Roxette foi, é e sempre será Per Gessle & Marie Fredriksson de 1986 a 2016. / Foto: Micke N-S from Roxette XXX Tour – Vienna, Austria (Stadthalle) – July 08 – #50 (roxtteblog).
Última atualização: 11/06/2026 - Novo lançamento comemorativo dos 40 anos de formação da dupla: "Neverending love (Remixes)".
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Minha história com Roxette começou muito antes de eu me reconhecer como fã. A lembrança mais antiga que tenho da dupla vem da época em que a novela O Sexo dos Anjos passava na TV Globo. Eu estava na casa de uma colega, em Santa Vitória, no interior de Minas Gerais, quando ouvi “Listen to Your Heart” pela primeira vez. Naquele momento eu obviamente não imaginava que aquela música, e posteriormente a dupla, ocupariam um espaço tão grande na minha vida.
Depois vieram músicas como “The Look” e “Joyride”, que tocavam sem parar em rádio, televisão e coletâneas da época. Mas meu envolvimento ainda era distante. Eu tinha gostos muito mais infantis naquele período — Xuxa, trilhas de novelas e coisas parecidas — então o Roxette era apenas algo que existia ao redor.
Foi só a partir de 1993, ouvindo rádio compulsivamente e gravando músicas em fitas cassete de 90 minutos no meu microsystem, que a música internacional começou realmente a ocupar um espaço importante pra mim. Primeiro veio Michael Jackson, depois Ace of Base, The Cranberries e tantas outras bandas que marcaram os anos 90. Comprar um CD naquela época era quase um ritual. Ir às lojas, observar capas, encartes e descobrir artistas aos poucos era parte essencial da experiência.
Foi justamente assim que o Roxette entrou de vez na minha vida. Durante várias visitas às lojas, eu sempre acabava olhando a capa de Don't Bore Us, Get to the Chorus! Roxette's Greatest Hits. Conhecia algumas músicas, achava a capa interessante, mas nunca levava o disco. Até que um dia resolvi comprar. E foi uma experiência que nunca esqueci.
Ouvir aquele álbum pela primeira vez foi uma sensação muito difícil de explicar. Faixa após faixa, parecia que eu tinha descoberto algo absolutamente especial. Foi provavelmente a primeira vez que senti aquela impressão rara de gostar praticamente de um disco inteiro logo na primeira audição. A partir dali, comecei a procurar os álbuns anteriores, os singles, os lados B, os projetos solo de Per Gessle e Marie Fredriksson e tudo que estivesse relacionado à dupla.
Naquela época, acompanhar uma banda internacional exigia muito mais esforço do que hoje. Não existia streaming, o acesso à internet era extremamente limitado e videoclipes dependiam da programação da MTV ou de programas específicos. Eu estudava inglês copiando letras dos encartes e tentando entender sozinho o significado das músicas. Meu inglês nunca ficou exatamente bom, mas aprendi a me virar graças a isso.
Com a chegada da internet discada, comecei a explorar os primeiros sites de fãs e descobrir raridades em MP3 — algo extremamente trabalhoso na época. Baixar uma única música podia levar quase uma hora, dependendo da conexão. Ainda assim, havia um entusiasmo enorme em encontrar demos, lados B e músicas solo que simplesmente não existiam no Brasil. Foi nesse período que também comecei a criar meus próprios sites relacionados ao Roxette.
Primeiro vieram páginas simples hospedadas em subdomínios do Roxette.org, depois surgiu o “Roxette Bråsil”, que organizei em português, inglês e um espanhol improvisado. Nunca foi um site grande ou profissional, mas era algo feito com muito cuidado. Eu gostava de organizar discografias, capas, versões e pequenos trechos de músicas para que outras pessoas pudessem conhecer melhor a banda. Sem perceber, aquilo também virou uma forma de socialização numa época em que eu era extremamente tímido e praticamente não tinha amigos fora da internet.
Naturalmente, isso me aproximou de outros fãs do Brasil e de fora dele. Alguns contatos acabaram se tornando amizades muito importantes naquele período, especialmente pessoas da Argentina, México e de diferentes estados brasileiros. Com o tempo, como costuma acontecer, muita coisa mudou, grupos se desfizeram e várias relações simplesmente seguiram outros caminhos. Hoje prefiro olhar para aquilo mais como parte de uma época muito específica da internet e da vida, sem transformar essas lembranças em ressentimento (tenho tentado). Foram conexões importantes naquele momento, mesmo que muitas tenham se perdido naturalmente com o tempo.
Também existia toda a ansiedade em torno dos lançamentos da dupla. A expectativa pelos álbuns, pelos singles e principalmente pela possibilidade de uma turnê no Brasil era enorme. Quando Room Service foi lançado, por exemplo, parecia que o Roxette estava novamente em todos os lugares: rádio, MTV, fóruns, sites e grupos de fãs. Mesmo as coletâneas constantes — que às vezes cansavam parte dos fãs (inclusive a mim) — acabavam trazendo alguma música inédita ou novo material para acompanhar.
Mas 2002 mudou completamente a percepção de tudo isso. A notícia do tumor cerebral de Marie Fredriksson foi um choque muito grande. Não apenas pela preocupação óbvia com sua saúde, mas também porque ficou a sensação de que aquele universo musical que acompanhava minha vida desde os anos 90 talvez estivesse chegando ao fim. A recuperação dela foi longa e difícil, e embora o Roxette ainda tenha retornado aos palcos anos depois, era impossível não perceber que muita coisa havia mudado.
Quando a dupla finalmente voltou ao Brasil em 2011, consegui realizar algo que parecia distante por muitos anos: assistir a um show deles ao vivo. Foi uma experiência extremamente intensa emocionalmente. Eu vivia um período muito difícil da vida pessoal, estava exausto física e emocionalmente, mas aqueles shows acabaram funcionando quase como um intervalo necessário em meio ao caos daquele momento.
Em São Paulo, no Credicard Hall, consegui ficar na grade e assistir praticamente ao show inteiro cantando e chorando ao mesmo tempo. No ano seguinte, em Brasília, além do show, consegui algo que por muitos anos considerei impossível: um autógrafo de Marie Fredriksson no álbum Travelling. É uma lembrança que continua tendo um valor enorme pra mim justamente porque aconteceu de forma muito espontânea e humana.
Com o passar do tempo, ficou claro que a saúde de Marie voltava a se fragilizar. Os últimos anos do Roxette carregavam uma atmosfera diferente, mais delicada e melancólica. Em 2019, quando veio a notícia de sua morte, foi como encerrar definitivamente um capítulo muito importante da minha vida. Não apenas pela música, mas por tudo o que ela representou emocionalmente durante tantos anos.
Talvez por isso esses sites existam hoje. Inicialmente pensei apenas em organizar letras e discografias de forma mais funcional do que os serviços atuais costumam apresentar. Aos poucos, porém, percebi que isso também funcionava como uma forma de revisitar memórias, reorganizar emoções e ocupar a mente em períodos difíceis. É quase uma terapia ocupacional feita através da música.
As informações utilizadas neste site vieram principalmente de fontes como o Discogs e o The Daily Roxette, além de anos acompanhando a carreira da dupla. O layout simples e direto também é proposital: quero algo fácil de navegar, especialmente no celular, focado mais na organização do conteúdo do que em efeitos visuais.
No fim das contas, minha relação com o Roxette sempre foi muito intensa — às vezes emocional demais até. Houve momentos extremamente felizes, outros bastante difíceis, mas a música permaneceu. E talvez seja justamente isso que ainda me faz continuar organizando tudo isso aqui.
Essa introdução foi revisada e atualizada em 20/05/2026.
Site Roxette Bråsil (2000)
Show em SP (2011)
Show no DF (2012) e autógrafo
Fontes: Livro The Look for Roxette Discogs The Daily Roxette Canal do Roxette no Youtube Musixmatch Genius RoxetteBlog