
DO FUTURO!

A CRISE ECONÔMICA MUNDIAL
A QUEBRA DO ATUAL SISTEMA ECONÔMICO INTERNACIONAL
A NOVA ORDEM ECONÔMICA, COMERCIAL E SOCIAL MUNDIAL
O CRACK ECONÔMICO DE 2008/2009, 2010, 2011 E 2012.
PARIS (AFP) — O crack de 2008 é um problema:
Os economistas ainda não sabem definir direito a situação porque ela tem a ver tanto com a objetividade das cifras das bolsas como com os sentimentos profundos que trazem à memória as dramáticas cenas de privação e a violência política da história recente.
A atual crise é a pior desde o colapso de Wall Street há 79 anos, que desembocou na Grande Depressão dos anos 30.
Pode merecer o nome de crack, mas os dicionários são cautelosos no momento de definir algo que tem muito a ver com os sentimentos, ainda que existam certos pontos de referência.
Na segunda-feira, 28 de outubro de 1929, o índice Dow Jones da Bolsa de Nova York despencou 13%, com uma nova queda de 12% no dia seguinte, que entrou para a história como a "Terça-feira negra". No final de novembro, já havia perdido metade de seu valor e, em 1932, perdeu cerca de 90%.
No crack de 1987, em 19 de outubro, o Dow Jones conheceu um queda de 23% em uma única sessão, a maior de sua história. Londres 20% em dois dias.
A sabedoria coletiva estabeleceu uma escala para definir o crack: 10% em um dia, 20% em dois dias e 30% em semansa ou meses. E a maioria das grandes bolsas perderam mais de 20% nesta última semana.
Até esta quinta-feira, no correr da semana, o índice da bolsa nova-iorquina, o Dow Jones caiu 20% e o japonês Nikkei 25%.
Mas o real significado da palavra não tem tanto a ver com as cifras como com o temor que provoca.
Nos Estados Unidos os anos de depressão de antes da Segunda Guerra Mundial deixaram imagens de filas nas padarias, pobreza em massa e, finalmente, o New Deal, com um investimento maciço do Estado para relançar a economia.
Na Europa ainda se recorda a privação, o desespero e principalmente a chegada ao poder de Adolf Hitler na Alemanha, e Benito Mussolini na Itália.
Na América Latina ressurgiram as ditaduras militares, que tomaram conta de todos os países democráticos em ruínas.
Mais recentemente a palabra crack remete os argentinos a 2001, "quando a classe média foi aniquilada da noite para o dia", ressaltou o professor Jonathan Story, da Escola Superior de Economia (INSEAD), em Paris.
O "corralito" que impediu a retirada de dinheiro dos bancos e a queda de 80% no valor do peso em relação ao dólar acabou com as economias da classe média.
A lembrança dos correntistas furiosos batendo panelas nas portas dos bancos ainda está fresca na memória do povo.
Esses fantasmas e essas emoções explicam o impacto da palavra. "Crack" lembra al fome de 1929, o horror de Hitler e o saque dos armazéns judeus pelos nazistas na Noite de cristal (novembro de 1938).
Também atrás da palavra se esconde o fim da ilusão do "prazer eterno".
"Não há um único significado do que seja um crack", afirmou Jon Danielsson, um especialista em crise financeiras da London School of Economics. "As mudanças em nosso bem-estar de hoje se misturam com o sentido histórico do que foi "o" crack. Hoje estamos em meio a um crack do mercado.... Até agora a perda é séria, mas não catastrófica", ressaltou.
"O crack de 1929 foi um desastre pela incapacidade dos governos de entender a gravidade da situação, incapacidade de tomar as medidas políticas adequadas e incapacidade de coordenar internacionalmente", considerou.
Agora, disse, "os governos entenderam a gravidade da situação e estão cooperando admiravelmente bem". Os economistas aprenderam ou "estão voltando a ler os livros de História."
"Não conheço uma definição clara de 'crack', ressaltou o economista Gilles Moec, do Bank of América, em Londres. "Tem a ver com o sentimento coletivo... A palavra 'crack' provoca muitas emoções porque a crise foi seguida de coisas muito ruins".
"Não conheço uma definição correta dessa palavra", concordou o professor universitário de Dublin Antoin Murphy, que já escreveu muito sobre os cracks.
"Os cracks trazem sofrimento e cicatrizes psicológicas e afetam a saúde das pessoas", ressaltou.
FONTE: AFP
Barack Obama ainda não tomou posse e já tem na secretária um relatório que afirma estar o Poder dos EUA (económico, militar e político) a dar as últimas. Mais 20 anos e o império norte-americano encerra para balanço.
O National Intelligence Council (NIC), entidade norte-americana que coordena o trabalho de todas as agências de inteligência do país, revelou um relatório demolidor a médio prazo para o império dos EUA. Desde logo, afirma que a actual crise financeira é apenas o início de uma radical mudança na economia mundial, com a transferência do histórico poderio do Ocidente para o Oriente e, é claro, com o enfraquecimento inevitável do dólar.
"Os próximos 20 anos serão de transição para um novo sistema, para uma nova ordem mundial, onde os riscos serão grandes e difíceis de antever", diz o relatório "Global Trends 2025" ("Tendências Mundiais 2025").
De quatro em quatro anos, ou seja, sempre que há eleições presidenciais nos EUA, é elaborado um relatório deste tipo, se bem que este abarque um período prospectivo mais alargado. O documento cobre todas as áreas consideradas vitais para os EUA e, neste caso, para além de prever que até 2025 o Mundo será um lugar muito mais perigoso, evidencia igualmente que as populações mais pobres, sobretudo de África, terão ainda mais dificuldades a nível alimentar.
Apesar do retrato pouco animador, o NIC acredita que os EUA continuarão a ser o país mais poderoso do Mundo, embora perdendo pontos para países tão diversificados como a China, a Índia, o Brasil e o Irão.
A União Europeia é analisada como um gigante adormecido que, neste espaço de tempo, terá dificuldades em acordar devido às divisões internas e ao processo de alargamento a países com estruturas muito diferentes.
Segundo o NIC, a passagem de um mundo com duas superpotências para um sistema multipolar é geradora de mais conflitos.
No horizonte de 2025, o relatório aponta que o aquecimento global, bem como a escassez de recursos, estarão "inevitavelmente" na origem de novas guerras. A esta análise o NIC junta a disseminação de armas nucleares em países considerados "párias" e em grupos terroristas.
Thomas Fingar, director do NIC, diz que está nas mãos dos líderes mundiais conseguirem ser uma solução para o problema e não, "como se vê um pouco por todo o lado", um problema para a solução.
A crise financeira que começou há mais de um ano nos Estados Unidos como uma crise no pagamento de hipotecas
se alastrou pela economia e contaminou o sistema mundial. Banco atrás
de banco por lá apresentou perdas bilionárias, outros chegaram a
quebrar. Na Europa também há vítimas.
E no Brasil? Por aqui, a crise não afeta ninguém diretamente --os
bancos dizem não possuir papéis ligados às hipotecas--, mas atinge
vários setores por causa da forte contração de crédito.
Entenda como começou a crise nos EUA
As quebras e os problemas enfrentados por bancos até então
considerados importantes e sólidos geraram o que se chama de "crise de
confiança". Num mundo de incertezas, o dinheiro pára de circular --quem
possui recursos sobrando não empresta, quem precisa de dinheiro para
cobrir falta de caixa não encontra quem forneça. Isso fez cair e
encarecer o crédito disponível. E numa economia globalizada, a falta de
dinheiro em outro continente afeta empresas no mundo todo.
| FONTE: Marianne Armshaw/AP |
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| Crise financeira começou com a concessão de créditos de alto risco no setor imobiliário |
Com a circulação de dinheiro congelada e o consumo comprometido, o resultado esperado é a contração das economias, uma vez que empresas, pessoas físicas e governos passam a encontrar dificuldade em financiarem seus projetos. Justamente para injetar liquidez (dinheiro nos mercados) os Bancos Centrais fazem leilões de moeda e criam linhas especiais de bilhões de dólares.
No Brasil, é exatamente esse o principal efeito da crise: a dificuldade em se obter dinheiro. Grandes empresas que dependem de financiamento externo passam a encontrar menos linhas de créditos disponíveis, afinal, os bancos têm medo de emprestar em um contexto de crise. Por conseqüência, com a dificuldade em captar no exterior, ficam comprometidos projetos de construção dessas empresas, que por sua vez gerariam empregos e renda ao país.
Até mesmo os bancos começam a sofrer com a dificuldade de captar recursos no exterior, o que deve fazer os empréstimos ficarem mais caros e mais difíceis também para as pessoas físicas. Por conta disso, as instituições de médio e pequeno porte já tiveram ajuda do governo brasileiro.
Para reduzir os efeitos da crise internacional, o BC (Banco Central) anunciou mudanças nos depósitos compulsórios das instituições financeiras, um dos instrumentos usados para controlar a quantidade de dinheiro que circula na economia.
| FONTE: Antônio Gaudério/Folha Imagem |
| Escassez de dinheiro em circulação dificulta investimentos de governos e empresas |
Por meio do depósito compulsório, o órgão obriga os bancos a depositar em uma conta no próprio BC parte dos recursos captados dos seus clientes nos depósitos à vista, a prazo ou poupança. Assim, quando reduz o compulsório, o BC dá aos bancos mais dinheiro para emprestar aos seus clientes.
Ainda na esteira da contração do crédito, outra conseqüência da crise nos EUA é haver alguma desaceleração do PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro. Isso porque o consumo das famílias e o investimento das empresas, dois dos principais pilares de expansão da economia nos últimos anos, cresceram justamente pela farta oferta de crédito. Com menos dinheiro, gasta-se menos, produz-se menos e o crescimento é menor.
Também serão afetadas as exportações do país, que devem cair porque os países compradores estão se desaquecendo e possuem menos dinheiro para comprar --e menos população com capacidade de consumir.
Por isso, o governo já estuda linhas especiais de financiamento. Entre as possibilidades está colocar mais dinheiro no Proex (Programa de Financiamento às Exportações) e garantir recursos para ACC (Adiantamento de Contrato de Câmbio), mecanismo que permite às empresas oferecer os dólares que receberão por suas exportações como garantia de empréstimos.
O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) também já declarou que o banco de fomento conta com dinheiro suficiente até a primeira metade de 2009 para fazer face à escassez de crédito internacional.
Por fim, pesa a alta do dólar --em momento de crise, a cotação sobe
porque a moeda americana, considerada um investimento seguro, tem mais
procura. E o dólar mais caro encarece os importados, o que pressiona a
inflação e reduz o poder de compra.
| FONTE: Stephen Cernin/Efe | ||
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Bolsa de Valores
Um dos reflexos mais visíveis da crise, porém, é a forte queda nos mercados acionários. Trata-se de um ciclo sem fim: com medo da crise financeira aumentar, os investidores tiram o dinheiro das Bolsas, consideradas investimentos de risco. Então, faltam recursos para as empresas investirem e a crise aumenta, o que faz o investidores tirarem mais dinheiro.
Ou seja, como a crise americana provoca justamente aversão ao risco, os investidores em ações preferem sair das Bolsas, sujeita a oscilações sempre, e aplicar em investimentos mais seguros. Além disso, os estrangeiros que aplicam em mercados emergentes, como o Brasil, vendem seus papéis para cobrir perdas lá fora. Com muita gente querendo vender --oferta elevada--, os preços dos papéis caem e os índices (que refletem os valores das ações) desvalorizam.
FONTE: FOLHA ONLINE
NAS PEGADAS DE 1929?
O Crash de 1929
Muitos pensam que a queda da Bolsa de Nova Iorque aconteceu em apenas um dia, em 1929. Não, não foi assim. Tudo começa na chamada “Quinta-feira Negra”, 24 de outubro. Mas não acaba aí.
Contudo, antes voltemos aos tempos que antecederam a Quinta Negra. Como em toda grande queda, anteriormente houve um período de euforia. Aquela fase em que até pessoas comuns estão começando a comprar papéis. Nos 5 anos anteriores, os valores das ações haviam quintuplicado, em média. A I Guerra Mundial (1914 - 1919) havia colocado os EUA em liderança econômica frente à Europa destruída. A prosperidade pós-guerra parecia não ter fim.
Havia sinais claros, entretanto, que um colapso se aproximava. Parece ser intrínseco ao capitalismo a retração após um período de bonança: não há como se crescer eternamente. Em termos de bolsa, há um momento chave: se todos estão comprados, quem irá comprar agora?!
No dia 3 de setembro, a DJIA (Dow Jones Industrial Average) atingiu um recorde de 381,17 pontos. Nos poucos dias que antecederam a Quinta-feira Negra, grande instabilidade na bolsa: altos volumes de negociação, quedas inesperadas, recuperações súbitas. Em um mês, queda de 17%, que foi seguida por uma recuperação parcial em uma semana.
O temor começa a pairar sobre quem tem papéis nas mãos. A bolha irá estourar? E todos resolvem vender. No dia 24, houve um recorde de negociações. A bolsa despenca. Na sexta-feira, um plano de emergência para restituir a calma: a compra de ações por um preço bem acima do mercado (tática que havia funcionado em 1907). O índice sobe. Mas a tranqüilidade não duraria mais que um fim-de-semana.
Na “Segunda-feira Negra”, dia 28 de outubro, o movimento de desvencilhar-se dos papéis continua. O índice cai mais 13%. No dia-seguinte, a “Terça-feira Negra”, quem ainda não tinha vendido ou quem havia comprado no dia anterior resolve, finalmente, se livrar da bomba. Um novo recorde de negociações é estabelecido. Grandes investidores, como a família Rockefeller, compraram muitos papéis este dia, tentando passar confiança ao mercado. A queda este dia foi de 12%.
Naqueles dois dias, o valor de mercado das empresas caiu 30 bilhões. Mais do que tudo que o país havia gastado na Guerra. Dez vezes mais que o orçamento anual do governo americano, àquela época.
Nos dias seguintes, especuladores resolveram se aproveitar de preços extremamente baixos e compraram. O índice se recuperou um pouco. Mas estes logo fizeram o lucro, e o índice continuou um caminho de longa queda. Em 13 de novembro, fechou a 198,6 - o menor índice daquele ano. Uma perda de quase 48% em relação àquele pico do início de setembro.
Preços tão baixos, hora de voltar a comprar. Em abril de 1930, o índice chegou a 294,0. Isto é, um eventual investidor que houvesse comprado em 13 de novembro e vendido aí, teria obtido cerca de 50% de lucro. Foi o canto do cisne da bolsa americana. A recessão não ligava muito mais para estes números, ela sorrateiramente tomava conta da economia. Pouco a pouco, o índice foi minguando. Sem grandes quedas abruptas. Sem pânico, sem “crash”. Lentamente, minguando, “deprimindo”. Em 1932, no dia 8 de julho, o fundo do poço foi encontrado: Dow Jones fechou a 41,22. Uma queda de 89% em relação ao pico de setembro de 1929. Ou seja, o valor dos papéis foi reduzido a 11% do valor de pico.
Milhares empobreceram, muitos suicidaram. Muitos anos se passariam para que a economia americana recuperasse e, com ela, voltasse a euforia pelas bolsas.
A Grande Depressão não começou com o Crash. Ele foi reflexo do pavor dos investidores ao perceberem a chegada da Depressão. Mas o Crash, sendo tão mais visível que o lento colapso da economia, acorda todos para a Depressão e faz com que esta se aprofunde. O fundo do poço ainda não era em 1929. O Crash era só o prenúncio da Depressão.
Quando se fala em Grande Depressão, talvez a palavra “Grande” seja pequena para dimensionar o tamanho da crise. Os níveis da Dow Jones de 1929 só foram recuperados em 1954. Isto é, 25 anos depois (e, diga-se de passagem, com uma Guerra Mundial para alavancar a economia americana)!
CRISE OU CRASH DE 2008
A história é por demais parecida para que evitemos usar o termo “crash”. Que os ministros da economia o evitem, entendemos, ele são políticos e querem se manter no poder, tentando fazer com que as pessoas pensem que tudo pode não passar de um desarranjo temporário. Que os corretores tendem vender a mesma idéia, é compreensível também: o ganha-pão deles depende disso.
Mas quem não tem nada a perder com o uso do termo pode usá-lo, caso se configure necessário. E parece ser o caso.
Em outubro de 2007, o Dow Jones chegou a cerca de 14200 pontos. No início de outubro de 2008, fechou abaixo de 9500. Uma queda de mais de 35%, boa parte desta em poucos dias (quase 20% em menos de um mês).
Em 19 de outubro de 1987, uma outra “Segunda-feira Negra”, a bolsa americana perdeu 22,6% em um só dia! E se recuperou ainda naquela semana. Ora, por que deveríamos nos apavorar, então, com uma queda de menos de 20% em uma quinzena? A diferença é que a queda de agora não é especulativa. Quando grandes bancos da maior economia mundial começam a quebrar, algo extremamente sério está ocorrendo.
Há causas óbvias em curso para o início de uma recessão na economia mundial, quiçá de uma depressão. O governo tenta apagar o incêndio salvando bancos - este volume absurdo de dinheiro é desviado de onde? Da guerra? Não, de investimentos, de crédito para as pessoas. Regras mais rígidas impedirão alavancagens (isto é, “investir com o que ainda não se tem”), e isto também enxuga a economia. Os investidores medianos e pequenos tomam um choque com as perdas súbitas do investido (muitos perderam o que levaram anos para ganhar - “anos”, aqui, não é figura de linguagem, Dow Jones chegou a índices de 2003). Bancos europeus começam a sentir os reflexos dos problemas americanos quase de imediato - o dinheiro não tem mais fronteiras. Empresários temem novas empreitadas - “E se a economia parar?”, eles pensam, cautelosamente. Etc.
A Bovespa perdeu quase 50% em cerca de 5 meses.
Se isto não é um crash, o que seria?! Em quase tudo, 2008 repete 1929. Anos anteriores de euforia. Um período prévio de instabilidade. Dias de quedas enormes, seguidos de dias de recuperação parcial. Ao longo das semanas, perdas astronômicas. Pânico, desorientação. Crise na maior economia mundial como pano-de-fundo.
Quebramos. Não vê ou não admite quem não quer.
E AGORA?, QUAIS AS PERSPECTIVAS?
Margem para especulação ainda há, é claro. Os períodos de instabilidade, aliás, são os melhores para isto.
E pode ser que haja uma grande recuperação dos índices. Mas alguém realmente acredita que nas próximas semanas ou meses a Bovespa subirá 100%, para recuperar o pico de maio? O seu corretor tem coragem de te dizer isso? Se nem ele tem, é porque isto, definitivamente, não ocorrerá.
Claro, a bolsa é relativamente imprevisível, é quase um jogo, e se houvessem certezas ninguém perderia dinheiro. Mas é apenas relativamente imprevisível. Quando há uma crise econômica real por trás, não há como se esperar que a euforia retorne. E quando o governo americano decide lançar um pacote de quase 1 trilhão de dólares para evitar a ruína do sistema econômico, não temos como negar que há uma grande crise no ar.
Não, não é que estejamos no ápice da crise. Estamos apenas no seu começo. Há poucos meses, havia uma divisão, muitos acreditavam que o problema não fosse sério. Hoje, ninguém ousa dizer isto. Agora é que o cinto vai começar a apertar. Menos crédito. Menos investimentos. Desemprego. Pessoas perdendo seus imóveis financiados. Bancos fechando. Etc. Os próximos anos deverão ser bem menos alegres que os que passaram.
Não que o mundo vá acabar por conta disto. Talvez não. É temeroso fazer previsões de curto prazo, as de longo prazo então são quase brincadeiras de adivinhação. Mas temos três cenários possíveis.
No melhor deles (ou “menos pior”), a crise dura poucos meses, no máximo pouco anos, e o mundo logo retoma o eixo em que vinha até 2007.
No intermediário, a crise realmente é séria, e dura anos. Neste ínterim, o mundo todo é prejudicado, pois a economia mundial depende visceralmente da americana. Quem lucrará com isso será quem sair menos prejudicado. Quem encolher menos parecerá maior que antes, finda a crise. Países como a China, Brasil e outros podem se beneficiar, nesse cenário.
QUAL O PIOR CENÁRIO POSSÍVEL DO FUTURO?
E há o pior cenário. Quem me mostrou ele foi Leo Huberman, no seu livro “História da Riqueza do Homem”. O livro foi escrito na década de 30 e analisa a história do capitalismo. É um livro relativamente comum, até suas últimas páginas, quando então Huberman escreve as linhas que, a meu ver, o tornam um visionário simplesmente genial.
O livro foi escrito em 1936. A II Guerra Mundial começa em 1939. Três anos antes, portanto. Três anos antes Huberman pergunta-se o que a Alemanha e a Itália estão planejando com suas políticas econômicas. Ele conclui na penúltima página de seu livro: “A resposta é curta e terrível: GUERRA”.
Guerras, para Huberman, são simplesmente movidas por necessidade de expansão de mercados, desde que o capitalismo surgiu.
Em um cenário de crise mundial, o que poderia movimentar as economias paradas, se não uma guerra? Qual a lição que os EUA retiraram das duas guerras, se não a de que seu país só ganhou, com elas?
O que custa “descobrirem” que o Irã possui as mesmas “armas de destruição em massa” que o Iraque NÃO possuía? O que custa para aquela tensão recente da Rússia com os países europeus virar uma guerra? Custa muito pouco. A I Guerra Mundial teve como estopim um fato quase tolo, o assassinato de um herdeiro do trono austro-húngaro. O barril de pólvora que já estava todo armado explodiu, então.
Não estamos dizendo que haverá a III Guerra Mundial. Com as armas que dispomos hoje, esta poderia ser chamada de A Última Guerra. A guerra que selaria o fim da humanidade. Isto não interessa a ninguém, por isto é pouco provável que ocorra. Contudo, a probabilidade de guerras menores é maior.
Pode ser que estas também não ocorram. Este é pior cenário e, por enquanto, não é o mais provável. Pode parecer alarmista demais ligar uma queda na bolsa a uma guerra, mas devem ter chamado Huberman de “alarmista” também, mas não é à toa que seu livro é impresso até hoje. Aprendamos com os geniais, sejamos menos otimistas e tolos e mais realistas.
Mas torçamos e cuidemos para que não ocorram guerras. Se ficarmos vivos, o pior que pode nos acontecer é vermos murcharem nossos sonhos de prosperidade fácil, é termos que trabalhar mais para efetivar nossos projetos - alguns deles, os mais caros, terão que ser cortados da lista, é claro.
De qualquer forma, não creio estar sendo pessimista, agora, ao repetir John Lennon e o padeiro da esquina: “O sonho acabou.”
Alguns anos depois…
Não acredito que esta será a última grande crise mundial (caso a III Guerra não nos varra do mapa, é claro). Aos poucos a rigidez econômica e protecionista dos governos se afrouxará. Os meninos de Wall Street (quer esta esteja ainda nos EUA ou na China, ou quem sabe, na Bovespa), daqui a algumas décadas, serão novamente cegados pela ganância e pelo otimismo. O passado terá virado história e, na cabeça deles, não se repetirá. Humanos, demasiado humanos, seus corações transbordarão de euforia ao verem um índice subir 10% em um dia. E ordenarão que se compre, compre...Há um grupo de pessoas, que previram a crise financeira, ou pelo menos a sua gravidade.
O que essas pessoas estão prevendo agora?
Peter Schiff e Ron Paul
Schiff, o administrador de cerca de um bilhão de dólares em investimentos, afirma que os Estados Unidos entrará em um longo período de depressão, que poderá ser pior que a Grande depressão de 1929.
Schiff também acha que a crise financeira poderá levar a decretação da lei marcial.
Ele pensa que a Ásia e Europa após um período de retração econômica, se separarão financeiramente dos EUA, podendo entrar em um período de prosperidade, antes que os EUA se recuperem.
Schiff admite que não previu a alta do dólar e de seus investidores, mesmo em países da Ásia e da Europa.
Schiff foi o conselheiro econômico da campanha de Ron Paul. Paul previu a crise há muitos anos atrás, e têm alertado que a América gasta mais do que pode. Paul também têm alertado frequentemente sobre a lei marcial.
Nouriel Roubini
Roubini é PHD em economia e acha que os EUA caminham para uma “estagnação-deflação”, o que significa uma severa estagnação com deflação. Basicamente ele acha que os EUA irão rapidamente para a depressão, se o governo não tomar atitudes extremas.
Ele também alerta para a possível falta de alimentos.
Marc Faber
O PHD em economia que previu a crise de 1987 e a atual, acredita que os EUA suportarão a crise apenas por alguns meses, e depois quebrará.
Ele está convencido que os EUA irão falir mais cedo ou mais tarde.
Faber também acha que a atual crise não pode ser resolvida por um passe de mágica e nem pela tradicional forma de governo dos EUA, e teme pela implantação da lei marcial ou de outra desagradável forma de governo.
Nassim Nicholas Taleb
Economista, consultor financeiro de alto nível, e uma das maiores autoridades em derivativos, Nassim acha que o capitalismo I está acabado, e as coisas vão piorar muito até que surja uma nova forma do capitalismo II, onde os bancos utilizem o dinheiro para a produção de fato, em vez de gerar uma falsa produção.
Ele tem advertido que grandes economias podem quebrar. Enquanto estivermos fazendo as coisas erradas, como disse Charlie Rose, as coisas ficarão piores do que Roubini previu.
Antal E. Fekete e Darryl Schoon
Professor emérito de matemática, Antal e o autor Darryl acham que a moderna sociedade irá falir (eles acreditam que tudo irá quebrar, menos o comércio do ouro)
Palavras Finais Sobre a Grande Depressão
Como palavra final, podemos dizer que, embora a depressão de 1929 tenha sido uma depressão profunda, não foi a maior depressão da história, e pode ser considerada uma depressão leve, se comparada com a quebra dos bancos de 1340.
É surpreendente que a depressão de 1929 não seja comparada com a depressão de 1340.
Como se pode constatar que a depressão de 1929 foi pior de que a 1340?
Bem, a depressão de 1340 aconteceu em uma era muito longínqua.
Agora, acho que imediatamente nada de ruim irá acontecer. Mas a discussão sobre a horrível depressão Americana de 1929 não pode cair no vácuo.
A não ser que nosso governo pare de fazer coisas erradas, a situação poderá ficar menos feia.
fonte: Prison Planet
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