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CONSIDERAÇÕES SOBRE TEMAS DA CRÔNICA DE PE. ADAMI
7. A figura de Dom Silvério Gomes Pimenta
O primeiro bispo com quem os missionários estigmatinso tiveram contato no Brasil foi Dom Silvério Gomes Pimenta, arcebispo de Mariana, Minas Gerais. Pe. Alexandre foi por ele enviado como vigário em Sete Lagoas, provavelmente suprindo a ausência de Pe. Theophilo Sanson, que na época era alvo de imprensa de esquerda. Pe. Henrique conviveu com o bispo durante um mês.
Dom Silvério, o bispo negro, deixou profundas impressões em Pe. Henrique Adami a ponto de este considerá-lo um santo.
Dom Silvério foi professor, orador sacro, poeta, biógrafo, bispo e arcebispo. Nasceu em Congonhas do Campo, MG, aos 12 de janeiro de 1840, e faleceu em Mariana, MG, aos 30 de agosto de 1922.
Órfão de pai aos quatro anos, cedo teve de empregar-se para sustentar a mãe e quatro irmãos menores. Demonstrou desde jovem pendor para o estudo. Freqüentou o colégio dos Lazaristas, que foi fechado em 1855. Por não poder continuar os estudos, empregou-se como sapateiro. Dom Viçoso, bispo de Mariana, matriculou-o no seminário da cidade com 14 anos. Dois anos depois já era professor de latim, lecionando a disciplina por 28 anos. Além de latim, foi professor de Filosofia e História Universal durante 12 anos.
Foi ordenado sacerdote com 22 anos. Com o falecimento de Dom Viçoso, padre Silvério foi eleito vigário capitular, governando a diocese até 1877. No ano seguinte, Dom Antônio Correa de Sá e Benevides, sucessor de Dom Viçoso, escolheu-o para vigário geral. Dom Silvério foi durante muito tempo o sustentáculo do bispado, até que em 26 de junho de 1890 foi nomeado bispo auxiliar de Mariana.
Desde então, começou a escrever suas célebres cartas pastorais. A primeira pastoral traz a data de 24 de novembro de 1890 e a última é de 10 de fevereiro de 1922. Pe. Adami refere-se a esta fase da vida de Dom Silvério apontando-o como estudioso e escritor de cartas.
Em 1906, o papa Pio X elevou a diocese de Mariana a arquidiocese e o respectivo bispo a arcebispo.
A personalidade literária de Dom Silvério ficou marcada por seus livros e cartas pastorais, gozando o arcebispo acadêmico a fama de poliglota. Conforme referência de Pe. Adami o bispo era conhecedor do latim, grego, hebraico, além das línguas vivas que falava fluentemente, entre elas o idioma italiano.
Como jornalista, fundou e dirigiu, em Mariana vários jornais.
Os versos latinos, as cartas pastorais e os artigos na imprensa granjearam-lhe fama, sendo comparado a padre Manuel Bernardes e a frei Luís de Sousa. E foi esse renome que o levou à Academia Brasileira de Letras como segundo ocupante da Cadeira 19, eleito em 30 de outubro de 1919 sucedendo a Alcindo Guanabara.
Dom Silvério foi o primeiro prelado brasileiro com assento entre os escritores consagrados pela Academia Brasileira de Letras.
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