As mudanças atuais na economia mundial – com seu ritmo acelerado e sua imprevisibilidade – afetam todas as organizações, sejam empresas privadas, públicas ou do terceiro setor. Na área social não é diferente. As organizações com finalidades sociais sofrem também as pressões da realidade econômica mundial. Faz se necessário que estas organizações percebam as influências das mudanças econômicas sociais e tomem decisões. Caso não o façam, correm os riscos de fracassarem na realização de seus objetivos, o que eventualmente pode culminar no fim da organização. No terceiro setor – como em todas as áreas de atuação profissional – percebo que o “tempo” e o “conhecimento” assumem importância fenomenal na tomada de decisões. A ação frente às mudanças tem que ser imediata, embora também tenha que ser planejada. Dizem muitos administradores, que no mundo das organizações “não é o mais forte que vence o mais fraco”, mas será o mais rápido e ágil que vencerá. A organização que toma decisões rápidas e estratégicas tem grandes possibilidades de atingir seus objetivos com êxito. Para enfrentar estes desafios de forma acertada recomendo que a organização estabeleça um planejamento estratégico. O planejamento estratégico tem a finalidade de indicar o caminho por onde a organização deverá caminhar. Prevendo com antecedência os acontecimentos ou situações (internas e externas) que possam influenciar durante a “caminhada da organização”, inclusive prevendo também as ações a serem tomadas nestes casos. Um bom planejamento estratégico tem que ser elaborado por pessoas tecnicamente capacitadas e com total participação de representantes dos níveis gerenciais (conselhos, diretorias gerais, gerentes e assessores) e operacionais (supervisores técnicos) das respectivas organizações. Mas para tomar decisões estratégicas e rápidas, é imprescindível ter “conhecimento”. Neste sentido, investir em capacitação profissional deve ser um objetivo primário da organização social. Capacitação profissional entendida enquanto ferramenta que permita aos colaboradores, contratados e voluntários, aumentar seus conhecimentos. Estes conhecimentos constituem o capital intelectual – que não pode ser medido – e tem a capacidade de fazer a diferença no planejamento e administração da instituição. Quando as organizações sociais tiverem profissionais com sólidos conhecimentos na área em que atuam, poderão melhorar sensivelmente os seus serviços. São estes profissionais que no cotidiano das organizações sociais enfrentam novos desafios que exigem tomada de decisões rápidas e acertadas. Entre os grandes desafios destaco a captação de recursos, a implementação de novos projetos, a implantação de bons sistemas de avaliação, o gerenciamento dos processos administrativos, a elaboração de um plano de marketing e a implantação de bons sistemas de informação. Outro grande desafio para as organizações sociais é a ampliação da percepção que os colaboradores tem dos usuários beneficiados pelos seus serviços. Em muitas organizações sociais ainda perpetua-se a visão do usuário “coitadinho”, que precisa ser ajudado. É a personificação do “pobrezinho” e “do carente”. São todos qualitativos ligados ao assistencialismo social que infelizmente ainda é desenvolvido por muitas organizações. É importante sabermos diferenciar entre Assistência Social e assistencialismo social. |Saiba +| Deve existir a compreensão que os usuários da organização são cidadãos de direitos, que devem sendo atendidos sob a perspectiva do investimento social, amparado numa ampla legislação prevista na constituição federal brasileira. Toda a legislação da área social (LOAS - Lei Orgânica da Assistência Social, ECA – Estatuto da Criança e Adolescente – PNI – Política Nacional do Idoso, etc.) visam o fim desta visão e a libertação das pessoas em busca da promoção social. As organizações sociais não existem apenas para “ajudar” e para ser “boazinhas” com as pessoas. As organizações sociais existem pra transformar sonhos em realidades. Existem pra transformar pessoas dependentes do sistema de proteção social em pessoas cidadãs libertas e capazes de lutar pela sua sobrevivência. |