360 dias para
os 100 anos da chegada dos estigmatinos ao Brasil

Conteúdo do site

Todos juntos

 
 

 

 

 CONSIDERAÇÕES SOBRE TEMAS DA CRÔNICA DE PE. ADAMI

 

8b. Os Scalabrinianos na história estigmatina do Brasil (I)

 

Pe. Faustino Consoni

 

Duas passagens de Crônica estigmatina apresentam Pe. Faustino.

 

“No final do mês de dezembro de 1910 os três pioneiros se reuniram em São Paulo, capital, com os Missionários de São Carlos ou Scabrinianos no orfanato Cristóvão Colombo, cujo diretor, era Pe. Faustino Consoni, de Brescia: coração de ouro, que sempre mostrou grande consideração por nós. Hoje é reitor da igreja de santo Antônio no centro da cidade de São Paulo. Como confessor do arcebispo, é um grande apoio para quem chega da Itália.” (Pe. Ferruccio Zanetti)

 

“Depois de quase uma hora consegui abraçar e beijar Pe. Alexandre e Ir. Domingos. Disse-me Pe. Alexandre:

- Como vai? Está cansado? Precisa jantar? Oh! Encontramos um santo sacerdote, o Pe. Faustino Consoni, dos Scalabrinianos. Hospedou-nos em seu orfanato e nos tratou como irmãos. Você vai ver que delicadeza, que caridade!

Fiquei maravilhado. Chegamos a um grande portão de ferro. Um padre veio nos receber. Era Pe. Faustino que, mesmo tarde da noite, havia esperado para me ver, saber se precisava de alguma coisa, mostrar-me o quarto e a cama.” (Pe. Henrique Adami)

 

Pe. Faustino prestou grande serviço aos estigmatinos, estando sempre a seu dispor. Hospedava-os quando passavam por São Paulo. Interessava-se por eles. Quando foi tomada a decisão de iniciar uma obra no estado de São Paulo recorreu-se a Pe. Faustino que imediatamente entrou em ação, escrevendo esta carta ao bispo de Campinas.

 

São Paulo, 26 de Fevereiro de 1914.

 

Ilmo.  Exmo. Reverendo

Monsenhor D. Correa Nery

Digmo. Bispo de Campinas.

 

Cumprimentando respeitosamente V. E. Rev., beijo o Sagrado annel. O portador desta é o Revmo. Padre Henrique Adami, Stigmatino que com mais dous irmãos reside em Tibagy.

Autorisado por aquelle Seu Superior Vigário da sobredita parochia, está em procura no Estado de S. Paulo e si for possível na diocese de Campinas de um lugarzinho para, com a bençam do Céu, trabalhar pelo bem das almas e exaltação da Nossa S. Religião, pois que qualquer religioso Stlgmatino deve esforçar-se para desenvolver seu zelo em benefício da joventude, abrindo escolas, collegios, oratorios, lyceus de Artes e officios, bibliotecas, dispondo para esse fim de Padres habilitados seja no insino das letras, como de artes e officios.

O Digmo. Vigário Geral de V. E. o Remo. Mons. Reimão já teve ocasião de conhecer estes sacerdotes e o Remo. Superior dos mesmo em Milão.

Espero que V. E. com a costumada sua bondade não deixará de attender ao Rev. Padre Adami meu recomendado que verbalmente poderá expor suas intenções e quanto deseja fazer.

Estou convinto que os melhores fructos poderão dar os zelantes Padres Stigmatinos vencendo qualquer aspectativa si elles tiverem a felicidade de desenvolver seu zelo em qualquer Parochia que V. S. se digne confiar aos cuidados dos mesmos.

O Rev. Padre Pedro Dotto da Congregação de S. Carlos mei coirmão accompanha o Rev. Padre Henrique Adami.

Com a mais alta estima e respeito me assigno

De V.E.

Att. e obrig. Creado

P. Faustino Consoni.

 

Não obstante a tortura a que submeteu Camões, esta carta colocou os estigmatinos em Limeira, e depois em Rio Claro.

 

Em 1919 quando os estigmatinos, por ordem dos Superiores, deveriam fechar a casa de Rio Claro e voltar todos para o Paraná, Pe. Faustino foi um dos que intercedeu para que se reexaminasse a ordem. O fato é que os estigmatinos permaneceram em Rio Claro.

 

Pe. Adami fornece a maior parte de informações sobre Pe. Faustino. Descreve suas delicadezas e mostra a sua caridade. Devendo ir para a Itália não conseguia dinheiro para a viagem. Recorreu então a Pe. Faustino: "um pouco magoados procuramos Pe. Faustino, aquele querido e santo padre que nos ajudou sempre desde os primeiros dias do Brasil, ele que tem um coração de ouro para fazer o bem, para fazer caridade. Contei-lhe minha triste história. Ele se aconselhou com Pe. Conrado Stefani, querido amigo nosso, e depois me disse:

- Veja, Padre. Eu devo mandar a meu Superior em Roma seis contos de reis. Eu os entregarei ao senhor: gaste aquilo que deve gastar, e, chegando à Itália, por meio de seus Superiores complete a quantia, e a entregue a meu Superior.

 

Lê-se na Crônica da comunidade de Rio Claro de 12-08-1933: “Recebemos de São Paulo a notícia da morte do Pe. Faustino Consoni (do Instituto dos Missionários de São Carlos, fundado por D. Scalabrini), um dos sacerdotes mais beneméritos. Para a nossa Congregação no Brasil foi como mãe que, em circunstâncias críticas, acolheu e confortou nossos primeiros padres, sendo sempre amigo amoroso e advogado”.

 

A certa altura de sua Crônica Pe. Adami afirmou: “Já me encontrava há alguns anos na China, quando soube de sua morte. No ano seguinte, em Chicago, nos Estados Unidos, fui informado de que os padres Scalabrinianos tencionavam introduzir a causa de beatificação de Pe. Faustino. Queira Deus possa eu, que o conheci tão bem, ser uma das testemunhas nos primeiros processos apostólicos.