o questionamento: “O que você quer?”

Como chato que sou, ao invés de simplesmente pensar na resposta, devolvi outra pergunta, tal como faz uma criança de três anos: “Por quê?”

E a resposta veio rica.

Porque ao saber o que queremos, podemos iniciar a nossa caminhada.

Porque teremos motivos para acordar e seguir vivendo encarnados.

Porque podemos priorizar as nossas ações.

Porque isso é o início, somente o início, para fazermos as nossas escolhas.

Porque sem saber o que queremos, decidiremos incorretamente.

Porque assim perdemos tempo.

Porque sem saber isso, jogamos fora minutos, horas, dias, anos, encarnações inteiras.

Sabe-se que o processo reencarnatório é um meio para que possamos nos aperfeiçoar constantemente. É o “kaizen” pessoal. Sabemos que nossos pontos de melhoria requerem uma quebra de padrão e, quebrar esse padrão é o objetivo.

Comecei a pensar sobre o que eu quero. Isso é de foro íntimo de cada um.

Infelizmente, ao iniciar a reflexão, percebi que ainda quero muitas coisas materiais (e desde quando me lembro, pouco mudaram): uma boa casa, um bom carro, um helicóptero, uma lancha, casa de campo, casa na praia, jardim grande (mas com um jardineiro de brinde), um bom trabalho, um caminhão de bombeiro, um carro de polícia, etc. etc. etc.

Então senti vergonha (e obviamente a espiritualidade me instruiu novamente).

Recomecei a pensar. Talvez eu seja um saudosista, ou tenha visto muitos filmes nos anos 80 e 90.

Reescrevi minha lista de desejos sinceros (os que não são tão sinceros assim, resolvi não colocar abaixo):

Quero encontrar os meus desafetos (para poder fechar as questões em aberto há sabe-se lá quanto tempo).

Quero poder auxiliar outras pessoas, simplesmente por vontade de auxiliar.

Quero ter mais paciência (no trânsito, com as pessoas que querem ser burras, com os mais materialistas que eu).

Quero andar de mãos dadas, caminhar na areia, rir de um pum, cozinhar a comida preferida e, quem sabe, ficar velho e sentar em um banco de praça.

Quero conhecer o mundo, outras culturas, para constatar se consigo mesmo respeitar outras formas de enxergar a vida.

Quero ser parceiro, apoiar, transformar o meu meio, começando por mim mesmo.

Quero entender mais da vida e começar a ter certeza de que ela está cheia de coisas boas.

Quero enxergar o copo meio cheio e não meio vazio.

Quero conviver com pessoas com objetivos e valores similares aos meus, mas mesmo assim, conseguir compartilhar momentos com pessoas de pensamento diferente.

Quero poder olhar nos olhos das pessoas e ser sincero, sem ser julgado e sem julgar.

Quero que as palavras sejam verdadeiras, e saber que por mais duras que sejam, serão entendidas da maneira correta.

Quero me rodear de pessoas que dispensam palavras, pois sabemos que o pensamento está em sintonia. E junto com elas trilhar um caminho para o aperfeiçoamento moral.

Quero que tudo esteja justo.

Quero não ter medo de perder (pessoas, amigos, memórias).

São muitas coisas diferentes e que não dependem de dinheiro e nem da tal crise político-econômica.

Todas elas podem ser iniciadas hoje, já! Dependem somente de mim.

É.... depois de 26 anos de Umbanda, talvez eu tenha começado a compreender o que a espiritualidade quer ensinar...

 

E, infelizmente, ainda tem gente que vai para um terreiro procurando alguma amarração... 

Ano novo, vida nova e blá blá blá...

postado em 30 de dez de 2015 11:50 por Sérgio Kawanami

Mais um ano está chegando.

Cheio de desejos, vontades, "pulação de ondas", flores para Iemanjá, promessas e mais promessas, vestir roupa íntima amarela (que é para chamar dinheiro! - vai que funciona...).


E daí?!

Daí, que no dia 02, tudo volta ao normal...


Se não mudarmos nossa maneira de pensar e de agir, será apenas mais um dia, como qualquer outro.

Nenhuma mudança, nada de novo.

 

De que adianta sair consultando os astrólogos, búzios, cartas, ou qualquer outro oráculo?

Para que saber qual o anjo regente, ou o Orixá regente, ou o santo regente, o planeta regente, ou qualquer outra coisa regente?

 

Isso realmente importa?

 

Como sabemos que somos resultado dos nossos  pensamentos e das nossas ações, conhecemos a lei da afinidade energética, que sabemos do karma...

De que adianta o ano ser novo, se nós continuarmos velhos?

 

Quais são seus objetivos para o próximo ciclo? Qual o seu plano? Quais são seus milestones?

Quais serão os indicadores de desempenho que você utilizará para verificar se está agindo conforme seus objetivos?

 

Infelizmente, quando faço essas perguntas, geralmente não tenho nenhuma resposta...

Infelizmente vejo que sequer sabem o que querem...

Infelizmente vejo que os poucos que sabem o que querem, não tem um plano...

Que os que acham ter um plano, não tem um plano descente (com indicadores, avaliação 5W2H, Gantt...).

E, dos raros que tem um bom plano, muitos não tem disciplina para cumprir com o que foi planejado.

E muito menos encontro aqueles que querem aprender com os erros, listam suas lições aprendidas, abrem um Ishikawa e querem resolver a causa do problema.

 

(Não se envergonhe caso não saiba do que estou falando... basta colocar esses termos no Google e logo você entenderá – ou faça como a maioria... pense que estou sendo exagerado ou metódico demais...)

 

Isso não tem nada relacionado à Umbanda, nem à espiritualidade, nem a Deus.

Também não é culpa do obsessor (encosto, coisa ruim ou da sogra, chefe, cunhado, colega de trabalho, ou outro alguém).


Isso está relacionado com conhecimento, disciplina, foco, desejo de crescimento.

Está relacionado ao equilíbrio, à determinação, ao “querer”, a escrever seu próprio destino e obter seus próprios resultados.


Afinal, é mais fácil ir a um terreiro, reclamar suas dores e buscar uma solução express em troca de uma farofa...

Acontece que não é assim que funciona (e se há algum lugar que funcione dessa maneira, fuja! Certamente se trata de alguma picaretagem).


Eu sou o dono do meu caminho. Eu faço o meu destino. Eu, assim como todos nós, fomos criados à imagem e semelhança de Deus. Cada um de nós temos a centelha divina.

 

Então... o que acha de começar um ano novo, sendo novo de verdade?

Feliz Natal?

postado em 28 de dez de 2015 06:37 por Sérgio Kawanami

E é assim...

 

Todo final de ano, mesmo com a tão falada crise, os shoppings continuam lotados, assim como os estacionamentos, estradas e praias.

Telefonemas, SMSs, e-mails, mensagens no Whatsapp, amigo secreto (ou oculto, dependendo da região do país).

Férias coletivas, ou escalas para as empresas que não param suas atividades.

 

Todo ano, sempre a mesma coisa.

 

Parentes que não se encontram o ano inteiro, sempre combinam de se encontrar mais vezes no ano que vai chegar.

 

Um “espírito de caridade” lota os asilos, orfanatos, favelas, ONGs ou qualquer outras instituições, com um amontoado de doações.

 

Então pergunto-me: será isso mesmo o Natal?

 

Será que as doações são necessárias somente nessa época? Ou que os parentes deveriam conversar somente no Natal? Ou que os shoppings, lojas, estacionamentos, estradas, praias, deveriam ficar lotadas somente nessa época?

 

Não que eu esteja estimulando o consumismo, mas essa corrida insana para presentear as pessoas queridas é só no Natal?

Ou ainda, que viajar para confraternizar, descansar, curtir a vida (com moderação, para ser politicamente correto), é só no final do ano?

 

Sinceramente, acho o Natal hipócrita.

 

Não o Natal (aquele, verdadeiro, que muitos nem sabem o significado, já que as crianças estão sendo ensinadas que Natal = presente).

Acho que as pessoas são hipócritas. Ou ignorantes (no sentido literal da palavra... se se sentiu ofendido, procure o dicionário). Ou burras. Ou tudo ao mesmo tempo...

 

Digo ignorantes, porque pode ser que elas estão comemorando algo que sequer sabem o que significa.

Ou burras, porque mesmo sabendo o significado, não estão nem ai para isso e entram nessa frenesi.

Ou hipócritas, porque são repentinamente tomadas pela caridade, sentimentalismo, espírito familiar, etc.

Ou tudo ao mesmo tempo (e vocês já devem ter entendido o motivo).

 

Eu acredito em presentear as pessoas estimadas a qualquer momento, sem qualquer motivo. Até porque, o principal motivo é simplesmente a existência dessas pessoas.

Eu acredito no equilíbrio da nossa vida, de dedicação à vida profissional juntamente com a diversão, passeios, viagens.

Eu acredito que a caridade não é somente um assistencialismo barato, feita em datas especiais. Acredito na caridade de verdade, na vontade verdadeira de ajudar, em praticar a caridade no nosso cotidiano.

 

Não acredito no sorriso amarelo que é trocado entre as pessoas, no momento da troca dos presentes.

Não acredito que seja isso que a espiritualidade orienta.

 

Boa reflexão!

Às vezes penso que a ignorância é uma benção...

postado em 7 de out de 2015 15:45 por Sérgio Kawanami

Infelizmente é verdade. Às vezes penso que a ignorância é uma benção.

Fico imaginando o quanto seria mais fácil não saber alguma coisa sobre o karma, sobre a lei das afinidades energéticas, sobre os chackras, sobre as consequências da vida desregrada.

Como seria mais fácil não praticar a tolerância e a paciência, não respeitar o livre e arbítrio, ou ainda, simplesmente acreditar em destino ou coincidências.

Seria tão mais fácil pensar que a vida acaba aqui, como o desligar de uma lâmpada ao final do expediente.

E, pior ainda, mesmo estudando, pesquisando, querendo conhecer mais sobre a espiritualidade, a célebre frase atribuída a Sócrates “só sei que nada sei” se torna cada vez mais verdadeira.

Então, continuar estudando seria pior...

Felizmente, a espiritualidade está atenta e pronta a nos auxiliar no processo de evolução espiritual.

Nos alertam que isso não está correto.

Que o conhecimento liberta, e que deve ser usado sem a pretensão de “poder”.

São as palavras do Caboclo das 7 Encruzilhadas, “...independentemente daquilo que foram em vida, todos serão ouvidos, e nós aprenderemos com aqueles espíritos que souberem mais e ensinaremos àqueles que souberem menos, e a nenhum viraremos as costas nem diremos não, pois esta é a vontade do Pai.” que me fazem continuar essa caminhada.

Com a certeza de que continuarei aprendendo e que continuarei ensinando.

É isso que espero da minha corrente.

É através do conhecimento que conseguiremos mudar o mundo!

Mas coloco-me a pensar novamente.... para que mudar o mundo? Que diferença eu vou fazer?

E a espiritualidade responde novamente: não evolua pelo desejo de expirar o karma. Não evolua pelo simples desejo de ser mais poderoso, ou de estar entre os “anjos” (ou qualquer outra coisa do tipo”.

Faça do seu processo evolutivo um aprendizado prazeroso.

Utilize os conhecimentos pela alegria de poder ajudar, de poder ensinar.

Até parece que os pais não ficam alegres ao ver seus filhos darem seus primeiros passos, as primeiras palavras, a primeira desilusão, o primeiro dia na escola...

A busca pelo conhecimento deve ser somente pelo simples fato de termos pequenos prazeres saudáveis e diários.

Lendo alguns artigos de um jornalista brasileiro (André Azevedo da Fonseca), encontrei duas frases ótimas...

“Ninguém fica doido de tanto estudar! É mais fácil ficar doido de tanto ser burro.”

“A ignorância não é uma benção. Se os inteligentes sofrem por suas inquietações existenciais, os estúpidos sofrem por coisas inacreditavelmente idiotas.”

Portanto, conhecer nossas raízes, nossa história, é essencial.

Conhecer os mecanismos dos meandros do espírito, também.

É tão essencial, que isso faz parte da essência da Umbanda.

Então, pergunto:

Quantos livros novos você leu esse mês?

Quantos conceitos novos você aprendeu?

Quantos conceitos novos você colocou em prática? (Afinal, penso que mais burro ainda é quem sabe o correto e continua fazendo o errado).

Talvez essa seja a vantagem à qual Sócrates se referiu em sua frase completa: “Só sei que nada sei, e o fato de saber isso, me coloca em vantagem sobre aqueles que acham que sabem alguma coisa.”

Dez anos...

postado em 4 de out de 2015 18:17 por Sérgio Kawanami

Dez anos...

 Recentemente, na última festa de Erês (Cosme e Damião, Ibejis, ou qualquer outro nome que venham a dar), comemoramos os 10 anos do GECPA.

Portanto, 11 de sacerdócio e 25 de Umbanda.

Antes de escrever esse texto, fui dar uma lida em tudo aquilo que escrevi antes, desde a abertura da casa.

Devo ser muito teimoso mesmo, afinal, os conceitos que foram expostos há 10 anos, continuam os mesmos.

A casa continua a mesma, com a mesma filosofia, com o mesmo objetivo.

Mesmo parecendo contraditório, posso dizer que a casa mudou.

Aprendemos novas técnicas de apoio, e ainda aprenderemos muitas outras.

As pessoas mudaram. Eu mesmo mudei.

Porém o objetivo, o propósito, ainda continua.

No mundo corporativo, diria que nossa Missão, Visão e Valores continuam desde a abertura da casa.

Muitos entraram, muitos saíram.

Aos que se foram, saibam que cada um contribuiu com o que podia, seja por exemplo ou contraexemplo.

Aos que ainda estão na casa, meus agradecimentos. Sei que não sou tão fácil assim de se lidar. Porém saibam que meu tratamento sempre será o mesmo, com um único objetivo, que é a prática da Umbanda na sua essência.

Aos que ainda passarão pela casa, serão muito bem vindos. Assim é a Umbanda e assim que deve ser.

Infelizmente, após ter completado 25 anos de Umbanda, ainda fico inconformado com os mesmos pedidos, com os mesmos problemas, com a mesma postura de reclamação, com a mesma preocupação com as vidas passadas, com a preocupação (e somatização) do falso conceito de karma.

Como escrevi há anos, enquanto eu estiver vivo estarei inconformado. E, caso, mesmo depois de desencarnado, passar alguma mensagem, estarei inconformado (se isso não ocorrer, certamente não serei eu).

Acredito no conhecimento que liberta, mas que nos traz responsabilidades.

Acredito na espiritualidade que orienta e não que resolve nossos “problemas”, pois esses, somente nós mesmos podemos e devemos resolver.

Mas, apesar de ter completado 25 anos de Umbanda, surpreendo-me diariamente.

Surpreendo-me com pessoas que tem conhecimento e os aplicam.

Surpreendo-me com pessoas que praticam a essência da Umbanda e nem sabem disso.

Surpreendo-me com pessoas que conseguem ensinar e aprender ao mesmo tempo, sem demonstração de orgulho.

Surpreendo-me com pessoas que querem ajudar e que colocam isso como prioridade em suas vidas.

Surpreendo-me quando o conhecimento não é objeto de poder e sim de desejo de crescimento.

Surpreendo-me com pessoas diferenciadas que fazem parte da nossa vida.

Isso faz me lembrar que minha casa, nossa casa, foi aberta em uma festa de Cosme.

A linha que traz alegria, sabedoria, riso, nos lembra de que nascemos para, pelo menos, tentarmos ser felizes.

São essas pessoas que me fazem recordar de melodias: “Filho de fé estava doente, filho de fé estava chorando, filho de fé viu Ibejada, filho de fé já está cantando...”

São essas surpresas, que apareceram nesses 10 anos e que continuam aparecendo, que me lembram de muitos outros pontos dos nossos mentores.

Como não lembrar do lindo ponto de Vovó Maria Conga ao saber que podemos contar com essas pessoas e com a espiritualidade?

“todo dia era dia de choro e de muita dor, mesmo assim uma escrava chegava de bom humor, quem chorava passava a sorrir, quem caia ficava de pé, Ela era a esperança, o amor e a fé... na passagem de um mundo pro outro seu povo sentiu, e a aquela tão sua alegria não mais existiu... Ela disse que iria voltar, precisando pode lhe chamar...”

Como pensar que estamos desemparados, ao sentir a presença dos pretos-velhos, e ao ouvir dessas pessoas encarnadas e diferenciadas...?

“a bengala de Pai Joaquim bate devagar mas pode doer, o rosário de Pai Joaquim tem mironga para vencer...”

E a cada dia tenho certeza da presença da espiritualidade, seja no dia de gira, seja através de pessoas diferenciadas que cruzam nossa caminhada!

É através delas que a espiritualidade consegue passar suas mensagens, mesmo quando estamos fora do terreiro.

Passaram-se 10 anos de casa aberta de muita indignação e muita surpresa.

Espero que nos próximos 10, eu tenha menos motivos para ficar inconformado e cada vez mais motivos para ficar surpreso.

E você? Está sendo ferramenta para a espiritualidade? Sendo uma dessas pessoas diferenciadas, que podem surpreender e fazer a diferença na vida dos nossos irmãos de jornada?

Estou cansado...

postado em 4 de out de 2015 15:58 por Sérgio Kawanami

Estou cansado...

 

Estou cansado de ser tolerado, estou cansado de ter que tolerar, estou cansado de ter que ter paciência, estou cansado de que outros tenham paciência comigo.

Estou cansado dos falsos evangélicos, dos falsos católicos, dos falsos espíritas, dos falsos umbandistas.

Estou cansado da geração Z, Y, X, dos baby boomers. Estou cansado dessas gerações não se entenderem.

Estou cansado das pessoas reclamando da Dilma, do Aécio, da Marina, do Cunha, do Calheiros, do Lula, do FHC.

Como sou paranaense, também estou cansado sobre as reclamações sobre o Requião, a Gleisi, o Richa, o Ducci, o Ratinho Jr.

Estou cansado dos espiritualistas que não são espiritualizados, dos pseudo intelectuais, dos que vivem nas vidas passadas, das energias densas, das reclamações.

Estou cansado dos que vivem para expirar o karma, do falso moralismo, das pessoas intrometidas, das palavras bonitas sem conteúdo, da vida sem sentido.

Estou cansado dos “irmãozinhos”, das sessões de doutrinação, da desobsessão, da apometria, do reiki e de qualquer outra técnica, que estão sendo utilizadas para demonstração de poder.

Estou cansado das pessoas que sequer se conhecem e querem dar pitaco na vida dos outros.

Estou cansado das falsidades, dos conceitos que não são aplicados, do intelectualismo vazio.

Estou cansado dos jogos morais, de não falar diretamente o que se passa, de aturar o que incomoda, de ter de se adequar ao que não se gosta, de não poder dizer o que realmente sinto.

Estou cansado da solidão, mas também estou cansado das pessoas.

Mas, ainda bem que sempre há um “mas”, a espiritualidade e algumas Pessoas (com “P” maiúsculo mesmo) me fazem pensar.

Percebemos que ainda há pessoas “atemporais”, que permanecem jovens apesar da idade, e outras que ainda são maduros o suficiente apesar da idade.

Ainda, percebemos que há pessoas que são espiritualistas e espiritualizadas, ou somente espiritualizadas (o que na verdade é o que importa). Que ainda devem existir pessoas públicas honestas.

Há pessoas que conhecem o que é o karma, que vivem no presente, que não são falsas, que cuidam de suas próprias vidas, que tem uma conduta moral admirável.

Há pessoas dispostas a ajudar, a serem ajudadas, sem pensar no ego, com humildade para ensinar e para aprender, tudo ao mesmo tempo.

Há ainda pessoas que conseguem dar suas opiniões, sem julgar e sem se intrometer, que conseguem respeitar o livre e arbítrio do próximo.

Percebemos que há pessoas que não estão preocupadas em dizer as palavras bonitas, mas sim as palavras que são as certas para aquele momento, que vem do fundo da alma.

Há pessoas que conhecem algumas técnicas espiritualistas e sabem aplica-las no momento correto, utilizando-as como ferramenta para o auxílio ao próximo e, principalmente, para seu autoconhecimento.

Há pessoas verdadeiras, que aplicam diariamente seus conhecimentos, que querem crescer. Que sabem suas limitações e não se envergonham disso.

Há pessoas que estão nessa vida para fazer a diferença, principalmente para si mesmo, em busca do seu crescimento moral, impulsionando seu processo evolutivo.

Há pessoas supra religiosas e que são verdadeiras, independentemente de sua religião.

Há pessoas que não precisamos tolerar e não precisamos ser tolerado por elas.

Há pessoas com as quais não temos que ter paciência, nem elas devem ter paciência conosco.

São esses que me lembram de que paciência e tolerância são virtudes e que cada ser é único e especial. Que todos tem sua contribuição e que essa é proporcional ao seu conhecimento e à sua evolução consciencial.

Há pessoas para as quais não precisamos esconder nossos pensamentos, até porque elas já sabem o que estamos pensando, mesmo sem falar nenhuma palavra.

Podem ser parentes, amigos, professores, funcionários, chefes, ou somente alguém.

São essas as pessoas que quero ter ao meu lado durante a caminhada evolutiva.

São essas pessoas que, apesar de estar cansado, me lembram de que tudo depende somente dos nossos próprios passos, dos nossos próprios pensamentos, dos nossos próprios desejos.

São essas as Pessoas que fazem a diferença na nossa vida.

São essas as Pessoas que me lembram de que sou eu mesmo quem tem que dar sentido à minha própria vida.

Páscoa

postado em 8 de abr de 2012 12:58 por Sérgio Kawanami

Hoje, 08/04/2012, está se comemorando a Páscoa tanto para Cristãos, como para Judeus...

E nós, Umbandistas?

Antes de iniciar uma discussão acalorada, com tema: "Umbanda é Cristã ou não?", prefiro não me ater a esse "detalhe".

Chamo isso de detalhe, pois entendo que a Umbanda é Cristã sim, pois recebeu, em sua história, influência Católica (muito além do sincretismo religioso como muitos pensam).
Além disso, para aqueles que defendem que a Umbanda não é Cristã, Jesus Cristo foi, e continuará sendo, exemplo moral e de boa convivência, fora os inúmeros ensinamentos maravilhosos trazidos por esse Espírito.
É inegável que seu Espírito foi um marco, um formador de opinião, moral, influência, etc. para todos nós.

Como eu dizia anteriormente, hoje é Páscoa! Feliz Páscoa para todos!

Acontece que nos esquecemos do significado da Páscoa.

Páscoa não é bacalhau + peixe + chocolate...
Páscoa é renascimento. É ressurreição.
Páscoa é Exu (início) e Oxalá (fim).
Páscoa é o nosso renascer. Nossa nova vida.

O que vamos mudar em nossas vidas? O que poderemos melhorar em nós mesmos?

Sinceramente, acredito que somente quando conseguirmos responder a essas perguntas não somente na Páscoa, vamos conseguir nos tornar pessoas melhores...
Mas como sei que grande parte das pessoas sequer faz essas perguntas na Páscoa, que tal começar a fazer isso pelo menos nessa data?

Amplexo!

Tolerância ou Respeito próprio

postado em 26 de jan de 2012 17:37 por Sérgio Kawanami

O dia 21 de janeiro, após o decreto Lei 11.635 de 2007, é o dia nacional ao combate à intolerância religiosa.

Até ai tudo bem. Minha opinião sobre essa lei é que foi bom, mas poderia ser muito melhor.
Precisamos mais do que um dia para comemorar o combate à intolerância religiosa.

Intolerância Religiosa é a atitude mental do indivíduo que não respeita e/ou não sabe conviver com outras pessoas cuja crença é diferente da sua própria.

Acontece que, ao logo da história, isso sempre ocorreu. E, sinceramente, não sei se um dia vai mudar (tomara que isso mude!).

Todavia, mesmo com o dia de Combate à Intolerância Religiosa, tenho percebido outras questões, como por exemplo:

1) Os pseudo-umbandistas se digladiam, sequer respeitando os conhecimentos e opiniões dos outros dirigentes de outras casas.
2) Espiritualistas (isso significa espíritas, umbandistas, candomblecistas, entre outros) se enfrentam constantemente, esquecendo-se que deveriam ser mais próximas umas das outras, afinal tem algo em comum (mas mesmo assim preferem se apegar às diferenças).
3) Protestantes em geral também brigam entre si.
4) Católicos também divergem entre si.

Portanto, para aqueles que não concordam comigo, tudo bem.
Voltaire, famoso filósofo francês, já havia elucidado: "Posso não concordar com nenhuma das palavras que você disser, mas defenderei até a morte o direito de você dizê-las."

Precisamos cuidar do que dizemos. Nossas palavras não podem ser recolhidas após serem ditas.

Precisamos respeitar o próximo, seja pelas suas opções pessoais, profissionais, filosóficas, etc.
Não são somente as questões religiosas que precisam de respeito.

Todos temos o direito de pensar, de agir, desde que não prejudique o próximo.
Todos temos o direito de errar, mas também precisamos saber reconhecer as consequências de nossos erros.

Aproveito também para lembrá-los das palavras do Sr. Caboclo das 7 Encruzilhadas:
"aprender com quem sabe mais, ensinar a quem sabe menos"

Sendo assim, qual o objetivo de tantas críticas vazias, sem fundamento, somente com a intenção de prejudicar, magoar, machucar?
Penso que aqueles que se colocam em posição de criticar alguém/alguma coisa, é porque sabe mais.
Então por que motivo não ensinar ao invés de criticar?

Seriam esses "críticos" os verdadeiros detentores do conhecimento?
E se, realmente o sejam, estão colocando em prática esse conhecimento?!
Ou seriam os "pseudo-umbandistas"?
Ou seriam as mesmas pessoas que dizem "lutar pela intolerância religiosa"?

Antes de lutar pela intolerância religiosa nos outros, precisamos lutar com a nossa própria ignorância e lidar com nossa própria incapacidade em colocar em prática os ensinamentos mais básicos passados logo nas primeiras manifestações pela espiritualidade.

Dessa forma, decidi por mim mesmo:
a. Aos que pensam diferente, meu respeito.
b. Aos que me criticam, minha indiferença.
c. Aos que me ensinam (com a verdadeira intenção e competência moral/intelectual, sem o falso moralismo, jargões, senso comum, etc.), meus agradecimentos.
d. Aos que me julgam, para esses, prefiro dar minha piedade...

Em construção...

postado em 23 de jan de 2012 09:14 por Sérgio Kawanami

Começou o ano de 2012.

Esse será um ano diferente.

A grande maioria das pessoas começa todos os anos dizendo isso. Esse será um ano diferente.

Para nós, do GECPA, realmente será um ano diferente.
Iniciamos o ano com a construção de nossa sede, cuja planta foi desenhada especificamente para ser uma casa de Umbanda.
Isso, graças ao auxílio de pessoas que estão contribuindo, não só para nossa casa, mas também para nossa filosofia de trabalho.

Em 2012, faremos o que grande parte dos terreiros espalhados pelo Brasil não tem feito.

Fazer a regulamentação jurídica de uma casa de Umbanda passa por diversos empecilhos, mas esse ano, o sétimo do GECPA (meu oitavo como dirigente), poderemos fazer isso.

Além disso, vamos retomar nossos trabalhos e proporcionar, muito em breve, um sistema de EAD com aulas, apostilas, e outros materiais que estão em desenvolvimento no momento.

Refletindo sobre esse momento diferente pelo qual estamos passando, percebi muitas mudanças ao longo dos anos. Mudanças boas e ruins.

Percebi que o ego corrompe as pessoas, mas que apesar disso tudo, somos moldáveis a todas as situações pelas quais precisamos passar em nossas vidas. E, somente dessa maneira chegamos em nossos objetivos.
Percebi também que nossa casa não mudou. Quem mudaram foras as pessoas. E por isso, nossos objetivos continuam sendo os mesmos.
Percebi que os objetivos pessoais de cada pessoa muda, e portanto, divergem ou convergem com os objetivos de nossa casa, de nossa família, de nossa profissão. E que, por esse motivo, precisamos (individualmente) sempre reavaliar cada atitude tomada e cada objetivo traçado.
Percebi também que assumir uma responsabilidade de maneira séria é atitude rara atualmente. Porque isso dá muito trabalho...
Mas também percebi que somente dessa maneira os nossos desejos e objetivos são concretizados.

A construção da nossa casa, da minha casa, era um sonho.
Hoje ele começa a se concretizar e a ser levantado.
Precisamos sempre dar o primeiro passo, apesar da caminhada ser longa. Hoje vejo que vale a pena.

Desejo que todos nós aproveitemos 2012 para darmos mais alguns passos para nossos objetivos pessoais, profissionais, morais, etc.

Aos que um dia já passaram pela minha casa, que me conhecem e, por algum motivo, partiram, meu abraço. Com vocês aprendi muito e, certamente, pretendi corrigir meus erros e melhorar meu terreiro.

Aos que hoje estão na nossa casa, meu agradecimento pela confiança. Vamos começar essa nova etapa, com a construção de nossa casa, simbolizando toda a nossa força de vontade em construir também um elo com a espiritualidade maior.

Abraços!

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