Autoretrato/SandraCosta


  • Auto-Retrato

Encostava ternamente as minhas faces às belas faces do travesseiro, que, cheias e frescas, são como as faces da nossa infância. Marcel Proust. Em busca do tempo perdido.

Curta história e par hasard:

sandra cristina fernandes da costa

Nasce no ano 80 do século passado, a 29 de novembro.

À noite lê Proust e ouve a 5ª de Mahler, elementos incorporados numa determinada noção de reconciliação com a agenda diurna. A sua primeira perda irreparável acontece em 1998, a morte da avó assinala o fim de uma Era e o Princípio que consente o valor da memória involuntária, o valor da nostalgia das coisas ausentes. Tem um gato preto, de nome Sancho, semelhante a um farol negro iluminado ou a uma sombra que, terna, se projecta para a volatilidade das horas; com ele busca aprender, todos os dias, a importância da tranquilidade num tempo que em tudo nos escapa.

Sob o pseudónimo de Eugénia Costa, no prelo o seu primeiro livro, «Que dor maravilhosa», - conjunto de textos escritos há muito tempo – e prepara, nos meandros umbráticos da secretária, um outro ritmo literário, uma figuração mental da escrita vocacionada à gaveta e, por isso, atreita aos circuitos literários que acontecem por amor completo à poderosa solidão das letras.

 

Um dia, não por acaso, desatou a gostar de glicínias e envelheceu muito tempo à sombra do alpendre infância.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

                                                                                           

 

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