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VENTANIAS DA MENTE
Preciso adelgaçar cometas. Preciso nivelar-me ao celeste azul. Preciso ler Manuel Bandeira. Preciso ouvir As Rosas Não Falam, Free Jazz e Blues!
Preciso garimpar as incertezas da certeza. Preciso tomar um porre de Rum. Preciso pôr as cartas sobre a mesa. Preciso flertar com O Bando de Teatro Olodum!
Preciso sentir a textura da tez da minha Preta. Preciso prementemente ir á rua desnudo do habitual calandu. Preciso assistir --- de novo --- á película O Baixio das Bestas. Preciso pagar --- com os juros da cara --- a conta de luz!
Preciso dormir por 8 horas. Preciso comprar os acústicos de Jorge Benjor, Seu Jorge e Paulinho da Viola. Preciso gostar de comer chuchu e saber que não sou cult. Preciso criar coragem para suportar o peso da minha Cruz!
Preciso encarar a barrela. Preciso fazer 1 bilhão de aquarelas. Preciso descobrir minhas raízes no Benin ou na Nigéria. Preciso demonstrar mais amor pela Terra. Preciso ser Angola, Moçambique, Sudão, Somália, Etiópia e África do Sul. Preciso chupar acerola, umbu, cajá além de caju. Preciso largar mão de querer rimar com o fonema e o corpo da letra U!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
http://www.myspace.com/nirvanapoetico · http://twitter.com/jessebarbosa27
POESIA-PLACEBO
Tórrida noite, Tépido dia: Certo mesmo é ser fria A minha poesia.
Longa noite, Mínimo dia: A verdade É ser cega a lâmina da minha poesia.
Gótica noite, Plácido dia: A poesia minha não fecunda as tormentas, Tampouco afaga a brisa.
Cancerígena noite, Ofídico dia: Minha poesia não é amplidão e matéria florida, Muito menos cubículo ou o estadão das partículas.
Dia-noite, Noite-dia: É água insossa a minha poesia.. Nem salgada, nem docílima!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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O VOO-ODE
Eu, a vela, a nau... Eu, a jornada, a jangada, o jogral... Eu, as estrelas, a estrada, os estafetas, o estendal... Eu, a balsa, a valsa, a vala, o caos, a vazante, o vau... Eu, a seca, a perda, a eira nem beira, a geleira, o fel, a treta, a majestade do sal... Eu, o berro, a boca, a bomba, a fraga, a flauta, a falta, a sede, o embornal... Eu, a guerra, a TERRA, a brasa, a cratera, A PRAÇA CELESTIAL... Eu, a viela, a berinjela, a barrela, a vinícola, a Imagética, o parreiral... Eu, o silêncio, a mesquita, a catedral, o concreto, a moreia, a Paz, A Pá de Cal... Eu, o poema, a cadela, os pirilampos da favela, a cena, a marola, o plenilúnio do sol... Eu, a Caatinga, Ipanema, o mar da Bahia, a poética aridez Cabralina, o Manguezal... Eu, a ébana lida, Xangô, Tereza Batista, O Sambista, O PAÍS DO CARNAVAL... Eu, a laje batida, a gata lasciva, o baba dominical... Eu, o vento, a ventania, o tempo, o outro lado da Física, a ânsia gutural... Eu, Lião, Policarpo Quaresma, Lea, A Miragem Vil-Metal... Eu, Luísa Main e Zeferina, Zumbi, João de Deus, Lucas Lira, O Livre Líquido Mineral... Eu, Marighella, Che Guevara, Lamarca, Panteão do Araguaia, REVOLUÇÃO, O Saber de Karl, A INTERNACIONAL... Eu, Mandela, Malcolm X, Martin Lutter King, O Incolor Sonho Imortal... Eu, Alegria-Alegria, A Palo Seco, Refazenda, Asa BrAnCA, Milagreiro, Roda-Viva, Ideologia, Maria-Maria, A Mosca Na Sopa, O Bêbado E O Equilibrista, Marina, Campo de Batalha e Malandrinha, O Vento No Litoral... Eu, o avesso do avesso, o verso, o verbo, a sedução do realejo, A Comédia acontecendo, o Drama de não se conhecer a si mesmo, Ocasos, orgasmos, beijos, canaviais, carvoarias, lagrimas efusivas, A Vida Afinal!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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A SINFONIA DOS PENSAMENTOS ORGÂNICOS
A saliva naufraga na superfície da garganta. O eco se afoga no mar da palidez cadavérica Que subjuga o semblante abatido da esperança. Doridas manhãs e angustiantes distâncias Afloram sobre o chão do fluxo das lembranças.
O sol destranca a Poesia das paisagens averbalizadas. A tarde que se assenta represa e descerra A efusão das mágoas guardadas. A lua nos emprenha de claridade sensata Para podermos contemplar A miséria e a beleza da humanidade á lepra condenada. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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O NIRVANA DA BRASILEIRA POESIA
Os fogos estouram no mar. Os fogos estouram em terra. Os fogos estouram no ar Os fogos estouram á beça!
Os fogos estouram na roça. Os fogos estouram em plena selva de pedra. Os fogos estouram ao redor e frontalmente ás modernas casas modestas. Os fogos, a erupção do vulcão Etna!
Os fogos gostam de me lancinar sem trégua. Os fogos põem-me alerta. Os fogos são um drama por demais prolífico e rotundo. Os fogos descortinam o calabouço onde moram minhas feras!
Os fogos açaimam o remanso. Os fogos, apoteose maior das Juninas Festas! Os fogos celebram a transição dos anos. Os fogos, estafetas da Guerra por Poder de Impérios pelo Oriente Mundo E, aqui, nas Tropicais Favelas!
Os fogos borrifam alegria sobre a face entristecida. Os fogos orvalham o cosmo de mil fantasias. Os fogos alimentam fogueiras, amores, a sertaneja felicidade nordestina. Os fogos, O NIRVANA DA BRASILEIRA POESIA!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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PAISAGENS ONÍRICAS
Sonho que pincelo --- sobre a tela das favelas --- A consciência da tropical aquarela.
Sonho que borrifo --- sobre o matinal canto dos pássaros --- O rio Amazonas e todo o patrimônio oceânico da Terra.
Sonho que sou a procela Qual voa bailando pelas atmosféricas Passarelas da mádida primavera.
Sonho com a materialização do desejo De solfejar hinos que revelem O verdadeiro combustível Qual nutre o oxigênio Das execráveis e nobres guerras.
Sonho que o Povo Toma a definitiva posse Das rédeas da sua oprimida sorte.
Sonho que manejo um telescópio gigante E descubro o tesouro Guardião da luminescência Das estrelas que vagueiam Sobre e além do universo soberano.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
TOADA DO REMANSO NA TEMPESTADE
I
A marola do tempo Faz suas vítimas.
A marola do tempo Naufraga a fome dos idealistas.
A marola do tempo Cancera a esperança.
A marola do tempo Dirime a soma.
A marola do tempo Desdenha a partilha e a janta.
A marola do tempo Entorpece a vontade que se agiganta.
II
A marola do tempo É um fermento de fel recrudescendo.
A marola do tempo Edifica cemitérios do desejo.
A marola do tempo Logra a juventude.
A marola do tempo Carcome o lume.
A marola do tempo Cavalga pelas órbitas e platôs da mente.
A marola do tempo Veste de humildade e de fé o ego das sábias gentes.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
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