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“As Donzelas de Penélope” Honoré Daumier (ciclo Ulisses, 1852) Na Odisséia de Homero, as donzelas que trabalham na casa de Ulisses são mortas sem piedade após seu retorno, pois ele havia julgado o comportamento delas indecoroso e desleal. Segundo lhe explica seu filho Telêmaco, enquanto Penélope mantinha-se fiel ao marido durante sua longa e aventurosa ausência por cerca de 20 anos, as aias participavam de festas, banquetes e orgias sexuais com os vários pretendentes à mão de Penélope. Entretanto, ao recriar (no romance The Penelopiad) esta epopéia clássica sob a perspectiva da própria Penélope, a escritora canadense Margaret Atwood dá a essas infelizes mulheres a oportunidade de fornecer uma explicação diferente para aquele comportamento aparentemente condenável: completamente silenciadas na Odisséia, em The Penelopiad elas fornecem ao leitor uma outra versão para o ocorrido: segundo as aias, elas estavam apenas executando suas tarefas de servir aos convidados, e, a pedido da própria Penélope, estrategicamente servir de “olhos e ouvidos entre os pretendentes”(ATWOOD: 160), que as seduziram e estupraram, conforme nos relata esta admirável Penélope contemporânea. O coro que dirige seu canto a Ulisses na introdução deste capítulo do livro, ilustra a motivação do nosso grupo de pesquisa: “você tinha a espada, você tinha a palavra sob seu comando “ (ATWOOD: 6). Resgatar essas vozes silenciadas na literatura é o nosso objetivo. Departamento de Teoria Literária e Literaturas da Universidade de Brasília - UnB |