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Projeto Mandala

O Projeto Mandala é um modelo inovador de irrigação, que distribui água uniformemente para plantações diferentes em pleno sertão nordestino. A irrigação é em forma de círculos concêntricos e com várias culturas integradas, possuindo um custo inferior à irrigação tradicional. Ela é voltada para os pequenos proprietários ou associações rurais. Os produtores rurais que estão à frente da iniciativa melhoraram a renda e já pensam em criar pequenos animais para aproveitar melhor o sistema, que não usa agrotóxico e respeita as peculiaridades do local. Os produtos produzidos são usados não só para a comercialização, mas também para o consumo próprio das comunidades. O nome técnico do sistema, segundo o zootecnista da Universidade Federal da Paraíba, Joselito Querino Dias, é Projeto Holístico de Produção e Sustentabilidade Ambiental Mandala. Joselito é coordenador de campo da Universidade Solidária (Unisol), que era do governo federal e agora é uma Oscip (Organização de Sociedade Civil de Interesse Público).  Ele coordena o trabalho de instalação e manutenção das Mandalas na Bahia e explica que foram implantadas duas unidades: uma em Santa Brígida e outra em Paulo Afonso. “Várias entidades parceiras dão suporte ao projeto, que tem 30 equipes na região do Xingó”, observa, explicando que o objetivo é instalar Mandalas em todos os municípios que compõem o Projeto Xingó (que envolve os Estados da Bahia Pernambuco, Sergipe e Alagoas).  A idéia surgiu depois do I Encontro do Sertão realizado ano passado, em Paulo Afonso. Explica que várias Universidades fazem parte do projeto, que visa gerar emprego e renda no sertão.  A Mandala foi criada e patenteada pelo funcionário do Sebrae da Paraíba, Willy Pessoa, que apresentou o sistema com sucesso no Encontro do Sertão. A Mandala então foi incluída entre as prioridades do Projeto Xingó, sendo a Bahia a pioneira a instalar o sistema entre os quatro Estados que compõem o projeto, voltado para desenvolver as comunidades que residem na área de influência das usinas hidrelétricas de Xingó, Paulo Afonso e Itaparica.  De acordo com Alexandre Lisboa, técnico da agência Sebrae de Paulo Afonso, a Mandala deve ser instalada em todos os municípios que compõem o Xingó na Bahia e o Sebrae vai articular para que outros parceiros se integrem para apoiar e financiar a iniciativa.

O Projeto Mandala é um modelo inovador de irrigação, que distribui água uniformemente para plantações diferentes em forma de círculos concêntricos e com várias culturas integradas, possuindo um custo inferior à irrigação tradicional. Ela é voltada para os pequenos proprietários ou associações rurais.
Criada e patenteada pelo funcionário do Sebrae da Paraíba, Willy Pessoa, a mandala possui um tanque, com capacidade para até 30 mil litros de água, abastecido por cisterna ou açude. Ao redor do tanque, podem ser cultivados alimentos básicos como feijão, arroz, mandioca, batata, hortaliças e frutas.
O objetivo do Projeto Mandala é atender às necessidades locais desenvolvendo um modelo de agricultura familiar baseado no empreendedorismo e na cultura da cooperação.  A mandala básica repete o desenho do sistema solar. No centro o sol, ou tanque de água, com o vértice de madeira que sustenta as mangueiras de irrigação e, ao redor dele, as órbitas dos planetas – os canteiros. Os primeiros canteiros servem para o plantio de hortaliças, para alimentar as famílias. Os outros cinco, para culturas diversas, dependendo das necessidades de mercado e/ou interesse do produtor ou produtores, caso o cultivo seja feito coletivamente. O último canteiro é destinado à proteção ambiental: cercas-vivas ou plantas de porte, para controlar a infestação de insetos daninhos e evitar ventos excessivos.

 

 

A piscicultura é um  investimento rentável, desde que baseada em projetos tecnicamente corretos. Os contínuos avanços da técnica e dos níveis de produção que vem surgindo em piscicultura estão tornando esta atividade agropecuária um negócio vantajoso, embora muito ainda deva ser feito em termos de regulamentação do uso da água e do solo, translocamento e introdução de espécies de peixe. Associado ao sistema de policultivo de peixes esta o sistema biofônico, que além de gerar renda, podem-se extrair nutrientes da água dos peixes para o abastecimento das plantas hidropônicas. O sistema é  simples, Bombeia-se  a água do tanque de peixes, rica em nutrientes, molha as raízes das plantas que extraem o nutriente da água, logo após passa pelo filtro, voltando reciclada ao tanque de peixes. Para os peixes de tanque, a melhor produção atingida é com a ração comercial, assim,  a alimentação dos peixes deve ser encontrada ou cultivada no local, os peixes podem crescer sem o uso de ração comercial utilizando-se alimentação variada, restos de cozinha, frutas, minhocas, cupim,etc e adubação com esterco de cabra, ovelha, galinha e porco. Hidroponia é uma técnica agrícola, através da qual se cultivam plantas sem a necessidade de solo, o trabalho é mais leve e limpo, não há desperdício de água e nutrientes, a economia de água em relação ao cultivo de solo é de aproximadamente de 70%. A produtividade em relação ao solo aumenta em 30%. O retorno do investimento se dá entre 6 e 8 meses.

 

 

 

Agricultura familiar no semi-árido

(2001 - 2002 : PARAIBA)


SISTEMA PERMANENTE DE AGRICULTURA FAMILIAR NO SEMI-ÁRIDO

 

 

Tudo começou em 2001. Os pequenos agricultores do Assentamento Rural de Acauã, situado no município de Aparecida – PB, haviam saído do Programa de Frentes de Trabalhos em Áreas Afetadas por Calamidade Pública e, além da falta de emprego regular, não tinham água nem tecnologia para tornar sua terra produtiva e garantir a subsistência familiar. Em um momento de seca acentuada, no mês de setembro de 2001, os assentados decidiram reivindicar ao governo do estado o uso das águas do Canal da Redenção, que atravessava o assentamento e abastecia as cidades de Coremas, São José de Piranhas, Aparecida, Sousa, Marizópolis e Nazarezinho. Na ocasião, o canal estava interditado pelo governo, antes mesmo de concluir as ligações para os campos, as caixas d’água, hidrômetros e estação de elevação, que permitiam nivelar as águas com as áreas de irrigação. Sem ter êxito no pedido, os assentados ocuparam o canal. O governo, diante do impasse, cedeu e a Secretaria Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos – SEMARH permitiu o acesso à água. Durante essa negociação surgiu o Projeto Mandala, uma alternativa para a região do semi-árido paraibano, criando ambientes favoráveis de convivência com as secas. Tratava-se de um processo de irrigação, que agregava nova forma de produção da base agrícola diversificada, mantendo com sustentabilidade as culturas e criações já conhecidas e integradas à vida da região. "A vida aqui sempre foi muito difícil. A falta d’água não dava condições para plantar. Agora não, com o Projeto Mandala temos a oportunidade de plantar e colher os frutos o ano todo. De fevereiro para cá, estamos com hortaliças e frutas que dão para o nosso consumo, além da criação de galinhas, peixes e marrecos."
(Janilton Neves Neto, assentado)

 

 

 

Projeto Mandala é apresentado no Fórum Social
Metodologia de cultivo garante maior sustentabilidade à agricultura familiar

Da Redação

Porto Alegre - O projeto Mandala, trabalho de agricultura familiar sustentável realizado nas aldeias São Pedro e Onça Preta da tribo Xavante, em Mato Grosso, foi apresentado na manhã desta sexta-feira, dia 28 de janeiro, no Fórum Social Mundial (FSM), que prossegue até segunda, dia 31, em Porto Alegre. Realizado pela Fundação Banco do Brasil e o Ministério da Integração Social, em parceria com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o projeto foi apresentado pelo presidente da fundação, Jacques Pena. Neste sábado, dia 29, o ator Marcos Palmeira, que adotou o projeto, ministrará palestra, às 12h30min, no Espaço Puxirum de Artes e Saberes Indígenas, sobre o trabalho com as mandalas implantadas nas aldeias Xavante.

O "Sistema Mandala de Irrigação e Produção Permacultural" é uma das seis Tecnologias Sociais de Geração de Trabalho e Renda mostradas pela Fundação Banco do Brasil durante o FSM. Desenvolvido na Paraíba pela Agência Mandalla DHSA, é uma forma de cultivo em pequena propriedade inspirada no Sistema Solar. Prevê a construção de um reservatório de água circular no centro da área cultivada, com dois metros de profundidade por seis de diâmetro e capacidade para até 30 mil litros de água, no qual são criados marrecos e peixes. Ao redor, são plantados produtos essenciais à subsistência (como feijão, arroz, mandioca, batata, hortaliças e frutas) a serem irrigados com a água do sistema, em nove áreas circulares - como os planetas do Sistema Solar.
Cabras, galinhas, codornas e diversos vegetais formam um sistema interativo, onde uma espécie supre a produção da outra. As galinhas, por exemplo, ao mesmo tempo em que se alimentam de ervas daninhas, oferecem esterco e aração para a plantação. Já a lâmpada que ilumina o tanque à noite, atrai insetos, que servem de alimento aos peixes. Até o final de 2005, serão investidos R$ 6,4 milhões para a implantação de 1.090 mandallas em 13 estados, principalmente no Nordeste. A metodologia já está implantada em nove estados (Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraíba, Ceará, Alagoas, Roraima, Sergipe, Piauí e Maranhão). A expectativa é de que até o ano que vem o número de mandallas implantadas no Brasil seja duplicado.
Em uma área de 2,5 mil metros quadrados, é possível se obter uma receita bruta de R$ 1,7 mil mensais depois de um ano de funcionamento da mandalla. Com o projeto em pleno funcionamento, a renda mensal do produtor pode chegar a R$ 5 mil. "O importante não é apenas o 'social pelo social'. Estamos buscando dar sustentabilidade aos projetos sociais. No caso da Mandalla, os produtos excedentes podem ser comercializados. Por isso, podemos mostrar este trabalho de forma diferenciada, efetivamente como um trabalho social sustentável", diz a coordenadora do projeto Mandalla no Sebrae nacional, Newman Maria da Costa.

Desenvolvidas por organizações não-governamentais, universidades, governos e outras instituições, as Tecnologias Sociais de Geração de Trabalho e Renda têm baixo custo e podem ser reaplicadas em escala, apresentando resultados sociais positivos, em áreas como mortalidade infantil, evasão escolar, demanda por água, saneamento básico e energia. "Idéias simples, criativas e que tragam resultados devem ser disseminadas por todo o Brasil. Ao criarmos este banco de 'tecnologias, sociais', nossa intenção é disponibilizar uma ferramenta que contribua para que novas idéias deste tipo continuem surgindo em todo o País", afirma Jacques Pena.
Quatro indígenas da Aldeia São Pedro, próxima ao município de Campinápolis, localizado na região Araguaia, a 720 quilômetros de Cuiabá, no Mato Grosso, estão acompanhando a apresentação do projeto e debatendo os benefícios da agricultura familiar sustentável na aldeia durante o Fórum Social Mundial, na capital gaúcha. Na aldeia, onde o projeto começou a ser implantando em outubro passado, estão sendo plantados alimentos como cenoura e couve-flor. "Estamos cultivando alimentos que fazem parte de nossa cultura", diz o cacique Isaías.

 

 

Projeto Mandala pode ser implantado em Saquarema

Na terça-feira, dia 11 de abril, o secretário de Agricultura de Saquarema, Zadir Pereira dos Santos, vai receber o engenheiro agrônomo Antonio Carlos Vairo dos Santos para uma reunião sobre a implantação do Projeto Mandala no Horto da Emater-RJ em Sampaio Corrêa. A partir das 10h, membros da Secretaria de Agricultura serão preparados para preparar o plano piloto da Mandala, um sistema de irrigação circular de baixo custo que facilita a produção de alimentos de subsistência. O Projeto Mandala fará com que o lago do Horto sustente a criação de peixes e patos, além de irrigar alimentos cultivados em torno do lago. “Os peixes se alimentarão das fezes dos patos, que por sua vez comerão os peixes. A água do lago, extremamente rica, servirá para irrigar os canteiros”, diz Zadir, que explica que a idéia é facilitar a produção de alimentos de subsistência de forma sustentável e gerar renda para as famílias. A Mandala foi criada e patenteada pelo funcionário do Sebrae da Paraíba, Willy Pessoa. A metodologia já foi implantada em Casimiro de Abreu, além de cidades nos estados de Minas Gerais, Mato Grosso do Sul, Paraíba, Alagoas e Rondônia. Famílias do Ceará, Sergipe, Piauí e Maranhão também foram beneficiados pelo sistema.

Projeto Fundo de Quintal-Mandala tem bons resultados em Imperatriz


Fonte: JORNAL PEQUENO
Publicada em: 17 de fevereiro de 2005

 

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Imperatriz - A agricultura familiar tem provado ser uma das melhores formas de geração de emprego e renda para as famílias da zona rural do Maranhão. Um exemplo dessa afirmação são os povoados Água Boa e Cajueiro, pertencentes ao município de Imperatriz, que com o Projeto Fundo de Quintal-Mandala vêm desenvolvendo círculos produtivos, aumentando a qualidade de vida e a produtividade econômica sem, no entanto, causar desequilíbrio ambiental onde se insere. Utilizando um sistema em que as atividades integradas representam as mandalas em torno de um centro, a Secretaria da Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural (Seagro), através do Núcleo Estadual de Projetos Especiais (Nepe) e da Casa da Agricultura Familiar de Imperatriz (CAF), implantou o Projeto Fundo de Quintal-Mandala de forma experimental.
Uma das características do Projeto Mandala é o emprego de uma tecnologia de baixo custo e fácil manejo para os produtores, onde realizam numa área a partir de um quarto de hectare, a criação de peixes e animais de pequeno porte e o cultivo orgânico de hortaliças, frutas e plantas medicinais. Outra característica importante é a não utilização de adubos químicos e inseticidas, que foram substituídos por biofertilizantes e defensores orgânicos, após um curso oferecido aos produtores pela CAF e Centro Tecnológico do Maranhão (Cetecma). Com isto, o consumidor tem acesso a um produto com mais qualidade e totalmente livre de substâncias químicas. Em Água Boa e Cajueiro, por exemplo, as mandalas já estão produzindo e comercializando galinhas caipiras, peixes e hortaliças. Segundo o técnico da CAF, Francisco Silas Barreto de Oliveira, a partir do excedente, os produtores também estão produzindo licores, doces, geléias e compotas. “Através do Cetecma, foi ministrado além do curso de biofertilizantes e defensivos orgânicos, um curso de compostagem aos produtores, onde a CAF participa dando a assistência técnica”, disse Francisco Silas.
Além destes dois pólos em Imperatriz, o Projeto também foi implantado em povoados dos municípios Buritirana, Governador Edson Lobão e Ribamar Fiquene, onde os produtores também estão melhorando a qualidade de vida com a geração de renda. Devido ao êxito alcançado com o Projeto Mandala na região de Imperatriz, onde alguns produtores já tiveram um acréscimo na renda de até 350 reais, outros pólos de produção já estão começando a serem implantados em Anapurus, Bacabal, Cantanhede, Fortuna e Poção das Pedras. Ao todo, 80 famílias estarão sendo beneficiadas. O investimento de 391 mil e 900 reais pelo Projeto de Combate à Pobreza Rural (PCPR) para beneficiar os produtores da zona rural faz parte da meta mobilizadora do governo de José Reinaldo Tavares de elevar o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) através da geração de emprego e renda. Segundo o gestor das CAFs, Paulo Roberto Lopes, até abril, os novos pólos já estarão funcionando. Os produtores já receberam os primeiros cursos de capacitação e aguardam somente a liberação dos recursos. Para a engenheira agrônoma da Casa da Agricultura Familiar (CAF) de Imperatriz, Ivaneide de Oliveira Nascimento, as mandalas significam a melhoria da qualidade de vida do produtor, que trabalha em seu próprio negócio, realizando o beneficiamento dos produtos e com isto agregando valor a eles, além de negociar diretamente com o consumidor, excluindo a figura do intermediário no processo.

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