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Deus em pratyáhára
A abstração dos sentidos é um fenômeno que todo o mundo já experimentou muitas vezes. Ocorre, por exemplo, quando você está assistindo a uma aula que lhe interessa e não escuta os ruídos circundantes, como uma buzina, campainha, pessoas falando. O mesmo ocorre quando você deixa de escutar a música ambiente, o ruído do ar condicionado, etc.
Denominamos pratyáhára consciente quando o fenômeno torna-se voluntário. Por exemplo, você está na sala e decide não escutar mais a música ambiente ou o ruído da rua. Quando se trata de som, é mais fácil dominar. Depois, os exercícios passam a ser feitos com os outros sentidos: visão, olfato, paladar e tato. Não precisa ficar preocupado. Não se trata de desenvolver nenhuma anomalia, mas tão simplesmente de dominar os seus sentidos para desligá-los, tornar a ligá-los ou mesmo aguçá-los, conforme melhor lhe aprouver. Já é um início de desenvolvimento de siddhis, as paranormalidades.
exercícios de pratyáhára 1) Pegue um relógio analógico de pulso. Coloque-o junto ao ouvido e concentre-se no tique-taque. Ligue um aparelho de som com uma gravação de melodia homogênea, sem altos e baixos, e coloque em volume baixo. Tome o cuidado de não parar de escutar o tique-taque do relógio. Então, vá aumentando lentamente o volume da música, mas sem perder o som do relógio. Quando o volume já estiver no máximo, comece a afastar o relógio, devagar, sempre sem perder a audição seletiva do tique-taque. Quando o braço estiver totalmente estendido, o som no máximo e você continuar escutando o ruído do relógio, o exercício terá atingido seu ponto culminante. 2) Outro exercício de pratyáhára é sentar-se como quem vai meditar, fechar o olhos e não escutar nenhum som externo. 3) Quando tornar-se mais adestrado na abstração, vai poder superar a dor, o que é muito útil em diversas circunstâncias da vida. Mas jamais deve ser utilizado para demonstrações de faquirismo, pois banalizaria os poderes do Yôga. 4) Mais tarde, você vai começar a se abstrair de todos os outros sentidos além da audição, visão, olfato, paladar e tato.
Trechos extraídos do livro Tratado de Yôga, autor: DeRose.
Abaixo um trecho do um filme Deus é brasileiro que ilustra de forma curiosa o estado de pratyahára. Segue também a sinopse.
Vídeo extraído do longa Deus é Brasileiro, 2002 de Cacá Diegues. Sinopse Cansado de tantos erros cometidos pela humanidade, Deus (Antônio Fagundes) resolve tirar umas férias dela e descansar em alguma estrela distante. Antes, Ele precisa encontrar um substituto para ficar em Seu lugar e decide procurá-lo no Brasil. Seu guia na busca será o pescador Taoca (Wagner Moura). Juntos, eles rodarao o país em busca do substituto ideal. O filme é uma livre adaptaçao do conto "O Santo que nao Acreditava em Deus", de Joao Ubaldo Ribeiro. retirado do site: http://www.carlosdiegues.com.br/ |
