Silêncio Conversado

Apresentação

O início não é o começo

Nunca tive o rigor poético de acreditar que a poesia é coisa de palavras nos versos de um poema. Percebo que minha experiência como artista plástico teve  início a partir dos livros que fiz ( Silêncio Conversado -1988, Golpes de Ar - 2003). O livro de poesia Silêncio Conversado foi concebido como um livro-objeto. Com a proposta de uma auto-produção, preservando autonomia e um caminho diferenciado para distribuição, o livro veio dentro de um estojo para CD. Onde se esperava encontrar um CD para ouvir música, encontrava-se um livro, um silêncio conversado em poemas, em musicalidade, em imagens poéticas. E de fato alguns poemas se tornaram música para Eurico Euler, Cintia Rosa e João Bosco.

O segundo livro, Golpes de Ar, foi concebido na mesma linha, um livro de poemas. Desta vez contido em um estojo de VHS. Cada página um poema, ou seria uma cena que se fazia no imaginário para o leitor? Um livro reinventado pela imagem, cinema de papel e tinta. Antes do lançamento do livro os poemas foram trabalhados numa performance do Grupo Tribus por Gisele Milagres e Alice Lino. Em 2005 algo se tornou balé, no espatáculo dirigido por Carla Gontijo, o Centro de Artes Variação apresentou Poesia do Corpo. Neste espetáculo eu vi os poemas em palco, projetados sobre os corpos dos bailarinos e me senti vivo bem livro.


Marias Concebidas: Quadros 2006 e 2007

Em agosto de 2006 motivado por um encantamento comecei a fazer uso de tinta acrílica, tinta à óleo e pinceis. Me deliciei em descobrir artemanhas com tintas, estava nascendo um poeta com desejo poético de reinventar um poema. A partir deste instante eu estava concebendo o que mais tarde estaria na minha exposição entitulada " Marias Concebidas ". Não foi fácil nomear os quadros, porque eu pintava justamente para não fazer uso de palavras mas, estava eu ali diante deste fato. Então recorri aos meus livros, abri e fui buscando poemas que poderiam trazer vestígios dos quadros, foi uma delícia navegar. O titulo da coleção foi num jogo de palavras com o amigo José Geraldo Begname.

Tintas Para Ouvir: Quadros 2008


Com Ian Guest conheci a frase de Kodály: "Precisamos aprender a ouvir música com os olhos e ver música com os ouvidos". Quando Ian Guest apresentou-me as partituras de algumas composições de sua autoria, que havíamos sobre elas conversado, fiquei impressionado com a beleza visual que as partituras proporcionavam. Eu estava diante das partituras, mas incapaz de ler a música que ali se encontrava escrita, desenhada, para ver, para escutar. Escutar é diferente de ouvir, assim como ver é diferente de olhar. Olhar e ouvir são ações ligadas ao aparelho sensitivo, enquanto ver e escutar são ações que exigem atenção, vivência, intimismo. Então pensei na surdez e diante da partitura percebi que eu estava parcialmente surdo. Visualmente surdo! Mesmo que não se tenha uma audição perfeita é possível escutar, mesmo usando óculos é possível ver. Poeticamente em silêncio busquei com tinta ouvir as cores que eu não sei o nome. Eis a minha questão: tintas para ouvir.


Livro: Silêncio Conversado - 1998


Livro: Golpes de Ar - 2003



Convite para exposição: Marias Concebidas - 2008


Convite para exposição: Tintas Para Ouvir - 2009