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Os quatis são carnívoros gregários, membros da família Procyonidae. Existem três espécies de quati, todas restritas às Américas
Apesar da ampla distribuição geográfica e abundância, existem poucos estudos sobre os quatis (Beisiegel, 2001) e grande parte da informação sobre a biologia e ecologia do gênero Nasua estão restritas à espécie Nasua narica (quati de focinho branco). Por isso, as descrições abaixo baseiam-se tanto em estudos da espécie Nasua nasua, quanto da espécie Nasua narica. O quati é um animal de porte médio, seu corpo pode medir de 40,0 a 65,0 cm de comprimento e sua cauda pode variar de 42,0 a 55,0 cm, sendo os machos maiores que as fêmeas. O peso varia de 2,7 a 10,0 Kg (Eisenberg & Redford, 1999; Rocha et al., 2004 a). Possuem uma cabeça alargada que termina em um estreito e prolongado focinho muito saliente, pontiagudo e de grande mobilidade. O nome quati vem do tupiguarani e que dizer “aquele que coloca o focinho em buracos, fuçador”, referindo-se ao hábito da espécie de fuçar em fendas e buracos com seu focinho móvel. A coloração do animal pode ser alaranjada, avermelhada para marrom escuro ou acinzentada, sobrepondo-se com o amarelo. Essas variações na coloração da pelagem são encontradas ao longo de toda a sua área de distribuição. A cauda apresenta anéis de coloração mais clara que o resto de sua pelagem (Gompper & Decker, 1998). Os membros anteriores são menores do que os posteriores, e as extremidades das patas são escuras com garras bem desenvolvidas. Os quatis são animais de hábitos diurnos e semi-arborícolas. A espécie que ocorre no Brasil possui uma organização social similar à dos quatis de focinho branco e podem viver em bandos de até 30 indivíduos (Gompper & Decker, 1998) que compreendem fêmeas adultas (acima de dois anos) e indivíduos jovens de ambos os sexos. Os machos adultos (a partir dos dois anos), popularmente chamados de “quati-mundéo”, são solitários e só se juntam ao bando na época de acasalamento, que dura pouco menos de um mês (Kaufmann, 1962; Russel, 1981, 1982; Gompper, 1994, 1995) e na área de estudo ocorre entre os meses de julho e agosto (Alves-Costa, 1998). A reprodução é sincrônica em toda a população (Gompper 1997), o que, segundo Russel (1983), permite a manutenção das atividades sociais, que têm grande importância para o aprendizado dos filhotes. Durante a estação de nascimento as fêmeas se separam e cada uma utiliza um ninho diferente. Este fica no alto das árvores e é feito de um emaranhado de galhos e folhas. O período de gestação é de 10 a 11 semanas, nascendo de 2 a 7 filhotes. A dieta dos quatis inclui principalmente insetos e suas larvas, além de outros artrópodes. Esta dieta ainda abrange o consumo de uma grande variedade de frutos, bromélias e consumo eventual de pequenos vertebrados (Gompper & Decker, 1995; Gompper, 1995; Russel, 1996; Gompper, 1997; Eisenberg & Redford, 1999; Beisiegel, 2001; Nakano-Oliveira, 2002; Alves-Costa et al., 2004; Rocha-Mendes, 2005). Porém, já foi constatado o consumo de mamíferos como macaco-prego (Cebus nigritus), veado (Mazama nana), paca (Cuniculus paca) e ratão-do-banhado (Myocastor coypusAlves-Costa ), sugerindo o seu grande potencial de predação (Rocha-Mendes, 2005). Também há registros de uma dieta necrófaga (Gompper &Decker, 1998). Os quatis podem ser considerados como dispersores de sementes por consumir frutos e defecar as sementes intactas (Rocha, 2001; et al., 2004). Em áreas de utilização antrópica são freqüentemente observados se alimentando de lixo (Alves-Costa,1998). As vocalizações são variadas (Rocha & Sekiama, 2006). Segundo Nakano-Oliveira (2002), em região de Floresta Estacional Semidecidual secundária, a área de vida mínima de um macho e uma fêmea de quati seria de 4,9 e 6,3 Km2, respectivamente. Apesar de ser considerada uma espécie amplamente distribuída e relativamente comum no Brasil, é classificada como vulnerável no estado do Rio Grande do Sul (Beisiegel, 2001; Indruziak & Eizirik, 2003). O desmatamento e a conseqüente fragmentação de florestas pode ser o principal fator de ameaça à espécie neste local, aliado ao atropelamento e à caça (Indruziak & Eizirik, 2003; Zaleski, 2003). No entanto, no Parque das Mangabeiras, em Belo Horizonte, a fragmentação parece estar contribuindo para o aumento da densidade de quatis. Isto aliado à ausência de predadores e à grande oferta de alimento. |







