Por favor, leia a história de Erin:

Uma amiga chamada Sue

Artigo escrito para a revista Guidepost

por Erin Thiele

Havia sido um maravilhoso jantar de aniversário. Nós e o outro casal temos muito em comum. Eu revivia a noite em minha lembrança sem querer acordar. Eu não conseguia me lembrar de ter sido tão feliz antes.

Enfiei a pé embaixo do lençol para tocar o pé do meu marido e estiquei minha mão em cima da cama. Eu simplesmente pensei: "Ele já deve ter se levantado, e bem cedo." Quando eu ouvi a porta do quarto ranger aberta, eu vi meu marido parado na porta segurando uma pequena mala na mão.

"Onde você está indo?", perguntei surpresa. "Eu estou indo para Orlando." Dave * me respondeu friamente. "E quando eu voltar, eu me mudarei para o meu próprio apartamento." Com isso, ele se virou e foi embora.

O choque pareceu me surpreender. Minha cabeça estava girando. Minha fé em nosso casamento tinha sido tão grande, o que havia dado errado? Por que a mudança repentina? Fazia 17 meses que eu estava vivendo em uma montanha russa emocional ao descobrir que havia uma outra mulher na vida dele. Tudo o que eu queria era sair dela.

Durante os primeiros meses da nossa separação, quanto mais eu tentava agir, mais parecia que eu piorava as coisas. Eu me via lendo a minha Bíblia constantemente tentando encontrar paz e consolo. E foi nela que descobri os versículos sobre a mulher contenciosa. Depois de ler a esse respeito, não havia nenhuma dúvida em minha mente de que eu era essa mulher que Provérbios descreve. Então, por que Dave não iria preferir ir embora e viver no deserto, ou viver num canto de telhado? Se eu tivesse um pouco mais de tempo para mudar, tempo para me recompor, mas não havia tempo. Ele já tinha ido embora. Eu orava fervorosamente para Deus me ajudar.

Quase um ano depois, quando Dave ainda estava longe, foi quando eu realmente comecei a entrar em pânico. Eu decidi ajudar a Deus. Eu tracei um plano e falei com Ele a respeito. Eu disse a Ele que tudo o que eu teria que fazer seria simplesmente engravidar durante a visita de Natal de Dave. Dave amava as crianças, e certamente ele voltaria para mim então. Tudo ocorreu como eu planejei. Assim que ele soube da minha gravidez, ele voltou para casa. No entanto, o que eu não havia planejado foi um aborto espontâneo. No mesmo dia que ele voltou, eu comecei a perder o bebê. Meu plano tinha dado errado. Ele estava em casa, mas distante, exceto na noite do nosso aniversário. Naquela noite eu estava gloriosamente feliz, esperançosa.

Quando eu finalmente consegui levantar da cama, nossos quatro filhos ainda dormiam. Desci as escadas olhando pela janela para o pasto enevoado por trás da nossa casa. Em lágrimas, eu implorei: "Deus, você disse que nada era impossível para você, que se eu tivesse fé eu seria capaz de mover montanhas, que Você nunca iria me dar mais do que eu poderia suportar!"

Naquela manhã, enquanto eu lia a Bíblia, eu notei que, em diferentes ocasiões, alguns dos personagens bíblicos passaram por situações difíceis com a ajuda de um outro. O apóstolo Paulo precisava de ajuda na prisão, o Rei Davi e Jônatas, mesmo o próprio Jesus procurou os seus sete apóstolos para acompanhá-Lo pelas ruas de Jerusalém. Eu abaixei a cabeça e orei: "Senhor, quando Dave partiu esta manhã, a pouca fé que eu tinha se foi também. Por favor, me envie alguém, qualquer uma, que me ajude a passar por essa situação. Alguém que não pense que o que eu estou fazendo é loucura."

Minha mente se voltou para quando eu comecei a acreditar que Deus queria que eu restaurasse o meu casamento. Todo mundo com quem eu falei me disse a mesma coisa, "Erin, isso é impossível. É a vontade de Dave deixá-la. Ele está feliz. Apenas siga em frente com sua vida." Alguns até me deram sugestões para chamar a sua atenção. Tudo terminou em desastre. Mas em algum lugar dentro de mim, lá no fundo, ainda havia uma pequena centelha de esperança, de que talvez Deus fosse mandar alguém para me ajudar. Poucos dias depois, enquanto eu estava passando roupa, o rosto de uma mulher me veio à mente. Era alguém que eu nunca tinha conhecido. Ela estava em um estudo bíblico de mulheres do qual eu estava participando. Em vez de esperar pela próxima quarta-feira, eu liguei para a minha professora e pedi o número do telefone dela. Ela disse que seu nome era "Sue" e que ela havia ligado perguntando pelo meu número!

Meu coração estava batendo forte enquanto eu discava o número. O que eu iria dizer? Como eu poderia trazer o assunto à tona? Quando ela atendeu, eu simplesmente perguntei se ela gostaria de se juntar a mim para jantarmos na noite seguinte.

Nós nos sentamos à mesa e eu comecei, "Sue, eu acredito que nós estamos vivendo uma situação parecida em nossas vidas." E eu comecei a contar a ela como meu marido havia me deixado de novo recentemente e sobre a minha oração para encontrar alguém para me ajudar. Ela sorriu, mas ficou em silêncio. Eu me perguntava se eu tinha cometido um erro terrível e constrangedor. Então, ela finalmente falou. "Erin, meu marido me deixou há cinco anos. Ele mora em outro estado e eu acredito que ele está vivendo com outra mulher. Eu ainda acredito que há esperança, mas eu estava começando a me sentir cansada. Na semana passada minha filha se casou e meu marido veio para o casamento. Na entrada, ele se inclinou e calmamente me pediu o divórcio. Eu disse a ele que era difícil para mim pensar nisso assim de repente, e se perguntei a ele falar sobre isso mais tarde." Foi naquela noite que eu orei por alguém para me ajudar.

Naquela noite no restaurante, passamos horas conversando sobre tudo o que o Senhor nos fizera passar até ali e comparamos as nossas anotações. Era incrível as semelhanças entre as nossas situações. Nós duas saímos dali encorajadas naquela noite e planejamos nos encontrar na semana seguinte em um restaurante local.

A partir de então, nós nos encontrávamos todas as sextas-feiras à noite e esse era o ponto alto da minha semana. Nós levávamos todas as Bíblias que tínhamos, e nos debruçávamos sobre as Escrituras para encontrar as respostas para todos os nossos problemas e as nossas muitas perguntas.

Quando estávamos com cerca de um mês de encontros às sextas-feiras, Dave me ligou para dizer que ele estaria vindo nos ver na próxima sexta-feira, em vez da sua habitual visita de sábado. Ele me pegou de surpresa e meu coração desfaleceu. Passar tempo com Sue e nossas Bíblias me trazia a paz que eu precisava para enfrentar cada semana. Eu não respondi imediatamente, mas acabei balbuciando: "Ah, tudo bem." o que fez Dave suspeitar.

Normalmente, depois que as crianças já estavam na cama, ele ia embora rapidamente e voltava para a mulher com quem ele estava vivendo. Mas nesta noite, em vez de sair, ele ficou e me confrontou dizendo que ele sabia que eu estava me encontrando com alguém! Que tinha sido por isso que eu hesitei quando ele dissera que viria na sexta-feira à noite. Ele me disse que eu nem sequer parecia a mesma, que o meu rosto estava brilhando. Ele me disse que podia ver que eu estava apaixonada.

Eu levei um tempo para responder alguma coisa, e por isso ele nunca acreditou verdadeiramente na minha explicação. O "amor" que ele viu não era por qualquer pessoa, mas pelo o Senhor, a quem Sue e eu íamos pedir ajuda toda semana. Nós não somente começamos a nos derramar sobre a Bíblia, mas também nós já não estávamos mais preocupadas com os nossos maridos como antes. Em vez disso, nós compartilhávamos sobre o quão real o Senhor estava se tornando em nossas vidas, comparávamos anotações, e percebíamos que não estávamos mais carentes. Nós já não estávamos mais desesperadas pela volta de nossos maridos; nós tínhamos encontrado o amor que sinceramente "lançava fora todo o medo." Quando eu finalmente respondi, foi com uma leve risada, "Eu não estou me encontrando com um homem nas noites de sexta-feira". Eu disse com um sorriso, "Eu me encontro com uma amiga. Seu nome é Sue." Imediatamente eu pude ver o ciúme, o que era tão estranho, já que durante meses, depois que a verdade veio à tona sobre a outra mulher com quem ele estava envolvido e com quem agora vivia, ele havia me dito inúmeras vezes para seguir em frente e até mesmo para "encontrar alguém." Se ele honestamente queria que eu seguisse em frente e encontrasse alguém, por que ele estava me questionando? Por que ele simplesmente não respirava aliviado?

Rir em voz alta não ajudou a convencer Dave de que eu não estava me encontrando com um homem. O que ele disse que me fez rir assim foi: "Ah, claro! Um homem chamado Sue você quer dizer!!"- referindo-se, naturalmente, a uma música.

Cinco meses depois do nosso primeiro encontro, ela me ligou em uma tarde de sexta-feira e me disse, "Erin, eu não vou poder me encontrar com você esta noite." Meu coração ficou partido. E ela então me contou, "Erin, meu marido voltou!" Meu entusiasmo com essas palavras foi indescritível! Nós nos tornamos tão próximas como amigas, que era como se aquilo estivesse acontecendo comigo.

Na semana seguinte, eu realmente conheci o marido de Sue brevemente em uma conferência que ela e eu tínhamos planejado assistir juntas. Na maioria das vezes, durante as reuniões, a minha mente vagava enquanto eu observava os dois sentados juntos, de mãos dadas - felizes. Após a reunião eles se aproximaram de mim e eu conheci o marido de Sue pela primeira vez. Olhando para mim com um olhar intenso, ele disse, "Erin, eu quero te dizer que mesmo que seu marido diga que não te ama mais, saiba que ele te ama sim. E se você está tratando-o com a metade da gentileza que Sue vem me tratando, com amor, mesmo que eu a tenha tratado terrivelmente, então ele voltará. Não desista."

Ver o milagre de Sue, juntamente com as palavras de encorajamento do seu marido, levou-me a atravessar alguns dos meus momentos mais sombrios. Passados apenas alguns meses depois de Sue e eu nos encontrarmos pela última vez, meu marido se divorciou de mim, uma semana após a conferência.

Embora parecesse muito tempo, na época, foi apenas cinco meses após o milagre de Sue que eu recebi um telefonema inesperado, desta vez muito tarde da noite. Era Dave e eu podia perceber que ele estava ligando de um telefone público ao ar livre porque havia ruídos de tráfego. "Erin, se você falou a verdade quando disse que me perdoava, se você ainda me ama e você ainda quer que eu volte para casa, eu vou estar aí de volta amanhã de manhã."

Quando desliguei o telefone, eu olhei para o céu e disse: "Obrigada, Senhor, por não me deixar e nem me abandonar. Obrigada por trazer o meu marido de volta para casa. E, Senhor, obrigada por me enviar a minha amiga chamada Sue".



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