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A Difícil Tarefa de Educar

postado em 26/12/2009 05:21 por Reginaldo Miguel de Lima Vileirine

O tempo atual tem superado todas as expectativas em termos de modernização e tecnologia. Muita coisa mudou para melhor, facilitando a vida da humanidade, representando grandes avanços em qualidade de vida. No entanto, temos ainda um longo caminho a percorrer em alguns setores.

Um bom exemplo é o ato de educar. Apesar dos avanços todos, educar continua sendo um desafiante processo de relacionamento ou interação. A educação não pode ser entendida somente como os conhecimentos adquiridos na escola, mas um conjunto formado por todos os conhecimentos resultantes dos nossos relacionamentos desde o dia do nosso nascimento.

A educação começa a partir do primeiro dia de nossa vida. Começa com o acolhimento que recebemos de nossos pais e mães, com o carinho e amor transmitidos através dos cuidados dispensados ao bebê. Mais tarde ampliamos nossos conhecimentos com uma maior interação com os outros: quando começamos a reconhecer a figura das pessoas que nos rodeiam e nos relacionamos com elas. Essa interação faz parte e constitui-se no próprio processo de educação.

Convém lembrar que não existe educação sem relacionamentos com outras pessoas. A educação é essencialmente um processo originado e desenvolvido numa relação entre pessoas.

Tenho visto e acompanhado problemas diários com crianças e adolescentes desmotivados, desorientados, carentes de afetividade e de conhecimentos. E muitos destes problemas de educação são exatamente resultados da ausência dessa interação, ou seja, ausência de relacionamento. Relacionamento entre os membros de uma família, entre os colegas, entre os alunos e professores.

São crianças e adolescentes que perderam uma parte importante de sua infância. Muitos não aprenderam a relacionar-se com os outros porque encontraram solidão e medo na sua infância, manifestado no abandono de horas sozinho cercado somente pelas paredes da casa, enquanto os pais estavam ausentes.

Quem não teve o carinho e amor de seus pais ou familiares, não aprendeu a reconhecer no colega ou professor, o elo humano educacional. Não aprendeu que precisamos uns dos outros para crescer, sobreviver e principalmente aprender. A ignorância disto tudo produz crianças e adolescentes apáticos e desmotivados, quando não produz adolescentes agressivos e violentos.

E o que fazemos com estas crianças e adolescentes? Fazemos muito pouco, porque é muito mais fácil ir excluindo-os das instituições que ainda freqüentam. Infelizmente é muito difícil recuperar anos de abandono e ignorância. Como refazer cada gesto de carinho e atenção deixado por uma família ausente? Como desfazer cada agressão motivada por uma família desorientada, intolerante e problemática?

É um grande desafio fazer estas crianças e adolescentes ver esperança e futuro, num mundo que os abandonou educacionalmente, desde o dia do seu nascimento. Mas é um desafio que dever ser assumido diariamente por todos nós.

As nossas instituições de apoio sócio educativo, espalhadas pelo Brasil, procuram desenvolver atividades que resgatem estes vínculos afetivos e familiares perdidos. Muito mais que a educação formal, a nossa filosofia educacional cavanis acredita na "formação do coração".

Nós também não temos respostas prontas, mas temos uma enorme determinação na difícil tarefa de educar!


Autor: Reginaldo M L Vileirine
Assistente Social 

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