
UMA BOMBA ATÔMICA CHAMADA:
SOM - CLIQUE NA IMAGEM PARA LIGAR/DESLIGAR
IRÃ, SÍRIA, LÍBIA, EGITO, TUNÍSIA, ARGÉLIA,
SUDÃO, ETIÓPIA, GAZA, CISJORDÂNIA LÍBANO
E TODO O MUNDO JUDEU E ÁRABE-MUÇULMANO
É UM GIGANTESCO PAIOL DE PÓLVORA PRESTES A
EXPLODIR"
A CRISE NO EGITO
AFINAL, O QUE ESTÁ ACONTECENDO NO EGITO DE 2011
Inspirados na revolta que derrubou o governo da Tunísia no início do ano, milhares de egípcios compareceram a um grande protesto nas ruas do país no último dia 25 de janeiro. O movimento, reforçado convocado pela internet, ganhou o apoio de ativistas islâmicos.
Desde então, todos os dias, mais e mais manifestações surgiram pelo país. A polícia inicialmente tentou reprimir as manifestações e cerca de 300 pessoas podem ter morrido nos embates, de acordo com uma estimativa da ONU (Organização das Nações Unidas).
Nesta quarta-feira (2), manifestantes a favor de Mubarak invadiram a principal concentração opositora ao presidente, a praça Tahrir, no centro do Cairo. O confronto, com direito a disputas em camelos e cavalos, provocou a morte de mais de dez pessoas e deixou mais de mil feridos. Intimidações a jornalistas passaram a ser registradas com mais frequência e até mesmo profissionais brasileiros sofreram com o cerco.
Fotonovela: Grito de liberdade no mundo árabe
Saiba como pedir ajuda ou localizar brasileiros no Egito
Veja a cobertura completa da crise no Egito
O que motivou a revolta?
O movimento no Egito explodiu depois que uma onda de protestos derrubou o governo autoritário da Tunísia. O então presidente do país do norte da África, Zine el Abidine ben Ali, fugiu do solo tunisiano em 14 de janeiro. Também há manifestações no Iêmen, na Jordânia e em outros países árabes.
No Egito, os manifestantes acusam o regime de Mubarak de repressão, fraudes eleitorais, corrupção, responsabilidade pela pobreza e pelo desemprego no país, de mais de 80 milhões de habitantes.
Na última terça-feira (1º), os manifestantes convocaram a Marcha do Milhão, que colocou uma multidão nas ruas do Cairo, de Alexandria e de outras cidades. Os egípcios desafiaram o toque de recolher imposto pelo regime, que também cortou os sinais de internet e de telefone, para conter os protestos.
Quem está contra o governo?
A oposição no Egito é dividida em dois grandes grupos. O primeiro e mais organizado é a Irmandade Muçulmana, um partido islâmico fundado em 1929.
O grupo foi posto na ilegalidade por Mubarak, sob pressão dos Estados Unidos, que temem a influência islâmica nos governos da região.
O outro grupo, formado pela classe média e setores pró-Ocidente, passou a ser liderado pelo Prêmio Nobel da Paz, Mohammed ElBaradei. O diplomata, ex-diretor da AIEA (agência nuclear da ONU), voltou ao país e está liderando o movimento de oposição.
A Irmandade Muçulmana já indicou que aceita um governo de coalizão nacional liderado por ElBaradei, que já negocia com os EUA as bases de uma transição no país.
Por que o Egito é tão importante?
O Egito é considerado vital para a estabilidade no Oriente Médio e no norte da África e o mundo teme que a instabilidade no país comprometa a já inflamada região.
Além de ser o guardião do Canal de Suez, por onde passa boa parte do comércio internacional, o país, além da Jordânia, é o único a reconhecer o Estado de Israel.
O Egito é o quarto país que mais recebe recursos dos EUA – R$ 2,5 bilhões (US$ 1,5 bilhão) por ano. Mubarak tem sido um aliado histórico dos americanos, que temem que o fim do regime abra caminho para que a Irmandade Muçulmana assuma o poder.
Esse é também o principal temor de Israel, já que o grupo islâmico tem ligações com o Hamas palestino (grupo fundamentalista que controla a vizinha faixa de Gaza). O Ocidente também teme que a irmandade instaure um regime islâmico no país.
O que irá acontecer?
A maioria dos analistas não acredita que Mubarak consiga se manter no poder. Na última terça-feira (1º), o presidente tentou acalmar os protestos declarando que não será candidato à reeleição em setembro.
A decisão do líder de 82 anos, com saúde frágil, já era possível antes da crise e a expectativa era a indicação de seu filho, Gamal Mubarak, 47 anos, para o cargo. No entanto, nesta quinta-feira (3), o vice-presidente do país, Omar Suleiman, disse na TV estatal que Gamal também não concorrerá. Suleiman também disse que está excluído do processo eleitoral.
Nos últimos dias, o Exército chegou a dar sinais de que pode abandonar a lealdade a Mubarak, ao tomar a decisão de não reprimir os protestos. Muitos militares estão desertando e se juntando aos manifestantes.
O regime também perdeu o apoio de governos internacionais como o dos EUA, que pediram uma transição com ordem para o país.
FONTE: PORTAL R7 (http://noticias.r7.com/internacional/noticias
/afinal-o-que-esta-acontecendo-no-egito-20110203.html)
O IRÃ E A TERCEIRA GUERRA MUNDIAL
Fonte: Folha Online
Se o poder continuar reagindo tão
brutalmente e sem inteligência, temo
que aconteçam danos sérios e talvez o
início de uma guerra civil", afirmou a
advogada, juíza e escritora à publicação.
Altere o tamanho da letra: A- A+
Nobel da Paz alerta sobre perigo de
guerra civil no Irã
A defensora dos direitos humanos
iraniana Shirin Ebadi, 52, prêmio Nobel
da Paz em 2003, alertou sobre o
"possível início de uma guerra civil" no
Irã e assegurou que "a calma só poderá
retornar se as eleições forem anuladas e
houver uma nova apuração", declarou
em entrevista publicada nesta sexta
-feira no jornal francês "Le Monde".
"Houve centenas de
detenções. Um total de 500 em todo o
país. Se o poder continuar reagindo tão
brutalmente e sem inteligência, temo q
ue aconteçam danos sérios e talvez o
início de uma guerra civil", afirmou a ad
vogada, juíza e escritora à publicação.
Shirin, que diri
ge o Centro de Defensores dos Direitos
Humanos, proibido no Irã desde de
zembro do ano passado, assegurou que
os voluntários da ONG continuam tr
abalhando no país e "tentam reunir inf
ormações e publicar comunicados em
seu site da internet".
"São ameaçados e fustigados a cada dia
e pedimos sem cessar que deixem suas
atividades e saiam do país", acrescentou
Shirin.
organizado em Madri e seguiu o
conselho de pessoas próximas, que lhe recomendaram não retornar ao país para
se reunir com sua família, dada a
situação de agitação social.
"Sou mais útil no exterior do que dentro do país", onde o regime censura suas atividades, assegurou a Nobel da Paz.
ONU
A alta comissária para direitos humanos da ONU (Organização das Nações Unidas), Navi Pillay, pediu ao Irã nesta sexta-feira que controle a milícia islâmica acusada de violência contra manifestantes e alertou que a situação no país pode se deteriorar.
Pillay expressou preocupação sobre o número crescentes de ativistas de direitos humanos e membros da oposição presos desde a eleição presidencial da semana passada, e pediu às autoridades que sigam assegurem os direitos previstos em lei.
Cinco investigadores da ONU, em uma outra declaração feita em Genebra, disseram que há grande preocupação "com o uso excessivo da força polícia, com prisões arbitrárias e assassinatos" nos últimos dias.
Informações de que o acesso à mídia online e a páginas de relacionamento foi bloqueado também foram citadas como preocupantes.
Com Efe e Reuters
Iraque apresenta indícios de guerra civil
http://www.onorte.com.br/noticias/?66105
Segunda, 10 de Julho de 2006 18h32
O sentimento crescente de vitimização das comunidades, o ciclo de ataques e represálias e a transformação dos bairros em guetos estão levando o Iraque a beira da guerra civil. Os acontecimentos dos últimos dias têm sido alarmantes o que pode gerar um conflito religioso de baixa intensidade ou uma guerra civil de pouca amplitude.
A violência religiosa alcançou neste domingo, 09, um nível sem precedentes em Bagdá, com o massacre de 42 pessoas em um bairro sunita, seguido de um duplo atentado contra um local de culto xiita, que causou a morte de 19 pessoas.
Nesta segunda-feira, dia 10, a violência culminou com a morte de 10 pessoas em um triplo atentado no bairro xiita de Sadr City, em Bagdá, e em seguida uma bomba explodiu num mercado da rua Kifa, no bairro sunita de Sheik Omar, ferindo 14 pessoas.
Cada comunidade afirma ter sido martirizada por adversários, como acontece em todas as guerras civis. O deputado xiita Hamid Rachid Moala, citado em um comunicado do Conselho Supremo da Revolução Islâmica no Iraque, classificou os atentados contra os locais de culto de sua comunidade de "os piores crimes", e acusou simpatizantes do ex-ditador Saddam Hussein e takfiris (extremistas sunitas) de quererem "mergulhar o país na guerra civil".
No campo sunita, também se assume o papel de vítima. A Frente Nacional da Concórdia denunciou em um comunicado que os sunitas "são expulsos da cidade de maioria xiita Basra", e que os docentes sunitas "são alvos sistemáticos".
Fonte: da Redação
Enviada especial da BBC Brasil a Astana
Irã recontará votos após protestos que acusam ter havido 'fraude' eleitoral
O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, disse nesta quarta-feira que a decisão dos líderes iranianos de determinar uma recontagem limitada dos votos é "respeitável".
Em uma entrevista em Astana, no Cazaquistão, Amorim rebateu ainda as críticas de que faltou ao governo brasileiro "cautela" ao emitir declarações positivas sobre o conturbado processo eleitoral iraniano.
"Deixa eles resolverem o problema. Vamos esperar o processo terminar", afirmou Amorim.
"É respeitável que tenha se decidido dar uma satisfação à população (ao determinar a recontagem)."
Em declarações na segunda-feira, em Genebra, o presidente Lula havia dito que "não há provas" de fraude nas eleições iranianas - como alega a oposição. Até aquele momento, disse Lula, as disputas pareciam "um pouco coisa de flamenguistas e vascaínos", declarou o presidente.
Nesta quarta, o ministro Amorim rebateu críticas de que faltara ao governo brasileiro cautela ao abordar o tema. Rejeitou também acusações de que o Brasil tem se aproximado, em organismos multilaterais como o Conselho de Direitos Humanos da ONU, de governos com históricos questionáveis de direitos humanos.
"Tem gente que quer falar de direitos humanos para ficar em paz com a própria consciência, purgar pecados do colonialismo, e tem gente que vai para melhorar a situação dos países", disse Amorim.
"Para melhorar a situação do Sudão, eu tenho que conversar com a União Africana. Para melhorar a situação do Sri Lanka, tenho que engajar o Sri Lanka."
O Brasil é acusado de "pegar leve" com esses países no Conselho de Direitos Humanos da ONU - atitude que o governo diz ser "construtiva", mas que organizações não-governamentais classificam como "conivente".
O próprio Cazaquistão é governado por um presidente reeleito desde 1991 em processos eleitorais polêmicos, e acusado de cercear a oposição.
"Eu fui ao Zimbábue, estive com (o presidente Robert) Mugabe e (com o opositor Morgan) Tsvangirai. Muita gente pode ver isso criticamente. Mas muitas vezes o perfeito é inimigo do bom", disse Amorim.
"Nós temos que ter um processo evolutivo. O que queriam as potências europeias? Que Mugabe saísse na hora e entrasse Tsvangirai. Teria havido guerra civil, milhares de mortos, será que teria sido melhor?", defendeu.
http://www.viomundo.com.br/voce-escreve/ira-outra-revolucao-orquestrada-pelos-eua/
Irã, outra "revolução orquestrada" pelos EUA?
Atualizado em 21 de junho de 2009 às 22:15 | Publicado em 21 de junho de 2009 às 19:52
por Paul Craig Roberts*, em Counterpunch
Vários comentaristas têm manifestado crença inabalável na pureza de intenções de Mousavi, de Montazeri e da juventude ocidentalizada de Teerã. É como se o plano da CIA, de desestabilização, noticiado há dois anos, nada tivesse a ver com o desenrolar dos eventos de hoje.
Tem-se repetido que Ahmadinejad roubou votos, porque o resultado foi apresentado depressa demais, em tempo que teria sido insuficiente para que os votos fossem contados.
Mas, de fato, Mousavi foi o primeiro a declarar vitória, apenas algumas horas depois de encerrada a votação. É procedimento 'clássico' da CIA, para desacreditar resultados eleitorais que não sejam os 'desejados'. A CIA sempre apressa a declaração de vitória. Quanto mais tempo houvesse entre uma declaração 'preventiva' de vitória e a liberação das tabelas oficiais de votos apurados, mais tempo Mousavi teria para criar a impressão de que as autoridades eleitorais, responsáveis pelas eleições, estariam alterando as tabelas de apuração. O mais engraçado é que tantos finjam que não veem o truque e o golpe; menos engraçado é que sinceramente não os vejam.
Quanto à acusação de que a eleição foi roubada, feita pelo Grande Aiatolá Montazeri, ele foi o candidato inicialmente escolhido para suceder Khomeini; perdeu a disputa para o atual Líder Supremo. Para Montazeri, os protestos são ocasião perfeita para 'acertar as contas' com Khamenei. Em todos os casos seria bom negócio para Montazeri contestar as eleições, seja ele controlado pela CIA ou não – e a CIA tem longa história de sucessos no aliciamento de políticos derrotados em eleições perfeitas.
Está em curso uma luta pelo poder entre os aiatolás. Vários estão alinhados contra Ahmadinejad, porque o presidente os tem acusado de corrupção; assim, Ahmadinejad joga para a platéia de eleitores do interior do país, onde a interpretação mais 'popular' dos princípios do islamismo exige que os aiatolás vivam por padrões de equilíbrio e sobriedade, sem excessos nem de poder político nem de dinheiro.
Pessoalmente, acho que há algo de oportunismo nas denúncias feitas por Ahmadinejad; mas oportunismo é uma coisa; outra, completamente diferente, é a repetição incansável, em todos os jornais e televisões norte-americanas, de 'análises' que 'comprovam' que Ahmadinejad não passa de político conservador, reacionário e 'cúmplice' dos aiatolás.
'Analistas' e 'colunistas' e 'especialisttas' têm 'explicado as eleições Irãianas a partir de suas (deles e delas) pessoais ilusões, fantasias, desejos e emoções... além de, é claro, seus (deles e delas) interesses de vários tipos.
Embora haja pesquisas confiáveis que indicavam há várias semanas que Ahmadinejad seria eleito por diferença "acachapante", é claro que isso não implica que as eleições não tenham sido fraudadas. Mas, sim, há muitos indícios, altamente confiáveis, de que a CIA trabalha, sim, há mais de dois anos para desestabilizar o governo Irãiano.
Dia 23/5/2007, Brian Ross e Richard Esposito noticiaram no canal ABC News: "A CIA recebeu aprovação secreta da Casa Branca para montar uma operação "negra" para desestabilizar o governo Irãiano, informaram à rede ABC News oficiais da ativa e da reserva da comunidade de inteligência."
Dia 27/5/2007, o jornal London Telegraph, citando outras fontes, noticiou: "O presidente Bush assinou hoje autorização para que a CIA construa campanha de propaganda e desinformação com vista a desestabilizar, e eventualmente destituir, o governo teocrático dos mulás."
Alguns dias antes, o Telegraph noticiara, dia 16/5/2007, que um dos neoconservadores e senhores-da-guerra do governo Bush, John Bolton, declarara ao Telegraph que um ataque militar dos EUA ao Irã "seria a última opção, caso não dessem resultado nem as sanções econômicas nem as tentativas para fomentar agitação de rua e levante da população nas cidades."
Dia 29/6/2008, Seymour Hersh escreveu, na revista New Yorker: "No final do ano passado, o Congresso aprovou pedido do presidente Bush para liberar verbas para uma grande escalada nas operações secretas de inteligência contra o Irã, conforme informam fontes militares, do serviço secreto e do Congresso. Essas operações, para as quais o presidente Bush solicitou 400 milhões de dólares, foram apresentadas em documento ("Presidential Finding") assinado por Bush e visam a desestabilizar o governo religioso do Irã."
Parece evidente que há manifestantes sinceros nos protestos de rua em Teerã. Mas há também muito evidentes sinais que são como marca registrada da CIA, já observados na Georgia e na Ucrânia. É preciso ser completamente cego para não os ver em Teerã.
Daniel McAdams anotou sinais interessantes. Por exemplo, o neoconservador Kenneth Timmerman escreveu um dia antes das eleições, que "fala-se de uma 'revolução verde' em Teerã". Como Timmerman poderia saber de uma 'revolução' que só começaria dois dias depois? A única explicação é que conhecia os planos da CIA.
E por que haveria uma "revolução verde" já preparada desde antes das eleições... sobretudo se Mousavi estivesse certo de que seria 'eleito'? Não há como fugir da evidência de que, sim, os EUA trabalharam para criar os protestos pós-eleitorais que se veem hoje em Teerã.
Timmerman chega a escrever, bem claramente, que “[a ONG] National Endowment for Democracy gastou milhões de dólares na promoção de revoluções "coloridas" (...). Parte desse dinheiro parece ter chegado às mãos dos grupos pró-Mousavi, que têm laços com organizações não-governamentais fora do Irã financiadas pela [ONG] National Endowment for Democracy." A própria ONG neoconservadora de Timmerman, Foundation for Democracy, é "organização privada, sem finalidades lucrativas, fundada em 1995 a partir de doações da ONG National Endowment for Democracy, NED, para promover a democracia e o respeito aos direitos humanos no Irã."
* Paul Craig Roberts foi secretário-assistente do Tesouro durante o governo Reagan. É coautor de The Tyranny of Good Intentions. Recebe e-mails em PaulCraigRoberts@yahoo.com
http://pedrodoria.com.br/2007/09/04/bush-ahmadinejad-e-a-guerra-ira-vs-eua/
Agora no domingo, o Times de Londres anunciou que os EUA têm planos de atacar o Irã. Tem, evidentemente que tem. Desde o ano passado, quando Seymour Hersh publicou uma reportagem com detalhes na revista The New Yorker, que eles são mais ou menos conhecidos. Não quer dizer que o ataque virá. O próprio Times, no início do ano, divulgou que pelo menos cinco generais e almirantes estariam prontos a renunciar se recebessem ordem de ataque. Os EUA estão no limite do uso de suas forças.
O que a reportagem dominical do Times quer dizer é outra coisa: alguém achou por bem mandar um recado.
Mahmoud Ahmadinejad, o presidente iraniano, compreendeu a mensagem. De presto respondeu: anunciou que seu país já tem 3.000 centrifugas para enriquecer urânio. 3.000 centrifugas em plena operação num ano fazem urânio o suficiente para uma Bomba.
Na semana passada, a Agência Internacional de Energia Atômica havia anunciado que as conversas caminhavam bem.
Caminhavam – as mútuas provocações não se encerram assim tão fácil.
Irritada com a constante presença de indícios de que a Guarda Revolucionária do Irã anda por trás de ataques xiitas no Iraque, a Casa Branca flerta com a possibilidade de declarar o grupo uma ‘organização terrorista’. Não que vá fazê-lo, mas ameaça. Foi no mesmo domingo que o aiatolá Ali Khamenei decidiu nomear comandante da Guarda o general Mohammed Ali Jafari, que defende o endurecimento com estudantes rebeldes.
Um sinal?
Claro que sim – mas não apenas.
Conforme o discurso entre EUA e Irã se enrijece, a situação interna, no país, segue o mesmo caminho. Restrições a vestimentas femininas, que não eram assim tão vigiadas há anos, passaram a ser motivo de prisão nas ruas de Teerã, nos últimos meses. A polícia começou a caçar antenas parabólicas que captam o sinal de televisão a satélite. São ilegais e, no entanto, ostensivas. Toda a classe média assiste o noticiário da BBC. O período de tolerância, repentinamente, foi suspenso.
A notícia do Times, de que os EUA usariam força total contra alvos militares num ataque inicial ao Irã, não quer dizer que os planos de guerra sejam iminentes. Mas quer dizer que alguém no Pentágono o próximo a ele achou por bem levantar novamente a bola que os iranianos cortaram de presto. Há tensão no ar, provocações mútuas.
O clima está ruim. Bush talvez não tenha força política para declarar a guerra. Mas Ahmadinejad não é um chefe de Estado confiável. Ele pode dar um passo em falso.
http://profeciaonline.zip.net/arch2007-02-18_2007-02-24.html
20/02/2007
Diplomatas revelam á agência de notícias BBC uma suposta preparação de ataque dos EUA ao Irã
Fontes diplomáticas revelaram á BBC os detalhes de um suposto ataque dos Estados Unidos ao Irã. O alvo deste ataque seria, além das conhecidas áreas nucleares, bases militares iranianas e a instalação de mísseis e Centros de Comando e Controle na nação. O governo americano afirma sistematicamente que não possui nenhum plano de ataque ao Irã, e que estão somente desenvolvendo a negociação para que o país interrompa o seu enriquecimento de urânio e o desenvolvimento de armamentos nucleares. (Veja maiores detalhes no link: http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/02/070220_euaira_ac.shtml).
O presidente Iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, já declarou que não irá interromper o programa de enriquecimento de urânio, que gerou a sentença da ONU de que se o programa não for interrompido até o dia 21 de fevereiro, o Irã sofrerá sanções econômicas. No entanto, fontes diplomáticas declararam á BBC que, caso as negociações diplomáticas fracassem, altos oficiais do Comando Central americano na Flórida já escolheram seus alvos em território iraniano em um plano alternativo. Cuja lista inclui a usina de enriquecimento de urânio em Natanz, além de unidades em Isfahan, Arak e Bushehr.
O Presidente Iraniano, Mahmoud Ahmadinejad "Irã não irá interromper enriquecimento de Urânio"
De um lado, vemos os EUA fazendo uso de sua diplomacia de influência que mantêm no cenário mundial e da política da ONU, tenta de todas as formas impedir o nascimento de uma provável potência mundial militar, que certamente irá se tornar sua principal e iminente ameaça. Do outro, temos visto um Irã irredutível que busca de forma sagaz, o estabelecer de seus ideais. Tal situação nos remete á uma possível culminação de uma nova guerra. Pois, os EUA não desistirão de minar as forças e o franco desenvolvimento militar do Irã que já se trata de uma forte ameaça. Em contra-partida, o Irã não desistirá de constituir forças para a sua “cartada final” contra a blindagem que os EUA exerce sobre seu principal oponente, Israel. Caso as negociações diplomáticas não caminhem para um “final feliz” (o que é bem provável), teremos no cenário mundial a culminação de uma nova guerra. Cujo limiar tem se dados mediante os fatos que temos presenciado. Onde, os EUA juntamente com seus aliados, são os primeiros oponentes a serem abatidos pelo Irã. Cujo abater abrirá caminhos para a confratação direta contra Israel.
Matheus Viana
http://movv.org/2008/05/01/os-eua-vao-atacar-o-irao/
Publicado por Clavis Prophetarum em 2008/05/01
Os Estados Unidos transferiram um segundo porta-aviões nuclear para o Golfo Pérsico e os comandantes norte-americanos na região receberam, segundo a CBS, ordens para avaliarem as suas opções para um ataque ao Irão. Estas novas ordens resultam do recrudescimento da actividade das milícias shiitas no Iraque e do apoio que estas teriam recebido do Irão, nomeadamente em treinamento, armamento e munições, alegações que não são novas, mas que regressam agora, novamente.
O Secretário de Defesa dos EUA, Robert Gates, o mesmo que há semanas criticava a eficiência do comando da USAF, declarou: “O que os iranianos estão a fazer é matar soldados americanos dentro do Iraque”. Outros factores seriam a atitude crescentemente agressiva das vedetas iranianas contra navios estrangeiros no Golfo o prosseguimento do programa nuclear iraniano, muito concretamente a exibição numa televisão local do ministro da defesa iraniano visitando as instalações de enriquecimento de urânio de Teerão…
Atualmente, os EUA não têm capacidade terrestre disponível para um ataque convencional ao Irão, dada a densidade do seu empenhamento no Iraque e no Afeganistão, e isso mesmo foi admitido implicitamente pelo general Mike Mullen: “Temos capacidade em reserva, em particularmente na Marinha e na Força Aérea, logo seria um erro pensar que estamos sem capacidade de combate”. Admitindo também que a ter lugar (e por aqui já o previmos no passado, sem sucesso…) este ataque seria realizado através de mísseis Tomahawk lançados a partir de navios no Golfo Pérsico e de ataques aéreos cirúrgicos contra fábricas nucleares e de processamento de urânio, mas também escolhendo como alvo a estrutura logística e de comando do projecto nuclear. O Iraque, e sobretudo o seu primeiro ministro Nouri al-Maliki tem multiplicado as suas alegações quanto à presença de apoios iranianos no recente recrudescimento das milícias shiitas e deslocou-se a Teerão para reclamar desses apoios, transportando provas de que algumas instituições no interior do governo iraniano estão a apoiar milícias dentro do Iraque. Se daqui, não vier uma redução dese apoio… e sabendo que esta viagem se parece muito com um ultimato, poderemos então assistir a uma série de ataques aéreos e por via marítima.
Já antes abordámos esta questão do programa nuclear iraniano e quanto achávamos ser improvável que este tivesse unicamente fins pacíficos. Ora se o programa nuclear iraniano pode fornecer a Teerão a capacidade de fabricar uma arma nuclear e se Teerão tem praticamente a tecnologia suficiente para lançar satélites, então isso significa que o imprevisível e fanatizado regime no poder em Teerão pode colocar um engenho nuclear em qualquer ponto do mundo… Isso deveria levar os EUA a procurar consensos com a Rússia e a usar a sua engenharia e a sua própria extensão territorial para instalar sistemas anti-mísseis e de rastreamento capazes de anular ameaças vindas do Irão ou da Coreia do Norte. Infelizmente, ainda não houve esse bom senso, e a estratégia de irritar o urso russo permanece a mesma… Assim, a hipótese de um ataque devastador, mas cheio de riscos contra o Irão torna-se cada vez maior… Contudo, o seu desfecho é imprevisível. A força aérea iraniana está em bom nível de prontidão e não foi desgastada por décadas de sanções, como a iraquiana. Os sistemas anti-aéreos foram atualizados com novos sistemas russos e as bases americanas do Golfo estão ao alcance dos mísseis balísticos de Teerão, sendo certas retaliações se tal ataque ocorrer. Tudo se conjunga pois para que George Bush passe ainda uma última prova que pode fazer descer ainda mais os recordes de impopularidade do seu mandato. E dar argumentos ao regime fundamentalista de Teerão para ganhar as próximas eleições.
Fonte:
http://www.cbsnews.com/stories/2008/04/29/eveningnews/main4056941.shtml?source=RSSattr=HOME_4056941
02/03/07
Nos últimos dias foram veiculadas várias informações sobre uma possível intervenção dos EUA e de Israel no Irã, a qual estaria sendo planejada ou, até mesmo, estaria preste a ocorrer. No dia 20/02/07, a conceituada rede BBC revelou um “suposto plano de ataque dos EUA ao Irã”. De acordo com fontes da própria BBC, “...caso os esforços diplomáticos não tenham sucesso, altos oficiais do Comando Central americano na Flórida já escolheram seus alvos em território iraniano em um plano alternativo. Essa lista inclui a usina de enriquecimento de urânio em Natanz, além de unidades em Isfahan, Arak e Bushehr...”. Já no dia 24/02/07, o jornal britânico “The Daily Telegraph” noticiou que Israel e EUA planejam ataque aéreo ao Irã via Iraque. Acompanhe a íntegra da notícia:
“Israel e EUA planejam ataque aéreo ao Irã via Iraque, diz jornal” (EFE - 24/02/07)
“Israel está negociando com os Estados Unidos uma permissão para poder sobrevoar o Iraque como parte de um possível plano para atacar instalações nucleares do Irã, segundo a edição deste sábado do jornal britânico "The Daily Telegraph".
O vice-ministro da Defesa de Israel, Ephraim Sneh, negou neste sábado que seu país tenha pedido permissão aos EUA para sobrevoar o Iraque na intenção de atacar o Irã, e disse que as informações a este respeito são propagadas pelos que não querem lidar diplomaticamente com Teerã. De acordo com o jornal, que cita como fonte um alto funcionário da Defesa israelense, Israel necessita da autorização do Pentágono para que seus aviões de guerra possam atravessar o espaço aéreo iraquiano. Por isso, Israel negocia com os EUA a abertura de um "corredor aéreo" caso decida lançar uma ofensiva militar contra o Irã. Segundo a fonte, a questão do espaço aéreo tem de ser resolvida para evitar que uma situação-surpresa ponha em risco aviões americanos e israelenses, que poderiam, por erro de estratégia, atacar-se entre si...”
A questão iraniana tem todos os ingredientes para se transformar no epicentro do qual profundas transformações surgirão e abrirão as portas para a instalação da Nova Ordem Mundial. Uma série de fatores proféticos parece se juntar na atual conjuntura iraniana. Confira:
1. O pacto entre Rússia e Irã se mostra cada vez mais consolidado. A Rússia tem altos interesses financeiros no território iraniano, além de suprir aquele país com armas de última geração. Lembramos mais uma vez: o Irã (Pérsia), aparece nas profecias de Ezequiel 38 e 39 como um dos aliados de Gog em sua invasão a Israel que, em nossa opinião, ocorrerá logo no início da tribulação de sete anos.
2. O Irã é hoje o 2º país do mundo em exportação de petróleo. Qualquer conflito envolvendo o Irã, consequentemente, causará um desequilíbrio na distribuição mundial de petróleo, podendo gerar um grande colapso financeiro global devido à interdependência dos países. Há poucos dias, alguns boatos sobre uma expectativa de desaceleração das economias chinesa e americana, causou automaticamente a queda das principais bolsas mundiais e essa queda tem permanecido até agora. Uma crise de desabastecimento de petróleo gerará, sem dúvidas, um caos econômico mundial sem precedentes.
3. O governo iraniano parece não se importar com um conflito na região e prossegue com suas atividades nucleares. De acordo com analistas do Pentágono, um eventual ataque americano ou israelense ao Irã poderia envolver milhares de vôos e mísseis durante semanas, atrasando mas não eliminando o programa nuclear daquele país. As informações que EUA e aliados possuem sobre a localização dos centros nucleares iranianos são incompletas e nem as mais sofisticadas bombas “arrasa-bunker” dos EUA conseguiriam penetrar até a profundidade onde estão enterrados os locais blindados do programa nuclear iraniano.
4. O presidente dos EEUU, George W. Bush, enfrenta uma situação realmente complexa no Iraque, após a intervenção americana que depôs Saddam Hussein e também enfrenta uma ameaça de recessão sem precedentes nos EUA. Muitos especialistas sustentam que, para desviar as atenções da instabilidade interna iraquiana e para criar um novo conflito que traria dividendos eleitorais, o governo americano poderia atacar o Irã. Pelo menos, a sistemática utilizada pelo governo Bush para a intervenção no Iraque e em outros países, parece se repetir no caso do Irã. Primeiro, o governo do país a sofrer a intervenção é catalogado como perigoso para a paz mundial. Depois, surgem as sanções internacionais. Num momento posterior, começam a surgir ameaças veladas ou implícitas e, por último, ocorre a intervenção bélica. Estamos no momento nas “ameaças veladas”. No sábado, dia 24/02/07, o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, afirmou que “os EUA e seus aliados não permitirão que o Irã se transforme em uma potência nuclear” e que “os Estados Unidos são a favor de um enfoque diplomático com relação ao programa nuclear iraniano, mas que todas as opções estão sobre a mesa”.
5. Qualquer conflito bélico envolvendo os EUA e o Irã, envolverá, com quase absoluta certeza, Israel e países vizinhos. A recíproca também é verdadeira. Qualquer conflito de grandes proporções entre Israel e países vizinhos, envolverá os EUA e o Irã...
Devido à escalada dos eventos envolvendo o Irã, cremos que algo ocorrerá nos próximos meses e quando tal fato ocorrer, abrirá definitivamente as portas para os tempos finais. Quando juntamos os pontos detalhados acima, vemos que a combinação deles parece se encaixar com precisão no cenário do fim relatado pelas profecias bíblicas. Em primeiro lugar, parece altamente improvável que o Irã seja totalmente destruído pelos EUA e Israel no virtual conflito que pode ocorrer nos próximos meses e também, como sustentam os próprios estrategistas do Pentágono, é praticamente impossível destruir até mesmo o projeto nuclear iraniano. Isso nos leva a considerar que pode haver um conflito no Oriente Médio, envolvendo Israel, países vizinhos, Irã e EUA, que gere um colapso financeiro, devido à importância fundamental que o Irã tem como o segundo país produtor e exportador de petróleo e, ao mesmo tempo, produza as condições expostas nas profecias de Ezequiel 38 e 39, que mostram Israel vivendo em tranqüilidade, numa terra “recuperada da guerra” (ou seja, logo após um conflito que destruirá seus inimigos mais próximos). Esse conflito que pode ocorrer a qualquer momento poderia tornar o Irã oficialmente aliado da Rússia ou, até mesmo, fazer com que o governo russo, com o apoio da ONU, supervisione o Irã devido a sua importância petrolífera.
A Palavra de Deus se cumpre. Para que Gog invada Israel, é necessário que Israel esteja habitando em paz, ou seja, livre de seus inimigos mais próximos e também é necessário que países como o Irã se tornem aliados ou estejam sob a jurisdição do “rei do norte”, que em nossa opinião é um governante russo. Vamos permanecer atentos também ao que ocorrerá com o Líbano e a Síria, países que ficam no extremo norte de Israel e, consequentemente, ficam no caminho de Gog quando ele vier do “extremo norte”. No momento em que encerrávamos a presente edição, recebemos a informação que a Síria movimentou tropas em direção à fronteira com Israel, conhecida como “Colinas de Golã”. De acordo com o jornal israelense Haaretz, “...Nos últimos tempos, o Exército sírio se reforça em todas as áreas com a ajuda financeira do Irã de uma forma sem precedentes...", acrescentando que a corrida armamentista se concentra sobretudo em mísseis e foguetes de longo alcance. Segundo Zeev Schiff, correspondente de assuntos militares do joenal, movimentos similares foram o prelúdio da ofensiva síria nesta região na guerra árabe-israelense do Iom Kippur, em outubro de 1973 [o conflito começou com ataques coordenados de Exércitos árabes na península do Sinai --tomada por Israel do Egito, em 1967-- e nas colinas do Golã --tomadas da Síria também em 1967]...
A guerra em Gaza e o ódio a Israel
http://resistenciamilitar.blogspot.com
"Não é possível discutir racionalmente com alguém que prefere matar-nos a ser convencido pelos nossos argumentos" (Karl Raimund Popper)
O anti-semitismo é praticamente tão antigo quanto o próprio judaísmo. Os motivos variaram com o tempo. A arrogância presente na idéia de "povo escolhido" pode ser parte da explicação, mas não basta, pois todas as religiões acabam se vendo como a única detentora da Verdade e das chaves para o paraíso.
O fator econômico pode ser parte da origem desse sentimento também. A prática da usura era condenada enquanto os judeus desfrutavam de sua evidente lógica: o tempo tem valor. Shakespeare retratou de forma intensa o anti-semitismo de seu tempo, na sua clássica obra "O Mercador de Veneza". Shylock é o ícone do financista insensível e explorador, visão até hoje alimentada por muitos. O Holocausto, com apoio dos principais líderes muçulmanos, foi o ponto alto do preconceito contra judeus. Atualmente, o ódio irracional aos judeus está novamente em alta.
O anti-semitismo acaba levando ao anti-sionismo, e o próprio direito de existência de Israel é negado por muitos. Vários países existem por causa de decisões arbitrárias de governos, principalmente após guerras. São inúmeros exemplos, e Israel é apenas mais um. Só que, curiosamente, somente Israel não tem o direito de existir. O que Israel faz de tão terrível para que mereça ser "varrido do mapa", como fanáticos islâmicos defendem? Vou arriscar uma possível resposta nesse artigo, com base no foco econômico.
Israel é um país pequeno, criado apenas em 1948, contando com pouco mais de sete milhões de habitantes. Entretanto, o telefone celular foi desenvolvido lá, pela filial da Motorola, que possui seu maior centro de desenvolvimento em Israel. A maior parte do sistema operacional do Windows NT e XP foi desenvolvida pela Microsoft-Israel. A tecnologia do chip do Pentium MMX foi projetada na Intel em Israel. O microprocessador Pentium 4 e o processador Centrino foram totalmente projetados, desenvolvidos e produzidos em Israel. A tecnologia da "caixa postal" foi desenvolvida em Israel. A Microsoft e a Cisco construíram suas únicas unidades de pesquisa e desenvolvimento fora dos Estados Unidos em Israel. Cientistas israelenses desenvolveram o primeiro aparelho para diagnóstico de câncer de mama totalmente computadorizado e não radioativo. Em resumo, Israel possui uma das indústrias de tecnologia mais avançadas do mundo.
A economia de Israel tem um PIB acima de US$ 180 bilhões por ano. A penetração de computador é uma das maiores do mundo. Quase um terço dos habitantes tem acesso a internet. Lá são produzidos mais artigos científicos per capita que qualquer outro país do mundo. Israel possui o maior Índice de Desenvolvimento Humano do Oriente, ostentando o 23º lugar no ranking geral. A renda per capita chegou a US$ 25 mil, bem acima da média da vizinhança. A taxa de mortalidade infantil está em 4,3 mortes para cada mil nascimentos, um padrão de país rico. O Irã, por outro lado, tem 37 mortes por cada mil nascimentos, enquanto o Egito tem 28, a Síria tem 27 e o Líbano tem 23. A expectativa de vida ao nascimento está acima de 80 anos em Israel, comparado aos 71 anos no Irã, 72 no Egito, 71 na Síria e 73 do Líbano. Praticamente não existe analfabetismo em Israel. E por aí vai.
Não custa lembrar que tudo isso foi conseguido sob constante ameaça terrorista por parte dos vizinhos muçulmanos, demandando um pesado gasto militar pelo governo israelense. Em relação ao PIB, Israel possui um dos mais elevados gastos militares do mundo. Ainda assim, o país foi capaz de gerar um quadro sócio-econômico bastante razoável, mesmo para os padrões desenvolvidos. Quando comparamos esta realidade com a situação caótica da maioria dos países com predominância islâmica na região, fica mais fácil entender uma parte do ódio que é alimentado contra os judeus. O sucesso incomoda, acaba despertando inveja. A romântica postura de Davi contra Golias, de tomar sempre o partido dos mais fracos, ajuda a explicar o ódio a Israel.
Claro que os fatores religiosos pesam muito. A lavagem cerebral feita nas crianças muçulmanas desde cedo, retratando o judeu como o grande demônio culpado por todos os males locais, contribui muito para o quadro também. Mas as gritantes diferenças econômicas e sociais adicionam muita lenha na fogueira, não resta dúvida. Fora isso, os israelenses podem escolher seus governantes democraticamente, enquanto os muçulmanos vivem sob ditaduras. Isso para não falar das diferenças na liberdade feminina. Há um abismo moral que separa Israel do restante no que diz respeito aos direitos das mulheres.
Com tanta miséria e ignorância, ausência das liberdades mais básicas, mulheres submissas com o corpo todo coberto, e uma religião que enaltece o sacrifício por Alá, a tentação de morrer como mártir e ser recebido por dezenas de virgens no paraíso parece irresistível. O ideal seria mostrar para os muçulmanos que isso não é necessário. Israel não é um paraíso - longe disso. Mas perto da realidade dos vizinhos islâmicos, acaba parecendo um oásis no meio do deserto. Ao invés de cometerem suicídio em ataques terroristas na tentativa de destruir Israel, os muçulmanos fariam melhor se pressionassem seus líderes para que Israel fosse um exemplo a ser seguido, não "varrido do mapa". Todos, à exceção dos seguidores do profeta que usam a existência de Israel como escusa para todo tipo de atrocidade doméstica, sairiam ganhando. Principalmente os pobres palestinos. Afinal, não custa lembrar que os maiores responsáveis pelas mortes e pela miséria na Palestina e demais países islâmicos são os próprios líderes muçulmanos, que usam a religião para manter o poder.
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Novo conflito no Oriente Médio (não trata do conflito atual)
Fernando Malburg da Silveira
Referir a um novo conflito no Oriente Médio talvez não seja a forma mais adequada de retratar o que lá acontece. Na verdade, a região é convulsionada desde os tempos bíblicos; e o “novo” conflito, iniciado em julho de 2006 e não terminado no momento em que este artigo é escrito, é apenas o mais recente capítulo na história dessa conturbada região, desta vez representado pelos confrontos das forças israelenses com o Hamas na faixa de Gaza e o Hezbollah no sul do Líbano.
Habitado desde remotas eras da civilização humana, o Oriente Médio é uma das regiões mais problemáticas do planeta. Trata-se de área de enorme importância estratégica, quer sob o prisma econômico – pois abriga no subsolo do mundo árabe e persa o petróleo que move o mundo -, quer sob o enfoque geopolítico e militar – de vez que situa-se na rota de comunicação entre a Europa e a Ásia. Além disso, é região de um passado milenar de antagonismos religiosos, que já deram causa a muitos morticínios de cristãos, muçulmanos e judeus, desde os tempos bíblicos.
Um aspecto de grande relevância merece atenção nos tempos modernos: as circunstâncias econômicas do mundo atual já não permitem que se reduza os conflitos árabe-israelenses tão somente ao contencioso religioso entre muçulmanos e judeus, por mais graves que sejam as incompatibilidades e as intolerâncias de ambos. Trata-se hoje de conflito multidimensional, ou seja, econômico, geopolítico, étnico e religioso. Dentre esses ingredientes, todos explosivos, é fato que se destaca, por seu potencial de radicalização e geração de ódios, o componente de natureza religiosa que coloca em pólos opostos os judeus e o mundo islâmico. O sionismo e o islamismo são os grandes protagonistas atuais do contencioso e de seus alastramentos; e a Jihad, que literalmente significa luta em árabe, é enaltecida pelos muçulmanos, com base no Corão (o livro sagrado do Islã), para indicar o caminho da libertação do mundo islâmico das influências ocidentais, tendo recebido a conotação de Guerra Santa nos escritos da sharia’ah (a lei islâmica estabelecida no século que se seguiu à morte do profeta Mohammad, ou Maomé, disseminador do Islã).
Conflitos do passado distante
Há registros históricos de que tribos israelitas povoaram, desde 1.250 AC, as terras de Canaã, após o Êxodo que marcou a libertação dos antepassados dos atuais judeus de seu cativeiro no Egito, para onde haviam emigrado cerca de 1.700 anos antes de Cristo. Libertados do jugo dos faraós e liderados por Moisés, após 40 anos vivendo como nômades na península do Sinai, as tribos israelitas empreenderam a longa jornada rumo a Canaã, guerreando e exterminando (apesar de um dos dez mandamentos recebidos por Moisés no Monte Sinai rezar "Não matarás") todos os povos que habitavam o caminho e ocupavam a região desejada. Falecendo Moisés, foi Josué quem finalmente liderou o restante da jornada e continuou as guerras de extermínio das populações locais (o que provavelmente foi a primeira Guerra Santa da História, conduzida - segundo as Escrituras - a conselho divino pelos israelitas contra as populações que habitavam a Palestina). Foi pela guerra que as doze tribos de Israel se estabeleceram na “Terra Prometida” por Deus aos descendentes de Abraão, após longa e cruel campanha militar, marcada pela impiedosa destruição de todas as sociedades que pudessem obstaculizar a missão. Mais tarde, derrotados pelos assírios em 722 AC e pelos babilônicos em 586 AC, foram os israelitas exilados, mas sempre voltaram à terra ancestral. Sob a dominação romana os judeus foram novamente banidos da área, resultando a grande diáspora ordenada pelo imperador Tito no ano 70 da era cristã. Nas ausências dos israelitas e ao longo de séculos, povos que seriam os ancestrais dos palestinos de hoje procuravam estabilizar-se naquelas terras. Com o desmonte do império romano pelas invasões bárbaras, essas terras passaram à dominação do império bizantino (antigo império romano do Oriente). Com a queda de Bizâncio teve lugar a expansão do império árabe, que ocupou a região trazendo consigo a religião muçulmana, que proliferava no Oriente Médio desde os anos 600 DC, fruto das pregações do profeta Maomé.
Maomé, O Mensageiro, iniciou em 610 da era cristã o amálgama do povo árabe em torno de uma nova fé, o islamismo, religião monoteísta que representa a submissão à vontade de Deus e encontra sua definição e ordenamento no Corão, livro sagrado que, segundo o profeta do Islã, teve seu conteúdo a ele ditado por Alah, Deus único do Islã, por intermédio do anjo Gabriel. A migração de Maomé de Meca para Medina, em 622, é o marco inicial da era muçulmana e da expansão do islamismo.
É curioso observar que, até o surgimento do islamismo e do Corão, o livro que registra a história dos judeus (ou israelitas, como eram denominados na antiguidade) era adotado como livro sagrado pelos cristãos e pelos povos árabes que hoje formam o mundo islâmico. Trata-se da Bíblia. Na verdade, a Bíblia cristã, o Corão dos islâmicos e a Torah dos judeus consagram, para as três religiões monoteístas principais (cristianismo, judaísmo e islamismo), princípios historicamente e teologicamente relacionados à veneração de um mesmo e único Deus; e pregam os mesmos princípios de amor ao próximo, benevolência, tolerância, piedade e repulsa à violência. Não obstante, cristãos, judeus e muçulmanos jamais hesitaram em lançar mão da guerra para alcançar seus objetivos maiores. As guerras das tribos de Israel, rumo a Canaã, contra os habitantes da Palestina; as várias Cruzadas da Idade Média, desencadeadas pelos cristãos europeus contra os muçulmanos para tomar Jerusalém (a primeira delas convocada pelo Papa Urbano II, em 1.095, e todas visando libertar Jerusalém do domínio muçulmano); e os atuais conflitos árabe-israelenses que incendeiam o Oriente Médio, presentemente extravasando na forma de terrorismo islâmico para os países simpatizantes de Israel (vide o ataque às torres gêmeas e ao Pentágono, nos EUA, em 2001), são manifestações da Guerra Santa, a Jihad, que portanto existe há milênios e não dá sintomas de se extinguir. Depreende-se que a Guerra Santa, seja durante o Êxodo judeu para Canaã, seja durante os séculos das Cruzadas, seja na forma da Jihad islâmica dos tempos presentes, não é uma postura guerreira exclusiva de qualquer das três religiões que ensangüentaram aquelas terras ao longo dos tempos: todas a praticaram, embora sua versão islâmica dos tempos atuais seja mais chocante, por sua divulgação visual instantânea pela mídia eletrônica e por nos afetar diretamente.
O grande conflito que, a cada nova guerra, permanece vivo até os dias presentes (sem perspectivas de terminar bem) é um milenar contencioso entre povos cujas convicções religiosas eram similares, construídas sobre os mesmos pilares da crença e dos costumes sociais, mas que hoje vivenciam, no cenário judaico e islâmico, antagonismos capazes de colocar em risco a paz mundial. É importante observar, ainda, que embora as nações que hoje se digladiam no Oriente Médio vivessem há milênios na área dos conflitos, seus Estados e fronteiras são bastante recentes e ainda não consolidados, como se verá a seguir, o que em parte pode ser uma das causas de não terem muçulmanos e judeus logrado uma convivência pacífica na região.
Conflitos dos tempos mais recentes
Até as vésperas da 1ª Guerra Mundial o que se entende hoje por Palestina ocupava 26 mil quilômetros quadrados, abrigando cerca de um milhão de palestinos e 100 mil judeus, sob a dominação turca otomana. Com a derrota dos turcos na Grande Guerra, a Síria e o Líbano ficaram sob o domínio da França; e a Palestina passou à dominação britânica, tendo a Inglaterra se comprometido a ali criar um Estado judaico para os judeus da Palestina, dessa forma incentivando uma nova imigração desse povo, então disperso pelo mundo. Essa imigração se deu fortemente amparada pelo movimento sionista mundial, lançado ao final do século XIX pelo húngaro Theodor Hertzl. Desde então, os renovados objetivos dos judeus eram o novo retorno à "Terra Prometida", a Palestina, então ocupada majoritariamente, há séculos, pelos palestinos; a criação do Estado de Israel; e a realização do sagrado dever de uma nova reconquista de Jerusalém (disputada também há muitos séculos por cristãos, judeus e muçulmanos como cidade sacra). Observe-se que a posse de Jerusalém, cidade sagrada para as três maiores religiões monoteístas do planeta, está no epicentro de muitos conflitos do passado e do presente (e provavelmente do futuro, face ao radicalismo que norteia o pensamento religioso de judeus e islâmicos).
Os assuntos do Oriente Médio passaram, após a 1ª GM (1914/18), a ser decididos nas capitais dos vencedores, Londres e Paris, sem levar na devida conta a história, a cultura, as tradições e a vontade dos povos que o habitavam. As reações anti-colonialistas não tardaram a surgir no mundo árabe. Foi fundada, no Egito, a Irmandade Muçulmana, firmemente disposta a expulsar os estrangeiros e a restabelecer o respeito aos princípios do Corão e aos costumes do Islã. Aí reside o berço do fundamentalismo islâmico, fruto da pregação da fiel observância à lei islâmica, que determina ser dever de todo muçulmano, entregando sua vida se necessário, libertar suas terras sagradas de qualquer dominação ou influência dos ocidentais infiéis. As primeiras guerrilhas contra os ocupantes estrangeiros então começaram a manchar de sangue a terra.
Paralelamente, a Europa enfrentava uma seqüência de crises nacionais e conflitos internos, que resultaram na 2ª. Guerra Mundial (1939/45). Na Alemanha, Hitler construiu uma formidável força bélica e, nos anos 30, iniciou uma implacável perseguição aos judeus espalhados pela Europa, que responsabilizava pelos males do mundo. Isso reforçou a imigração destes para várias partes do planeta, principalmente para a Palestina. Com o término da 2ª. GM os britânicos, desgastados politicamente pela ocupação e militarmente pelas guerrilhas, decidiram deixar a Palestina, colocando sobre os ombros da ONU a solução dos milenares problemas locais. Assim é que, em 1947/48 a ONU, então presidida pelo brasileiro Oswaldo Aranha, aprovou um plano de divisão das terras em disputa, contemplando a existência de dois Estados, um judeu (com 57% da área) e um palestino (com 47%). Jerusalém ficava sob gestão internacional. Na época habitavam a região 600 mil judeus e 1 milhão e 300 mil palestinos. O mundo árabe, como era de se esperar, rechaçou essa proposta. Ainda assim os judeus decidiram proclamar em 1948 a existência do Estado de Israel, consoante seus antigos desideratos; e assim fizeram com o apoio das potências ocidentais, interessadas nas maiores jazidas de petróleo do planeta.
Palestinos e árabes recusaram-se a reconhecer o novo Estado, acendendo o estopim da primeira guerra árabe-israelense dos tempos modernos (1948/49). Israel não só venceu o conflito contra a Liga Árabe (Egito, Síria, Jordânia e Líbano) como, ainda, expandiu suas fronteiras, ocupando quase 80% da área da faixa de Gaza. O pretendido Estado Palestino sucumbiu, dividido entre Israel, Jordânia (que tomou a Cisjordânia) e Egito (que ficou com Gaza). Tem nascedouro neste conflito a Questão Palestina, marcada pela fuga de quase um milhão de palestinos das áreas ocupadas militarmente por Israel e agravada pelo enfraquecimento, em 1952, da decisão da ONU sobre um país palestino. É a diáspora palestina, dispersando esse povo pela região, passando os deslocados a viver em condições precárias em acampamentos de refugiados espalhados pelos países vizinhos ou tornando-se um povo errante, tal como ocorrera dois mil anos antes com os judeus.
Passados sete anos o Oriente Médio foi palco, em 1956, de uma segunda guerra entre árabes e judeus, desta feita causada pela nacionalização do Canal de Suez pelo nacionalista Gamal Abdel Nasser, presidente do Egito (que derrubara a monarquia egípcia em 1952). Israel, França e Grã-Bretanha juntaram-se militarmente contra Nasser, cuja derrota foi evitada pela intervenção de americanos e soviéticos, sob a lógica da Guerra Fria que passou a dividir o mundo em duas áreas geopolíticas de influência. Prevaleceu o jogo do equilíbrio bipolar entre Moscou e Washington, pois não interessava aos EUA nem à URSS o domínio egípcio sobre aquela via estratégica de navegação marítima; o canal permaneceu nacionalizado, mas aberto à navegação de todos os interessados. Como parte dos acordos de então, Israel desocupou a Península do Sinai e recuou para as fronteiras de 1949. Uma Força de Emergência da ONU (da qual tropas brasileiras fizeram parte) estabeleceu-se em Gaza, de onde só saiu em 1967.
A Questão Palestina, porém, tomou vulto e gerou reações, desde 1956. Foi criada em 1959 a Al-Fatah, organização combatente cujo nome significa “reconquista” em árabe. Dentre seus fundadores, destacava-se Yasser Arafat, um engenheiro nacionalista palestino, simpatizante de Nasser. Mais adiante, em 1964, diante dos fracassos dos esforços para que a ONU equacionasse a contento os problemas de seu povo, Arafat criou a Organização para a Libertação da Palestina (OLP), que de pronto iniciou guerrilhas contra Israel para a retomada das áreas ocupadas pelos judeus. A pregação da destruição do Estado de Israel, inicialmente defendida por Nasser, passou a ganhar força e adeptos no mundo árabe. O Oriente Médio tornou-se um barril de pólvora, e dissipou-se qualquer possibilidade de uma coexistência pacífica entre árabes e judeus.
Não tardou uma terceira guerra, ocorrida em 1967, tão logo as forças de paz da ONU retiraram-se da fronteira entre Egito e Israel. Com auxílio logístico dos Estados Unidos, Israel atacou simultaneamente o Egito, a Síria e a Jordânia, que alegadamente preparavam uma ação militar conjunta contra o Estado judeu. A surpresa permitiu que toda a aviação desses países árabes fosse neutralizada no solo; e em seis dias de combates (daí o nome de Guerra dos Seis Dias) Israel saiu novamente vitorioso. As forças israelenses voltaram a ocupar a faixa de Gaza, a Península do Sinai, as colinas sírias de Golan e a Cisjordânia jordaniana. O êxodo palestino, por conseqüência, aumentou, tendo em 1968 sido avaliado em 1 milhão e 600 mil os refugiados palestinos espalhados em Gaza, Cisjordânia e sul do Líbano. A Al-Fatah e outros grupos radicais intensificaram as ações terroristas contra Israel. Em 1969 Yasser Arafat assumiu pessoalmente a direção da OLP, que crescia como organização líder dos extremistas que pregavam a destruição de Israel. Os países árabes perderam o controle da organização, tendo chegado a ocorrer um ataque contra suas bases, em 1970, ordenado pelo rei Hussein da Jordânia, operação que passou à História com o nome de Setembro Negro. A OLP teve que se transferir para o Líbano e, mais tarde, para a Tunísia, devido às divergências entre os próprios países árabes, receosos de terem seus Estados ameaçados por abrigarem a organização extremista. Milhares de palestinos morreram nesses conflitos internos.
Em 1973 teve lugar novo confronto militar, quando Síria e Egito (este agora governado pelo sucessor de Nasser, Anuar Sadat) atacaram Israel na sua data religiosa (Yom Kippur para os judeus e Ramadã para os árabes), objetivando a recuperação de territórios. A vantagem inicial dos árabes, que retomaram Golan e um trecho do Sinai, foi em duas semanas revertida por Israel, novamente com auxílio americano, recuperando as colinas sírias e a península egípcia. Esta quarta guerra árabe-israelense causou profundas alterações no tabuleiro de xadrez do Oriente Médio, levando o Egito para a esfera de influência americana e a Síria (onde prevalecia a ortodoxia islâmica) para a esfera soviética. Além disso, a crise do petróleo que sobreveio em 1973 elevou o preço do barril de 14 para 34 dólares, causando grande impacto na economia mundial, especialmente na Europa e Japão. A dependência do resto do mundo do petróleo árabe veio à tona em sua verdadeira grandeza.
O ano de 1979 testemunhou um acordo de paz entre Egito e Israel, fruto da distensão política da Guerra Fria (conhecida como detènte), mas isso não reduziu a violência dos atos da OLP e de outros grupos palestinos radicais, seguindo-se anos de terrorismo. Esse mesmo ano foi, também, o marco de um novo acontecimento de grande relevância no cenário: a Revolução Islâmica Iraniana, através a qual os xiitas islâmicos, liderados pelo carismático e radical aiatolá Khomeini, derrubaram a monarquia persa da dinastia Reza Pahlevi (aliado dos Estados Unidos) e proclamaram a República Islâmica do Irã. Khomeini instalou no país um regime teocrático, não influenciado pela lógica da política da Guerra Fria, que dividia o mundo sob a égide das duas superpotências, os EUA e a URSS. A jihad ganhou extraordinária força, intensificando-se a pregação da extinção de Israel e o crescimento da campanha anti-americanista. Anuar Sadat, sucessor de Nasser no Egito que vinha buscando acordos com o governo israelense de Menahen Begin, resultou assassinado por extremistas muçulmanos durante uma parada militar no Cairo, em 1981. Não ficou imune a União Soviética, que passou a ter preocupações muito maiores com os países muçulmanos separatistas ao seu redor, como o Cazaquistão, o Turcomenistão e outros da região do Cáucaso. As conseqüências, aliás, estão visíveis ainda hoje no "cinturão muçulmano" que circunda o sul da Rússia, representadas pelos conflitos do governo russo (após a extinção da URSS) com os vários países caucasianos de maioria muçulmana (a Chechênia é o exemplo mais expressivo). Também não escapou o subcontinente indiano, com o recrudescimento das hostilidades entre a Índia e o Paquistão muçulmano, tendo como motivação principal a posse da Caxemira (também majoritariamente muçulmana). A Guerra Santa, portanto, alastrou-se para outros continentes, sempre carregando em seu bojo o radicalismo islâmico.
Voltando ao Irã, é relevante observar a posição intransigente com que seu atual presidente, o fundamentalista islâmico Mahmoud Ahmedinejad, com o apoio dos aiatolás, preconiza a extinção de Israel, representando ameaça permanente ao Estado judeu e aos interesses norte-americanos no Oriente Médio. Outrossim, desde 1975 tiveram início dissidências graves entre o Irã, majoritariamente xiita, e os árabes iraquianos sunitas, revelando as fortes divisões internas reinantes no mundo islâmico. O contencioso girava em torno de terras iraquianas que haviam passado ao controle iraniano, mas o pretexto formal para a guerra entre Irã e Iraque, que estalou em 1980 opondo árabes e persas, foi o controle das águas do Chatt-el-Arab, o canal de acesso para o escoamento do petróleo do Iraque para o Golfo Pérsico. Foram oito anos de uma guerra devastadora entre os dois países, que terminou sem vencedores mas deixou evidente o apoio incondicional norte-americano a Israel, ao Iraque de Sadam Hussein, à Arábia Saudita e a outros governos árabes conservadores, enquanto a URSS apoiava a Síria e outros governos árabes nacionalistas. Curioso é observar que, nessa guerra, interessou aos EUA apoiar Sadam Hussein contra o Irã; e que, decorridos alguns anos, os mesmos norte-americanos iriam invadir o Iraque e depor Sadam Hussein, mostrando ao mundo como gira a roda gigante dos interesses das potências hegemônicas...
Só em 1985, com a posse de Mikhail Gorbachev na URSS, veio a ocorrer uma nova distensão no cenário da Guerra Fria, sob a abertura política conhecida como glasnost. Em 1988 Yasser Arafat, pela primeira vez, admite negociar a paz com Israel em troca de territórios palestinos ocupados, logo após os sérios incidentes de 1987 que deram causa à revolta palestina conhecida como Intifada, que convulsionou Gaza e Cisjordânia. Um novo obstáculo, porém, surgiu no cenário: a invasão do Kuwait pelo Iraque em 1990, quando Saddam Hussein tentou anexar o país petrolífero vizinho. Era o início da Guerra do Golfo, defrontando o Iraque com a coalisão ocidental capitaneada pelos Estados Unidos. Empurrados de volta os iraquianos e terminada a guerra, os diálogos entre a OLP e Israel puderam prosseguir, tendo finalmente Yasser Arafat e o premier israelense Yitzak Rabin apertado historicamente as mãos em Washington, em 1993. Já não mais estava em cena o antigo equilíbrio de forças bipolar entre Washington e Moscou, mas sim os interesses das potências ocidentais, fazendo da Guerra do Golfo o primeiro confronto militar internacional ocorrido sob as novas regras do jogo, após a dissolução da União Soviética; regras essas, aliás, que centralizavam no petróleo aqueles interesses ocidentais.
O acordo de paz foi um marco histórico nas relações entre árabes e judeus, mas não resistiu ao fanatismo radical. Em 1995 um extremista judeu assassinou Yitzak Rabin, fazendo retornar a violência ao cenário recém pacificado. Não obstante os novos esforços de Arafat e do premier israelense Ehud Barak, em Camp David, EUA, em 2000, o caminho da paz definitiva não resultou bem pavimentado. A situação permanece explosiva no Oriente Médio, com os ódios alimentados pelas recentes invasões norte-americanas do Afeganistão e do Iraque e com os radicalismos reacendidos pela subtração de Arafat, falecido em 2004, do cenário político. Há cerca de 400 mil refugiados palestinos no Líbano; outros tantos estão na Síria; cerca de 1 milhão e 700 mil ocupam campos na Jordânia; quase 700 mil estão na Cisjordânia; e quase 1 milhão em Gaza. O número total de campos de refugiados, espalhados por diferentes países, chega a quase 60; e a Questão Palestina permanece não resolvida: inexiste um Estado Palestino unificado.
Dos quase quatro mil anos de sacrificada história dos povos israelitas e quase sessenta anos de conflitos recentes, resultou a existência do Estado de Israel, em área pouco fértil, encravada em meio a povos milenarmente adversários, mas com o apoio das grandes potências ocidentais interessadas no petróleo do Golfo Pérsico e do Vale do Cáspio. As muitas lutas havidas na região, todavia, não concederam aos palestinos, até agora, reunir as condições para a criação de um Estado pátrio, em que pesem as resoluções da ONU; e tudo indica que, sem a existência de um Estado Palestino, muitas outras refregas virão.
Nesse atual contexto é que se desenvolvem as atrições na faixa de Gaza entre Israel e os militantes do Hamas, partido palestino radical que venceu as eleições parlamentares na Palestina, substituindo (democraticamente, aliás) a liderança de Arafat pela de um partido radical; e com o Hezzbolah libanês, que se abriga sob o cenário da Questão Palestina no sul do Líbano (país vítima de um conflito que, a rigor, dadas suas origens fenícias, não lhe pertence). A História poderá nomear estes confrontos como sendo a quinta guerra árabe-israelense.
O novo capítulo da guerra sem fim: Líbano, 2006
O hiato deixado pela morte de Arafat foi preenchido de forma adversa para os israelenses, com a vitória do partido radical Hamas nas recentes eleições palestinas e a retomada do discurso da eliminação de Israel. O caminho da paz, longamente trabalhado, viu-se novamente ameaçado; e Israel tomou medidas retaliatórias drásticas, como o corte de verbas essenciais para viabilizar o governo da Autoridade Palestina. A direção do Hamas não tardou em pedir auxílio político e financeiro ao Irã, onde conta com apoio. Militantes do Hamas na Faixa de Gaza logo iniciaram hostilidades contra Israel. Concidentemente ou não (pois não se pode afirmar a existência de uma ação coordenada, nem de uma vinculação direta entre o Hamas e o Hezbollah), o Hezbollah também as iniciou no sul do Líbano, fazendo Israel se defrontar simultaneamente com dois inimigos islâmicos, um ao norte e outro ao sul. O Irã revelou-se, com o beneplácito e o apoio sírio, como sendo o braço logístico do Hezbollah, fornecendo-lhe armas (principalmente mísseis, logo usados pelo Hezbollah para atacar o norte de Israel) e outros recursos; e o governo libanês não se mostrou capaz de conter o ímpeto do movimento (que aliás já ocupa dois ministérios no governo e já elegeu diversos representantes para o parlamento libanês). Em apertada síntese, esse é o cenário do mais recente conflito, iniciado em julho de 2006 e do qual resultou o bombardeio de diversas cidades libanesas pela aviação israelense (inclusive a capital Beirute) e a invasão do sul do Líbano por tanques e tropas de infantaria de Israel.
O Líbano, há longo tempo sob a influência síria e iraniana, vê-se palco de uma guerra na qual palestinos, iranianos e sírios hostilizam Israel, sob uma mesma motivação islâmica. Embora o povo libanês, diante da pesadíssima reação israelense, esteja se unindo contra o que, no momento, mostra-se como o inimigo comum, o país não revela uma unidade político-religiosa sólida. Dentre os muitos grupos em que se divide a sociedade libanesa desde o fim do domínio otomano em 1917, 60% são muçulmanos (sendo 35% xiitas, os menos prósperos e mais radicais; e 25% sunitas, mais prósperos, mais moderados e espalhados em centros urbanos); 25% são cristãos maronitas que fugiram das perseguições na Síria no século VII e se concentram em Beirute, seus arredores e sopés das montanhas; 10% pertencem a outros ramos cristãos, inclusive o grego ortodoxo; e 5% são drusos, comunidade pequena e fechada que vive há décadas em atrição com o governo central e com a parcela muçulmana xiita. Nesse cenário, os militantes do Hezbollah, concentrados principalmente no sul, se consolidaram e iniciaram os ataques a Israel, sem que o governo libanês tivesse dado apoio formal a essas ações belicosas (o que não ocorre pela primeira vez, pois em 1993 e 1996 também ocorreram ataques desses militantes e Israel reagiu com operações militares que resultaram na fuga de centenas de milhares de civis para outras regiões do Líbano, tendo sido necessárias as atuações diplomáticas dos Estados Unidos e da Síria para apaziguar os ânimos).
O Hezbollah, ou Partido de Deus, tornou-se uma poderosa organização política e uma agressiva milícia, formada principalmente por muçulmanos xiitas do Líbano. Surgiu em 1982, após a invasão do país por Israel. A saída das tropas israelenses no ano 2000 (seguida pela saída das forças sírias em 2005) parece ter coroado os esforços desse braço armado do movimento conhecido como Resistência Islâmica, que tudo indica ter recebido recursos financeiros e bélicos do Irã e apoio da Síria. Desse sucesso resulta, em grande parte, a simpatia do povo libanês, que apoiou a transição do Hezbollah para o cenário político (eleição de representantes no Parlamento e ocupação de alguns cargos de governo) e a concessão de apoio governamental, na forma de serviços médicos e sociais. Territorialmente, o movimento islâmico acusa Israel de ter ocupado as granjas de Sheeba, área no sopé das colinas de Golan que, segundo a ONU, pertenceria na verdade à Síria, e não ao Líbano. Abrigando-se na causa palestina e usando de pressão para deter as incursões israelenses em Gaza e na Cisjordânia, esse partido radical mostra seu retorno à arena política na fase de transição que o Líbano, após o assassinato em 2005 do premier libanês Rafik Hariri, atravessa. E os ataques a Israel servem de aviso ao governo de que o movimento está vivo e forte. A liderança do sheik Hassan Nasrallah, chefe do Hezbollah, ganha força política e, com isso, o governo libanês fica enfraquecido e congela suas ações, pois é financeiramente dependente da Síria, que junto com o Irã apoia o Hezbollah. Uma grande confusão, como se depreende, no historicamente complexo cenário político libanês, que ainda se recuperava da terrível guerra civil da década de 80. O país mais democrático e pluralista do Oriente Médio, que tinha sua capital vista como a pérola do Mediterrâneo no passado, está sendo novamente destruído, e isso não contribui para o projeto (ocidental, na verdade) de democratizar a região.
Para Israel, o fato de que os ataques com mísseis e os seqüestros de soldados foram desencadeados por um grupo instalado no território libanês, e não pelo governo libanês, é irrelevante: trata-se, do ponto de vista da segurança do Estado judeu, de um ataque armado ao seu território, desfechado por uma força irregular bem armada e adestrada, que deveria e poderia ter sido contida pelo governo do Líbano, na visão israelense. Argumentam ainda os judeus que, desde a retirada de suas tropas do território libanês há seis anos, vêm advertindo o Líbano e a comunidade internacional sobre a imperiosa necessidade de o Exército libanês ocupar o sul do país e neutralizar as ações do Hezbollah, que vinha desde então se armando e treinando suas milícias, às claras, preparando o ataque a Israel, com o apoio político e logístico de países islâmicos vizinhos, Irã e Síria. É o caso de questionar-se os motivos pelos quais o Hezbollah não atacou as tropas israelenses durante sua ocupação no Líbano, quando inclusive poderia contar com alguma compreensão da ONU, que já vinha recomendando a retirada israelense; mas prevaleceram outros interesses, à espera de melhor oportunidade e melhor aprestamento.
O fato é que, independentemente de se julgar se devia ou não existir o Estado de Israel em terras que os palestinos reivindicam como suas, Israel nelas existe; e foi atacado, reagindo em legítima defesa. Após intensos bombardeios pela Força Aérea israelense das áreas em que alegadamente se encontram instalados os milicianos xiitas ou seus órgãos de direção e suporte, sem que os disparos de foguetes e mísseis contra o território israelense cessassem (uma vez mais demonstrando que as teorias de Douhet sobre a suficiência do Poder Aéreo não funcionam bem), tornou-se necessário o emprego dos tanques e da infantaria, adentrando o sul do Líbano. E a tendência é que as forças israelenses progridam até as margens do rio Litani, empurrando o Hezbollah uns 20 quilômetros para o norte e formando uma zona de proteção, até que um cessar fogo seja alcançado e tropas da ONU voltem a ocupar a região, protegendo Israel de novas agressões até que o governo libanês (que já manifestou concordância em enviar 15 mil soldados) posicione suas próprias tropas na área principal do conflito. Para a crítica da mídia internacional, que reprova a destruição de grande parte da infraestrutura libanesa (estradas, aeroportos, portos), os israelenses têm a resposta de que estão interditando as vias logísticas que, ao longo de anos, têm sido usadas pelo Hezbollah para receber armas e suprimentos diversos da Síria e do Irã (via Síria). Isso explica também a desproporcional resposta militar israelense às ações do oponente, o que na verdade é muito mais do que uma simples retaliação ao seqüestro de soldados e aos ataques com foguetes contra Israel: é uma ação estratégica, a ser mantida tão limitada quanto possível, mas cujo objetivo é interditar as vias de suprimentos bélicos essenciais ao prosseguimento das operações dos extremistas islâmicos. Mas nem por isso a comunidade internacional perdoa o grande número de baixas entre a população civil libanesa, que decorre da mistura dos milicianos às populações das localidades em que se instalaram, causando centenas de vítimas civis.
Outrossim, mesmo que o Exército libanês venha finalmente a ocupar a área, os israelenses não se sentirão totalmente seguros, pois trata-se de tropa heterogênea, mal treinada e mal equipada, talvez pouco capacitada a conter uma milícia bem treinada, homogênea e muito motivada pela jihad. Basta dizer que, tal como a estrutura governamental reserva a presidência para um cristão, o cargo de primeiro ministro para um sunita e a liderança do parlamento para um xiita (numa tentativa de balancear forças políticas dissidentes e neutralizar os antagonismos entre cristãos e muçulmanos), o Exército (que tem mais de 60% de muçulmanos xiitas e sunitas em suas fileiras) é comandado por um cristão e tem a chefia do estado maior exercida por um druso, o que significa que sua operacionalidade torna-se muito dependente do entendimento entre as forças políticas internas. Além disso, é questionável se as forças libanesas regulares conseguiriam empurrar para o outro lado do rio Litani, e lá manter, as milícias xiitas, pois ao norte do rio está a zona sunita; e é também duvidoso que essas forças regulares, que têm 35% de xiitas, combateria, caso necessário, as milícias do Hezbollah, de mesma formação.
Trata-se de um conflito claramente assimétrico. A superioridade do Poder Militar de Israel, em meios bélicos e em tecnologia, é gritante. Para o lado militarmente mais fraco fica a opção da guerra não convencional, caracterizada pela ação da guerrilha e do terrorismo, forças irregulares capazes de causar sério desgaste ao inimigo, em longas confrontações. Como agravante, tem-se as alegadas participações de elementos da tropa de elite iraniana, a Guarda Revolucionária, pelo menos no treinamento dos combatentes do Hezbollah, o que parece ser feito tirando partido da falta de firmeza do governo libanês. Se é verídica essa participação subterrânea de forças iranianas, mais difícil se torna neutralizar as milícias xiitas no Líbano.
É relevante observar que o oponente militarmente mais fraco, embora seja essencialmente uma milícia armada, vem contando com o apoio de armamento de origens externas, provavelmente obtido no passado. Além dos foguetes e mísseis fornecidos pelos vizinhos, que podem ser iranianos, sírios e russos, houve pelo menos um episódio em que um míssil, alegadamente de origem chinesa, atingiu e causou sérias avarias em um navio da Marinha de Israel que realizava bombardeio da costa libanesa, passando pelas defesas de ponto da belonave sem que seus dispositivos de guerra eletrônica lograssem detectá-lo a tempo de reagir. Esse episódio decerto irá dar motivo a estudos de americanos e israelenses sobre a eficácia de seus equipamentos de contramedidas eletrônicas.
Conseqüências relacionadas com o terrorismo global
A organização islâmica Al-Qaeda, liderada por Osama Bin laden, não deixa dúvidas sobre sua atuação nitidamente terrorista, intensificada desde a invasão do Afeganistão pelos EUA e, mais recentemente, do Iraque. Inicialmente, recrutou seus combatentes para a jihad dentre aqueles que haviam combatido a invasão soviética do Afeganistão, anterior à intervenção americana. Com o passar do tempo, foi aumentando seus efetivos com voluntários de outros países, todos dispostos a morrer pela causa muçulmana (e assim conquistar o paraíso, segundo a crença islâmica). Após o September Eleven nos EUA em 2001, outros atentados atribuídos à Al-Qaeda tiveram lugar em 2002, em Bali; 2003, em Istambul; 2004, em Madrid; 2005, em Londres; e, no momento em que este artigo era escrito, a polícia britânica acabava de frustar o que seria um novo ataque terrorista de escala mundial, que pretendia explodir simultaneamente vários aviões civis americanos sobre o Atlântico. Embora neutralizado a partir de informações obtidas pela inteligência britânica (com a cooperação da inteligência paquistanesa), esse último plano ainda assim rendeu aos terroristas os frutos desejados, pois as providências de segurança praticamente paralisaram o mundo durante um dia, com sérias conseqüências para os viajantes e para a economia mundial.
Nota-se, na evolução da estratégia da Al-Qaeda, que seus militantes suicidas continuam sendo muçulmanos e, em geral, árabes ou descendentes de árabes, mas em vários casos evidenciou-se serem nacionais dos países-alvo dos ataques. Na recente ocorrência de Londres, o governo britânico informou que os terroristas eram cidadãos britânicos de origem árabe, ou seja, o recrutamento desses insanos militantes da jihad já se dá dentro dos países-alvo. Isso mostra a real magnitude da transnacionalização e da globalização do terrorismo islâmico, que aparentemente iriam implementar, como parte das reações à invasão do Líbano por Israel, um plano longamente arquitetado pela Al-Qaeda: a chuva de aviões sobre o Ocidente, não importando quantos inocentes seriam sacrificados.
Não seria adequado equiparar o Hezbollah, em termos de atuação, à Al-Qaeda. O Hezbollah prioriza a ação na área das disputas, e não parece visar, pelo menos no presente, o ataque remoto a países ocidentais simpatizantes (ou parceiros militares) dos EUA. Não obstante, o conflito no Líbano apresenta alta importância estratégica para o Hezbollah e para seus mais chegados aliados, o Irã e a Síria. Vindo a lograr sucesso (pelo menos político, pois militarmente isso só seria possível com o envolvimento das forças armadas sírias e iranianas na contenda), agregaria alto valor ao reforço das pretensões iranianas de propagar mais intensamente a Revolução Islâmica na região e no mundo, forçando o Ocidente a negociar uma solução para o permanente conflito do Oriente Médio, com será comentado adiante. Não logrando sucesso, é bem possível que seus líderes e militantes passem a se dedicar a ações terroristas contra Israel, EUA e seus simpatizantes, cooperando com a Al-Qaeda, o Hamas e outros movimentos islâmicos radicais na disseminação cada vez mais global do terror.
Ações terroristas dessa espécie horrorizam e apavoram o mundo, inclusive dentre as sociedades islâmicas que não as apóiam (que não são poucas). Semeando a barbárie com audácia e frieza, os terroristas acabam por fazer com que os ocidentais passem a ser mais tolerantes (ou estimulem) as posturas do governo norte-americano (e de seu aliado mais fiel, o governo britânico) na guerra anti-terror, e muitos governantes que ainda permanecem críticos ou silentes poderão vir a apoiar mais explicitamente as reações armadas preventivas defendidas pela doutrina Bush de defesa.
Conseqüências estratégicas para o Oriente Médio
Enquanto tudo isso acontece, o mundo passa por novo sobressalto, de vez que o governo teocrático islâmico radical do Irã renova seu discurso de extinção do Estado de Israel e suas ameaças de não abandonar o programa de enriquecimento de urânio em curso, apesar das reiteradas manifestações e ultimatos da ONU a respeito (inclusive brandindo ameaças de sanções de várias naturezas contra a República Islâmica do Irã). Os iranianos já desenvolveram vetores balísticos de médio alcance, capazes de atingir Israel e parte da Europa; e parecem, embora oficialmente seja negado, buscar a capacitação bélica nuclear, trazendo para o cenário do Oriente Médio esse perigoso ingrediente (tal como a Coréia do Norte vem fazendo no cenário que envolve o problema da unificação das duas Coréias, outra dor de cabeça - das grandes - para os Estados Unidos e seus aliados ocidentais).
Nesse perigoso cenário tem-se, por enquanto, uma típica guerra limitada e com objetivos específicos, sob o prisma do emprego das forças israelenses; e uma guerrilha irregular (atuando com apoio no terrorismo) no lado oponente, sem envolver forças regulares libanesas, sírias ou iranianas. Mas qualquer passo em falso da Síria ou do Irã, que os falcões da guerra do Pentágono julguem ameaçador aos interesses da sociedade norte-americana, pode levar a mais uma intervenção militar americana no Oriente Médio, alastrando o conflito com conseqüências ainda inimagináveis, na medida em que venha a envolver as forças regulares dos Estados Unidos e de seus mais tradicionais aliados contra as forças armadas (regulares e irregulares) dos países árabes vizinhos.
É importante observar as posturas norte-americanas diante da situação criada no Líbano. Uma tentativa da ONU de conter o avanço israelense e obter rapidamente um cessar fogo foi obstaculizada pelos americanos. Interessa aos EUA que Israel permaneça firmemente plantado onde está, como bastião dos interesses ocidentais nas riquezas petrolíferas da área; e não seria coerente, sob a óptica de George Bush, tolher Israel em seus movimentos de defesa, de vez que a política de defesa norte-americana preconiza até mesmo o emprego de ataques preventivos, quando ameaçados os interesses ou a segurança dos Estados Unidos (como negar esse direito aos aliados ?). Interessa também aos EUA que Israel use da oportunidade para mostrar sua utilidade na guerra contra o terrorismo islâmico, o que se daria pela derrota do Hezbollah (que, juntamente com a organização terrorista Al-Qaeda, soma o maior número de mortes de norte-americanos, bastando lembrar o ataque que vitimou mais de duzentos soldados americanos em 1983, perpetrado por aquele movimento). Outrossim, a avaliação do que aconteceu no Afeganistão e no Iraque, quando as intervenções armadas americanas e de seus aliados mais fiéis não logrou estabilizar esses países, nem logrou amedrontar os radicais islâmicos em sua determinação de livrar o mundo árabe da presença e da influência ocidentais, leva a pensar com certo ceticismo sobre o sucesso dessas estratégias.
Observar as posturas do Irã é igualmente crucial. O Irã parece buscar (em paralelo com as conquistas tecnológicas que podem torná-lo um player nuclear no Oriente Médio) a liderança do mundo islâmico, esfacelada e vazia desde a queda do Império Otomano. Com a severa repressão ocidental contra a Al-Qaeda, o sucesso do Hezbollah serviria como uma luva para essas pretensões, auxiliando o Irã a estender a influência da Revolução Islâmica sobre o Líbano e a Palestina, desestabilizando Israel e, por via de conseqüência, a influência americana (e ocidental em geral) na região. Embora não conte, pelo menos até agora, com o apoio político dos países árabes mais moderados, como Egito, Arábia Saudita e Jordânia (até mesmo porque os iranianos são persas, e não árabes, o que leva a alguma rejeição da pretendida liderança do Irã no mundo árabe), o governo teocrático iraniano não parece hesitante em motivar suas massas contra a existência de Israel e contra a hegemonia norte-americana, ambos considerados infiéis e inimigos diabólicos do Islã. O esmagamento do Hezbollah, nesse contexto, seria uma severa derrota estratégica na tentativa iraniana de vir a se tornar uma potência regional líder (que, se bem sucedida nesse intento, decerto prosseguiria na sua inabalável trajetória de, sob a inspiração da lei divina expressa no Corão, libertar as terras islâmicas da presença militar, cultural e econômica dos infiéis ocidentais).
A Síria também merece cuidados, pois seu governo tem declarado abertamente que, se atacada, revidará militarmente, no que contará com apoio do Irã, que não quer o enfraquecimento do regime sírio; e outros países árabes, hoje moderados, poderão vir a tomar atitudes hostis contra Israel e os EUA, conforme o desenvolvimento do conflito (ou o aumento do terrorismo interno em retaliação aos alinhamentos com os EUA) venha afetar suas sociedades.
Israel que, no passado, confiante em sua enorme supremacia bélica, não concordava com as tentativas da OLP de instalar uma força de paz multinacional na área, já não parece tão relutante. Com o apoio dos Estados Unidos, Israel não deseja um cessar-fogo imediato, antes de empurrar as milícias islâmicas para longe de suas fronteiras; mas percebe que voltar a ocupar o Líbano por longo tempo poderá resultar em grande desgaste, face à tenacidade das guerrilhas islâmicas, que tornam difícil uma vitória militar decisiva. A brutal resposta militar das forças israelenses contra o Hezbollah no Líbano e o Hamas em Gaza serve de aviso à Síria e ao Irã sobre a determinação dos judeus, mas também serve de alerta a todo o Ocidente de que, sob certas condições, é chegado o momento de contar com forças internacionais que ocupem as áreas críticas e sejam capazes de evitar a escalada dos conflitos. Mas se tais forças (e aí residem os condicionantes) não forem enérgicas o bastante para evitar as violações de tréguas e o terrorismo (sem o que Israel não aceita sua presença), novas respostas militares israelenses sacudirão o cenário. Acordos diplomáticos que viabilizem uma presença internacional eficaz passam, necessariamente, por difíceis conversações com Irã, Síria e os partidos islâmicos mais proeminentes (Hezbollah e Hamas). Não está afastada, porém, para Israel e EUA, a opção de, caso dificultadas essas negociações, colocar em prática pela força o cumprimento da resolução 1.559 da ONU, que em 2004 determinou a saída das tropas sírias (o que já ocorreu) e o desarmamento das milícias do Líbano, para torná-lo mais governável. Essa resolução também contemplava a intervenção de forças internacionais, mas se executada apenas parcialmente (leia-se, desmantelamento do Hezbollah pelas forças israelenses) estar-se-á diante da possibilidade de uma séria escalada do conflito, dependendo das reações do Irã e da Síria.
Sob o prisma da estratégia das potências ocidentais que, sob a liderança americana, entendem ser necessária a implantação da democracia (nos moldes ocidentais) como parte do solucionamento dos problemas da região, as experiências iniciais não são animadoras. No Iraque, no Líbano e nos territórios palestinos as eleições têm levado ao poder grupos islâmicos que não abrem mão de perseguir os tradicionais objetivos do islamismo, persistindo em manter milícias armadas e consentindo a violência. Hamas e Hezbollah, por exemplo, de fato conquistaram cadeiras e cargos públicos via eleições democráticas, mas voltaram seus esforços políticos para servir aos propósitos das facções extremistas. Esses fatos levam os mais céticos a questionar se a democracia, tal como a praticam os ocidentais, terá sucesso em terras que há milênios cultivam outros conceitos culturais.
Uma solução sensata para a Questão do Oriente Médio (que transcende à Questão Palestina) certamente requer a criação do Estado Palestino unificado e a construção de uma coexistência pacífica deste com Israel. Requer também a cessação da disputa por Jerusalém, com algum controle internacional da cidade sagrada e acesso garantido a judeus e muçulmanos (e naturalmente aos cristãos). Requer forças internacionais capazes de resfriar os ânimos nas áreas críticas, como Gaza e sul do Líbano. Requer, ainda, uma ampla negociação com todo o mundo árabe para que os governos dos países que hospedam movimentos radicais e terroristas (como o Hamas e o Hezbollah) neutralizem suas ações extremadas e os desarmem (mas sem deixar de contemplar suas participações legítimas, enquanto movimentos sócio-políticos, nas sociedades hospedeiras e em seus parlamentos). E requer também um esforço integrado de todos os órgãos de inteligência dos países desejosos da paz para neutralizar, em tempo, antes que ocorram, os atos terroristas planejados pelos grupos islâmicos mais extremados, usando para tanto suas forças policiais, e não as forças armadas. Uma tarefa gigantesca, a desafiar os governantes, a diplomacia dos países envolvidos e a Organização das Nações Unidas nas décadas iniciais do século XXI, mormente diante de posições intransigentes como a do atual governo iraniano, que prega com virulência a varrida de Israel do mapa e pode tornar-se um figurante dotado de armas nucleares.
No momento em que era encerrado este texto, a ONU finalmente conseguiu um acordo unânime sobre a cessação das hostilidades, antes que ocorresse um confronto de Israel com Síria e Irã. Após mais de trinta dias de combates (e somente após as forças israelenses já terem penetrado no Líbano com mais de 30 mil homens e causado grande destruição na infraestrutura que serve ao Hezbollah), os americanos abriram mão de seu poder de veto e o governo israelense manifestou que aceitaria um cessar-fogo. A resolução da ONU, a vigorar a partir de 14 de agosto, estabelece a cessação dos ataques dos milicianos xiitas a Israel; o fim imediato da ofensiva israelense; o envio de tropa internacional para ocupar o sul do Líbano e apoiar as forças armadas regulares libanesas no restabelecimento da ordem; e, last but not least, determina que sejam estabelecidas as condições para que o Hezbollah seja desarmado, como já havia sido decidido em 2004 pela resolução 1.559 da Organização. Sintomaticamente, na véspera da decisão, Israel realizou um amplo esforço de ampliação da ofensiva, procurando tirar o melhor partido militar possível da situação. Não obstante a unanimidade agora alcançada e a concordância, já manifestada, do governo libanês, o dirigente máximo do Hezbollah, Hassan Nasrallah, já deixou claro que aceitará a cessação das hostilidades, mas desde que precedida da retirada das tropas israelenses; e nada disse, pelo menos num primeiro momento, sobre o desarmamento de suas milícias. Esperemos que as condições para a completa implementação da resolução sejam consolidadas, mas não será fácil. O amanhã ainda é uma incógnita.
Enquanto uma solução abrangente para o problema do Oriente Médio (se é que existe) não venha a ser alcançada, e enquanto o petróleo permaneça como insumo crucial para a economia mundial, conflitos localizados continuarão a ocorrer, acrescentando novos capítulos às guerras árabe-israelenses; homens-bomba continuarão a explodir na região; aeronaves civis continuarão a ser dinamitadas nos céus internacionais; cidades populosas importantes continuarão a viver o medo de explosões terroristas em seus meios de transporte e locais de concentração popular; e a humanidade permanecerá amedrontada e insegura pela presença invisível e letal do terrorismo, praticado em nome da libertação das terras islâmicas das influências econômicas, culturais e militares ocidentais. Estamos na era do medo global.
Guerra em Gaza: a verdade por trás do conflito
Por Censurado em 13,Jan,2009Matéria extraída do Blog:
http://inblogs.com.br/censurado
Recebi alguns e-mails me criticando por não tomar um lado no conflito. Ponderei e achei que, realmente, preciso tomar um lado. E, como sempre, eu acabo ficando do lado da minoria. Neste caso, os israelenses. Mas como eles são minoria? Simples. Abram o Google e pesquisem, por favor, “blog israel Hamas”. Garanto que pelo menos dois terços dos blogs criticam as atividades de Israel e seu exército, o IDF (Israeli Defense Force). E a grande maioria o faz sem conhecimento de causa e mesmo sem argumentos. O fazem pois, infelizmente, está na moda. Por que é que o Censurado apóia Israel? Para ser diferente? Claro que não. Faço isso porque é certo, simples. Pessoalmente, acho que o que estão fazendo com o povo israelense mundo afora é um crime sem tamanho.
Em 2005, os dois lados da moeda estavam estafados pelos constantes combates entre as duas forças. Parecia, realmente, um período em que a razão havia chegado à região. Houve um entendimento entre Israel/ONU/OLP (Ou ONP, Autoridade Nacional Palestina). Como assim? A ONU intimou Israel para que este pusesse um fim no conflito. O governo israelense então negociou com a OLP, inquirindo-os sobre as condições para um cessar fogo permanente. A resposta foi clara e simples: queremos um território soberano para chamar de lar. Israel então cedeu Gaza para os palestinos. Acreditava-se, à época, que a coisa estava resolvida.
Os palestinos então, exercendo o direito básico da democracia, foram às urnas. Tinham duas opções: poderiam votar no Fatah, conhecido pela corrupção de suas estruturas e por ser mais inclinado à diplomacia e a tratados de paz com Israel, ou então votar no Hamas, famoso pela política de “o único caminho aceitável para este conflito é o extermínio do povo judeu” e pela leitura ortodoxa e rígida do alcorão. Os palestinos então escolheram o que na época, parecia melhor: o Hamas e a total destruição de Israel. Ou seja, os palestinos exigiram, como condição de paz permanente, um país. Os israelenses o deram. O que acontece em seguida? Eles votam pela continuidade da guerra.
Iniciou-se então um processo de endurecimento na estrutura palestina. Após a vitória nas urnas, o Hamas iniciou um processo de perseguição política. Assassinaram em praça pública grande parte dos militantes e membros do Fatah – sendo que os sobreviventes tiveram que fugir do país. Passaram então a atacar Israel diariamente com foguetes, primeiramente caseiros e depois oriundos dos depósitos de munição das ex-repúblicas soviéticas, abarrotados e sem dono. Nas escolas, as crianças passaram a receber (como já mostrei em outro post, através de um vídeo feito pelo próprio Hamas) treinamento de guerra, instruídos que o único fim de vida aceitável pelo palestino é o suicídio como homem-bomba ou a morte em combate contra os israelenses.
Desde 2005, Israel já foi atacado por mais de 4 mil foguetes vindos de Gaza, ou seja, praticamente cinco foguetes por dia. Os alvos primários do Hamas são: creches, hospitais e clínicas pediátricas. Quando o ataque é feito por terra, seja por homem-bomba ou por uma carga explosiva móvel, o grupo visa ônibus, cafés ou qualquer outro ambiente público com concentração maciça de civis. Alvos militares são descartados pois, além de mais difíceis de serem atingidos, provocam menor comoção na mídia israelense.
Conversei com um ex-soldado de infantaria israelense, que atualmente mora na América do Sul com a família. Eis o que ele me disse sobre isso: “o método de combate do Hamas é inexplicável, eles são imprevisíveis. O Hamas é um grupo terrorista como qualquer outro. Eles usam seus próprios civis como escudos humanos. Eles lançam ataques a partir de locais populosos, mesmo sabendo que a retaliação israelense àquele lugar provavelmente irá ferir muitos civis. Israel despeja milhares de panfletos de avião anunciando que uma operação irá acontecer naquele local, e que é recomendado que os civis fiquem dentro de casa ou viagem, para que não se machuquem durante a ação.”
Sabe-se, por exemplo, que o quartel general do Hamas funciona nos subterrâneos do maior hospital em Gaza. Uma das últimas ordens articuladas dadas pelo Hamas à população palestina diz que eles devem ficar nos telhados das suas casas, e principalmente, dos prédios aonde o Hamas concentra a sua inteligencia. Por que? Para desencorajar os ataques israelenses à área através de bombardeios com aviões.
O Hamas luta sob uma tática de combate focada na guerrilha. O que isso significa? Basicamente, as diretrizes principais são: vista-se como um civil, ataque e esconda-se entre a população local, em prédios habitados por civis. Por que? Isso impossibilita o uso de força maciça na retaliação, é preciso enviar pessoal de infantaria, para um combate seletivo, que minimize as baixas civis no conflito. Isso facilita o combate para os membros do Hamas de duas maneiras. Se um soldado israelense morrer na ação, ótimo. Se um civil palestino morrer em combate, tão bom quanto. Aquela imagem valerá milhões no mercado da opinião pública. O ocidente não quer jantar e assistir a imagens de crianças mortas enroladas em bandeiras.
Os movimentos palestinos então vão aos noticiários criticar Israel por atacar alvos civis e matar mulheres e crianças – mesmo quando é de conhecimento público que crianças e mulheres integram as fileiras de combatentes do Hamas. E o que é que o Hamas faz, em retaliação ou para quebrar um cessar fogo, como foi o caso agora, depois de seis meses de paz? Ataca alvos civis, tentando matar crianças e mulheres israelenses. O número de baixas dentro das fronteiras de Israel só não chegou às centenas porque o governo local investiu bilhões de dólares na construção de abrigos subterrâneos e em sistemas de radar que indicam a proximidade de um foguete.
Continuo com o depoimento do ex-soldado da IDF. ”Eles querem que o mundo fique contra Israel. Pessoalmente, eu não sei se o mundo está contra Israel por nos odiar ou simplesmente porque é mais simples. É mais fácil odiar Israel e não os terroristas, o mundo sabe que Israel não fará nada contra isso, mas talvez os terroristas o façam. Talvez, o mundo esteja somente assustado”.
Me preocupa a possibilidade dos governos ao redor do globo estarem entregando a população israelense em uma bandeja de ouro aos terroristas – sim, pois de acordo com a União Européia, que é a principal mediadora do conflito, o Hamas é uma organização terrorista tão temível e criminosa quanto a Al-Qaeda. Talvez o façam simplesmente para evitar que os ativistas árabes comecem a atacar alvos civis na Europa (como fizeram na Espanha alguns anos atrás).
Mas isso seria um grandíssimo erro. Como eu disse na semana passada, um cessar fogo é a única alternativa para a sobrevivência do Hamas. A quebra da trégua foi mal calculada por eles. Não acreditaram que a retaliação israelense fosse tão forte, afinal, eles agüentaram, nos últimos oito anos, mais de 11 mil ataques de foguetes sem esboçar uma reação à altura. Ironicamente, o homem que comanda a máquina de guerra israelense atualmente é Ehud Barak, que perdeu o posto de primeiro-ministro por ser considerado muito pacifista. Ele foi o homem que chegou mais próximo de uma paz duradoura, mas o projeto foi rejeitado no último instante por Yasser Arafat, por pressão do Hamas.
Outro israelense me disse o seguinte: “o mundo não entende que para nós, é uma questão fechada. Negociar com o Hamas significa fortalecê-los, o que a longo prazo pode trazer a nós uma série de ataques de foguetes mais modernos, que comecem a atingir Tel-Aviv ou outras cidades mais populosas. O Hamas luta uma guerra de opinião pública, nós lutamos uma guerra de sobrevivência. Para eles, se uma criança palestina morrer é lucro, é uma manchete no jornal, para nós, se uma criança israelense morrer, de qualquer maneira, é uma má notícia, é algo intolerável. Por oito anos, nós toleramos o intolerável, (…) agora o mundo vem dizer que nós não podemos nos defender?”.
Como dizia Friedrich Nietzsche, "O fanatismo é a única forma de força de vontade acessível aos fracos."
"Hillary ameaça Irã com 'destruição total"
Por Redação, com agências internacionais - de Filadélfia, EUA
Hillary Clinton volta a fazer ameaças
Pré-candidata do Partido Democrata à Presidência dos Estados Unidos, Hillary
Clinton fez uma dura advertência aos iranianos, na terça-feira, ao afirmar que,
se vencer as próximas eleições, o governo dos EUA poderá "destruir
totalmente" aquele país do Oriente Médio, em retaliação a um eventual
ataque nuclear contra Israel. No dia da decisiva prévia na Pensilvânia, mais
uma etapa da corrida na qual Hillary disputa com Barack Obama a vaga da legenda
no pleito presidencial, a senadora pelo Estado de Nova York afirmou querer
deixar claro ao governo iraniano que ela estava preparada para, como
presidente, fazer uma ameaça do tipo na esperança de que isso impeça qualquer
ataque nuclear do Irã contra o Estado judaico.
- Quero que os iranianos saibam que, se eu for eleita presidente, nós
atacaremos o Irã (no caso de este atacar Israel). Nós próximos dez anos,
durante os quais seria tolo da parte deles considerar a possibilidade de atacar
Israel, nós seríamos capazes de destruí-los totalmente. Isso é algo terrível de
se dizer, mas as pessoas que comandam o Irã, ao ouvirem isso, talvez desistam
de fazer algo impensado, tolo e trágico - afirmou Hillary em uma entrevista ao
programa Good Morning America, da ABC.
Esses comentários parecem mais duros do que os feitos por Hillary uma semana
atrás, quando, durante um debate presidencial, prometeu "uma retaliação de
grande escala" contra o Irã no caso de um ataque a Israel. Obama, que na
terça-feira enfrenta Hillary nas prévias democratas da Pensilvânia, criticou as
declarações da adversária. A votação na Pensilvânia pode ajudar a decidir qual
dos democratas enfrentará o republicano John McCain nas eleições presidenciais
de novembro.
- Entre as coisas que vi nos últimos anos, consta um monte de declarações
usando palavras como 'destruir" - afirmou Obama, senador pelo Estado do
Illinois, em uma outra entrevista concedida ao mesmo canal.
Fonte: Jornal Correio do Brasil
Ameaças contra Irã causam risco ao Oriente Médio, diz negociador
Publicidade da Folha Online
O principal negociador iraniano para a questão nuclear, Saeed Jalili, afirmou
nesta quinta-feira antes da reunião entre 35 países a respeito do programa de
Teerã que ameaças de países ocidentais contra o Irã terão repercussão sobre o
Oriente Médio.
"Jogar com a segurança do Irã é como brincar de dominó", disse ele.
"Nós acreditamos que as potências mundiais sabem do papel importante que
temos na segurança global (...) Nossa posição em conflitos como o Afeganistão e
o Iraque é a de levar paz e estabilidade", afirmou.
Os 35 países-membros da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), da
ONU, se reúnem hoje para discutir seu relatório a respeito das atividades
nucleares do Irã.
O documento aponta que o governo de Teerã continua a ignorar a exigência do Conselho
de Segurança da ONU --a suspensão das atividades de enriquecimento de urânio.
Jalili reiterou, no entanto, que o relatório da agência comprova que as
acusações de que o Irã pretende construir uma arma nuclear são
"infundadas", e que o programa visa apenas a produção de energia
elétrica, o que é um "direito irrefutável" do Irã.
Os Estados Unidos e seus aliados dizem que irão pressionar por novas sanções da
ONU contra o país, a não ser que o Irã deixe de lado o enriquecimento de urânio
e forneça informações detalhadas a respeito de suas atividades nucleares.
No início deste mês, o Irã anunciou que havia alcançado o marco de 3.000
centrífugas em funcionamento na plataforma nuclear de Natanz, o que, segundo
especialistas, seria o suficiente para produzir urânio enriquecido para uma
arma nuclear em um ano e meio.
Atualmente, a plataforma está sob observação de uma equipe da AIEA.
Fonte: FOLHAONLINE
28/01/2006 - 11h00
Irã ameaça EUA e Reino Unido com mísseis se sofrer ataques
Publicidade da Folha
Online
O chefe da Guarda Revolucionária Iraniana, general Yahya Rahim Safavi, alertou
neste sábado os EUA e o Reino Unido que pode responder com disparos de mísseis
se o Irã vier a sofrer ataques
Safavi acusou os serviços de inteligência americanos e britânicos de provocar
agitações no sudoeste do Irã (que concentra grande parte das reservas de
petróleo do país), fornecendo materiais para fabricação de bombas a dissidentes
iranianos. Ele acusou os dois países ainda de serem responsáveis por dois ataques
a bomba que mataram nove pessoas na cidade de Ahvaz (próxima à fronteira com o
Iraque), no dia 21 deste mês.
"Forças estrangeiras baseadas no Iraque, especialmente no sul, dirigem
agentes iranianos e dão a eles materiais para bombas", disse Safavi, que acrescentou
que o Irã monitora agentes dissidentes e seus elos com forças dos EUA e do
Reino Unido.
"Estamos cientes de seus encontros no Kuait e no Iraque", disse.
"Alertamos, principalmente o MI6 [serviço secreto britânico no exterior] e
a CIA [Agência Central de Inteligência americana], para que evitem interferir
nos assuntos do Irã."
"Não temos intenção de invadir nenhum país. Iremos tomar medidas
defensivas efetivas se formos atacados", afirmou o general, lembrando que
o Irã tem mísseis balísticos com alcance de 2.000 km. "Os mísseis estão em
posse da Guarda."
O Irã dispõe de uma versão mais potente do míssil Shahab-3 e tem capacidade de
atingir Israel e as bases militares americanas no Oriente Médio. A Guarda
Revolucionária é uma organização separada das forças armadas regulares do país
--criada em 1979, após a Revolução Islâmica, possui suas próprias divisões de
terra mar e ar. Foi equipada com os mísseis em 2003.
Com agências internacionais
Fonte: FOLHAONLINE
Israel ameaça atacar Irã
O vice-primeiro ministro israelense Shaul Mofaz afirmou, em entrevista ao
jornal Yediot Ahronot, que Israel irá atacar o Irã, caso o país não abandone o
programa nuclear. Mofaz, que também é ministro dos Transportes, também disse
que o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad "irá desaparecer antes de
Israel".
A declaração contribuiu para a alta do preço do petróleo, que fechou esta
sexta-feira (6) com a maior subida já registrada em um único dia. Para Mofaz, a
política de contenção que o ocidente faz com o regime de Teerã não está dando
resultado e, por isso, um ataque israelense parece "inevitável".
"As sanções são ineficazes. Devemos atacar", declarou o ministro, nas
ameaças mais concretas já feitas por um membro do Executivo israelense contra o
Irã. Em outra ocasião, o primeiro ministro de Israel Ehud Olmert disse que seu
país estava preparado para usar a força contra as usinas nucleares iranianas e
afirmou na terça-feira (3) que "a ameaça vinda do Irã deve ser parada de
todas as maneiras."
Há um precedente para a ameaça de Israel. Em 1981, aviões israelenses
destruíram um reator iraquiano inacabado. O ministro Mofaz também afirmou ter o
apoio dos Estados Unidos no ataque. Em Washington, nesta semana, o assunto
dominou as conversas entre Olmert e o presidente norte-americano George W.
Bush. Bush chegou a dizer que "o mundo precisa levar a sério a ameaça, da
mesma forma que os Estados Unidos fazem."
O Irã insiste que seu programa nuclear tem fins pacíficos e é designado a
produzir energia. Os comentários de Mofaz coincidem com o lançamento de uma
campanha para substituir Olmert como chefe do partido governista Kadima, que
está sendo investigado sob suspeita de corrupção. Há alguns dias, a ministra de
Relações Exteriores Tzipi Livni, também cotada a substituir Olmert, se
expressou de forma pouco diplomática ao referir-se ao Irã.
Via: Uol
Irã vê ataque militar israelense como
'impossível'
Mais de 100 caças
israelenses F16 e F15 participaram do exercício
O Irã afirmou neste sábado considerar “impossível” um eventual ataque militar
israelense contra suas instalações nucleares e classificou o governo israelense
de “perigoso”.
“Tal audácia de embarcar em um ataque contra os interesses e a integridade
territorial de nosso país é impossível”, disse o porta-voz do governo iraniano
Gholam Hoseyn Elham.
As afirmações foram feitas em meio a especulações geradas por uma reportagem
publicada na sexta-feira pelo jornal americano The New York Times dizendo que
Israel havia realizado treinamentos militares para um eventual ataque ao Irã.
As Forças Armadas de Israel se negaram a comentar as alegações, dizendo apenas
que realiza treinamentos constantes para várias possíveis missões com o
objetivo de combater as ameaças ao país.
Israel, os Estados Unidos e outros países ocidentais acusam o Irã de tentar desenvolver
armas atômicas, mas o governo iraniano afirma que seu programa nuclear é
pacífico e visa apenas a geração de energia para fins civis.
O porta-voz disse que o Irã está estudando uma proposta feira por Estados
Unidos, Rússia, China Grã-Bretanha, França e Alemanha para negociações
preliminares sobre seu programa nuclear, mas rejeitou a exigência de que ele
seja interrompido como pré-condição para o diálogo.
“Sobre a suspensão já foi dito que suspensão das atividades e suspensão do
enriquecimento (de urânio) não é uma questão lógica que seria aceitável e em
qualquer caso a continuação das negociações não será baseada na suspensão do
enriquecimento’, disse Elham.
Bola de fogo
A possibilidade de um ataque israelense ao Irã também foi criticada por Mohammed
ElBaradei, diretor da AIEA, a agência da ONU para energia atômica.
Para ele, um ataque tornaria a posição do Irã mais agressiva e transformaria a
região em uma “bola de fogo”.
ElBaradei disse acreditar que não há um “risco iminente”e que o Irã consiga
desenvolver armas atômicas, dado o atual estágio de seu programa nuclear.
Em entrevista à TV Al Arabiya, ElBaradei disse que se qualquer ação militar for
tomada contra o Irã ele deixará seu cargo na direção da AIEA.
Fonte: BBC Brasil
Extraído do Blog: http://bbaronti.blogspot.com
Terrorista Bush diz que invadiu, matou e roubou pela ‘civilização’
A cínica e idiota “defesa da civilização” feita por Bush é apologia da pilhagem, da pirataria, do assassinato, do terrorismo, da barbárie e do crime
A História do mundo teve alguns vândalos, alguns assassinos, alguns saqueadores e alguns ladrões.
Mas nenhum desses próceres passados do banditismo, que se saiba, andou defendendo que seus crimes eram em defesa da “civilização”.
Ou porque não fossem tão cínicos – ou porque não fossem tão idiotas.
O fato é que nem Hitler fez isso.
Bush é o primeiro.
Matou inocentes no Afeganistão e no Iraque, destruiu, invadiu – e somente para roubar, em ambos os casos, o petróleo.
O do Mar Cáspio, no primeiro caso, o do próprio Iraque, maior reserva do mundo, no segundo Houve também alguns antecessores seus, especialmente Nixon e Eisenhower – o primeiro, por falar nisso, foi vice-presidente do outro não por acaso – que mandaram matar, que aprovaram a rodo as “operações encobertas”, isto é, criminosas da CIA e quejandos, que aboletaram ditadores sanguinários como seus fantoches no país dos outros, e diziam estar defendendo o “mundo livre”, a “democracia”, e até a “civilização ocidental e cristã”.
Mas até esses nunca apresentaram os seus assassinatos, saques e vandalismo como obra e defesa da civilização.
Ao contrário, os crimes eles preferiam esconder – e atribuir os que não podiam ser escondidos aos fantoches.
Mesmo na Coréia e no Vietnã, estavam, diziam, apenas ajudando os coreanos e vietnamitas do sul, isto é, àquelas ditaduras fascistas que sustentavam no sul desses países.
QUADRILHA DE CÍNICOS
Nisso, Bush é o primeiro, talvez porque seja o primeiro idiota total a se aboletar na Casa Branca, depois de uma série de idiotas parciais.
Segundo, porque faz parte de uma quadrilha de cínicos.
Por essa razão, é no momento em que toda a civilização o repudia, que tudo o que é decente no mundo o escorraça, no qual em todos os países os crimes de seu bando causam o mais profundo asco, que ele fala que matar crianças, mulheres e idosos; bombardear civis; explodir embaixadas, missões da ONU e mesquitas milenares; pilhar as riquezas dos povos; torturar em Guantánamo, no Iraque e dentro dos próprios EUA; estabelecer por decreto tribunais secretos e penas de morte secretas; espionar até o que os americanos lêem; seqüestrar filhos de líderes que querem submeter e destruir; que isso, e outras vomitivas nojeiras, é “defesa da civilização”.
Tudo o que é civilizado clama contra o crime.
A civilização é exatamente a superação da barbárie.
Parece óbvio, e é.
Até hoje, com um ou outro ocasional e provisório retrocesso, este tem sido o caminho da Humanidade.
E vai continuar sendo.
Tanto é verdade, que depois de milhões de pessoas terem, pela primeira vez na História, saído às ruas, em todos os lugares, para manifestar sua repulsa pelos crimes contra o Iraque e seu bravo povo, a civilização, se impõe no Iraque contra a barbárie.
Pois a civilização é, em uma de suas mais candentes manifestações, a luta contra o invasor, a luta contra o agressor – isto é, o amor ao seu país, o compromisso com o povo de que fazemos parte, a disposição de arriscar a existência individual pela existência coletiva.
IMPÉRIO ISOLADO
Bush nenhum compromisso tem nem mesmo com seu próprio país.
Para ser exato, não tem compromisso nem mesmo com o conjunto da burguesia imperialista dos EUA.
De bem longe, escondido em algum covil qualquer nos EUA, coloca vidas de americanos em risco, expõe como alvo pessoas do povo e leva o próprio imperialismo americano ao isolamento e antagonismo mais agudo com todo o mundo e, especialmente, com o povo americano.
E leva-o ao abismo apenas em prol dos interesses profundamente anti-americanos de seu grupo de magnatas ladrões (nem de todos os magnatas ladrões, pois existem os que não são bestas).
Ou seja, do interesse dessa minúscula máfia de escalpelar os povos, inclusive o povo norte-americano.
Um reacionário convicto, mas que não era burro, Churchil, falou, num conhecido livro, em como certos monstros – no caso de que estava tratando, Hitler – plantam a tempestade que, quando colhida, os irá varrê-los de vez da face da Terra.
A tentativa da quadrilha usurpadora que começou invadindo a Casa Branca, assim como depois invadiu o Iraque, de fazer a Humanidade retroceder à barbárie, é apenas a “reunião da tempestade” - do título do livro de Churchill - que desabará, inevitavelmente, sobre suas cabeças.
E o povo americano será o primeiro, quando isso acontecer – e já começou a acontecer, e a cada dia a tormenta se torna mais pesada - a reivindicá-las.
Mas não será, certamente, o único.
CARLOS LOPES
Fonte(s):
http://www.horadopovo.com.br/
12/09/2003
Publicidade da Folha Online
O principal negociador iraniano para a questão nuclear, Saeed Jalili, afirmou
nesta quinta-feira antes da reunião entre 35 países a respeito do programa de
Teerã que ameaças de países ocidentais contra o Irã terão repercussão sobre o
Oriente Médio.
"Jogar com a segurança do Irã é como brincar de dominó", disse ele.
"Nós acreditamos que as potências mundiais sabem do papel importante que
temos na segurança global (...) Nossa posição em conflitos como o Afeganistão e
o Iraque é a de levar paz e estabilidade", afirmou.
Os 35 países-membros da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica), da
ONU, se reúnem hoje para discutir seu relatório a respeito das atividades
nucleares do Irã.
O documento aponta que o governo de Teerã continua a ignorar a exigência do
Conselho de Segurança da ONU --a suspensão das atividades de enriquecimento de
urânio.
Jalili reiterou, no entanto, que o relatório da agência comprova que as
acusações de que o Irã pretende construir uma arma nuclear são
"infundadas", e que o programa visa apenas a produção de energia
elétrica, o que é um "direito irrefutável" do Irã.
Os Estados Unidos e seus aliados dizem que irão pressionar por novas sanções da
ONU contra o país, a não ser que o Irã deixe de lado o enriquecimento de urânio
e forneça informações detalhadas a respeito de suas atividades nucleares.
No início deste mês, o Irã anunciou que havia alcançado o marco de 3.000
centrífugas em funcionamento na plataforma nuclear de Natanz, o que, segundo
especialistas, seria o suficiente para produzir urânio enriquecido para uma
arma nuclear em um ano e meio.
Atualmente, a plataforma está sob observação de uma equipe da AIEA.
Fonte: FOLHAONLINE
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Mundo
Anterior a Maio de 2008
Bush faz ameaça ao Irã e planeja invasão
Se o Jogo do Milhão tivesse como participante o presidente Bush, seria a
pergunta perfeita.
George W. Bush, presidente dos EUA, enviou há algumas horas um aviso sério ao
governo do Irã, exigindo que os iranianos parem de exercer sua influência no
Iraque. Bush vê o Irã e a organização terrorista Al Qaeda como dois dos entes
mais nefastos da face da Terra. O apoio iraniano aos muçulmanos radicais
estaria alimentando a guerrilha no território iraquiano, que os
norte-americanos tentam dominar plenamente há anos, desde a Guerra do Iraque,
sem sucesso.
Segundo Bush, o Irã estaria fornecendo explosivos e armas às guerrilhas
nacionalistas do Iraque. "Ele (o Irã) pode viver em paz com o seu vizinho,
aproveitando os fortes laços econômicos, religiosos e culturais, ou pode
continuar a armar, treinar e financiar grupos militantes ilegais que estão
aterrorizando o povo iraquiano e voltando-os contra o Irã. Se o Irã fizer a
escolha certa, a América vai encorajar uma relação pacífica entre o Irã e o
Iraque. Se o Irã fizer a escolha errada, a América vai agir para proteger
nossos interesses, nossas tropas e nossos parceiros iraquianos", disse
Bush.
Na verdade Bush já está anunciando uma provável manobra para invadir o Irã, ás
vésperas das eleições presidenciais nos EUA, o que daria vantagem ao candidato
republicano, mais "linha-dura", John McCann.
Na administração de Bush, os EUA realizaram duas invasões a países
estrangeiros. A primeira, a do Afeganistão, resultou na transformação daquele
país em um território caótico, no qual as condições de miséria já existentes
agravaram-se. No Iraque, os EUA enfrentam forças de resistência que não são
capazes de eliminar, o que tem custado milhares de vidas de seus soldados.
As relações entre EUA e Irã azedaram há bastante tempo: até 1979, os EUA davam
apoio ao governo do Xá Reza Pahlevi, que vendia a força de trabalho dos
iranianos e os recursos naturais do país a preços baixíssimos para as potências
ocidentais. Em 1979, sobreveio a revolução islâmica no Irã, acabando com a
festa petrolífera. Já durante a guerra Irã versus Iraque, nos anos 1980, os EUA
buscavam uma oportunidade para entrar no país mas, naquela ocasião, não
poderiam arriscar um provável conflito com a União Soviética. Agora, Bush pode
ter nas mãos a desculpa perfeita para a invasão que os republicanos
norte-americanos tanto querem há quase 30 anos.
Os EUA pressionam a ONU para que esta apoie uma ação contra o Irã com o
pretexto de que o país estaria desenvolvendo pesquisa nuclear para criar sua
própria bomba atômica. O governo do Irã nega estas pretensões, dizendo que seu
programa nuclear tem fins pacíficos de produção de energia elétrica. Algo
bastante óbvio, já que o país não é exatamente pródigo em rios que possam
abrigar usinas hidrelétricas.
Fonte: MelhordeTodos.com
EUA e IRÃ:
A polêmica e a disputa sobre tecnologia e as armas nucleares
Publicado em 19/04/2008
As constantes pressões que o
Irã vem recebendo da “comunidade internacional” para que interrompa seus trabalhos
em armamento nuclear ocupam um espaço importante nos noticiários do mundo
inteiro. Porém, é fundamental que, antes de qualquer conclusão precipitada,
avaliemos de onde vêm as críticas, a quem são endereçadas e qual seria o seu
real objetivo.
Antes de tudo, é fundamental que se compreenda a importância
do armamento nuclear. Ele é parte do arsenal militar de um país, mas tem um
poder muito maior e letal. Só para se ter uma idéia, nenhum país possuidor de
armas nucleares sofreu um bombardeio aéreo ou foi atacado militarmente. Ou
seja, possuir armas nucleares, na hora de definir uma guerra, faz toda
diferença.
Os países possuidores de armamento nuclear, até o momento,
são: EUA, Rússia, França, China, Grã-Bretanha, Índia, Paquistão, Coréia do
Norte e Israel. Inclusive foi o Reino Unido quem, na década de 50, vendeu
material a Israel para a produção desse tipo de armamento. Será que, se Israel
não fosse um aliado político dos países imperialistas, teria recebido essa
“ajuda”? Obviamente que não.
Os EUA têm, atualmente, 480 bombas nucleares na Europa
espalhadas pelo Reino Unido, Alemanha, Bélgica, Itália, Holanda e Turquia. Em
termos de ogivas nucleares ativas, os EUA são o 2º maior possuidor (5.300),
perdendo somente para a Rússia (8.500). Se quisermos fazer um retrospecto da
Guerra Fria, veremos que EUA e URSS nunca se enfrentaram, diretamente, no campo
militar, e a existência da bomba atômica, em ambos os lados, foi um dos fatores
determinantes para isso.
Assim, quando vemos a ira de europeus e norte-americanos em
relação à Coréia do Norte, sem que isso se transforme em uma guerra, podemos
estar certos de que isso não passa de um receio natural entre aqueles que,
militarmente, lutariam com “as mesmas armas”. Assim, os covardes imperialistas
preferem invadir o Iraque, o Afeganistão, o Haiti, por serem países sem o mesmo
potencial bélico, que lutariam em condições de inferioridade.
Nós, revolucionários, somos contra o monopólio da violência
imposto pelo Estado dirigido pela burguesia, seja imperialista ou não, porém,
defendemos que qualquer país que queira produzir armamento nuclear seja livre
para isso, sem ficar sofrendo reprimendas moralistas daqueles que não só
possuem essas armas como inclusive já as utilizaram (ex: EUA, em Hiroshima e Nagasaki,
quando a 2º Guerra Mundial já havia acabado). Claro que os problemas não são
somente as reprimendas verbais, mas as ameaças de embargo econômico e outras
restrições que, para países pobres e semi coloniais como o Irã, são mais
prejudiciais ainda.
Um discurso aparentemente pacifista não pode nos enganar. Os
maiores defensores do não armamento nuclear são países armados “até os dentes”,
que utilizam esse falso discurso para sensibilizar os ingênuos e mobilizar os
belicistas de plantão, com o objetivo justamente de impedir o surgimento de
novas nações que possam competir militarmente também no campo nuclear. Quando
George Bush esbraveja contra o presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, por
este declarar intenções de investimento em seu potencial nuclear, deve-se
justamente a isso: se o Irã tiver armas nucleares, torna-se imensamente mais
difícil a sua ocupação e uma ofensiva militar. Além disso, o Irã é um dos
grandes produtores de petróleo do Oriente Médio.
Assim, devemos ser intransigentes na denúncia dos falsos
pacifistas, que falam em impedir avanços na tecnologia nuclear, sob o pretexto
de garantir a segurança e a paz mundial, enquanto querem garantir o monopólio
da violência e manter o seu arsenal pronto para ser disparado a qualquer momento.
Todos devem ter o direito de se defender sem depender do “bom senso” dos
imperialistas. Não podemos aceitar ser reféns daqueles que promovem guerras
pela paz e implementam ditaduras em nome da democracia.
Fonte: Movimento revolucionário
Irã exibe poderio militar e ameaça responder firmemente a qualquer
ataque
Mohamed Shivafar
Teerã, 22 set (EFE) - O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou hoje
que o Irã responderá firmemente a qualquer ataque durante um desfile no qual o
país exibiu seu poderio militar e apresentou um novo míssil de fabricação
própria capaz de atingir Israel.
Segundo a agência semi-oficial "Fars", Ahmadinejad advertiu em
discurso realizado na inauguração da Semana de Defesa iraniana que, em caso de
uma agressão militar, o Irã responderá e "fará com que o agressor lamente
sua ação".
Mesmo assim, o presidente lembrou que o povo iraniano jamais iniciou qualquer
guerra e que sempre defendeu a paz e a fraternidade entre os países.
No ato, realizado diante do túmulo do fundador da República Islâmica do Irã, o
aiatolá Ruhollah Khomeini, as Forças Armadas desfilaram exibindo os mais
recentes equipamentos militares de fabricação nacional.
Fonte: NotiEmail
As ameaças dos EUA contra o Irã: o
espectro da barbárie nuclear
Declaração do Conselho Editorial do WSWS
13 Mayo 2006
A recente revelação de que o governo dos EUA mantém a preparação e planejamento
já avançados de uma operação de bombardeio ao Irã, que inclui o possível uso de
armas nucleares, manifesta grave ameaça numa situação internacional de já
crescente instabilidade.
O imperialismo norte-americano embarcou numa trajetória que, se não impedida,
levará o mundo a uma catástrofe histórica, que fará a Segunda Grande Guerra
Mundial, comparativamente, parecer algo insignificante.
Que tal ato possa ser cogitado pela Casa Branca de Bush já é o suficiente para
chocar e horrorizar todos aqueles que estão preocupados com o destino do mundo
e o futuro da humanidade. Pouco menos de seis décadas depois do imperialismo
dos EUA ter realizado os primeiros bombardeios atômicos contra Hiroshima e
Nagasaki—infligindo horrores que as gerações que se seguiram juraram que jamais
se repetiriam—Washington está considerando ativamente o uso de tais terríveis
armas mais uma vez, agora sem provocação real ou mesmo prova verossímil de uma
futura ameaça. Tal ato teria o efeito de incriminar definitivamente os Estados
Unidos como país e como sociedade.
Esses planos não são apenas reais, como já estão em andamento, segundo
confirmação de Seymour Hersh em artigo publicado na revista New Yorker assim
como no The Washington Post. As preparações incluem a designação de tropas para
operações especiais dentro do Irã para visualizar alvos e a realização de
exercícios aéreos nos céus do Mar da Arábia, simulando batalhas com mísseis
nucleares contra instalações nucleares iranianas.
A ameaça da guerra apenas se intensificou desde a publicação desses artigos,
com o anúncio do governo iraniano de que teve sucesso no enriquecimento de
urânio para seu programa de energia nuclear. Teerã mais uma vez insistiu que
esse programa serve apenas para usos pacíficos, e especialistas confirmaram que
seu desenvolvimento ainda deixa o Irã longe de ser capaz de produzir o urânio
enriquecido no grau necessário à fabricação de armas nucleares.
Há sem dúvida pouca cautela nas atitudes tomadas pelo governo de Teerã que, na
discussão sobre confrontação nuclear, está perseguindo seus próprios objetivos
políticos de curto prazo, utilizando o ressentimento nacionalista de uma larga
porção do povo iraniano com relação às provocações dos EUA, como meio de
distração das tensões sociais e políticas dentro do próprio Irã. As ações das
facções burguesas, que controlam o governo iraniano, não fizeram nada para
defender o povo do Irã da ameaça da guerra. De fato, essas facções fazem o jogo
da direita militarista que controla a Casa Branca.
Cálculos políticos domésticos têm um papel proeminente na nova maquinação
bélica dos EUA. O colapso do apoio popular para as políticas de Bush—ele
próprio manifestação de uma crise profundamente enraizada nos EUA—encorajou o
governo a embarcar em outra campanha militar de agressões como meio de atrair a
opinião pública e suprimir a oposição.
Previsivelmente, o governo Bush respondeu ao último anúncio de Teerã engrenando
suas ameaças belicosas. A secretária de Estado Condoleezza Rice disse 12 de
abril que o Conselho de Segurança das Nações Unidas deve dar " passos
decisivos" contra o Irã para "manter a credibilidade da comunidade internacional".
E acrescentou: "não podemos deixar que essas atitudes continuem".
O Secretário de Defesa Donald Rumsfeld descreveu o Irã como "um país (...)
que patrocina terroristas". E continuou: "é um país que indicou um
interesse em ter armas de destruição em massa".
O governo está seguindo um roteiro virtualmente idêntico àquele usado na corrida para a guerra no Iraque, com um obscuro e pouco substancioso alerta sobre uma suposta ameaça iminente pelas "armas de destruição em massa" que apenas podem ser impedidas por uma mudança no regime daquele país iniciada pelos EUA. Mais uma vez, Washington está dispensando, como algo inútil, o monitoramento das Nações Unidas sobre o programa nuclear iraniano. Poucas dúvidas restam de que, com a quase certa recusa da Rússia, China e talvez de outros membros do Conselho de Segurança de legitimar a ação militar, a Casa Branca de Bush vá novamente declarar a ONU irrelevante, e embarcar na sua própria ação unilateral.
Falando a uma platéia na John Hopkins School of Advanced Internacional Studies,
Bush repetiu sua belicosa denúncia contra o Irã feita em 2002, quando disse que
este país—juntamente com a Coréia do Norte e o agora ocupado pelos
Iraque—constitui um "eixo do mal".
Bush declarou que sua estratégia em relação ao Irã foi baseada numa
"doutrina preventiva". Para a linguagem estatal internacional, uma
guerra preventiva é uma guerra de agressão com o objetivo de prevenir que um
rival aumente seu poder ou consiga um avanço estratégico no futuro. Após o
precedente estabelecido pelos julgamentos dos líderes nazistas, em Nuremberg,
isso é considerado crime de guerra.
O The World Socialist Website já ressaltou os paralelos existentes entre as
políticas utilizadas pelo governo dos EUA e os métodos implementados pelos
líderes do III Reich alemão nas décadas de 1930 e 40. O claro desprezo pelas
leis internacionais, a agressão militar na base de falsos pretextos, o uso de
força exagerada contra vítimas relativamente sem poder são comuns a ambos os
regimes. Alguns de nossos leitores podem ter considerado tais comparações
exageradas. Mas com as últimas revelações acerca dos planos dos EUA contra o
Irã, tal complacência não é mais sustentável.
Existe um poderoso elemento de inconseqüência e mesmo insanidade na ameaça dos
EUA ser capaz de usar armas nucleares—pela primeira vez no planeta desde a
Segunda Grande Guerra—pelo suposto propósito preventivo de impedir que o Irã
desenvolva a tecnologia para produzir essas mesmas armas nucleares.
Petróleo e vantagem estratégica
Sublinhando essa aparente loucura, todavia, está uma clara política que vem
sendo seguida pelo imperialismo. Como no Iraque, o motivo principal por detrás
das ameaças de guerra contra o Irã não são as armas de destruição em massa, mas
o petróleo. O programa nuclear iraniano não é, na realidade, visto por
Washington como uma grande ameaça. Assim como no Iraque, armas de destruição em
massa funcionam como casus belli para a ação militar com outros objetivos.
Não apoiamos o esforço do governo iraniano na obtenção de armas nucleares,
partindo do princípio de que em nenhum sentido elas contribuem no avanço da
luta dos trabalhadores no Irã ou em qualquer outro lugar na mesma região.
Todavia, mesmo se o Irã estivesse adquirindo armamento nuclear, isso não teria
uma maior significação militar, dada a gigantesca força que detém os EUA.
O Irã está, afinal de contas, cercado por países que possuem tais armas—Rússia,
Israel, Paquistão, Índia—sendo que alguns deles as obtiveram com apoio aberto
de Washington. Não tivesse a ditadura do Xá do Irã (Reza Pahlevi), apoiada
pelos EUA, sido derrubada, o programa nuclear que ela iniciou, com o apoio
direto de pessoas como Cheney e Rumsfeld, já teria há muito produzido bombas
nucleares.
O governo americano está simplesmente explorando a ignorância popular e uma
mídia condescendente com relação à situação para criar uma cortina de fumaça
por detrás da qual esconde interesses definidos. O Irã possui a segunda maior
reserva de gás natural do mundo, além de ser o quarto país no planeta em
reservas de petróleo. Existem previsões que tais reservas produzirão ainda por
algumas décadas, mesmo após o término do petróleo na Arábia Saudita. Além do
mais, Washington está diante de um fato político grave: o Irã começa a emergir
como o principal beneficiário da intervenção dos EUA no Iraque, ameaçando a
tentativa americana de estabelecer uma hegemonia sobre o Golfo Pérsico e sobre
os recursos energéticos estratégicos da região.
Vê-se uma ameaça ainda maior aos interesses norte-americanos no estreitamento
dos laços do Irã com a Rússia, China e Europa. Washington não tem nenhuma
intenção de permitir aos seus rivais econômicos que tirem vantagens de sua
política de sanções econômicas contra o Irã. Os laços entre Irã e Rússia são
vistos como um impedimento à tentativa norte-americana de controlar as enormes
reservas de petróleo e gás das antigas repúblicas soviéticas da Ásia Central.
A ameaça de uma guerra de agressão contra o Irã e o uso de armas nucleares
expressam a crise histórica do capitalismo norte-americano e mundial, e o
desequilíbrio acelerado dentro de todo o sistema de estados nacionais
capitalistas. Este desequilíbrio e o seu produto maléfico, o risco de uma nova
guerra mundial, foi exacerbado tanto pelo colapso da União Soviética como pelo
relativo declínio do capitalismo dos EUA em relação à economia mundial.
Dentro da oligarquia dominante norte-americana, estes desenvolvimentos
paralelos criaram uma estratégia consensual de exploração da superioridade
militar do imperialismo dos EUA com a intenção de reorganizar a economia
mundial em função dos interesses dos bancos norte-americanos e corporações
transnacionais. Isso significa a tomada de posições e recursos
estratégicos—como no Golfo Pérsico—e o uso do militarismo e da guerra para
impedir a emergência de qualquer rival, mesmo regional, que coloque em risco a
busca norte-americana pela hegemonia global.
Busch negou os planos relatados sobre o uso de armas nucleares, porém, há ampla
evidência de que, no meio político norte-americano, o que antes era impensável
agora é visto como uma opção viável. Um artigo publicado na última edição da
Foreign Affairs, revista que reflete a visão norte-americana da política
externa do país, coloca a possibilidade de uma guerra nuclear na qual os EUA
poderiam sair vitoriosos, baseados nos avanços tecnológicos de seu sistema
armamentista e na deterioração do arsenal nuclear da ex-União Soviética.
"Hoje, pela primeira vez em mais de 50 anos, os EUA estão no limiar da
obtenção da primazia nuclear", diz o artigo. " Provavelmente logo
será possível aos Estados Unidos destruir os arsenais nucleares de longo
alcance da Rússia ou da China".
Um ataque nuclear contra o Irã, país que tem fronteiras com a Rússia,
representaria um primeiro teste desta estratégia. Serviria não apenas para devastar
o Irã e infligir uma destruição em massa da população civil, como também
permitiria ameaçar Rússia, China e qualquer outro poder que se coloque no
caminho das metas imperialistas norte-americanas.
Os EUA estão se movendo em direção que inexoravelmente caminha para uma grande
e catastrófica guerra que tiraria a vida de milhões de pessoas. Em relação à
próxima ação de agressão militar norte-americana, a questão não é
"se", mas apenas "quando".
O Iraque já mostrou que dentro da estrutura política atual dos EUA, não há
meios para bloquear esta ameaça. Com as novas ameaças ao Irã, o Partido
Democrata dos EUA permaneceu em silêncio absoluto.
Em seu artigo no New Yorker, Hersh cita um membro da Câmara, que teria dito que
"não há nenhuma pressão do congresso" contrária ao lançamento da
guerra.
Nenhuma seção do Partido Democrata convocou a realização de audiências públicas
para discutir as implicações políticas, militares, legais e morais dos planos
de uma guerra que pode envolver o uso de armas nucleares. Não há nenhuma razão
para acreditar que o congresso e os democratas não serão tão cúmplices deste
novo ato criminoso quanto o foram da invasão e ocupação do Iraque.
Bastante sintomático da reação dos "liberais" foi o editorial do New
York Times da última terça-feira (11 de abril), com a complacente manchete
"Fantasias militares sobre o Irã".
"O congresso e a sociedade precisam impulsionar um debate nacional sério,
que na realidade nunca aconteceu antes da invasão do Iraque", o Times
declara, notando que o governo está fazendo ameaças de uma "ação militar
futura em uma linguagem que por vezes faz lembrar os pronunciamentos feitos
antes da invasão do Iraque".
O chamado do editorial a um "debate nacional sério" em uma nova
guerra de agressão reflete precisamente a linguagem usada pelo Times nos meses
prévios à invasão do Iraque. Naquela época, o jornal insistiu para que o
governo continuasse a perseguir uma justificativa pseudo-legal para a guerra, e
propos um debate para preparar a opinião pública para a invasão. No entanto, o
jornal apoiou a ação do governo mesmo quando a Casa Branca ordenou a invasão
sem o apoio das Nações Unidas.
O último editorial faz uma advertência sobre as possíveis conseqüências
desfavoráveis dos ataques aéreos contra o Irã, no que se refere às tropas
norte-americanas no Iraque; questiona também se esses ataques realmente
conseguiriam "destruir todo o aparato nuclear iraniano" e descreve
uma guerra contra o Irã como uma "loucura temerária". Mas o jornal
não denuncia claramente a perspectiva de ataques aéreos ofensivos e o possível
uso de armas nucleares como o que essas coisas realmente são: crimes de guerra.
Claramente, os editores vêem essas ações como possibilidades reais.
Estado policial no interior do país
As implicações destas possíveis ações de guerra para a própria sociedade
norte-americana são assustadoras. Os ataques sem dúvida iriam provocar
retaliações, o que seria usado por Washington para intensificar dramaticamente
a "guerra ao terror", sob a forma de uma escalada militarista no
exterior e a eliminação dos direitos democráticos básicos, no interior dos EUA.
O uso de armas nucleares pelos EUA iria provocar horror e revolta na população
norte-americana, e uma massiva oposição. O governo responderia com repressão
direta. A perspectiva do povo americano enfrentando uma ditadura
fascista-militar como subproduto de um ataque militar como este é bastante
real.
As novas ameaças de guerra contra o Irã revivem, mais do que nunca, como única
alternativa para esta época histórica: socialismo ou barbárie. A luta contra
esta nova ameaça e contra a guerra que continua no Iraque apenas pode ser
sustentada pelos trabalhadores norte-americanos, unidos aos trabalhadores e
oprimidos de todo o mundo. É necessário assumir a forma de uma luta política
contra a oligarquia financeira norte-americana e os seus partidos políticos.
O grande perigo é que a crise capitalista e os seus subprodutos, como o
militarismo e a guerra, estão se desenvolvendo muito rapidamente, enquanto os
meios políticos de se opor àqueles estão muito atrasados. Isto precisa ser
superado através de um reconhecimento consciente da contradição entre a
gravidade enorme das questões colocadas e a ausência de qualquer alternativa
política dentro do sistema capitalista americano de dois partidos políticos.
Um novo movimento de massas revolucionário, embasado na unidade internacional
da classe trabalhadora, precisa ser levado adiante, erguendo uma ampla luta
pelo socialismo mundial e contra o já obsoleto sistema dos estados nacionais
sobre o qual o imperialismo ainda se sustenta. O SEP (Partido da Igualdade
Socialista) e o World Socialist Website lutam para estabelecer os fundamentos
políticos indispensáveis para o desenvolvimento de tal movimento.
Estados Unidos:
Ameaça ao Irã preocupa os judeus
Jim Lobe
Washington, 11/05/2006(IPS) - A preocupação da comunidade judia dos Estados
Unidos com a crise do Irã aumentou depois que o presidente George W. Bush
garantiu que o principal motivo de um eventual ataque militar contra esse país
seria a proteção de Israel.
As instituições judias norte-americanas estão convencidas de que um Irã com
capacidade bélica nuclear seria uma "ameaça existencial" contra
Israel, mas temem que um ataque norte-americano, especialmente se não tiver
êxito, provoque uma onda de anti-semitismo. Por outro lado, tal operação
colocaria em risco a longo prazo o apoio dos Estados Unidos ao Estado judeu. E
- advertem - mencionar Israel em um argumento contra o Irã dificultará a
participação de outros países na campanha de Washington contra Teerã.
Na última convenção do Comitê Judeu dos Estados Unidos (AJC), uma integrante de
sua direção, Edith Everett, foi ovacionada de pé ao pedir ao governo que deixe
de vincular as possíveis ações dos Estados Unidos contra o Irã à segurança de
Israel. "Não é uma ajuda nem para Israel nem para os judeus
norte-americanos aparecerem como os estimuladores de uma ação contra o
Irã", afirmou Everett, que solicitou ao presidente do Comitê Nacional do
Partido Republicano (governo), Ken Mehlman, presente à convenção, que
"enviasse a mensagem" a Bush. A "mensagem" da dirigente
reflete o crescente consenso de sua comunidade de que os judeus, em Israel e
fora desse país, têm muito a perder se forem vistos como a vanguarda de uma
guerra contra Teerã, especialmente á luz da débâcle no Iraque.
"Devido às desastrosas conseqüências desta guerra, sua crescente
impopularidade mesmo entre os republicanos, e a inviabilidade de uma saída
decente, a ira aumenta", advertiu em um editorial o periódico The Forward,
o de maior circulação da comunidade judia. Os judeus de Israel e dos Estados
Unidos são cada vez mais acusados de persuadirem o governo Bush a invadir o
Iraque, e tal percepção é equivocada, segundo a publicação. De fato, os judeus
norte-americanos estiveram menos inclinados a lançar a operação no Iraque do
que a população em geral, segundo as pesquisas. Também concluíram antes de
qualquer outro grupo social dos Estados Unidos que a invasão acabou sendo um
grande erro.
Ao mesmo tempo, altos funcionários do governo próximos ao direitista partido
israelense Likud, alentaram o governo, bem como a ala conservadora do
oficialismo, com grande preocupação pelo destino de Israel e com pontos de
vistas semelhantes aos do sionismo direitista. A maioria dos neoconservadores é
de judeus, mas a maioria dos judeus norte-americanos não são neoconservadores,
apesar de nessa comunidade predominar a simpatia em relação ao Estado de
Israel.
"Dentro dos Estados Unidos, o principal motor da guerra contra o Iraque
foi um pequeno grupo de conservadores, muitos deles com estreitas ligações com
o Likud", concluíram dois especialistas em política internacional, John
Mearsheimer, da Universidade de Chicago, e Stephen Walt, da Universidade de
Harvard. O recente estudo de ambos, intitulado "O lobby israelense e a
política externa norte-americana", contribuíram para aumentar a sensação
de vulnerabilidade da comunidade judia, devido às credenciais acadêmicas e
políticas dos dois especialistas. O "lobby", segundo os dois autores
do informe, está encabeçado pelo Comitê de Assuntos Públicos Estados
Unidos-Israel e foi um fator "crítico", embora não exclusivo, da
decisão de lançar a guerra.
O fato de muitos neoconservadores terem incentivado a guerra no Iraque serem os
mesmos que agora se voltam contra o Irã agrava a preocupação da comunidade
judia. Nesse contexto, as reiteradas declarações de Bush vinculando sua posição
contrária ao Irã à segurança de Israel se soma ao incômodo. "É algo
horrível, é perigoso", disse o representante do opositor Partido Democrata
Gary Ackerman, que é judeu, à imprensa da comunidade. "Se algo for mal, é
fato que acusarão os judeus pelo fracasso, e também haverá os que dirão que
fomos à guerra por Israel e não pelos Estados Unidos", acrescentou.
Os argumentos de Bush minam suas gestões para costurar uma coalizão
internacional para pressionar o Irã ou para eventuais ações militares, afirmou
a diretora de projetos do neoconservador de linha dura Instituto Judeu para
Assuntos de Segurança Nacional, Shoshana Bryen. Mas Bush reiterou sua opinião
ao ser entrevistado pelo semanário alemão Bild am Sonntag. Quando o presidente
iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, "diz que quer destruir Israel, o mundo deve
levá-lo a sério. É uma ameaça séria contra um aliado dos Estados Unidos e da
Alemanha", afirmou Bush. Mas The Forward considerou que atacar o Irã
originaria uma "calamidade" no Oriente Médio e uma possível onda
anti-semita em todo o mundo. (IPS/Envolverde)
Fonte: IPS
Assinado Pacto de Defesa entre Irã e Síria
Os aliados Irã e
Síria assinaram um acordo de cooperação militar
contra o que eles consideram as “ameaças comuns”, os Estados Unidos e Israel.
Quando perguntado sobre o processo de desenvolvimento dos seus
mísseis Shahab 3, que têm capacidade de alcançar Israel e bases aliadas no
oriente médio o ministro da
defesa do Irã disse:
“Nossa cooperação é baseada em um pacto estratégico e união
militares iranianos, mas não foi a fundo dentro dessa questão. Não
contra ameaças comuns.
Ambos os países – Irã
e Síria – “sentem a necessidade de reforçar sua segurança.
Falou-se pouco nos últimos dias quanto ao enriquecimento de urânio do Irã.
Esse pacto de defesa assinado pelos dois países mostra que ainda existe uma tensão quanto à solução
dessa questão.
Mais que
Além disso, Mostafa Mohammad Najjar expressou a importância de
outros países, o Irã não mente quando afirma que irá sim continuar com o seu
programa nuclear para:
“livrar a região de armas de destruição em massa”, em uma região explosiva,
numa aparente referência a
Israel, o único
poder nuclear do Oriente
Médio.
Os Estados Unidos estão liderando uma campanha de pressão
em Gaza
contra os planos de desenvolvimento nuclear do Irã, apesar do país não parar
com o enriquecimento de urânio.
Washington afirma que o Irã, aliado à Síria e à Coréia do Norte, ameaçam Israel
e o mundo. Eles estão desenvolvendo armas de destruição em massa.
Quando perguntado sobre as ameaças dos Estados Unidos ao Irã,
iremos resistir
quanto a essas ameaças”, disse o Ministro de Defesa
Considerando tais dados oficiais, baseando-se no tempo necessário
sobre o pacto de cooperação militar, Najjar afirmou que Teerã
“considera a segurança da Síria como a sua própria segurança”.
Por: ORIENTE MÉDIO
VIVO, fundado em 20 de fevereiro de 2006.
Fontes de
pesquisa:
Website ativista
Palestine Monitor (www.palestinemonitor.org)
Website ativista
Electronic Intifada (www.electronicintifada.net)
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