Como criar Criar esta belíssima espécie, carduelis cucullata, não se revela uma fácil experiência, contudo é apaixonante. Um criador experiente criará facilmente carduelis, desde que tenha em conta as suas necessidades básicas, que variam de espécie para espécie. Falar-vos-ei unicamente da minha experiência pessoal. Desde muito novo iniciei esta minha paixão e já passei por variadíssimas fases: a primeira de um entusiasmo eufórico que me fazias passar grande parte do meu dia a estudar a espécie e a observar o comportamento dos meus pássaros. Depois com algumas desilusões, mais com alguns “criadores” e pseudo passarinheiros, do que propriamente com as aves, passei por uma fase de negação e abandono da criação. Mais tarde percebi que me era impossível viver sem as minhas aves. É um dos meus vários hobbies que não dispenso. Pois bem, crio carduelis desde os 11 anos e demoro cerca de 3 anos até definir e automatizar um sistema de criação, para mim perfeito, para cada espécie. É muito importante estudar o comportamento da espécie, os seus hábitos e as suas necessidades para que possamos dar todas as condições necessárias aos reprodutores e crias. No caso dos carduelis cucullata a escolha dos casais é sem dúvida o mais importante, existem variáveis que um bom criador deve controlar nas suas aves, tais como: o tamanho, intensidade da cor e a perfeição das manchas. Facilmente encontraremos cardinalitos com a mancha negra da cabeça irregular, o que é um defeito. Se queremos ter aves perfeitas, devemos escolher os progenitores o mais parecido possível daquilo que temos em mente para o futuro.
Sem dúvida é muito mais fácil encontrar um macho imperfeito no mercado do que um macho perfeito, mas temos de ter em linha de conta que devemos criar bem e não em quantidades industriais. E criar bem é ter qualidade nas aves que estamos a criar. É óbvio que um criador que crie muitas espécies ou dentro da mesma espécie muitas aves, no final não será bom em nenhuma espécie ou tirará muitas aves mas poucas de qualidade. O importante, para além do colar do macho, é também a intensidade da sua cor. Quer o colar, quer a intensidade da cor e o tamanho dos filhotes dependerá também da fêmea. Assim sendo, as fêmeas também deverão ter a zona mais clara debaixo do bico até à mancha vermelha do peito devidamente bem delimitada, um tamanho reduzido e forma corporal do que pretendemos.
Existem duas variantes dentro dos cardinalitos clássicos, os nevados e os intensos. Tal como nos canários devemos ter reprodutores das duas variantes e os devemos acasalar.
Falando agora de mutações, neste momento existem 7 mutações conhecidas dentro dos cardinalitos. São elas a diluído, duplo diluído, ágata, bruno, Isabel, topázio e queixo vermelho. Na sua maioria introduzidas por acasalamentos com lugres (carduelis spinus).
As primeiras mutações que eu tive foram a diluição simples e dupla diluição, nas quais não existem portadores e são muito simples de trabalhar. De seguida tive isabeis, estes últimos são bastante mais sensíveis e difíceis de trabalhar, pois é um mutação ligada ao sexo e as informação sobre bons cruzamentos são ligeiramente escassas.
As diferenças entre as fêmeas ágata e bruno são reduzidas e quando diluídas poderão confundir-se facilmente com fêmeas Isabel. É necessário uns olhos bem treinados para que se possa distinguir bem as variadas mutações e mais difícil ainda é distinguir entre aves que para além de uma mutação ligada ao sexo tenham outra mutação associada como por exemplo ágata diluído, bruno diluído, Isabel topázio. Depois vêm os portadores ou pseudo portadores, devemos de confiar plenamente num criador, antes de lhe comprar um portador seja de que mutação for. Muitos criadores vendem portadores sem revelar que o são, para que não sejam confrontados com a desconfiança do comprador. Falarei agora do meu sistema de criação. Como referi, o segredo está nos cruzamentos bem ou mal efectuados e na qualidade dos nossos reprodutores. Eu optei por ter qualidade e ter sempre aves que criam dentro dos mesmos níveis de qualidade e sempre com as mesmas características nos filhotes, cria-se uma imagem de marca, os meus cardinalitos mesmo filhos de diferentes casais, nota-se que são criados por mim. Normalmente tenho um macho para cada duas fêmeas ou então tenho uma ou duas fêmeas a mais pois os machos só entram em contacto com as fêmeas para acasalar, sendo que a tarefa de criar as crias fica ao encargo das fêmeas. Utilizei sempre um sistema de criação controlado ao nível da humidade, temperatura e luminosidade. A temperatura ideal para estas aves situa-se entre os 20 e os 30ºC, a humidade entre 40 a 70% e entre 14 a 16 horas de luz, na época de criação. Uso comida da versele-laga, lugre 1A e todo o tipo de sementes, nunca tive qualquer problema devido à falta de qualidade das sementes, desta marca, garante-me uma qualidade constante ao longo do ano, de todas as sementes. O que parecendo que não, é um descanso. Nos últimos sete anos com esta alimentação morreram-me quatro aves. Uso também as papas carduelisnorte factor vermelho, com sementes e ovos de formiga e vitaminas. Num comedouro dentro da gaiola tenho constantemente mineralmix à descrição das aves. Três semanas antes do inicio da época de criação dou calcilux, omnivit e fertivit até ao primeiro ovo.
Nunca usei germinado, pois a maior parte dos criadores de topo da Europa não usam, ou só usam caso tenham muito tempo para o preparar. Pois caso contrário em poucos anos perdemos as aves devido à proliferação de fungos. Assim que as crias têm um mês, começo a dar-lhes energovis new cria até os separar da mãe, com 35 dias de vida e continuo a dar-lhes o energovis até aos 40 dias. Ao fim de um ou dois meses as crias já têm a plumagem bem definida, eu sempre expus aves criadas por mim. Sim, porque só temos campeões em casa, quando os expomos e em comparação com as aves dos outros criadores, as nossas são melhores. Mesmo quando não ganhamos nada, mostramos o trabalho por nós desenvolvido e com a ajuda da avaliação de um juíz, conseguimos ter a percepção da qualidade do nosso trabalho e do caminho que estamos a seguir. É claro que todos os juízes são humanos e todos erram e têm uma certa preferência por um determinado fenótipo de ave e que pode não ser propriamente o mesmo para o qual estamos a trabalhar. Quanto mais não seja, uma exposição é um sitio onde estão inúmeros criadores e onde aprendemos sempre. Para além do que é sempre muito importante aprender com o trabalho desenvolvido por nós e pelos outros.
Hugo Sant'ana
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