Escola de Frankfurt

 

1. Histórico e características


- Coletivo de cientistas sociais alemães agrupado em Instituto situado em Frankfurt (depois autores alguns migraram para EUA);

- Contexto histórico: ascensão do totalitarismo e aparente fracasso da democracia liberal-burguesa (pré e pós-2ª guerra);

- Entre outros autores (1ª fase, a partir dos anos de 1930): T. Adorno, M. Horkheimer, E. Fromm e H. Marcuse;

- Influências culturais: marxismo e psicanálise (Freud);

- Projeto global: elaboração de uma ampla teoria crítica da sociedade;

- Interesse pela comunicação como elemento estruturante da sociedade contemporânea;

- Pesquisa crítica em comunicação.


1. 2. Dialética do Iluminismo

- Dialética do iluminismo: movimento histórico pelo qual o projeto Iluminista, produz  o oposto de suas propostas;

- Projeto Iluminista: emancipação humana das opressões sociais, possibilidade de todos viverem em condições dignas e livres etc.;

- Condições históricas e progresso das sociedades capitalistas avançadas produziram novas sujeições (ao sistema econômico e social dominante) que limitaram a liberdade e o caráter progressista da modernidade.


1.3. Indústria Cultural

- Indústria cultural: processo de mercantilização da cultura no capitalismo avançado que limita os processos de formação da consciência crítica;

- IC produz “cultura afirmativa”, que “ajusta” os indivíduos à situação social = efeito ideológico;

- Crítica não é à tecnologia (TV, rádio etc.) em si, mas ao uso dos MCM no capitalismo monopolista, dentro de um contexto amplo de fracasso do projeto Iluminista, para o qual a IC colabora;

- Manipulação e domesticação da consciência, através da IC, reifica os indivíduos.


2. Kracauer e Benjamin: arte na época da reprodutibilidade técnica (corrente “marginal” da EF)

- Refletem sobre aspectos positivos da produção industrial da cultura;

- MCM: potencial democratização da cultura e meio de tomada de consciência popular (experiência soviética);

- Benjamin: “fim da aura” enseja novas possibilidades de relação com a obra de arte;

- Meios como fator de constituição de novas sensibilidades e educação estética e intelectual da população;

- Oposição de Adorno não a essas possibilidades, mas ao rumo (diverso do apontado) que o desenvolvimento capitalista dava aos mcm. Ou seja, estes transformavam a cultural em mercadoria, dentro da chamada “indústria cultural”.


3. Habermas (2ª geração da Escola de Frankfurt)

- Filósofo, discípulo de Adorno, da chamada 2ª geração da EF, que dá prosseguimento ao pensamento mais característico da EF;

- Obra: Mudança estrutural da esfera pública (1962), discute como o esclarecimento proporcionado pela mídia impressa passou, ao longo da história, a ser corrompido pelo caráter mercantil e pela propaganda;

- Consumidor/contribuinte eclipsia o cidadão e a “esfera pública” entra em declínio, já que os princípios da discussão racional entre iguais dão lugar à lógica do espetáculo midiático;

- Mais tarde passou a desenvolver uma Teoria da Ação Comunicativa.


4. Idéias principais da 1ª Geração da Escola de Frankfurt

- Dialética do Iluminismo: malogro do processo de libertação do homem;

- Indústria cultural: transformação da cultura em mercadoria;

- MCM como instância fundamentalmente ideológica, controladora do homem na sociedade industrial – não emancipadora;

- Manipulação e controle social em favor dos interesses dos grupos economicamente dominantes como características centrais da “indústria cultural”;

- Capitalismo avançado não cumpre promessas de libertação e não deseja indivíduos críticos; 

- Norma é o consumo banal e reificador: dissolução da verdadeira cultura (e os mcm colaboram nesse processo).


5. Influências e continuidades até os dias de hoje

- Movimento Situacionista - Guy Debord (1967): A sociedade do espetáculo [Documentário sobre o movimento aqui.];

- 1968: 3M (Marx, Mao, Marcuse – Eros e civilização);

- P. Bourdieu (década de 1990): Sobre a televisão (1996) e trabalhos de crítica à “indústria cultural” em vários aspectos (esporte, jornalismo etc.);

- Clássicos (Adorno, Horkheimer etc.) também têm sido submetidos à reavaliação;

- Publicidade: anti-publicidade.


6. Aspectos positivos (no plano analítico) da EF

- Visão estrutural, radicalidade crítica, procura enxergar além das aparências; 

- Exercício do raciocínio dialético (Adorno em particular) e da complexidade analítica, inspiradora de reflexões sobre nós e o mundo;

- Perspectiva macrosocial, que procura vislumbrar a complexidade do sistema, do qual aos mcm são uma parte;

- Quadro conceitual fornece elementos de crítica à sociedade de modo geral e às relações de dominação, em particular quanto ao mcm (monopólio, padronização dos produtos etc.); 

- Aponta para um horizonte utópico: libertação humana.


7. Críticas (no plano analítico) à perspectiva da EF

- Elitismo cultural – crença excessiva no potencial da alta cultura (“arte negativa”);

- Niilismo e pessimismo analítico, que conduzem (por vezes) à passividade;

- Incapacidade de esboçar saídas viáveis para os impasses que verificam.


Referências

MATTELART, Armand e MATTELART, Michèle. História das teorias da comunicação. São Paulo, Loyola, 8a. ed., 2005.

RÜDIGER, Francisco. A Escola de Frankfurt. In: HOHFELDT, Antonio, MARTINO, Luiz C., FRANÇA, Vera V. (orgs.). Teorias da Comunicação. Petrópolis, Vozes, pp. 131-150, 2001.

Verbete "Escola de Frankfurt" na Wikipédia

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Max Horkheimer (esq.) (1895-1973) e Theodor Adorno (dir.) (1903-1969). Ao fundo, com a mão na cabeça Jurgen Habermas (1929)

Fonte: Wikipédia

 

Walter Benjamin (1892-1940)
Fonte: Wikipédia

 

Herbert Marcuse (1898-1979)
Fonte: Wikipédia

 

Guy Debord (1931-1994), líder do Movimento Situacionista, que teve influência da EF

Fonte: Marxists.org

 

 

 

 

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