365 dias para
os 100 anos da chegada dos estigmatinos ao Brasil

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Das Canárias ao Rio

 
 
 
CONSIDERAÇÕES SOBRE TEMAS DAS CRÔNICAS DE PE. ADAMI
 
 

5b. O que se sabe sobre Pe. Theophilo Teodosio Sanson (II)

 

 

Através da Crônica de Pe. Nicola Tomasi sabe-se que, no mês de setembro de 1910, Pe.Theophilo Sanson tratou  com os superiores da Congregação para trazer estigmatinos ao Brasil.

 

O próprio Pe. Nicola aos 30 de novembro já manifestava desconfiança a respeito do padre brasileiro, temendo alguma dolorosa surpresa, talvez influenciado pela incerteza de Pe. Alexandre Grigolli sobre a sinceridade do referido sacerdote.

 

Pe. Grigolli suspeitava que a proposta da fundação fosse um pretexto para que Pe. Sanson tivesse dois coadjutores em sua paróquia. Por coincidência ou ironia da história, quando chegou ao Brasil, Pe. Alexandre teve como primeiro ministério, a mando de Dom Silvério, ser cooperador em Sete Lagoas, onde era pároco Pe. Teophilo Sanson.

 

Pe. Sanson, ainda na Itália escreveu a Pe. Alexandre:

“A minha missão aqui (na Itália) não é a de um pároco que procura religiosos para sua própria comodidade, nem servir-se da minha condição para propaganda pessoal. Venho investido do poder do arcebispo de Mariana para tratar de interesses da arquidiocese, entre os quais esta que se refere à fundação destinada aos senhores. O Reverendíssimo Padre Superior Geral teve ocasião de ver as minhas credenciais. Trata-se de algo muito sério. Em relação à paróquia, claro que eu desejo sua colaboração, mas jamais a imporei. De forma alguma e em momento algum se limitarão a ser apenas dois coadjutores. Ao chegar à minha paróquia, se lhes parecer inconveniente o lugar ou de desagrado, não faltará na arquidiocese outro lugar onde poderão estabelecer-se. Eu não nutro interesses pessoais que não sejam o bem das almas.”

 

Nas crônicas de Pe. Adami não consta que o bispo de Mariana tenha incumbido Pe. Sanson de tratar com os superiores sobre uma fundação estigmatina no Brasil. Todavia, o sacerdote brasileiro conseguira a aprovação do bispo de Trento, Dom Celestino Endrici (1904-1940), para uma carta escrita por ele em nome do bispo de Mariana.

 

A carta fala de fundação em Sete Lagoas de uma “Colônia Agrícola” e de “um pequeno Seminário destinado à educação e instrução dos jovens que se preparam para o sacerdócio”.

A Colônia seria composta de famílias da região de Trento. Far-se-ia um contrato com as seguintes condições para os emigrados: a posse de uma casa, a posse de um lote de terra, o dinheiro para o primeiro plantio, a garantia da venda dos produtos, a assistência médica e religiosa gratuita nos primeiros anos. Far-se-ia, junto à Colônia, a construção de um Colégio e de uma Escola, sob a direção de sacerdotes para atendimento espiritual dos colonos, educação e instrução dos seus filhos, encaminhando-se ao sacerdócio aqueles que demonstrassem vocação.

 

A carta foi entregue ao superior geral Padre Pio Gurisatti, com quem Pe. Sanson falou sobre a implantação de uma Missão no Brasil e com quem ele marcou a data da partida para 10 de novembro de 1910, dirimindo também as dúvidas levantadas na época.

 

O fato é que o sacerdote brasileiro, com boa conversa e documentos em mão, convenceu os superiores italianos, que não tinham se arcado aos discursos dos bispos brasileiros na Itália.

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NOTA

 

Nosso Pe. Sanson não é o mesmo que trouxe para o Brasil a Congregação das Religiosas Missionárias de Nossa Senhora das Dores em 1913.

 

São dois irmãos, naturais do Rio Grande do Sul, pertencentes a uma família de italianos imigrados: Pe. Theophilo Teodósio Sanson e Pe. Antônio Afonso Sanson.

 

Ambos foram a Minas Gerais e se integraram na arquidiocese de Mariana 

Pe Antônio Afonso Sansom recebeu no Brasil as irmãs que chegavam da França. Era culto e falava corretamente o francês. Levou-as para sua paróquia, dedicada a São Domingos do Prata.