SENHORA DOS PÍFANOS
I
Senhora, senhorinha: Idosa, doce velhinha Que solta pela boca lufada de notas Com sua flauta nordestina.
II
Senhora, senhorinha: Os olhos azul-açucena Guiaram-na por prolixos caminhos sinuosos, Sendo-lhe uma poderosa fulgência de fleuma e sapiência.
III
Senhora, senhorinha: Obstinada, sábia, aguerrida. Na verdade, florescência de assente espera pela gloriosa aurora Que morara com seus filhos numa gruta Durante a luminosa estada De uma lua boda de prata Que tão-só assoma e cintila No interior da Paraíba.
IV
Senhora, senhorinha: Desde pequena, envolta pelo cândido véu da sonora harmonia; Agora, aos 80, Se tranforma na maestra da orquestra. Sim, a orquestra. A orquestra de Pífanos. Por isso e por outros motivos, Eu digo: Voe, Voe, Música em notas que afloram de seu mágico instrumento; Voe, Voe, Ressonância-Passarinho. Desejo que sempre caminhe com o vento!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
A ASSASSINADA ALAMEDA DA PAZ
Uma estreita faixa de terra É a senha para uma insana E sangrenta guerra.
Uma estreita faixa de terra Apreende, fustiga, coagula Dois infinitos Rios opulentos de cultura Que o ódio segrega, fere, lancina, macula!
Uma estreita faixa de terra Transmuda antigas presas De dantescas, hediondas E gasosas sepulturas Em magos da fotossíntese da era medúsica.
Uma estreita faixa de terra Operou uma metamorfose: Comutou a telúrica pátria, Vestida da indumentária da vangloria, Em destinos errantes Ou velada, curda, insone cercania, Povo sem nenhuma alvenaria!
Uma estreita faixa de terra, Ao criar diretrizes, dínamos, vetores para o caos, Fez de desesperados e raivosos apátridas Guerrilhas que veem, na religião Ou na provocada morte, A mais poderosa e oportuna locomotiva Para o lucrativo bélico lob.
Uma estreita faixa de terra Um lugar onde a flora do respeito não prospera Uma seara em que há pretéritas eras morrera o trigo da razão Uma plaga adorada, filha do Meso-Oriente Tapete-Sultão, Onde o dogma do ódio soberanamente impera, é eterno furacão!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
POETRIX DO QUERER BALDIO
Eu quis ser a nau Eu quis bivagar ao lado do vento Afinal, eu quis galopar no lombo do caos em movimento
MY LIFE, MY JAZZ As vezes, Sinto o pulsar da minha oxigenada e maravilhosa cantiga Como uma acústica em desordem, uma sinfonia caótica, abortiva. As vezes, Ela é o ermo, É a contraluz o tempo inteiro, É a sádica miragem, o sereno desespero e a silente ferina tempestade. Afinal, de quando em quando, Ela é, enfim, o sequioso vácuo em esmagadora densidade Em mim se assentando como o inamovível Monólito da invisível voragem do ânimo. Então, quando são vigentes estes dias, contemplo ou mentalizo Na humana Estrela Ígnea Que me fez emanar A centelha, a Opala, a Esmeralda, a Água mais Cristalina, O Graal da Imensa Tela Celestina E recobro a viscosa sofreguidão, a hialina fulgência em falta, perdida No avançar momentâneo da dantesca névoa intermitente Da desilusão de tudo. Então, quando são vigentes estes dias, Meus ouvidos degustam redundantemente A garrida, fluida e indômita ventania saxofônica De Charlie Parker; Degustam redundantemente As alamedas e esquinas Da galhardia pianista de Duck Ellington; Degustam redundantemente A melancólica suavidade trompetista de Milles Davis; Degustam redundantemente A dor que floresce do azul das antigas Plantações do algodão sulista Ou da voz de Billie Holiday, Fúria Fibrosa, Vulcânica Diva, E digo: Sou caô puro! Sou vácuo rarefeito! Ah, mas a vida, A vida é BLUES, É JAZZ, A MAIS BELA E NOCIVA AQUARELA DO CAOS QUE HÁ NO MUNDO! Ah, mas a vida, A vida é jardim de arco-íris E de zinco que vocifera as vísceras dos vivos seres aqualinos!
FÁBRICAS DA MORTE
Contemplo o pão: O milagre da sua multiplicação Ocorre bem diante da minha estupefata visão.
No entanto, não é do pão Tradicional que eu falo: O que é feito de trigo E sai, do forno, cálido.
Não, não é este pão Do qual minhas mãos Febrilmente falam-exaram.
Francamente, O pão ao qual dirijo meu protesto Baldio, agônico e celerado É áquele que camufla a fome; É áquele que fomenta a prole de malograda sorte; É áquele que castra novos, sequiosos, utópicos e edificantes horizontes; É áquele que erige, molda e alvenariza As móveis e prolíficas mansões da morte.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
QUADRA DO QUERER BALDIO
Ah, mas descobri que o meu querer é inerme: Ele não suplanta os catalisadores da humana intempérie; Antes, prefere seguir os passos do vácuo célere. Assim sou eu: eterna geleira de flocos de neve!
O OLHAR DE UM CÃO Meu cão me olha. Olha Como se estivesse com medo; Como querendo me timidar argutamente; Como a tentar me dizer algo o qual não saiba sobre ele. Mas, então, eu, do alto da minha jactante e mentecapta Racionalidade, Não consigo discerni-lo, compreendê-lo a bem da verdade: A bem da verdade, compreendê-lo quanto á viagem da semântica de sua sábia e magicamente enigmática Mensagem! Daí, ele sai e volta Tal um processo intermitente e desordenado: Perfeito em sua ordem caótica. Perfeito em seu ciclo Estanquemente contínuo, interminável! Ah, mas neste entreato, O mesmo perscruta outras paisagens: uniformes nuanças De um mesmo cenário. Ah, todavia, toda mão Que ele me enseja este olhar, Sou inundado por uma tsunâmica impressão: Impressão profunda! Ah, que minha pessoa De emoção derruba. Fico perplexo como o mesmo penetra em minh’alma, Até então impermeável, inalienável, intacta, sem mácula, Incorrupta! Em resposta, só consigo lhe dar O meu açaimar por conta da incompreensão que tenho Sobre aquele olhar que ele me lança. Ah, aquele olhar me fascina! Não, não é aquele olhar apenas, Mas sim, este olhar. Sim, exatamente, este olhar, porque, ao Ressonar em minha cabeça, me desassossega e desorienta! Ah, mas este olhar silenciou-me completamente a pretensa Percepção que julgava possuir em relação á FAUNA. Ah, este olhar: O OLHAR DE UM CÃO doe-me N’ALMA! Ah, sim, toda mão que os meus olhos com os seus se deparam, Este olhar seu esgarça, calcina, paralisa-me a contínua manancial De palavras.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
HÁ ALGO ALÉM DA IMAGEM QUE MEUS OLHOS PRESENCIAM
Não sei explicar, Mas o olfato dos meus olhos Sente o olor de algo dúbio, Emanado da imagem do ato heróico Que as palavras gratas delineiam, projetam, suscitam, formam.
Subitamente, Contemplo a velhacaria A cavalgar no lombo Das palavras proferidas Pelos pais da salvação das pobres presas ledas e estarrecidas.
O rei dos amos do eterno infausto gado crédulo E dos autômatos pedreiros magníficos Fornece aos exímios artífices A resplandecente argamassa do indestrutível sofisma, Transformando-o em paisagem verídica.
Ah, os sedentos devotos da material riqueza Querem que o teatro da vitória da concórdia Seja reluzente, cristalino Para persuadir seu povo De que a guerra contra os paladinos da floresta alucinógena É a mais nova abençoada Cruzada gloriosa!
No entanto, vislumbro e descubro, Quando ao sono sucumbo, Aquilo que me parece A verdade, na névoa labiríntica Da alameda da alienação, oculta: Fito, nitidamente, Jorrar, do âmago da floresta Para o colo dos seus infatigáveis algozes, Um mar de refulgentes diamantes, ouro como mar volumoso: Transformando-se em grossos verdejantes Retângulos!
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
PULMONARICÍDIO
Daqui a cinquenta anos Não veremos mais o pulmão do mundo: O cerrado chegará Devorando tudo em seu horizonte profuso.
Daqui a cinquenta anos Não veremos mais o pulmão do mundo: As queimadas convocarão as savanas e os saharas Quais encontrarão porto seguro na ex-“República” Das espadas frondosas e caudalosas cataratas.
Daqui a cinquenta anos Não veremos mais o pulmão do mundo: Desde já a biopirataria demanda O poder pátrio da Flora e Fauna tropicais, tupinicanas.
Daqui a cinquenta anos Começará o apogeu do aquecimento climático: A poluição manterá o mundo em cárcere privado. A humanidade iniciará a trilha do seu eclipse Por teimar navegar cega e temeriamente Em mares que nunca podem, puderam, podiam e nunca poderiam Ser navegados por nossa espécie, nossa gente, nossa plebe, Nossa elite.
O CADAFALSO DO POETA Não siga alvitres de macróbios poetas somente, Ainda que deva apreender-lhes o asfalto da sageza Que, pela estrada da vida, quase sempre pavimentam, Dispense receber o pólen daqueles que gostem de ostentar Despotismo camuflado em jardins de onisciência. Siga-os, mas, deles não seja presa. Não, de forma alguma, tome a presunção, a prepotência Por belas aquarelas de portos que afirmem guardar a única via Para o reino dos sortilégios que residem No inefável caminho das pedras. Não, não se atenha tão-só á superfície; Vá além, até as suas mais íntimas profundezas: Sim, pois lá reside a magia. Lá mora, soberano, O cacto, o bambu, o juazeiro, a rosa, a orquídea, a concha, a alga, A água-viva, a aridamente lírica fauna marinha, a flora mais Garrida da Poesia! Sim, contemple-a, adore-a, provoque-a, toque-a, burile-a; Ame-a e a deixe amá-lo, beba-a e a deixe libá-lo; Copule-a e a deixe copulá-lo, ejacule-a e a deixe ejaculá-lo. Enfim, penetre-a e deixe que, por ela, você seja penetrado. Faça tudo isso, Só não siga somente os conselhos de um feto ou de um macróbio Profeta, Vá além, siga seu próprio caminho. Ah, sim, transcenda! Persiga seu próprio horizonte. Trace a sua própria linha reta! Por quê? Porque as palavras e versos de vates maculados ou Ascetas Nada mais são que o cadafalso do poeta! Sim, eu creio até demais nesta arrogante e presunçosa sentença. Jessé Barbosa de Oliveira
KAMIKAZES INCIENTES
Guarnecido pelo aconchego do meu quarto, Um pouco antes do diário espetáculo do exaurir da antemanhã, Vislumbro frontes jovens, vidas que ainda moram No reino das cordilheiras da semeadura Encontrando a inexorável centelha Da perpétua taciturnidade prematura.
Em conglomerados de aborto habitacional, Aos pés de semáforos, congostas e esquinas, Contemplo girassóis lactentes Ficarem pálidos por não poderem sorver a seiva da alegria vitalícia.
Então, encarcerados na dantesca galáxia De luminescências do desespero, Acham abrigo nos insidiosos braços Da mãe da intemperança, do autoritarismo e da velhacaria: A cápsula cilíndrica, que expele a massa ígnea, Erige, sobre as costas dos outrora indigentes, Um oceano exultoso de dinheiro E um castelo de túmulos de gente: Atroz, inócua, como eles, também sofrida imensuravelmente.
Enquanto isso, no Torrão das Tapeçarias Magnas, Crisálidas, que singram o limiar Da alameda de existências adultas, Rendem-se ao reino siderante Da pólvora: tudo em nome de seu Deus; Ou em nome do amor á sua Pátria!
Entretanto, na verdade, O motivo é coisa secundária: Enquanto no Torrão das Tapeçarias Magnas Se morre, se mata; Nos garbosos palácios da velha e nova plaga ocidentais, Florescem jardins de opulência Nas algibeiras dos Magnatas das Armas.
Pobres jovens Estrelas Pobres jovens Estrelas Pobres jovens Estrelas: Sacrificam-se para a glória egocêntrica Da Metal Malévola Realeza.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA COMPANHEIRA ESPECTRAL
1
Alguém me segue durante o percurso do caminho Alguém que sob a égide da intangibilidade me acompanha Alguém que agora eu percebo: sempre caminha a meu lado.
2 Alguém que, porquanto não veja, Está sempre ali a repartir as agruras da viagem. Viagem salpicada de escassas alegrias caras E da rotina de vales de lágrimas. 3
Alguém que me faz querer o diálogo Alguém que me faz querer degustar o diálogo Alguém que me faz amar o diálogo Alguém que dialoga comigo calado.
4
Alguém que sempre soube quem era Alguém que sempre soube ser ela Alguém que comigo segue, deixando-me aprisionar em sua cela!
Jessé Barbosa de Oliveira
CHUVAS DE PENSAMENTO
Ouvi o fragor das gotas d’agua caídas ontem, lá fora; mas, fugazes, elas tão-somente se mostraram... como também a sua ressonância. Peremptoriamente, aliás, como o é a via temporal de uma bala: sim, porque, ao sair da ígnea arma, em poucos momentos, transmuda uma lépida potência de luz numa vida irremediavelmente ceifada.
Ah, também eu sei que na minha mente chove. No entanto, não são gamas de efêmero H2O cadente; infelizmente, na realidade, vertem-se dilúvios de epígrafes ácidos: os quais nem remotamente lembram o olor da transitoriedade. Creia-me: é muito ao contrário. A bem da verdade, na mentosfera, eles se formam; se condensam; deixam-se ficar; expandem-se e Se reverberam! Sempre num voo-passo fleumaticamente contínuo. Continua- mente inercial. Inercialmente reto.
Sim, eu tomo essa híbrida espécie de chuva por fluxos de diária reflexão que me levam bem ulteriormente a mim; e, ao mesmo tempo, inimaginavelmente próximo: próximo das chagas. Contemplando as chagas: próximo o bastante para contemplá-las. Sentindo as chagas: próximo o bastante para senti-las. Incorporando as chagas: próximo o bastante para incorporá-las. Então, finalmente, sendo as chagas: a se apossar da sua matéria; e, enfim, ei-las... eis que sou elas!
Não, não posso contemplá-las... Não, não posso senti-las... Não, não posso incorporá-las... Não, não sou a matéria... Não, não sou a chaga.
Ah, pena que não possa nada... Ah, pena que uma coisa só fazer possa... Ah, pena poder apenas empunhar a pena pra exarar E mais nada. Sim, que porra não poder conter a chuva... Não estancar a cruel enxurrada. Não poder acabar com o padecimento causado pelas mazelas. Não cicatrizar as dolorosas chagas! Ah, e esta chuva que não passa... Jessé Barbosa de Oliveira
PRECISAMOS É SEMEAR E COLHER O PERPÉTUO JARDIM DA LIBERDADE Que assome e refulja, De novo e para sempre, Sobre o nosso lúgubre Firmamento deverasmente flagelado e doente, O sol que nos recobre A ametística lucidez perene: Esta, confinada no calabouço Da também presidiária mente, Fica sofrendo inócua e impotente. Ah, mas sequiosamente espero Que ele consiga suplantar e aniquilar As onipotentes, as gigantescas Muralhas soníferas que o hibernam na caverna Da moleza, do dissabor, da misantropia Para poder trazer consigo A preciosa chave da salvadora e onisciente epifania: A consciência de que somos a metamorfose contínua, A fluência e a ígnea força coletiva, A fonte e o magno centro Da gravitacional energia pensativa! Retesemos a idoneidade De dizermos não á sujeição: Tornemo-la incoercível! Façamos a Revolução Contra a capital sedução: Sejamos do anel da vontade Dignos! Deponhamos as Metrópoles Do sólio da tirania, Depois, arruinemos a própria tirania E os destruamos com o Cetro Da Augusta, Indômita e Lídima Ventania! Ostentemos o valor e o imensurável estadão Da sofrida maioria: Sejamos o Popular Poder Indestrutível! Erijamos infinitas cordilheiras da inexorável honestidade E de vácuo do ego insuflado Que funcionem como a Andrômeda dos Exílios: Remetamos para lá A Asquerosa Banda Podre dos Políticos! Não feneçamos mais no mental pelourinho eterno dos cativos: Tomemos, Componhamos, Orquestremos, Rejamos A Música que, Imperiosa, controla As rédeas do nosso Pégaso-Destino.
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA A CAMINHO DA SENSIBILIDADE DA PEDRA Metamos a mão na cumbuca, pois deslindaremos horizontes intangíveis, esconsos em sensibilidade de pedra. Por isso não querem que metamos a mão na cumbuca. Querem, ao contrário, que alcancemos gordos graus de um maior vazio conhecimento, mesmo que aparentemente pareça termos chegado a searas que a gente ricamente desconheça. Por isso não querem que metamos a mão na cumbuca. Querem, por outro lado, que locatários de sofisticada quimera sejamos. Ah, sim, num mar de etéreas melhorias sinceras nadamos. Melhorias cuja generosidade maior é a camuflagem da proximidade do encontro do enfermo com a enigmática Senhora da majestosa suma Chama. Sim, é o enfermo a caminho da quietude imorredoura. Sim, é o enfermo sendo recebido afavelmente pelo réquiem de Caetana! Ah, o certo é que não sei. Não sei se inconsciente ou por certo sabemos. Talvez, não sei se certamente saibamos que á sensibilidade da pedra convergimos... que á sensibilidade da pedra marchamos. Ah, também não sei. A única coisa que francamente sei é que não querem que na cumbuca a mão metamos. JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA
DISCOVERY Conheço-te bem menos: Não sei eu de tua morada; Não sei eu se tens irmãos. Ah, o que sei eu de teus pais, então? Sei-te do corpo atro, médio e delgado. Sei-te do toque lírico das poéticas palavras. Sei-te do partido, paixão estrelada. Sei-te meio íntima, enigmática, efêmera chuva que em mim Deságua. Conheço-te bem menos: Gosto de teus anos saber; Do timbre da tua voz ter ouvido mais de uma vez. Espero que um dia eu penetre na aura do teu ébano ser: Sim, em tua nuança carnal e mística. Conheço-te bem mais que a mim mesmo, ainda. Ah, não sei...
JESSÉ BARBOSA DE OLIVEIRA |