373 dias para
os 100 anos da chegada dos estigmatinos ao Brasil

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Os caminhos do Senhor

 
 
 
 
 

CONSIDERAÇÕES SOBRE TEMAS DAS CRÔNICAS DE PE. ADAMI

 

 

1. Os pioneiros e o ideal da fundação estigmatina no Brasil


Jesus foi pregador itinerante. A pregação itinerante se identificou com a pregação apostólica. Ela tinha por objetivo fundar e revigorar as comunidades espalhadas pelo Império Romano.

Na era pós-constantiniana a pregação se tornou parte integrante e fundamental da pastoral e da atividade episcopal. Os bispos foram grandes pregadores.

A pregação itinerante no primeiro período da Idade Média foi concretizada como missão para povos não cristãos. No segundo período voltou-se a descobrir a missão itinerante dentro da própria Igreja..

Os pregadores tinham a universalidade e a mobilidade a seu favor. As paróquias aos poucos restringiram-se à função administrativa e sacramental.

Contudo, aos pregadores itinerantes faltava organização, seqüência de temas, meios coordenados e consistentes para ajudar no processo de conversão.

Com o passar do tempo a pregação individual deu lugar a grupos de pregadores. De uma pregação missionária individual passou-se para uma ação coletiva. Como conseqüência, no século 16 nasceram as “Missões Populares”, que se difundiram por toda a parte como instrumento privilegiado de evangelização. Os séculos 17 e 18 foram a época áurea das missões populares. Veio, a seguir, a crise com a borrasca napoleônica.

Todavia, logo a seguir houve iniciativas corajosas e surgiram institutos religiosos com a finalidade de promover as missões populares.

Foram elaborados novos métodos e temas de pregação que chegavam ao coração dos fiéis e os ajudavam a compreender o valor da mensagem cristã.

Neste reflorescimento colocou-se também o projeto de Pe. Gaspar Bertoni.  Com a morte de Pe. Gaspar, seus seguidores continuaram um estilo missionário de atividade pastoral, ajudando outros sacerdotes.


À luz do lema “Ide e pregai na diocese e no mundo” o estilo missionário da Congregação estigmatina induzia à idéia de missões aos mais necessitados em locais próximos ou distantes. Outras Congregações mandaram missionários da Europa para a África, Ásia, Oceania. Porque também os estigmatinos não poderiam seguir a mesma trilha? Para isso tinham a herança e o ideal bertonianos.

Na década de 1880, especialmente os confrades mais jovens manifestaram o desejo de desenvolver seu apostolado em missões estrangeiras. O ardor missionário perdurou sempre no coração de muitos. Além disso, não faltaram pedidos e ocasiões para fundações missionárias fora da Itália. Em 1905 os estigmatinos partiram para os Estados Unidos da América do Norte e em 1910 para o Brasil.

A Crônica de Pe. Henrique Adami é farta no uso da expressão “fundar uma missão”. Deixa entrever que os pioneiros estigmatinos chegaram ao Brasil procurando por em prática o ideal missionário herdado da tradição estigmatina.

 

De todas as maneiras tentaram uma área geográfica extensa, que os obrigasse à mobilidade constante, não abrindo mão de um ponto de referência que fosse o centro irradiador da evangelização.