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A Primeira Visita Pastoral aos estigmatinos no Brasil

(Excerto da Crônica de Pe. Henrique Adami, in "Nossa Memória", volume I, 1979, páginas 110-111)
 
 

Primeira Visita Pastoral aos Estigmatinos no Brasil

 

 
 
No dia 23 de setembro de 1923, chegou Sua Excelência Dom João Francisco Braga, bispo de Curitiba, para a visita pastoral à Paróquia. Ficou em Castro até o dia 8 de outubro, começando neste dia, acompanhado por mim e por Pe. Cirilo Zadra, a visita às várias capelas da Paróquia. Foi a Socavão, Morros, Lagos, Catanduva, Tronco. Voltou a Castro no dia 19.

 

Partiu dia 22 para Tibagi, berço das nossas fundações sul-americanas, lugar das primeiras lutas, das primeiras lágrimas e das primeiras alegrias dos estigmatinos na terra de Santa Cruz.

 

No dia 27 de dezembro, voltou de Tibagi para Castro, de onde tomou o trem para Curitiba. Em nossa Paróquia e Missão fez mais de 40.000 crismas. Gastou três meses para a Visita pastoral!

 

Acompanhei o bispo e o considerei ótimo cavaleiro: vi-o dormir no chão sobre pelegos, como nós pobres missionários, satisfazer-se com a comida do povo humilde, incansável no sagrado ministério e de uma companhia verdadeiramente gostosa!

 

Recordo-me que, muitas tardes, quando eu e Pe. Ferrúcio ou Pe. Mantovani, cansados de confessionário ou de todo o povo (o bispo não crismava ninguém sem que se confessasse antes!), não conseguindo manter os olhos abertos, ele não se cansava de contar fatos alegres e continuava até às 10,30 ou 11 da noite!

 

Recordo-me também como uma noite, dormindo ele num quarto vizinho ao meu em Morros, cheio de abóboras e espigas de milho, acordei com o barulho que ele fez atirando seus sapatos contra ratos enormes. Fui perguntar se precisava de ajuda. Ele me disse:

- Não, caro padre, é que aqui há ratos que me passam por cima do rosto!

 

Ao partir de Tibagi o bispo deixou escrito no livro do Tombo:

 

"Visita Pastoral, de 23 de setembro a 27 de dezembro de 1923. A Paróquia de Castro e Missão de Tibagi estão confiadas aos Padres Estigmatinos, de cujo trabalho tomamos conhecimento. Tivemos a feliz oportunidade de constatar seu bom êxito. Chegamos em Castro no dia 23 de setembro e em Tibagi à tarde de 21 de outubro do corrente ano de 1923.

 

Nos três meses que durou nossa visita, não nos faltou trabalho e, acompanhados pelo vigário de Castro Pe. Henrique Adami e seu coadjutor Pe. Cirilo Zadra, e em Tibagi por Pe. Morelli e seu ajudante Pe. Ferrúcio, visitamos as capelas de Pirai, Socavão, Morros, Lagos, Catanduva, Tronco Água Clara, Reserva, Imbu, Herval. Monjolinhos, Queimadas, Patrimônio de Boa Vista, Lajeado Liso, Lajeado Bonito, Imbaú dos Batistas, Vila Preta, Caeté, São Jerônimo, Engenho Coelho, Capela Albino, Jataí, Sabiá, Bairro dos Amaros, Figueiras, Pelame, Colônia d'Anta, Ventania.

 

Seja nas sedes paroquiais como em outros lugares foram numerosas as crismas, confissões e comunhões, o que comprova tanto o louvável zelo dos sacerdotes quanto o bom espírito da população.

 

O zelo dos sacerdotes tem particular manifestação no empenho e no esforço que fazem para que, sem contrariar as disposições das leis do casamento civil e do sacramento do Matrimônio, sejam legitimadas e santificadas as uniões maritais, como é rigoroso dever e direito dos católicos. Foi consolador para nós verificar como o povo foi instruído e é consciencioso na matéria.

 

Encontramos também boas disposições no senhor Leopoldo Mercer, vice-Prefeito de Tibagi, quer em reconhecer o primitivo direito da Igreja sobre a área na qual está construída a cidade, quer no propósito expresso de examinar, de acordo com o Município, a compra por parte deste último do Patrimônio em pauta. Na esperança de ver resolvido este caso, queremos que o Reverendíssimo Pe. Vigário registre tudo quanto está acima neste livro do Tombo.

 

A boa comunidade estigmatina, a população da cidade e paróquia rodearam nossa Pessoa de afetuoso e filial tratamento, razão a mais, para que no ato da partida renovemos-lhes a bênção pastoral.

 

Tibagi, 27 de dezembro de 1923.

+ João, Bispo da Diocese do Paraná.”