O presidente da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema), Marcos Schoene, defende a liberdade para os municípios definirem sobre a malha hídrica no perímetro urbano. Ele cita o caso do rio Mathias, localizado no Centro de Joinville. “O rio Mathias já perdeu sua função ecológica há muito tempo, não pode-se querer proibir todas as obras que precisam ser construídas a menos de 30 metros de suas margens. Assim, ficamos com muitos empreendimentos embargados, o que significa perda de dinheiro sem motivos”, analisa.
Em relação aos rios da zona rural, Schoene afirma que o código atual está levando muitas pessoas à clandestinidade. Ele acredita que a discussão sobre o novo código não deve terminar tão cedo.
O presidente da Fundação Rural 25 de Julho, Rivelino Simas, destaca que os agricultores de Joinville não discutem distâncias entre a mata ciliada e os rios, apenas querem uma definição nos investimentos para a sustentabilidade do produtor. Para ele, a discussão sobre o Código Florestal é paralela à questão da sustentabilidade. “É possível proteger o meio ambiente e manter a produção. O ideal é que elas corram juntas. Mas é preciso investimento na agroindústria, na produção de orgânicos”, diz.
Uma boa reforma agrária é a solução da presidente da ONG Ambiverde, Mary Sievert Friedrich. “Olhando pelo lado dos agricultores, até dá para entender. Acredito que existam outras soluções que não agridam o meio ambiente”, diz Mary.
Para ela, as mudanças previstas no código deveriam ser consideradas crime. “Essa mudança vai causar erosão, danos à biodiversidade e interromper os processos ecológicos”, analisa.