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Zeólitos da Islândia e Faroe

    As primeiras referências a ocorrências destes minerais na Islândia datam, ao que parece, do séc. XVII estando bem referenciadas em vários documentos do séc. XVIII.

    Os meus zeólitos destas ilhas são de grande qualidade e não ficariam mal em qualquer colecção de gaveta. Os exemplares foram obtidos por troca efectuada  com o Sr. Volker Betz (um dos mais conceituados coleccionadores de zeólitos  da Alemanha). Os minerais pertencem a dois lotes diferentes, o primeiro é formado por minerais colectados, por este coleccionador, em meados dos anos setenta  e cujas campanhas de recolecção  dariam origem ao artigo Zeolites from Iceland and the Faeröes   publicado pela conceituada Mineralogical Record, Janeiro-Fevereiro, 1981. O segundo lote resulta de uma nova viagem de recolha efectuada, cerca de 25 anos depois da primeira, em Julho de 2002.

    Outros espécimes islandeses foram obtidos por troca com o Instituto de História Natural da Islândia. São também exemplares de muito boa qualidade e ressalta-se aqueles que são provenientes de  Teigarhorn e da mina de Helgustadir por serem localidades clássicas e hoje inacessíveis por uma feliz legislação de protecção. A troca foi estabelecida através do Dr. Sveinn Peter Jakobsson especialista em mineralogia e zeólitos da Islândia.

    A baía de  BERUFIORD, Islândia, é mundialmente conhecida pelas suas ocorrências de zeólitos e de onde são originários vários dos meus espécimes. A baía de Berufiord fica entre as baías de Hamarsfiord e Breiddalsvik, tendo cerca de 20 km de comprimento por  2 a 5 km de largura. A montanha mais proeminente de Berufiord é o Monte Bulandstindur, a oeste da povoação de  Djupivogur. A entrada da baía possui ilhotas e rochedos, mas a maior parte da baía é isenta destes obstáculos. A costa sul é demasiado inóspita para a actividade agrícola, mas ao longo da costa norte existem  várias quintas.
       
Teigarhorn é uma das quintas atrás referidas e fica a cerca de 4 Km para oeste de Djupivogur. Esta propriedade ficou famosa mundialmente pelos seus cristais de zeólitos vulcânicos sendo, talvez, a localidade mais citada de sempre. Estes minerais, no passado,  eram colectados por qualquer pessoa,  actualmente esta área é de colecta proibida. Os zeólitos ocorrem em basaltos toleíticos, extremamente vesiculares, cujos geodes chegam a ter 1 m de diâmetro.

    As Feröe são genericamente constituídas por basalto de idade terciária associado a tufos e brechas vulcânicas. Os filões e as soleiras são raras sendo as rochas efusivas, mais abundantes, o basalto amigdalóide cujas cavidades são ricas em zeólitos. Destes salientam-se os exemplares de stilbite, mesolite e chabazite por serem excepcionais.

Fotografia do Sr. Volker Betz no interior de um geode basáltico em Vagar nas Ilhas Feröe

(fotografia gentilmente cedida por Volker Betz)

 

Stilbite, Skali, Berufjord, Islândia, 7x6x5 cm

Ilhas Feröe

    As Ilhas Faroe têm uma área total de 1400 km2 e fazem parte da  North Atlantic Brito-Arctic Cenozoic Igneous Province que se estende desde as Ilhas Britânicas até à Gronelândia. As Faroe são quase exclusivamente constituídas por escoadas basálticas que se geraram em episódios eruptivos com a idade de 59–55 Ma (Waagstein 1988; Larsen et al. 1999). Segundo Rasmussen e Noe-Nygaard (1969, 1970) a história vulcânica deste arquipélago pode ser resumida no seguinte:

1º - Começo da actividade vulcânica a oeste das actuais ilhas com a erupção da formação basáltica inferior. Seguindo-se um período de acalmia com a formação de 10 de sedimentos. A actividade vulcânica recomeçou com uma fase do tipo explosivo, resultando na deposição de cinzas e outros piroclastos. Sublinhe-se que, através de sondagens realizadas nos anos oitenta, este início a oeste foi nos últimos anos posto em causa podendo a origem deste episódio encontrar-se numa zona central.

2º - Seguiu-se uma fase efusiva, que deu origem à formação basáltica média, através da erupção por fracturas entre o actual grupo de ilhas.

3º - Por fim a actividade vulcânica deslocou-se mais para este do actual arquipélago dando origem à formação basáltica superior. Depois deste episódio a planície basáltica foi intruída por diques e soleiras. Grandes soleiras intruíram na fronteira entre as formações basálticas média e a superior em Streymoy e Eysturoy. A actividade tectónica continuou muito depois do vulcanismo já ter terminado.

Mapa Geológico  das  Faroe. Segundo Rasmussen e Noe-Nygaard (1969)

 

 

Literatura recomendada:

 BETZ, VOLKER (1981), Zeolites from Iceland and the Faeröes, Mineralogical Record, Janeiro-Fevereiro, 1981

JORGENSEN, Ole (2006), The regional distribution of zeolites in the basalts of the Faroe Islands and the significance of zeolites as palaeotemperature
indicators, Geological Survey of Denmark and Greenland Bulletin, 9, pp 123–156