CONSIDERAÇÕES SOBRE TEMAS DAS CRÔNICAS DE PE. ADAMI
4. Os pedidos para a uma fundação estigmatina no Brasil
A proclamação da república ajudou o movimento do episcopado, que pretendia libertar-se das imposições estatais. Mesmo não tendo o catolicismo como religião oficial do estado e com a perda da subvenção pelos cofres públicos a igreja católica do Brasil reforçou sua independência face ao seu oponente, o estado.
Para ir mais além em suas pretensões, o episcopado brasileiro tinha que fortalecer suas relações com a Igreja da Europa, mais experiente, possuidora de imprescindíveis recursos humanos e de maior cultura teológica. As dioceses foram multiplicadas e aumentaram os pedidos para a vinda de ordens e congregações ao Brasil.
Os estigmatinos, a partir do final do século 19 foram convidados a vir para o Brasil. A “Breve Crônica” relata pedidos constantes feitos pelos bispos.
Em 1886 o representante da Santa Sé no Brasil pediu fundação em Cuiabá, no Mato Grosso, oferecendo aos estigmatinos o ensino e a direção do Seminário.
Em 1896 foi a vez do Bispo Gonzáles de Porto Alegre, estado do Rio Grande do Sul. Pedia a abertura de uma casa estigmatina para acompanhamento religioso a 200.000 italianos que moravam em sua cidade e diocese.
Em 1897 o mesmo bispo voltou à carga, usando de muitos recursos para conseguir seu intento. Ele foi especialmente a Verona a fim de se encontrar com o superior geral; celebrou na igreja dos Estigmas; após a Missa conversou com a comunidade, procurando despertar o desejo de aceitar a presença estigmatina em seu país.
Em 1905, o Bispo de São Paulo, Dom José de Barros pediu três padres para uma fundação em sua diocese, oferecendo uma localidade conveniente. Segundo Pe. Ferrúcio Zanetti, o lugar oferecido pelo bispo na ocasião era a cidade de Campinas, que então fazia parte da diocese de São Paulo; corria a voz de que Campinas deveria ser toda dos estigmatinos.
Em 1906, o mesmo Bispo foi à Itália e teve uma conversa com o superior geral em Milão, onde se lamentou de que a promessa não tivesse sido mantida. Renovou o pedido. Ficou acordado que naquele mesmo ano a fundação seria levado a termo. Na viagem de volta o bispo pereceu no naufrágio do navio Sírio, e os superiores sentiram-se desobrigados da palavra dada.
Em 1907, Dom Duarte Leopoldo e Silva, sucessor e secretário de Dom José de Barros escreveu ao superior geral, insistindo sobre a fundação prometida e oferecia uma cidade encantadora, uma das melhores da sua diocese.
Após resposta negativa, em 1908, Dom Duarte veio à Itália e encontrou-se com o superior geral renovando o pedido e oferecendo a cidade de Amparo.
Todas as tentativas do episcopado foram infrutíferas.
É intrigante o fato de que os superiores estigmatinos tão firmes nas respostas negativas perante os pedidos dos bispos durante mais de vinte anos tenham cedido aos argumentos apresentados por um sacerdote, então procurado pela polícia italiana por migração ilegal.